Parceria com Hospital Sírio-Libanês aprimora saúde pública de Aparecida de Goiânia

Supervisão nas unidades de atendimento durou quase cinco anos e agora impacta a vida de 500 mil pessoas, a cada ano, no município

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A capacitação alcançou todos os profissionais da rede municipal de Saúde. Foto: Ênio Medeiros

Maísa Lima 

As 500 mil pessoas que a cada ano procuram atendimento nas unidades de saúde pública de Aparecida de Goiânia estão experimentando um novo patamar de assistência médico-hospitalar. Quem garante é a diretora de Urgência-Emergência e Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Amanda Melo, ao mostrar os avanços obtidos através da parceria firmada com o Hospital Sírio-Libanês (HSL), centro de referência internacional em saúde, sediado em São Paulo (SP).

Amanda Melo conta que cobertura vacinal dos recém-nascidos aumentou de 35% para 78%.

Foram dois projetos realizados ao longo de quase cinco anos e o resultado desafogou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e aperfeiçoou os cuidados materno-infantis e a atenção aos cânceres de mama, próstata e colo de útero, com a ampliação de exames e consultas e o acompanhamento dos tratamentos. “A supervisão do Hospital Sírio-Libanês começou ainda em 2018, quando buscávamos melhorias no atendimento às emergências. Foi muito útil. Principalmente porque não envolveu somente as lideranças das unidades de saúde, mas todos os profissionais”, afirma Amanda, que é graduada em Enfermagem pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), onde também fez seu mestrado em Atenção à Saúde.

O diagnóstico que o HSL fez da rede de saúde de Aparecida de Goiânia levou o município a eleger os atendimentos materno-infantil e oncológico como prioridades. “Eram os maiores gargalos da SMS. Estabelecemos o que chamamos de linha de cuidado: acompanhamos cada passo que o paciente dá na rede. Disso resultou a implantação das diretrizes do parto humanizado na nossa maternidade, a instalação do Núcleo de Vigilância, o controle de infecção hospitalar. Enfim, melhorou o tempo-resposta e diminuíram os desperdícios”, afirma a diretora de Urgência-Emergência e Atenção Especializada.

MAPEAMENTO

Atendimento em Aparecida de Goiânia melhorou após parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Foto: Prefeitura de Aparecida de Goiânia

Além do mapeamento dos entraves da rede, agora a SMS acompanha de perto os dados sobre a saúde dos moradores da cidade. Para tanto foram capacitados todos os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e da maternidade Marlene Teixeira para acolher os pacientes, examiná-los e dar o devido encaminhamento a cada caso. Também foi ampliado o acesso aos exames preventivos e diagnósticos, bem como às consultas médicas e de enfermagem. “Cada bebê que nasce, já sabemos onde ele vai tomar as primeiras vacinas. Antes da parceria com o Hospital Sírio-Libanês tínhamos 70% das gestantes cadastradas. Agora são 95% e a cobertura vacinal, feita ainda na maternidade, aumentou de 35% para 78%. Isso garante que cada criança saia da unidade depois de tomar a BCG e a vacina contra hepatite”, comemora Amanda Melo.

“Buscamos proteger as mães e os bebês desde o planejamento familiar até os primeiros meses após o nascimento. Já na área oncológica visamos diagnosticar o câncer o mais cedo possível e, com isso, salvar vidas e proporcionar tratamentos mais seguros e menos desgastantes para as pessoas. Embora não tenhamos hospital oncológico em Aparecida de Goiânia, temos médicos especializados e aumentaram o número de consultas agendadas”, completa.

Contrato com Hospital Sírio-Libanês não passou por licitação

A parceria firmada entre a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e o Hospital Sírio Libanês (HSL) foi criticada pelo fato do município ter dispensado a licitação. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) desembolsou R$ 57.800,00 mensais, durante um ano, pelo primeiro projeto, o LeanSix Sigma, e o mesmo valor, por igual período, para o Projeto Gestão por Resultados, totalizando quase R$ 1,4 milhão. Através de nota, a SMS diz que a contratação foi realizada mediante inexigibilidade de licitação porque havia apenas dois hospitais de excelência perante o Sistema Único de Saúde (SUS) que prestavam esse serviço e o HSL era o de menor valor.

“Não havia nenhuma instituição que se comparasse com as qualificações do Hospital Sírio-Libanês. O próprio Ministério da Saúde optou por otimizar os recursos e a estrutura da sua rede de atenção”, defende a diretora de Urgência Emergência e Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Amanda Melo. 

Para a SMS, a decisão se mostrou acertada ante os resultados obtidos: ajudou a planejar ações mais eficazes em resposta às necessidades da população, ao permitir a obtenção de dados e indicadores específicos para um acompanhamento periódico que facilita o acesso ao atendimento médico.

“Podemos ver quantos dias um paciente espera para agendar uma consulta ou conseguir um exame e agimos para reduzir esse tempo. Também verificamos quantas pessoas agendam exames e não vão fazê-los. Dessa maneira podemos propor ações para incentivar os pacientes a fazer exames como a mamografia, por exemplo, essencial para o rastreamento do câncer de mama.” A pasta enfatiza ainda que o tempo de espera dos pacientes das três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Aparecida de Goiânia reduziu, em média, 50%.

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