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Vladimir Montenegro, administrador de empresas, especialista em Gestão Financeira e em Direito Civil e Processual Civil

Recentemente um importante revista de negócios apresentou um artigo sobre o “Efeito Osborne”. Em resumo trata-se da mudança de comportamento dos consumidores que passam a “cancelar” produtos e empresas forçando a indústria a antecipar a introdução de novas tecnologias, matando as anteriores. As empresas que não percebem esse movimento, ou simplesmente não dão a devida atenção, em geral acabam desaparecendo ou definhando. Para citar apenas dois dos mais recentes exemplos, fiquemos com a Kodak e a Blackberry. 

Atualmente, o caso mais evidente é o da indústria automotiva. Não se discute mais “se” ou “quando” ocorrerá a migração definitiva dos motores a combustão para os elétricos. A discussão gira em torno de “qual” será a fonte de energia utilizada. Nesse aspecto, se a tecnologia adotada for a da célula combustível, e principalmente tendo o etanol como fonte primária, o Brasil já possuiu uma vantagem competitiva enorme devido à sua expertise e infraestrutura. É preciso concentrar esforços para não perdermos essa corrida. 

O pano de fundo de toda essa discussão, e o que nos traz de volta ao “Efeito Osborne”, é exatamente o quê demanda o consumidor do século XXI. Dada a similaridade entre a imensidão de produtos e serviços postos à sua disposição, os critérios de diferenciação mudaram significativamente.  

Os consumidores agora querem saber qual o impacto das empresas sobre a economia local, se são socialmente responsáveis, de que forma contribuem para mitigar os problemas ambientais, e se estão focadas apenas nos lucros dos acionistas, ou se preocupam também com o bem estar de seus funcionários. Em uma palavra, os consumidores do século XXI procuram empresas que sejam relevantes. Não se trata mais de preço, e sim de valores. 

Refletindo sobre isso, percebo que esse princípio não deve ser aplicado somente às empresas (pessoas jurídicas), mas muito mais às “pessoas físicas”. O quão relevantes somos hoje para nossa família, comunidade, ou nosso trabalho? O quê estamos fazendo para tornar o mundo mais justo, menos violento e mais tolerante? Qual nossa contribuição para torná-lo um lugar melhor? Em suma, que valores cultivamos?  

Se alguém ainda deseja descobrir qual é o sentido da vida, o propósito de ser relevante talvez seja uma boa resposta. 

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