Goiás sai na frente na implementação do novo Ensino Médio

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Foto: Divulgação

Goiás é um dos estados que saiu na frente na implementação do novo modelo de Ensino Médio. Atualmente, 62% das escolas do 1º ano da rede estadual estão funcionando com as normativas da reforma e seguem, gradativamente, implantando-as nas demais séries. 

A superintendente do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Osvany da Costa, explica que a mudança é pautada em três eixos: a ampliação da carga horária, a escrita no documento curricular a partir da Base Nacional Comum Curricular(BNCC) e o trabalho, estimulando o protagonismo do jovem.

Osvany da Costa, superintendente do
Ensino Médio da Seduc: “A partir do momento em que o estudante
pode escolher, o ensino torna-se mais significativo para ele”

O documento curricular foi aprovado no início deste mês pelo Conselho Estadual de Educação (CEE), dando início às principais mudanças no novo modelo. “Acreditamos muito que a partir do momento em que o estudante puder fazer a escolha em qual área do conhecimento ele pretende aprofundar seus conhecimentos, o ensino torna-se mais significativo para ele e, desta forma, é claro, ele terá mais interesse e haverá menos evasão”, aposta. 

A superintendente explica que a implementação será feita por partes e deixa claro que os estudantes não terão defasagem no aprendizado em nenhum conteúdo do Ensino Médio. “O fato é que ao longo dos três anos serão contemplados todos os componentes curriculares e o aluno não deixará de passar por nenhum deles. No entanto, Língua Portuguesa e Matemática estarão presentes nas três séries, mas todos os outros componentes serão trabalhados”, afirma.

Segundo Osvany, o novo documento curricular, que foi elaborado a partir da BNCC e embasado nas reais necessidades da aprendizagem do estudante, contempla também os itinerários formativos no campo da flexibilização curricular, que conta com uma parte geral básica e uma parte de flexibilização curricular, que é onde estão inseridos o de vida, as eletivas e as trilhas de aprofundamento. Esses três itens formam o itinerário formativo.

“Nunca vi uma coisa tão absurda como essa reforma”

Denise Silva, doutora em Educação: “Essa reforma é uma beleza para escolas grandes e até mesmo para as
particulares”

A doutora em Educação Denise Silva é totalmente contra o novo modelo de Ensino Médio. Para ela, as mudanças trarão desigualdades irreparáveis para os jovens brasileiros, além de desfavorecer os alunos de classe baixa ou que vivem em situação de pobreza. 

A especialista analisa que escolas menores, principalmente as dos pequenos municípios, terão menos condições de ofertar de modo igual os itinerários, isso porque a lei da reforma permite que os conteúdos sejam agrupados por área do conhecimento e a unidade de ensino nem sempre tem condições de ofertar todos os itinerários formativos. “Essa reforma é uma beleza para escolas grandes e até mesmo para as particulares que têm estrutura para oferecer os cinco roteiros de formação. Imagina uma cidade do interior pequena, que não tem estrutura para disponibilizar todas essas opções para os alunos. Terá muita defasagem. Não estou falando nada de mais, apenas analisando a lei”, diz.

O aluno de classe média e alta, segundo Denise, terá boa formação e vai chegar a sentir que mora nos Estados Unidos ao escolher o que deseja, mas o estudante pobre ficará limitado por não ter a chance de optar entre todos itinerários, principalmente nas escolas menores.

Já o estudante da escola pública ficará à mercê do sistema, visto que as escolas vão oferecer os itinerários formativos de acordo com suas possibilidades. “Se um município pobre não tem condições de pagar professores de todas as áreas serão poucas opções de escolha”, explica.

Para a doutora, o objetivo de tudo isso é esvaziar os conteúdos mais críticos, como História, Sociologia, Filosofia e Artes, para que os jovens se conformem com a vida miserável que está destinada a eles, para que não compreendam os mecanismo que os mantém nessa situação. “Essa manobra desloca para o indivíduo a responsabilidade pelo desemprego, pelo ensino precário e acaba com a formação crítica do Ensino Médio”, declara.

