Entrevista | “Vamos levar nossa candidatura até o fim porque não existe eleição ganha”

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Fotos: Tribuna do Planalto

Empresário do ramo da confecção, Jânio Darrot está atuando na política desde 2008, quando se elegeu prefeito de Trindade pelo PSDB. No início deste ano, ele trocou o PSDB pelo Patriota para disputar o governo de Goiás e é categórico ao afirmar que não há possibilidade de retroceder dessa decisão. No momento, Darrot se prepara para iniciar visitas aos municípios para apresentar seu propósito às lideranças políticas e diz que só vai pensar em alianças após o fim da janela partidária, em março.

Tribuna do Planalto – O senhor é o primeiro a apresentar uma pré-candidatura ao governo em oposição ao governador Ronaldo Caiado (DEM), que irá disputar a reeleição. Com quais cenários o Patriota trabalha para a eleição de 2022?

Jânio Darrot – Nós colocamos a candidatura agora, talvez de uma forma um pouco adiantada, porque vimos que o governador inclusive já formou sua chapa, escolhendo o MDB para compor como vice. Nós resolvemos que deveríamos também colocar agora porque o Patriota não é um partido grande, é um partido que está crescendo e deve crescer muito nessas eleições. Estamos formando a chapa de deputados estaduais e de deputados federais, buscando trazer pessoas que queiram estar conosco nessa candidatura de oposição. O Patriota está aberto para coligar com todos os partidos de oposição, todos aqueles que estiverem dispostos e prontos para o embate. É um partido de centro que não tem arestas e o que queremos é fazer uma boa campanha. E estamos muito animados. Acredito que, no momento certo, em março, fechada a janela para as trocas partidárias, vamos conseguir fazer boas alianças. Eu tenho certeza de que o Patriota tem tudo para conseguir isso porque tem um presidente que tem uma credibilidade muito grande dentro do processo político de Goiás. Jorcelino Braga, além de ser presidente em Goiás, é também secretário na Executiva Nacional do partido e, sem dúvida nenhuma, é uma pessoa extremamente preparada, que conhece a política de Goiás e é um grande estrategista.

Há alguma conversa com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) para a formação de uma aliança? 

Não temos ainda nenhuma conversa com o PSDB, como também não tem nenhuma conversa adiantada com outros partidos. O que eu acho mais importante é que quando eu recebi o convite para ir para o Patriota, o convite era para ser candidato a governador. Não foi apenas para somar, para ser candidato a deputado estadual ou federal: eu fui convidado para ser o candidato a governador pelo Patriota. Eu saí do PSDB, no qual exerci a presidência por dois anos, e vim para o Patriota porque vi que aqui eu poderia trabalhar e almejar com tranquilidade a candidatura ao governo do estado pelo partido. O PSDB é um partido maior, que já tem uma história em Goiás com o ex-governador Marconi Perillo, governador por quatro vezes, e, logicamente, eu teria dificuldade de afirmação e, às vezes, até de credibilidade dessa candidatura. Dentro do Patriota não tenho nenhuma dúvida e o presidente Braga não vai disputar nenhum cargo porque ele não tem interesse em estar na disputa. Ele é um estrategista, uma pessoa que adora os bastidores e que trabalha para o partido e para preparar as candidaturas. Dentro do Patriota ninguém tem dúvidas sobre a nossa candidatura e fica mais fácil, durante o processo, daqui até as convenções, conversar já com a determinação de que vamos até o final com essa candidatura.

Considerando as alianças que Ronaldo Caiado já fechou e o número reduzido de legendas que não se alinharam ao projeto de reeleição do governador, quais partidos o senhor acredita que possam vir a apoiar sua candidatura? O PSDB e o PSD podem estar na chapa do Patriota? 

Eu acredito que podemos ter vários partidos e não vejo porque o PSDB não possa estar conosco. É um partido que tem grandes quadros. Inclusive o ex-governador Marconi Perillo fez grandes gestões à frente do governo do estado, tem uma história de grandes realizações na política como deputado estadual e federal e senador. Tanto no Legislativo como no Executivo prestou um excelente serviço a Goiás. E também tem grandes quadros dentro do PSDB. Quando eu estava à frente do partido tínhamos mais de 70 prefeitos e elegemos 22 prefeitos nessa última eleição. Não vejo porque não poderíamos estar juntos lá na frente. Republicanos, PSD e todos os outros partidos menores poderão estar conosco e eu não vejo grandes dificuldades para isso. É lógico que, na condição de governador candidato à reeleição, Ronaldo Caiado tem maior autoridade para formar alianças e isso é perfeitamente compreensível. Mas nem todos ficarão, porque não vão ter o espaço que eles queriam ter e isso deve causar insatisfação. Eu não vou dizer que tenho uma longa experiência política. Comecei em 2008, quando fui candidato pela primeira vez a prefeito de Trindade; depois, em 2010, candidato a deputado estadual; eleito prefeito em 2012 e reeleito em 2016. Nesse tempo todo participando de campanhas estaduais e municipais, eu percebi que as coisas em política acontecem muito próximo das eleições, muitas alianças acontecem no momento das convenções. Eu estou me antecipando para que possa percorrer o estado de Goiás, conversar com as pessoas, com os prefeitos, com os ex-prefeitos, com os vereadores, lideranças políticas para que possamos ir consolidando o nome daqui até lá. Mas eu acredito que composição, alianças e formação de chapa, para nós que somos da oposição, só vai acontecer bem na frente.

O senhor era citado como um dos nomes do PSDB para disputar o governo. Por que preferiu deixar o partido?

