“Administrar Aparecida prepara qualquer gestor para ser governador”

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André Luís Rosa, secretário da Fazenda. Foto: Reprodução/Prefeitura de Aparecida de Goiânia

O secretário da Fazenda da Prefeitura de Aparecida de Goiânia, o economista André Rosa, é uma das estrelas da gestão de Gustavo Mendanha. Ajuda a administrar o município que, nos últimos anos, vem deixando para trás um passado inexpressivo de cidade dormitório para ocupar o posto de segunda maior cidade de Goiás, com 600 mil habitantes, um orçamento de R$1,5 bilhão e um PIB que cresce 16% ano. Segundo ele, a experiência de gerir uma cidade como Aparecida credencia Gustavo Mendanha a administrar qualquer estado brasileiro.

TRIBUNA DO PLANALTO – O que a proximidade com a Goiânia traz de bônus e de ônus para Aparecida de Goiânia?

ANDRÉ LUÍS ROSA – Aparecida passa por um momento muito positivo e está atravessando um grande círculo virtuoso. Até pouco tempo atrás, Aparecida era considerada uma cidade dormitório e, hoje, é uma cidade importadora de mão de obra. Esse fluxo Goiânia – Aparecida não é mais unidirecional, é bidirecional: muitas pessoas que moram em Goiânia trabalham em Aparecida como tem pessoas que moram em Aparecida e trabalham em Goiânia. Aparecida cresceu muito com essa relação simbiótica, aprendemos muito e, hoje, contribuímos muito para o crescimento de Goiânia. Só na área da Saúde, 30% do nosso atendimento da rede pública são de pessoas oriundas de Goiânia. 

O que o poder público fez e está fazendo para criar essa outra identidade para o município, deixando para trás a designação de cidade dormitório? 

Nós adotamos uma política de industrialização e de incentivo a nossas empresas de modo forte e consistente, tanto que, no ano passado, um ano de pandemia, Aparecida teve um saldo positivo de cerca de 1,8 mil novos postos de trabalho. Este ano, estamos com um saldo de aproximadamente 6,9 mil postos de trabalho novos na cidade. Nossa economia é muito pujante e esse trabalho de industrialização e de incentivo à indústria e às empresas de prestação de serviço foi muito consistente. Trabalhamos o processo de desburocratização, com facilidades para as empresas poderem se instalar e iniciar sua atividade em Aparecida. Com isso, tivemos mais agilidade e redução no tempo de abertura de empresas. Sem falar que o poder público entende que as empresas instaladas no município são parceiras porque estão aqui para gerar emprego e renda para a cidade.

O município está chegando a 600 mil habitantes. Qual percentual mora e trabalha em Aparecida?

Essa estatística nós não temos. É mais uma percepção empírica baseada no fluxo na rodovia e nas vias. Antigamente, entre 6 e 7 horas da manhã a BR ficava congestionada no sentido Aparecida Goiânia e hoje fica congestionado nos dois sentidos. Acreditamos que das 112 mil pessoas que estão cadastradas como funcionários de Aparecida, cerca de 80%, 90% devem morar na cidade. Mas não temos um estudo que confirme esse número.

Qual a evolução da arrecadação do município na última década? Ela aponta para a mudança desse perfil do município?

Aparecida, em 2008, contava com cerca de 6 mil CNPJs ativos; em 2021, os dados de agosto apontam que estamos com mais de 70 mil CNPJs ativos na cidade. A receita do município, em 2008, foi de R$ 308 milhões; fechamos o ano passado com uma receita de R$ 1, 479 bilhão. O PIB de Aparecida, o Produto Interno Bruto ou a soma de toda riqueza produzida no município, de 2010 a 2018 teve um crescimento em média de 16,7% ao ano. Esse crescimento é resultado dos polos industriais, da cidade empresarial, dessa boa relação que o poder público tem com os empresários da cidade.

 O crescimento econômico foi bem maior que o populacional?

