STJ analisa pedido de prisão de padre

Desta vez, foi a Polícia Federal quem solicitou que o religioso Robson de Oliveira Pereira seja preso preventivamente

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Carla Borges

Quase seis meses depois de negar recurso do Ministério Público (MP) estadual e manter decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) que determinou o trancamento das investigações sobre supostos desvios de recursos doados por fiéis à Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu pedido de prisão preventiva do padre Robson de Oliveira Pereira, ex-presidente da Afipe (desde sua fundação até a deflagração da Operação Vendilhões, do MP, em agosto do ano passado) e ex-reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade. Desta vez, o pedido foi feito pela Polícia Federal (PF), com base em diálogos gravados que sugerem pagamento de propina a desembargadores do TJ-GO. 

O pedido está com o relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, no STJ. “Até o momento, em razão da gravação ambiental realizada por padre Robson, sabemos que o pagamento da propina ocorreu, mas ainda não temos a informação de como se operacionalizou o acerto, nem quem recebeu o dinheiro a mando ou em nome de desembargador(es)”, diz trecho da representação feita pela PF ao STJ. “Razão da necessidade de aprofundamento das investigações para que esse fato seja elucidado para o bem da sociedade goiana e do sistema judiciário e não continue coberto pelo manto da impunidade dos ‘poderosos’”, prossegue o pedido. 

A investigação pela PF teve início em março deste ano, após a juíza Placidina Pires, da 1ª Vara dos Delitos Praticados por Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais, enviar todo o processo para o STJ, foro competente para investigação contra desembargadores, citados nas gravações como beneficiários de propinas. O advogado do religioso, Cleber Lopes, informou que entrou com representação no STJ. A defesa do padre alega que não há fatos novos no caso, cuja apuração criminal foi suspensa por ordem do próprio STJ, e que os diálogos gravados foram inseridos fora de contexto para induzir ao erro e prejudicar o ex-reitor. 

Já o STJ informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não pode fornecer informações sobre o processo porque ele corre em segredo de justiça. Até o fechamento desta edição, o TJ também não havia se manifestado a respeito do novo pedido, que resvala na acusação do pagamento de vantagens indevidas a desembargadores. Em fevereiro deste ano, o presidente do TJ-GO, desembargador Carlos Alberto França, determinou instauração de sindicância contra os desembargadores Orloff Neves Rocha e Amélia Martins de Araújo e também contra o juiz substituto em segundo grau Roberto Horácio de Rezende. Os dois últimos requisitaram a sindicância e disponibilizaram seus sigilos bancário e fiscal.  

Segundo o Ministério Público, o padre é acusado de um esquema que pode ter desviado cerca de R$ 100 milhões de doações de fiéis do mundo todo à Afipe e para a construção do novo santuário em Trindade. De acordo com a acusação, o dinheiro teria sido usado para comprar fazenda, casa no litoral e avião. 

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