Alto custo da energia elétrica leva consumidores a adotar fontes renováveis

Em Goiás, crescimento está acima da média nacional: saltou de 16º em 2017 para 6º lugar na geração distribuída com a fonte fotovoltaica

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Governo de Goiás vem incentivando uso de energia solar e, hoje, o Estado figura no 6º lugar no ranking de geração distribuída com a fonte fotovoltaica. Foto: Portal Solar

Maísa Lima

Estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a maior parte da indústria brasileira adota alguma ação de sustentabilidade. O levantamento, que ouviu 500 médias e grandes empresas e foi divulgado na sexta-feira (29), destaca que 58% delas fazem uso de fontes renováveis de energia. Essa nova consciência passa pelo resultado financeiro. Afinal, o Brasil vive sob a ameaça de uma crise hídrica, que compromete o fornecimento de energia elétrica e eleva o valor das tarifas: no último dia 31 de agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a bandeira de escassez hídrica, que

Leandro Teixeira optou por energia solar em casa e na empresa: investimento com retorno garantido. Foto: Divulgação

representa mais um aumento na conta de energia dos consumidores, que passaram a pagar R$ 14,20 por cada 100 kWh (quilowatts-hora). Ela é cerca de 50% mais cara que a bandeira vermelha patamar 2 e, no total, a conta de energia elétrica ficou 6,78% mais cara desde setembro.

O empresário Leandro Teixeira, 44 anos, não teve dúvida: tratou de instalar energia solar na sua empresa e também em casa. “Vi que compensava. Em três anos já terei o retorno do investimento que fiz na firma. Na residência, pelo fato de o consumo ser menor, vai levar algo em torno de quatro anos e meio. Mas já estou pagando a tarifa mínima, de R$ 90,00”, conta.

ENTRAVES 

Apesar desse movimento rumo às fontes de energia renováveis, o estudo da CNI mostra que persiste uma série de entraves, a começar pela falta de cultura para o tema, admitida por 48% das indústrias entrevistadas. Em seguida é apontada a falta de incentivos do governo (47%); custos adicionais (33%) e falta de crédito ou financiamento (20%).

Goiás vem tentando driblar essas dificuldades com quatro modelos de incentivo para a adoção da energia solar: o Convênio Confaz nº 16/2015, que concede isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para quem gera a própria energia em sistemas de até 1 MW; a Lei Estadual nº 16.618/2017, que também isenta de ICMS os insumos utilizados na fabricação e montagem de módulos fotovoltaicos; licenciamento ambiental simplificado para grandes usinas fotovoltaicas; e crédito na Goiás Fomento para uso de sistemas fotovoltaicos ao produtor rural. 

Conforme a Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi), com as políticas de incentivo a este mercado Goiás saltou de 16º em 2017 para 6º lugar no ranking de geração distribuída com a fonte fotovoltaica, crescendo acima da média nacional. “Hoje contamos com uma potência instalada de 350 MW nos ‘telhados’, que compensam a energia elétrica de quase 32 mil unidades consumidoras”, informa.

O Ministério das Minas e Energia (MME) confirma esse incremento. Enquanto no Brasil a participação renovável na geração de energia elétrica é de 84,2%, Goiás ostenta o percentual de 98,3%, entre as unidades da Federação, ficando atrás somente do Distrito Federal, que ostenta a cifra de 99,3%.

Além de apontar a falta de incentivos do governo como um entrave à adoção de ações sustentáveis nas fábricas, 71% dos entrevistados no levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) disseram que o Estado deveria controlar e estimular que as empresas sigam regras sustentáveis.

Consumidores das classes C e D têm migrado para a energia solar

Engenheira eletricista, Shaya Rocha diz que classes C e D são as mais prejudicadas pela bandeira de escassez. Foto: Divulgação

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) diz que o Brasil comemora um marco relevante na modalidade de geração de energia solar, principalmente própria e residencial. No entanto, para a engenheira eletricista Shaya Silva Rocha, esse incremento ainda pode ser considerado tímido. “A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aponta quase 90 milhões de Unidades Consumidoras (UCs) no Brasil e apenas 500 mil UCs produzem energia própria. Ou seja, há muito espaço para crescer”.

Shaya conta que a geração própria residencial para as classes C e D teve um aumento exponencial devido ao impacto do alto custo da energia elétrica ante a crise hídrica. “O quilowatt-hora (kWh) está custando algo em torno de R$ 0,95. Com as facilidades de financiamento é visível uma democratização do acesso à energia solar, que está ficando mais acessível devido ao barateamento dos equipamentos”, assinala a engenheira.

INCENTIVO 

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi) informa que o governo vem construindo um projeto para gerar demanda interna de energia solar e uma das etapas é a implantação de usinas fotovoltaicas para o consumo de energia elétrica dos prédios públicos estaduais.

“Para compensar a energia desses prédios públicos estaduais, o governo de Goiás precisará implantar 150 MWp (megawatt-pico), num projeto estimado em R$ 750 milhões. Um estudo está em andamento para definir as áreas de implantação e a quantidade de usinas que serão necessárias para colocar o projeto em prática”, informa a Sedi.

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