Responsável pelo RodoVida Urbano, o secretário Extraordinário de Articulação Política do governo Marconi Perillo (PSDB), Sérgio Cardoso, responde as críticas da oposição de que o programa lançado no final deste ano atendeu apenas, em sua primeira etapa, municípios administrados por aliados do tucano. “O governador teve apoio de pouco mais de 90 prefeitos e 133 cidades vão ser atendidas. Se tivéssemos o recurso total, íamos atender os 246”, afirma. Em entrevista ao editor-chefe, Marcos Aurélio Alves Bandeira, e ao repórter Eduardo Sartorato - concedida na sede da Tribuna, na quinta-feira, 22 -, Sérgio Cardoso também fala sobre as eleições em Goiânia e se coloca contrário à realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB na capital.
Tribuna – O sr. é o coordenador de uma parte do Programa Rodovida, o Rodovida Urbano. Qual o balanço que se pode fazer no momento?
Sérgio Cardoso – Passamos esse ano de 2011 nas audiências com os prefeitos, o governador atendeu praticamente todos os prefeitos em audiências coletivas ou individuais e a primeira demanda que tivemos foi de recapeamento. Até porque tanto eu, como o governador conhecemos o Estado como a palma da mão. Durante a campanha política vimos que a grande demanda dos municípios são as vias urbanas que estão deterioradas Os municípios não tem condições de recuperação até por conta da condição financeira. Fazer um novo asfalto é importante e vamos fazer. Mas hoje o que temos que fazer primeiro? Recuperar as já existentes. Então, é daí que surgiu o Rodovida urbano. Pelas audiências, percebemos que 133 municípios tinham uma demanda maior. Posteriormente, outros municípios pediram isso ao governador. Então tínhamos que fazer o processo licitatório, que é demorado. Além dos 133 municípios, mais uns 40 também pediram recapeamento então já estamos vendo onde vamos arrumar recurso para fazer nova licitação. Desses primeiros municípios a demanda é de 14 milhões de metros de asfalto. Vamos fazer mais da metade dos municípios nessa primeira etapa. O município tem que estar na mesma situação que a rodovia que está sendo recuperada também. Estamos no terceiro projeto em parceria com o Detran, que é quem vai executar, que é o Goiás Sinalizado que vai ser lançado pelo presidente do Detran em janeiro.
De onde saem os recursos?
Parte dos recursos são do tesouro, mas estamos indo atrás de fundos, depósitos judiciais, que o estado pode usar parte dele.
O Fundo de Transportes vai ser usado?
Parte do Fundo deve ser repassado para esse programa. Conseguimos liberar de um total de R$ 123 milhões, R$ 20 milhões para execução da primeira etapa. À medida que vai executando, vai chegando dinheiro.
Mas então o Fundo de Transportes não tem participação no Rodovida Urbano?
Não. Mas ele pode ser utilizado também. Está tudo na área de transportes.
Qual o valor orçado para esses 133 municípios?
Isso depende do município, da demanda do município. Não é um valor fechado. Nós pedimos para os prefeitos passarem a demanda e dentro daquilo que podíamos fazer foi atendido. Tem município que tem uma demanda de 100 mil metros, outros com 50 mil, então depende de cada município.
Tem alguma contrapartida dos municípios?
A única coisa que pedimos é que deixasse o meio fio em boa situação porque boa parte dos municípios nem têm meio-fio. Então essa é a contrapartida exigida pelo Estado que é obrigação do município.
Tem alguma região que foi priorizada?
Todas as regiões que foram atingidas e estão sendo atendidas. Nas regiões Nordeste, Norte, Mato Grosso goiano, no Entorno de Brasília também, são muitas cidades.
A oposição tem dito que as cidades cujos prefeitos são da base estão sendo priorizadas .
Não queremos entrar em polêmica. Está sendo executado o maior programa de recapeamento de vias urbanas do Brasil. Eu posso dizer que cidades do PMDB e de outros partidos estão sendo atendidas. O governador teve apoio de pouco mais de 90 prefeitos e 133 cidades vão ser atendidas. Se tivéssemos o recurso total íamos atender os 246. Não existe isso de dizer que está atendendo só prefeitos da base. O prefeito de Aragoiânia, de Castelândia, entre outras cidades, são todos do PMDB e estão sendo atendidos. Então não tem porque criticar isso é coisa de quem não tem o que criticar um governo que é planejado.
Há uma preocupação com a qualidade do asfalto que será entregue? Quais os critérios que estão sendo estabelecidos?
