Alta nas atividades traz alívio para o setor

Índice aumentou quase 9%em Goiás na comparação entreposto o mês anterior, confirmando o maior crescimento País trade turístico

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Fabrício Amaral comemora retomada do turismo em Goiás, que teve o maior crescimento do País. Foto: Goiás Turismo

Maísa Lima 

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que permite acompanhar o comportamento conjuntural do setor de serviços no País, mostrou que em agosto último o índice de atividades turísticas em Goiás subiu 8,8% em relação a julho. Foi a maior alta entre as unidades federativas investigadas. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o setor subiu 66,4%, sendo a 5ª alta seguida, após ter caído 13 vezes consecutivas.

Expectativa de Fernando Pereira é que até o final do ano os hotéis de Goiânia possam chegar a uma taxa de ocupação de 100%. Foto: Abih-GO

Com isso, o turismo goiano já acumula alta de 42,2% em 2021 e 15,3% nos últimos doze meses. A retomada é comemorada pelos gestores do trade turístico, um dos primeiros setores a ser impactado pela pandemia de Covid-19: entre março de 2020 e julho de 2021, acumulou perdas de R$ 413,1 bilhões no Brasil, de acordo com estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Mais de 35 mil empresas foram fechadas e 397 mil empregos se perderam, uma diminuição de 12,8% da força de trabalho do setor, segundo a entidade.

Para Fernando Carlos Pereira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (Abih-GO), o crescimento gradual das atividades turísticas deve ser creditado ao avanço da vacinação. “Em 2020 o setor amargou uma série de prejuízos, mas a partir de maio deste ano estamos constatando a abertura de vagas de emprego para todas as funções exercidas nesse segmento. Estou otimista com a liberação dos eventos corporativos e com os concursos anunciados pelo governo de Goiás. Nessas ocasiões a taxa de ocupação hoteleira chega a 100% em Goiânia”, comemora. 

EQUILÍBRIO

Atualmente a oferta de leitos na rede hoteleira da capital está restrita a 80%, mas a expectativa do presidente da Abih-GO é que até o final do ano seja permitida a ocupação de 100% das acomodações. “A malha aérea também está voltando a funcionar”, acrescenta, referindo-se ao fato de que durante a crise sanitária foi mantida apenas a malha aérea essencial e em agosto passado ela atingiu 70% do cenário pré-pandemia. Presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral credita a alta no índice de atividades turísticas não só ao avanço da vacinação, mas também ao fato da pandemia ter estimulado as pessoas a visitarem destinos mais próximos, ao invés de se dirigirem para o exterior ou mesmo a outros Estados. “Somente no setor de bares e restaurantes houveram mais de mil contratações. Em termos de geração de emprego, em Goiás o turismo só perde para o agronegócio”.

Contratações aumentam mas está longe de cobrir demissões

O Sindicato Intermunicipal dos Empregados no Comércio Hoteleiro no Estado de Goiás (Sechseg) homologou cerca de 12 mil demissões durante a crise da pandemia de Covid-19. O presidente da entidade, Marlos Luz da Silva comemora a retomada das contratações, mas salienta que ainda tem muitos trabalhadores fora do mercado e dependendo da doação de cestas básicas.

Marlos com funcionárias da rede hoteleira. Apesar das contratações muitos trabalhadores ainda dependem de doação de cesta básica. Foto: Seshseg

“Encampamos campanhas de solidariedade porque muitos pais e mães de família estão passando necessidade. O setor de hotelaria, bares e restaurantes foi o primeiro a fechar e o último a reabrir. Muita gente ainda não conseguiu uma recolocação. Acredito que entre os bares e restaurantes cerca de 60% das vagas foram ocupadas novamente. No ramo hoteleiro, algo em torno de 40%, porque os estabelecimentos sofrem com as restrições municipais”, avalia o sindicalista, que também preside a Federação dos Trabalhadores de Hospitalidade e Turismo dos Estados de Goiás e Tocantins (Fetego).

O Sechseg criou um banco de empregos para tentar acelerar as contratações, mas tem esbarrado na falta de qualificação. “Como o setor voltou a empregar e tem muita gente sem trabalho no momento, as pessoas estão migrando para essa área sem ter a formação que o mercado exige”, lamenta, acrescentando que a preocupação com os protocolos sanitários é uma constante no sindicato, tanto para proteção do trabalhador, quanto dos clientes por ele atendidos.

ABRASEL

A reportagem tentou ouvir a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-GO), mas sua assessoria informou que o presidente Danilo Viegas estava em reunião. Em seu site, a entidade informa que começa a render algum resultado a série de ações civis públicas que impetrou na Justiça em 26 estados, Distrito Federal e 275 municípios para pedir reparação aos governos e prefeituras pelas perdas da pandemia.

O governo do Mato Grosso do Sul negociou um pacote de reparação aos estabelecimentos que desembarcarem da ação. A medida prevê benefícios no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) até 2022 e também pode haver isenção do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA) do ano que vem para carros de empresas como confeitarias, sorveterias, cafeterias e outros.

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