Denise também observa que os alunos não sabem definir ainda o que querem para o futuro estudantil, e que é muito precoce dar a eles a liberdade de escolherem o caminho de formação futura. Para ela, isso é muito sério e poderá propiciar danos irreparáveis na educação dos jovens. Ela lamenta que para instituir a política de fomento e implantação de escolas de tempo integral acabaram mudando toda estrutura do ensino médio.

Veja mais mudanças do Ensino Médio – Disciplinas viram áreas do conhecimento

A grade curricular das escolas públicas e privadas de Ensino Médio não terão mais o formato utilizado até então, em que as disciplinas eram individuais. Agora, os conteúdos serão divididos em áreas do conhecimento de maneira similar ao que acontece no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). São elas:

  • a Linguagens e suas tecnologias; 
  • a Matemática e suas tecnologias; 
  • a Ciências da natureza e suas tecnologias; 
  • a Ciências humanas e sociais aplicadas;

Estas divisões vão abranger Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa, Matemática, Biologia, Física, Química, Filosofia, Geografia, História e Sociologia. Ou seja, nenhuma disciplina será excluída do currículo atual, elas somente serão trabalhadas de maneira diferente do que era feito até então.

No entanto, das disciplinas atuais, somente Língua Portuguesa e Matemática vão ser obrigatórias nos três anos de ensino médio.

O objetivo da nova organização curricular é integrar as disciplinas, fortalecendo as relações entre elas e melhorando seu entendimento e aplicação na vida real. Esta grade não deve ultrapassar o limite de 1.8 mil horas ao longo dos três anos de ensino médio.

Itinerários formativos 

Os itinerários formativos são a maior novidade no novo ensino médio. Eles serão optativos, escolhidos de acordo com a vontade do estudante e da oferta da instituição e serão compostos para se aprofundar nos conhecimentos das seguintes áreas:

  • Linguagens e suas tecnologias;
  • a Matemática e suas tecnologias; 
  • a Ciências da natureza e suas tecnologias; 
  • a Ciências humanas e sociais aplicadas; 
  • a Formação técnica e profissional.

Na prática, vai funcionar assim: o aluno terá em sua grade as quatro áreas do conhecimento divididas por ano ou por semestre, a depender da escola, e poderá escolher uma disciplina extra para se aprofundar em uma das áreas ou na formação técnica e profissional.

Por exemplo, a escola pode oferecer um itinerário de comunicação, no campo de linguagens e suas tecnologias, e outro de meio ambiente e sociedade em ciências da natureza, e o estudante terá a liberdade de optar qual itinerário cumprir.

O objetivo é dar ao aluno a oportunidade de sair do Ensino Médio com uma formação ou conhecimentos específicos que o ajude a adentrar o mercado de trabalho sem precisar de um diploma de formação superior.

Esta parte da grade curricular ocupará 1,2 mil horas, divididas nos três anos da fase escolar. O aluno poderá iniciar o itinerário escolhido no 1º ano, caso esteja disponível em sua escola. Mas a instituição tem até 2023 para disponibilizar os itinerários.

Vale ressaltar que as redes públicas e particulares terão autonomia para definir quantos e quais itinerários formativos irão ofertar. Uma rede pode decidir oferecer apenas dois itinerários, enquanto outra pode apresentar 15, por exemplo.

Também é importante saber que não é garantido que o aluno terá vaga assegurada no itinerário que escolher, especialmente na formação profissionalizante, já que o número de vagas será limitado em cada oferta disponibilizada. Portanto, o estudante terá liberdade para pleitear vaga em outra instituição de ensino que ofereça um itinerário que mais lhe interesse. O aluno poderá mudar de itinerário ao longo dos três anos caso deseje e caso a escola ofereça outra opção com vagas disponíveis.

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