Moradores usam redes sociais para melhorar segurança

Associações de bairro criam grupos de vizinhos para manter as ruas livres de vândalos e marginais

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A segurança comunitária, baseada na solidariedade entre vizinhos, se espalha pelos bairros de Goiânia tendo como principal ferramenta as redes sociais. Foto: Câmara Municipal

Maísa Lima

Depois de ter a casa furtada duas vezes, Moacir criou grupo entre vizinhos. Foto: Divulgação

Uma criança de apenas dois anos conseguiu abrir o portão e saiu de casa sem que os pais percebessem. Ao tomar conhecimento do caso, um vizinho divulgou o fato nos grupos que o bairro mantém no Instagram e no WhatsApp e em menos de três horas ela já estava de volta aos braços da mãe. Num outro caso, o morador, que já tinha amargado dois furtos à sua residência, criou um grupo entre os vizinhos e agora quando alguém viaja tem a casa vigiada.

Situações como essa aconteceram de fato e são cada vez mais comuns nos bairros de Goiânia. Embora os relatos das associações de moradores apontem que a segurança pública tem melhorado na capital, mesmo assim ainda assustam as ocorrências de crimes contra o patrimônio (veja quadro). Os dados mais recentes disponíveis no site da Secretaria Estadual de Segurança Pública apontam que somente em setembro último, 10.584 pessoas foram assaltadas nas ruas e 719 residências foram furtadas.

“Mantemos um grupo no WhatsApp com 58 integrantes, no qual só tratamos de segurança. Qualquer movimentação suspeita é reportada à Polícia Militar”, conta Neusa Resende, secretária da Associação de Moradores da Praça T-25 e Imediações, no Setor Bueno. Segundo ela, o maior problema no local são atos de vandalismo. “A união dos vizinhos tem ajudado a garantir maior proteção”, afirma.

REDES SOCIAIS

A união de vizinhos através de redes sociais tem se mostrado satisfatória para proporcionar maior proteção. “O uso de recursos simples, como mensagens pelo WhatsApp, ajuda bastante”, atesta Moacir Ferreira da Silva, vice-presidente da Associação dos Moradores do Setor Novo Horizonte.

Ana Paula conta que graças às redes sociais do bairro uma criança
perdida foi encontrada em três horas. Foto: Divulgação

Moacir conta que a entidade dispõe de um Conselho de Segurança, mas ele mesmo tratou de organizar uma rede de vizinhos depois de ter a casa furtada duas vezes. “Na minha rua tem e sei de muitas outras ruas do bairro que seguiram pelo mesmo caminho: aumentamos a proximidade com os vizinhos e agora ficamos alertas a qualquer movimentação suspeita. Se viajar, sei que vai ter alguém dando uma olhadinha na minha casa. Às vezes a polícia chega logo, em outras ocasiões, demora. É preciso ficar atento”.

Apoio policial é fundamental para sucesso da iniciativa

Os grupos de moradores que se unem para melhorar a segurança da rua ou do bairro têm tido sucesso principalmente quando contam com apoio da Polícia Militar (PM). Presidente da Associação dos Moradores do Setor Oriente Ville, Ana Paula Dal Sasso conta que o 7º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Jardim Europa e conhecido como Batalhão Triunfo, tem dado esse apoio.

Ela conta que em três horas os policiais conseguiram localizar uma criança de 2 anos que havia saído de casa sem que os pais se dessem conta. “Um vizinho ficou sabendo e avisou o batalhão pelo Instagram e ao mesmo tempo alertou os demais moradores. Não deu outra. Logo o fujão estava de volta em casa”.

O monitoramento do perímetro em que vivem ajuda a localizar o movimento de pessoas estranhas. Se um carro suspeito parado em frente a uma residência é avistado por um morador, para confirmar que não se trata de alguém conhecido, compartilha-se a foto e a placa do veículo através da rede. “Os furtos à residência caíram depois que criamos no WhatsApp o grupo Diário da Região, que faz um apanhado sobre segurança, comércio e serviços”, conta Ana Paula.

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