Claro. Os critérios técnicos são assim: são três fases. Em ruas de mais movimento, onde tem um tráfego maior precisa ter uma camada mais grossa, em ruas que tem um tráfego menor não precisa ter uma quantidade maior de asfalto. Todo esse processo é para uma demanda de veículos de todo peso.
Uma característica de recuperação de vias urbanas em Goiás é uso do tapa buraco. O trabalho do Rodovida Urbano tem um prazo maior de qualidade?
Sim, esse programa foi copiado de algo que vimos em Edeia e o governador estava olhando esse processo. Lá a durabilidade desse recapeamento é de 10 a 12 anos. O que faz a durabilidade? Na operação tapa buraco é fazer um serviço prefeito porque se só se coloca uma camada de asfalto em cima do buraco se tem um asfalto de péssima qualidade.
Esse é um programa contínuo? Ou tem data para acabar?
Essa primeira etapa tivemos dificuldade na licitação pelas dificuldade em que o governador encontrou o Estado, pegamos Goiás numa situação muito difícil. A licitação era para ser concluída em setembro e só foi agora em novembro. Então, as obras começaram agora que é época de chuva. Em caso de recapeamento pode fazer agora,mas asfalto não. Então tem cidades em que está bem avançada e as Ordens de Serviço estão todas com as empresas, mas pedimos para não entrar com a chuva se não termos um asfalto de péssima qualidade. O programa continua. Em janeiro chove menos e dá para trabalhar o mês todo. Mas acredito que a recuperação será dentro de cinco a seis meses.
Como está a execução do Rodovida nas estradas?
Esse é um programa que está sendo cuidado pelo Jayme Rincon, mas eu poderia dizer que nessa etapa o governador licitou 2.081 quilômetros e mais dois mil da segunda etapa. Essa primeira parte era a parte mais ruim do Estado, em situação mais precária. Cada quilômetro de estrada é mais de R$ 1 milhão, então o governo precisa de muito dinheiro para arrumar isso aí. Desses 2.081 quilômetros deve ter 1.100 pronto já, deu uma cessada agora devido ao período chuvoso. Vai entrar agora em 2012 os outros 2 mil quilômetros que vai perfazer um total de 4.081 quilômetros.
O sr. tem falado em reconstrução.
É reconstrução. É um asfalto com a durabilidade bem maior do que o anterior. Eu não poderia dizer a durabilidade desse asfalto, porque não está na minha área, mas é uma durabilidade bem maior.
O objetivo é entregar refeito quantos quilômetros da malha viária?
Ainda temos uma demanda grande. Feito isso aí vamos ver a demanda novamente, vai licitar já para 2013. Mas o governador não iniciou nenhuma obra nova, está concluindo ttodas as obras que estavam paradas. Em um projeto para o BNDES, que foi aprovada a primeira fase, iniciaremos um programa muito grande de novas rodovias em todas aquelas cidades que não têm ligação asfáltica, como Chapadão, Nova Roma, que devem entrar nesse programa do BNDES.
Como estão as obras de duplicação, que o governador sempre fala que é prioridade, até Caldas Novas e até a Cidade de Goiás ?
Já está sendo elaborado o projeto de Inhumas até a Cidade de Goiás, todo naquele padrão que tem de Goiânia a Inhumas e já está terminando o processo licitatório de Goiânia a Inhumas. Será Inhumas a Goiás, depois de Nerópolis até a Rodovia BR-153, atenderia uma demanda até Cristianópolis, que dá acesso a Caldas Novas. Um estudo que está sendo feito nessa rodovia entre Caldas e Luziânia seria criar as terceiras faixas, porque se tem um trânsito muio pesado nos finais de semana entre Vianópolis e Luziânia, de Vianópolis até a entrada de São Miguel do Passa Quatro e de lá até a rodovia que liga Piracanjuba para frente.
O que o governo pensa em relação à privatização das estradas?
Existe sim um estudo, mas não quero entra muito disso porque esá na área do Jayme Rincon e ele é o melhor para falar.
O ano de 2011 foi de dificuldades, o governador tem falado em superação e que 2012 surge com expectativas de melhoras. Como o sr. avalia o governo de um modo geral?
