Brasil não tem política de estado

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Fabiola Rodrigues 

O diretor do Instituto Educacional que leva seu nome, professor Carlos André, explica que os servidores que deixaram a elaboração do Enem eram pessoas que acreditavam em uma perspectiva de estado para Educação embasada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e que, de alguma maneira, não concordaram com a politização do processo educacional.  

Professor Carlos André: “Penso que o Enem teria que ter uma estrutura que avalias se melhor o processo educacional brasileiro, porque ele foi criado para isso”. Foto: Rúbes Renato Jr

O diretor observa que a crise no Inep mostra que, no Brasil, não há uma política de estado para à Educação. Segundo ele, o que temos é uma política de governo e que, nessa política do presidente da República, Jair Bolsonaro, tenta-se, de alguma maneira, utilizar percepções que não são de educadores. 

Ao falar que o exame está com a cara do governo, o presidente quer dizer exatamente que não temos uma cultura de estado em termos educacionais, e, sim, uma cultura de governo. Segundo o professor, as provas do Enem seguirão a ideologia do presidente e daqueles que seguem uma posição ideológica a favor do seu modo de governar.  

Carlos André se diz indignado com essa situação e defende que a Educação de um país não deve seguir percepções do presidente da República, seja ele de esquerda ou de direita. 

O diretor enfatiza que toda essa situação, gera insegurança educacional, haja vista que, dias antes da prova, o presidente afirmou que a “regra da prova” havia mudado. “Isso é autoritarismo e prejudica a nação como um todo”, enfatiza.  

ENEM MAIS DE UMA VEZ POR ANO 

Carlos André acredita que o Enem deveria ser aplicado mais vezes por ano. Para ele, essa seria a verdadeira lógica do exame. “Penso que o Enem teria que ter uma estrutura que avalias se melhor o processo educacional brasileiro, porque ele foi criado para isso. É preciso repensar sobre essa situação. Ele perdeu a característica e se transformou em um verstibularzão”, critica.  

O diretor evidencia, ainda, que o que muda a realidade educacional do Brasil é a conscientização do povo brasileiro para um processo educacional de excelência. Para ele, isso se faz com o voto. “As pessoas ainda não acreditam que a Educação muda tudo. Estão pensando que é algo que está em segundo plano. Temos que dar a resposta ao votar, e, claro, dar mais voz e crédito ao processo educacional, porque ele é o responsável pelo desenvolvimento social”, pontua.

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