Eu precisava, vamos dizer assim, de uma carreira solo e fui para o Patriota justamente porque percebi que teria todas as condições para ser o candidato a governador. Acredito que o partido tem todas as condições de crescer e de colocar meu nome. Sabemos que existe uma gama muito grande de partidos políticos e que as eleições deixaram de ser tão influenciadas pelas legendas como eram lá atrás, quando tínhamos ideologias muito fortes, partidos como Arena e MDB. Agora, com essa pluralidade de partidos, mais de 30 no Brasil, as pessoas olham o candidato que passa uma confiança maior, aquele que elas acreditam que irá fazer um governo que atenda aos seus anseios.

Como está o trabalho para a construção da candidatura?

Estamos trabalhando essa agenda de visitas aos municípios e devemos iniciar a partir do dia 20 de outubro. Eu já visitei alguns e também estamos conversando bastante, fazendo reuniões com várias lideranças políticas que manifestam a intenção de ser candidatos a deputado federal e estadual. Logo, vamos começar a sair, mas com uma intensidade menor do que vai ser lá na pré-campanha e na campanha. Agora, temos tempo, as conversas são mais longas e a gente demanda de mais tempo para conversar, para ir em um determinado município. Não é aquela agenda que percorre 30, 20 municípios em uma semana. Estamos em um trabalho que carece de uma atenção maior, de um tempo maior de conversa para expor para cada líder os planos, os projetos e o porquê dessa candidatura.

Qual será o principal contraponto ao governo que a candidatura do senhor vai explorar?

A principal coisa que queremos mostrar é que podemos fazer um governo melhor. A nossa campanha não vai ser agressiva, não vamos para um debate de apenas apontar os erros. Vamos apontar os erros, sim; mas vamos mostrar que podemos fazer melhor, que, com os recursos que o estado tem, podemos oferecer ao povo de Goiás uma gestão muito melhor do que a que está aí agora. Nós sabemos e temos condições de fazer isso. Eu me sinto preparado para isso, tenho experiência de 40 anos na gestão privada e de 10 anos de mandatos de deputado e de prefeito de Trindade. A partir daí, eu pude perceber que se pode fazer muito mais pelo estado de Goiás do que o atual governador está fazendo.

Em quais áreas o senhor poderia oferecer soluções melhores que o atual governo? 

No todo. Eu acredito que, com o mesmo recurso que o estado tem, podemos ter uma administração mais criativa, mais arrojada, para que possamos desenvolver, atrair mais empresas para Goiás, mostrando que o estado é viável e que as pessoas podem vir para cá empreender. E vamos investir muito nas áreas básicas e prioritárias, como educação, segurança pública e saúde, além da infraestrutura. Temos muitas estradas que precisam ser construídas para escoar a produção de grãos. No tempo certo, vamos apresentar nosso plano de governo para que possamos desenvolver o estado de Goiás ainda mais.

Henrique Meirelles (PSD) está à procura de vaga para disputar uma cadeira no Senado e pode ser na chapa do governador ou na de oposição. Há possibilidade de o Patriota abrir a vaga de senador para Meirelles? 

Sobre as vagas de vice-governador e de senador estamos abertos para conversar e elas vão pertencer aos partidos aliados. O PSD é um partido de uma importância muito grande e Henrique Meirelles um político de nome nacional e até internacional. Nós sabemos da capacidade dele, do potencial que tem e, para nós, seria ótimo, seria excelente. Mas tudo isso vai ser construído e têm outros nomes também que poderão estar juntos conosco, nomes apontados pelo Republicanos e por outros partidos que se aliarem ao Patriota. Essa composição vai ser feita dentro dessa formação das alianças que vão acontecer no decorrer do processo. 

O senhor manterá a candidatura mesmo dentro de uma chapa puro sangue?

A minha candidatura já está, há muito tempo, definida. Eu vim para o Patriota com esse objetivo e não sou candidato a deputado estadual nem a deputado federal, não desmerecendo, porque seria uma honra estar de novo no Legislativo goiano, mas meu perfil é mais de executivo, é o que gosto de fazer e vou buscar atingir esse objetivo. Vamos levar nossa candidatura até o fim porque não existe eleição ganha e nem eleição totalmente perdida.

Como o senhor vê a situação de Gustavo Mendanha (sem partido), prefeito de Aparecida de Goiânia, nesse contexto da oposição? 

As pessoas me perguntam se eu poderia ser vice em uma chapa com Gustavo Mendanha. Ele está em um momento muito bom, de visibilidade muito grande desde a eleição, na qual teve mais de 90% dos votos válidos em Aparecida, segundo maior colégio eleitoral do estado de Goiás e segunda maior cidade da Região Metropolitana. O meu propósito não é esse. Acredito que podemos fazer alianças, sim, e se o Gustavo não for candidato e eu tiver o seu apoio isso seria muito importante para mim. Não acredito na possibilidade de o Gustavo deixar a Prefeitura de Aparecida para ser vice ou disputar qualquer outro cargo que não seja o de governador. Até porque ele é muito bem lembrado nas pesquisas que temos observado. Se Gustavo renunciar à prefeitura, ele vai ser candidato e a possibilidade de estarmos juntos no segundo turno é muito grande. 

O senhor trabalha com quantas candidaturas da oposição? 

Acredito que teremos de três a quatro candidaturas, ou até mais.

Como que o senhor avalia a tentativa do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) de se filiar ao Patriota? 

Nós queríamos muito ter o presidente no Patriota, mas da maneira como as coisas foram feitas pelo ex-presidente do partido, Adilson Barroso, que perdeu na Justiça o direito de continuar à frente do Patriota, estava se criando um novo Patriota, usando só o nome. Mas de forma alguma é porque não queríamos a vinda do presidente, como ainda pode acontecer. A gente não sabe

 

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