Artigo | Cancelamento, a guilhotinado virtual

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Fabiana Lima, especialista em Marketing de Mídia Digital, Diretora da Agência Luxion Media. Foto: Divulgação

A edição 2021 do reality show Big Brother Brasil (BBB21), mostrou de uma maneira contundente a força da política do cancelamento no Brasil. Desde a estreia, o programa provocou vários cancelamentos, seja porque o público achou a conduta de algum participante reprovável, seja por posicionamentos políticos, seja pela simples distinção de opiniões. O programa mostrou que o brasileiro está conectado, tem uma arma nas mãos e não tem medo — ou pudores — de usá-la. 

Foi nas redes sociais que o cancelamento encontrou terreno fértil para crescer, seguindo um caminho aparentemente distinto da iniciativa de conscientização e debate relevantes, como aconteceu por exemplo no movimento #MeToo, contra o assédio e abuso sexual, quando o cancelamento foi utilizado em larga escala no mundo todo. Podemos definir o cancelamento virtual como uma “onda” que incentiva pessoas a deixarem de apoiar determinadas personalidades ou empresas, deixando de segui-las ou economizando em likes. Daí, o céu é o limite para as perdas do cancelado, seja psicológica ou financeira, já que empresas são boicotadas pelos clientes e celebridades pelos patrocinadores. 

Ainda que normalmente a pessoa cancelada se posicione, aja ou emita opiniões que desagradem grande parte dos internautas, às vezes, o cancelamento acontece pela simples torcida. A pergunta que fica é: como seria se todos fôssemos “cancelados” por um erro ou conduta reprovável, já que estamos em constante evolução? E se nosso ato de cancelar, também nos leve a sermos cancelados? E se o medo da reprovação calar a nossa voz? Quem paga pelos danos (patrimonial e psicológico) de um cancelamento injusto? 

Algumas pessoas acreditam que a única forma de não ser cancelado seja não se expor nas redes sociais. Se alguém é ativo virtualmente, está sujeito a esse “backlash” (intensa repercussão negativa), mas tem como fugir das redes hoje em dia? Dificilmente, haja visto que cliente e amigos, pessoas jurídicas e físicas estão inseridas nesse ambiente. A sociedade mudou e hoje ela é digital. Dentro desse cenário, o melhor a se fazer é se amparar de ajuda profissional, buscando consultoria com um especialista em redes sociais, que tem a função de conduzir e orientar sua persona no ambiente digital de maneira coerente com a realidade. 

Temos que entender que existimos no real e o ente virtual não deve, em qualquer hipótese, divergir dessa linha. Devemos aprender como equilibrar as duas personas, criando assim uma imagem verdadeira, forte, transparente com uma base bem construída, para caso, ocorra um cancelamento, este não tenha um efeito destrutivo e traumático tanto na esfera profissional quanto na área pessoal.

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