Nessa última década, sim. Em 1990, Aparecida tinha 100 mil habitantes e ganhou meio bilhão de habitantes em 30 anos. A nossa indústria e o comércio vêm crescendo nos últimos 15 anos. Primeiro veio o crescimento populacional e, agora, o setor industrial e de serviços está, de forma muito consistente, correndo atrás para alcançar esse crescimento populacional. É importante destacar que uma das grandes vantagens que Aparecida tem, e que a torna competitiva, é que a nossa matriz econômica é diversificada. Aparecida não entra em crise. Temos um polo farmoquímico, de cosméticos, moveleiro, de serviços. Quando uma atividade entra em crise, tem algum problema, as outras atividades sustentam o crescimento do município, que é sustentável.

O perfil econômico da cidade é a diversidade?

Exatamente. Aparecida conta com cinco polos industriais públicos, um polo de serviço, que é a Cidade Empresarial, e dois polos industriais privados. O setor privado está construindo polos industriais na cidade, trazendo mais emprego para nosso município.  

Atualmente, qual a situação da gestão fiscal do município? Qual a nota que o município recebeu do Tesouro Nacional?

Aparecida tem nota A desde 2011, de forma consecutiva e ininterrupta. Uma das coisas que as últimas gestões em Aparecida, de Maguito Vilela e de Gustavo Mendanha, têm prezado é pela solidez fiscal. Não gastamos mais do que arrecadamos. Esse é um dos princípios da nossa gestão. Além disso, não deixamos restos a pagar, não contraímos dívidas que não possamos pagar, apesar de termos feitos alguns financiamentos, que foram pensados para não gerar impacto negativo nas finanças do município. Nós preferimos trabalhar com financiamentos externos porque a carência é em média de quatro anos – o município vai começar a pagar esse financiamento depois de quatro anos – e, nesse período, os investimentos do recurso já vão gerar fluxos na cidade. Se o recurso é para fazer asfalto ou um eixo estruturante, por exemplo, isso valoriza a região, o que vai movimentar o mercado imobiliário e gerar receita para o município. Nós pagamos o financiamento com o aumento de receita oriundo do próprio financiamento. Sem falar que as taxas de juros também são bem mais baixas das praticadas no Brasil, de 2,5% a 3% ao ano.

Qual a expectativa de investimentos para os próximos anos?

De 2009 até 2020, Aparecida tem investido em média 15% de toda sua receita em infraestrutura. No melhor ano, investimos mais de 20% da receita e, no ano passado, mesmo com a pandemia, investimos 9,3%. Temos feito muitas obras, mas há muito a ser feito. Aparecida ainda possui, aproximadamente, 24% da sua malha viária sem pavimentação asfáltica. A proposta do prefeito Gustavo é conseguir finalizar todo o asfaltamento da cidade até o fim da gestão. Nós estamos fechando um financiamento de U$ 120 milhões para concluir a pavimentação de toda a cidade. Além disso, temos mais 4 parques, 15 unidades educacionais e 15 obras de arte de ponte, viadutos e trincheiras para melhorar a mobilidade em toda a cidade. Mesmo com toda rigidez fiscal, conseguimos ter recursos para investir com volume e com qualidade.

Gustavo Mendanha assumiu a prefeitura depois de a cidade experimentar um grande crescimento nos dois mandatos Maguito Vilela, muito bem avaliados. Quais os avanços podemos dizer que tem a marca da gestão de Mendanha?

Mais difícil do que fazer um bom governo é construir um governo quando se assume uma administração bem avaliada e com solidez. Gustavo conseguiu dar sequência ao trabalho realizado pelo Maguito e avançar. A gestão de Gustavo tem quatro grandes pilares: o primeiro é a smart cities ou cidade inteligente. Nós investimos mais de R$ 60 milhões na implantação de mais de 760 km de fibra óptica, mais de 2,5 mil câmeras, um grande data center, uma central de videomonitoramento e 200 pontos de hotspot com wifi público. No primeiro mandato, preparamos toda a infraestrutura de smart cities e, no segundo mandato, a ideia é avançar na parte da relação com o contribuinte e com o cidadão, melhorando a comunicação e a prestação de serviço, tornando-as mais digital e mais rápida. O segundo pilar é a Saúde. Em Aparecida nunca se investiu tanto em Saúde como tem-se investido nos últimos anos. A aplicação mínima na Saúde é 15% da receita; em 2017, aplicamos 20%; 2018, 21,28; 2019, 22,5%; 2020, 22,5%; e este ano estamos aplicando mais de 22%. Esse gasto com a Saúde não foi por causa da pandemia, é uma prioridade da gestão do prefeito. O terceiro pilar é o embelezamento da cidade. Aparecida é uma cidade limpa, bem cuidada, com praças floridas e com parques bem cuidados. E a quarta prioridade é a infraestrutura. Além do asfaltamento, estamos construindo cinco grandes eixos Leste-Oeste que vão integrar a cidade, pontes e viadutos que vão diminuir o deslocamento do cidadão dentro da cidade.  

