Mercado imobiliário comemora recorde de vendas em 2021

Venda de imóveis em Goiânia teve um crescimento de 55%, mas fora do programa Casa Verde e Amarela

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Financiamento em imóveis cresce, mas a procura por programas como o Casa Verde e Amarelo, antigo Minha Casa, Minha Vida tem sido cada vez menor. Foto: Agehab

Dhayane Marques

Já dizia o escritor, poeta e professor brasileiro Ariano Suassuna, o Brasil é “o país dos privilegiados”. Em um período em o comércio tem buscado iniciativas voltadas para o reaquecimento das atividades econômicas, o setor imobiliário comemora o recorde de vendas em 2021. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), que apontou o crescimento de 1,01% em outubro, ficando 0,13 ponto porcentual acima da taxa de setembro, que ficou em 0,88%, sendo a menor para 2021. Segundo o estudo, o índice de outubro de 2020 foi de 1,71%. O acumulado de 12 meses, alcançou 21,22%, o registro ficou abaixo dos 22,06% registrados no mesmo período em 2019. 

O custo nacional da construção sobre a parcela dos materiais, segundo o IBGE, subiu 1,27%, em relação a setembro (1,21%), a alta foi de 0,06 ponto percentual. Para a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-Go) a venda de imóveis em Goiânia apontou um crescimento de 55% em relação ao mesmo período de 2020.

De acordo com o diretor de Marketing, Comunicação e Eventos da Ademi, Marcelo Moreira, a pandemia fez com que as pessoas passassem mais tempo em casa e “isso mudou a percepção da moradia, o que ajudou a impulsionar o mercado imobiliário”. Apesar do setor está aquecido, a procura de imóveis financiados por programas como o Casa Verde e Amarelo, antigo Minha Casa, Minha Vida tem sido cada vez menor. 

“Esse aquecimento é influenciado por vários setores, principalmente por esse movimento de as pessoas ficarem mais tempo em casa. A queda da Selic (taxa básica de juros)facilitou ainda mais na compra de um imóvel, porque possibilitou melhores condições de financiamento imobiliário com taxa de juros menores. Em 2021, tudo indica que vamos fechar como melhor ano da história do mercado imobiliário, com todos os recordes batidos”, destaca Moreira.

ESVAZIAMENTO DE PROGRAMAS HABITACIONAIS 

Em outubro, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) divulgou melhorias nas propostas para facilitar o financiamento de moradias disponíveis pelo Programa Casa Verde e Amarela. O teto para a venda ou investimento dos imóveis, de acordo com o recorte territorial, pode variar entre R$ 135 mil e R$ 264 mil. Atualmente, 99,99% da execução do Programa é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, segundo o banco as novas condições de financiamento permitem o uso de “recursos do FGTS, para famílias com renda familiar mensal bruta de até R$ 7 mil”.

 “Quando olhamos a pirâmide social brasileira é natural que existam pessoas com renda mais baixa, essa é a realidade do Brasil. Então a procura existe uma grande procura por imóveis mais baratos”, enfatizou Marcelo Moreira. Segundo ele, o efeito inflacionário que se agravou com a pandemia, causou um aumento no custo dos materiais de construção civil esses programas “ficaram mais difíceis de serem viabilizados por causa do teto de valores”, apontou.

Mercado busca retomada econômica

O mundo ainda sofre com os reflexos negativos que a pandemia deixou, principalmente, no setor econômico que acumula alta na inflação, que está de volta à mesa dos brasileiros. Apesar da recuperação caminhar a passos lentos, o administrador, Jales de Paula Félix, destaca que o mercado imobiliário, automotivo e do turismo tem sinalizado positivamente para uma retomada. 

O administrador, Jales de Paula Félix “As pessoas estão procurando novas casas.” Foto: Divulgação

“Temos dois pontos com relação à pandemia. Os profissionais liberais sofreram muito por não terem a manutenção dos seus empregos, por outro lado, trabalhadores de carteira assinada e funcionários públicos mantiveram seus empregados, inclusive, oferecendo benefícios para que pudessem trabalhar em home office”, destaca Félix. Segundo ele, essa nova modalidade de trabalho remoto fez com que os funcionários poupassem gastos como deslocamento, alimentação fora de casa, entre outros gastos diários que poderiam ser poupados, em razão do isolamento.

Hoje nós observamos um aumento no índice de alugueis, porque as pessoas estão procurando novas casas”, disse o administrador ao destacar que esse resultado é reflexo do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) que subiu 0,64% em outubro deste ano e que acumula alta de 24% em 12 meses. 

O IGP-M é um indicador utilizado para calcular o reajuste de tarifas públicas (energia e telefonia), em contratos de aluguéis e em contratos de prestação de serviços. “Quando se tem uma procura maior do que a oferta, o custo acaba sendo elevado”, assegurou.

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