Ensino nunca mais será o mesmo

Escolas tiveram de se adaptar a um novo processo de aprendizagem durante a pandemia e as aulas virtuais, que já vinham sendo implantadas, são a nova realidade

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Foto: Divulgação/MCTIC

Fabiola Rodrigues

Durante a pandemia, as escolas tiveram que se adaptar a um novo processo de aprendizagem, e alunos e professores foram obrigados a aprender a utilizar as tecnologias que possibilitaram as aulas online. Agora, com a pandemia se arrefecendo, as escolas passaram a adotar um modelo híbrido, com aula presencial e remota, e essa deve ser a nova realidade do ensino.

Algumas Escolas que adotaram as aulas virtuais por necessidade descobriram que é viável dar continuidade a esse formato, mesmo com o fim da pandemia. Isso porque as soluções tecnológicas utilizadas com finalidade pedagógica aumentam a capacidade de adaptação  e ajudamos professores a falarem a mesma linguagem dos jovens. Na educação pós-pandemia, a tendência é que as aulas tradicionais e expositivas diminuam, dando espaço para aquelas que coloquem o aluno como personagem principal, tornando-o mais ativo na busca pelo conhecimento.

A coordenadora pedagógica do Colégio Prevest, em Goiânia, Adria da Silva, conta que, com o uso da tecnologia, a sala de aula não pode mais ser vista somente como um espaço físico. Passou a ter um espaço ilimitado. “A sala de aula pode ser onde o aluno estiver. Não ficará mais só no papel e caneta, saímos de um mundo do quadrado da sala de aula para um universo muito amplo”, diz

Segundo a coordenadora, o professor e também o aluno entenderam o significado do ensino híbrido, e de agora em diante, não há como deixar de usar a tecnologia porque todo o ambiente escolar aprendeu a operar nesse modelo. “O aluno pode, por exemplo, devolver o trabalho escolar para o professor em formato on-line.” Ela acredita que essa realidade, a partir de então, estará cada vez mais presente no ensino.

O Colégio Prevest já tinha uma plataforma de ensino, porém com a pandemia, ela foi ampliada. As aulas passaram a ser gravadas e os alunos têm a possibilidade de revisar o conteúdo sempre que quiserem. Adria observa que até mesmo o professor pode potencializar a forma de levar esse conteúdo ao aluno. “O avanço da comunicação por meio da mídia digital foi muito positivo. A dúvida que o aluno tem em relação ao conteúdo não fica mais só na sala de aula. Pode ser tirada de várias formas. O estudante pode enviar mensagens para o professor por texto, áudio ou vídeo”, conta a coordenadora. 

Adria acredita que a tecnologia é também uma oportunidade para o estudante não interromper o aprendizado, pois ele pode viajar ou ter algum imprevisto sem deixar de participar da aula.” Uma das vantagens é justamente essa flexibilização de horários, tornando o ensino personalizado. “O aluno passa a ter mais autonomia”, diz. De acordo com a coordenadora, essa transição das aulas presenciais para o modelo remoto já estava em andamento, mas a escola não estava conseguindo implantar. “Com a pandemia, o aluno aprendeu   o ensino híbrido.”

ESTUDANTES TROCAM CADERNO POR TABLET 

O Colégio Simbios, em Goiânia, vai começar uma experiência diferente na retomada das aulas. Um grupo de alunos solicitou à escola que, a partir do ano que vem, eles possam usar o tablet ao invés de caderno ou fichário. A coordenadora pedagógica da escola, Any Rezende, conta que a iniciativa partiu dos estudantes, que argumentaram que o tablet pode armazenar mais informações, acumular mais conteúdo e também reduzir o peso dos materiais que eles levam para a sala de aula. “Esses alunos vão fazer pequenos vídeos para incentivar outros colegas a lançar mão desse recurso porque descobriram no tablet uma forma de organização mais viável do que o fichário”, relata.

Any observa que não tem como a escola não usar a internet e algumas ferramentas como meio de aprendizagem e que a tecnologia é usada até mesmo para agendar atendimentos individuais e de forma on-line. Ela lembra que, antes da pandemia, o aluno tinha que fazer praticamente tudo presencialmente e que muitos atendimento agora são virtuais. Ela ressalta que o atendimento pessoal continua, mas que o formato de comunicação expandiu.

No colégio, as tarefas são passadas pela plataforma de ensino e os livros têm uma versão digital, formato que tem sido o preferido pelos estudantes. Segundo a coordenadora, a plataforma virtual do colégio caminha para ter muito mais informações para auxiliar as famílias a acompanhar a vida escolar dos alunos. “A tendência são reuniões presenciais, mas com transmissão on-line, porque assim eu vou atender o pai que se sente bem em estar na escola e vou atender o pai que, por um motivo ou outro, não teve como estar no colégio. Isso também permanece e não tem como abolir mais da escola”, esclarece.

CAPACITAÇÃO 

Quanto ao uso das tecnologias, a coordenadora relata que os estudantes tinham em mente que a internet, o celular e o computador serviam apenas para serem usados para jogos e diversão. Com a pandemia, eles tiveram que virar a chave e entender que os aparelhos funcionam também como ferramenta de aprendizagem. Segundo Any, alguns alunos fizeram essa mudança de chave com muita tranquilidade, já outros ainda não conseguiram. Porém, os estudantes serão capacitados para lidar com todos os aparatos tecnológicos utilizados no ambiente escolar. “No ano que vem, presencialmente, todos teremos condições de dar a formação necessária para que eles possam usar as ferramentas digitais para o processo de aprendizagem, porque, a partir de então, vamos utilizá-las para maximizar nossa qualidade de ensino”, diz.

Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia (Sepe-GO), Flávio Roberto de Castro, o uso das tecnologias, das plataformas de ensino e os recursos tecnológicos proporcionam aos alunos qualidade de ensino. Ele conta que as escolas particulares tiveram e estão tendo momentos do ensino híbrido mediados pelas tecnologias. “Nós usamos muito esse artifício durante a pandemia e vamos continuar”, afirma. 

Com relação às práticas pedagógicas, Flávio acredita que muitas escolas irão continuar a usar essa metodologia nas atividades complementares.

“Nós tínhamos a tecnologia, mas muitos de nós não dominávamos os recursos tecnológicos que estavam postos e fomos forçados a usar por conta do isolamento social. Todos descobriram uma série de recursos e houve grande desenvolvimento por parte de todas as redes do país para levar melhor qualidade de ensino pelas plataformas”, relata o presidente.

Outro fator observado por Flávio é que as plataformas digitais facilitaram a comunicação com os pais que não poderiam comparecer às reuniões presenciais. Com a transmissão on-line, ele conta que notou uma participação maior dos pais na escola em virtude da acessibilidade das reuniões realizadas em formato virtual. 

“Vamos continuar com os atendimentos aos pais de forma presencial, mas a forma de alcançá-los pela internet será um meio de manter a melhor participação da família na escola”, diz.

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