Como funciona a consultoria que o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, dá para Aparecida?

O Hospital Sírio-libanês veio para Aparecida e fez o mapeamento, desde a hora que o paciente chega até a hora que ele sai da unidade de saúde, identificando todo o fluxo. Depois de fazer o diagnóstico, nos apresentaram uma proposta para mudarmos o fluxo de trabalho e, assim, melhoramos nosso atendimento, diminuímos o tempo de espera e de resposta que o sistema de saúde dá ao paciente. O Sírio-Libanês revisou os processos e fluxos de atendimento das unidades de saúde.

As cidades da região metropolitana têm índices de violência maiores em decorrência dessa proximidade com a capital. De que maneira Aparecida de Goiânia tem gerido a área de Segurança Pública?

Aparecida tem um efetivo da Guarda Municipal maior que o da Polícia Militar da cidade. Isso demonstra a preocupação que o poder público tem com a Segurança Pública. Nesta gestão foram trocadas todas as viaturas da Guarda Municipal, novos fardamentos, armas e munições. O primeiro foco do programa Cidade Inteligente é a segurança. Nos dois centros de comando tem guardas da GCM 24 horas fazendo acompanhamento pelas câmeras de qualquer tipo de ocorrência para que possamos chegar em qualquer ponto da cidade em menos de 5 minutos. Nosso tempo médio de resposta – do acionamento de uma unidade pelo 153 até o atendimento da ocorrência – é em média de 4 minutos.   

Como o senhor vê a intenção de Gustavo Mendanha de ser candidato a governador?

O prefeito nunca se colocou como candidato a governador. O que ele coloca é que o estado de Goiás precisa de uma candidatura de oposição que apresente uma alternativa ao governo que temos hoje. Uma alternativa de modelo de gestão e de prática política. Gustavo, de forma muito democrática, diz que, caso seja o consenso das pessoas que fazem parte da oposição, o nome dele estará à disposição. Ele é mais um dos atores dessa grande frente de oposição contra o atual governo.

O senhor acredita que sua experiência na gestão de um município seria suficiente para governar o estado?

Com certeza. Aparecida é uma cidade de 600 mil habitantes, com um orçamento de R$1,5 bilhão, é a 34ª maior cidade do Brasil, maior do que as sete capitais. É uma cidade com uma complexidade social, financeira e administrativa que prepara qualquer gestor para assumir o posto de governador em qualquer estado da União. Dos nossos últimos três governadores, nenhum havia sido prefeito antes de assumir o governo e por isso acredito que Gustavo estaria em melhores condições técnicas do qualquer um deles em razão de sua experiência no Executivo. Ele tem o que mostrar: uma gestão de sucesso, um gerenciamento de crise, de pessoal e das demandas da população. O cidadão não vive na União ou no estado. Ele vive no município.

O rompimento com o MDB foi justificável em sua opinião?

Plenamente. O MDB é um partido forjado na luta pela democracia no Brasil, que nasceu no meio da ditadura e da repressão. A única coisa que Gustavo pediu ao MDB foi que escutasse os filiados em encontros regionais. A direção preferiu escutar a cúpula, e não a base. E o prefeito não pode concordar com a falta de democracia. Pela falta de democracia dentro do partido ele foi forçado a sair do MDB. Se essa discussão fosse feita na base do partido, com certeza a tese de não apoio ao governo de Ronaldo Caiado teria vencido dentro do partido.

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