Governo não tem que ficar olhando em retrovisor e ficar lamentando, acaba arruinando o governo. Mas a situação que nós pegamos estava muito ruim, o Ipasgo estava ruim, Iquego estava numa situação deplorável. A folha de pagamento estava atrasada, demanda com fornecedores, a saúde , segurança, então tínhamos uma situação horrorosa. A área de finanças, a Fazenda e Planejamento estão fazendo um grande trabalho de recuperação do Estado. Hoje, eu diria, que está melhor, muito melhor que em janeiro. Agora o Estado está em dia com os funcionários, todo mundo recebeu hoje (quinta-feira) o salário para o Natal. Então, devagar vai recuperando e o Estado hoje vai conquistando o seu lugar no país, que faz com que Goiás seja o quinto no ranking nacional.
O que pode ser esperado para 2012?
A partir de março, o governador vai ter uma obra por dia para inaugurar até porque foi tudo planejado, todas as áreas planejadas, fora essa área de recuperação de vias urbanas, as perspectivas são outras. A economia do Estado ganhou força, Goiás ganhou força, não é mais aquele estado periférico, é um Estado que tem sua característica, tem seu lugar.
Em relação ao acordo da Celg, como o sr. avalia?
A Celg começou a dar prejuízo a partir da venda das geradoras Corumbá I e Cachoeira Dourada. O governo do Estado não deu outra alternativa a não ser firmar parceria com o governo federal. Vejo com bons olhos até porque não há outra situação, não tem outra condição. É fazer ou fazer. Se não fizer vamos arcar com esse prejuízo o resto da vida, segurando uma companhia que dá prejuízo o tempo inteiro porque não dá conta de pagar as contas dela.
A oposição alega que o acordo poderia ter sido feito sem entregar a maior parte das ações, se fosse o acordo feito pelo governo anterior.
O Estado tem aquela oposição que ficou o tempo todo querendo que o governo federal não fizesse o acordo. Alguns deputados foram a Brasília, ao invés de ajudar o Estado, foram exigir essa situação de caos. Nós sabemos muito bem dessa oposição que só trabalha contra. Estamos em uma situação, que temos que juntar todo mundo do governo e oposição e fazer o melhor para que o povo ganhe. Esse tipo de oposição não vai ganhar em lugar nenhum. Não funciona mais essa oposição do quanto pior, melhor. O governador Marconi não tinha outra situação, se entrega a Celg quando ele ganhou o governo, todos vimos que os recursos que vieram para o Estado foi desviado. Recurso que veio para folha de pagamento foi para pagar empreiteira. O que iria acontecer com o dinheiro da Celg se viesse ano passado? Nós não teríamos esse dinheiro, ele teria sido desviado.
E a política em Goiânia?
Eu sou da executiva do partido, formamos um conselho que é presidido por Nion Albernaz e todos os membros são eleitores de Goiânia. Todos os membros estão ouvindo desde novembro, cada segmento do partido para avaliar quem tem melhor condição de ganhar eleição na cidade, quem é o melhor candidato para enfrentar o embate eleitoral. Isso sem paixão por nenhum candidato. O partido, escolheu através desse conselho escolheu pessoas que têm um vínculo muito forte com Goiânia. Em janeiro, esse conselho deve dar um resultado para o partido.
A decisão da comissão é determinante?
Ela vai dar um rumo para o partido, que nós temos que seguir e o partido vai acatar.
Essa discussão em torno das prévias, que muitos candidatos tem defendido? Ela está descartada?
No caso específico de Goiânia não defendo as prévias. Vou escutar a comissão. Acho que temos que ver o interesse maior de ganhar a eleição. Embora eu acate caso seja a maioria do partido, mas não defendo não.
Tem muita gente aqui que é contra as prévias. Mas São Paulo, por exemplo já se definiu pelas prévias.
A nível nacional acho que é importante defendermos as prévias, mas cada situação é uma situação. Em São paulo é uma coisa aqui é outra. Aqui eu defendo o consenso, trabalho pelo consenso, o partido maduro para isso. Vamos chegar em 2012 com esse amadurecimento com um candidato único apoiado pelos outros três. O partido poderia até ter mais candidatos, outros nomes, mas hoje tem quatro pré-candidatos e desses quatro, um tem que sair candidato apoiado pelos outros três. O partido está trabalhando para essa situação. As prévias seriam um embate e poderia trazer um pouco de desgaste nesse momento.
O sr. acredita que é irreversível o PSDB ter um nome em Goiânia? Ou o partido poderia abrir mão e apoiar outro nome?
Não. O partido está trabalhando para ter o seu nome e vamos trabalhar para ter o nome do candidato a prefeito.
É importante a união de toda a base?
Não só acho importante como dev estar unida. Até o dia 8 de outubro cada partido recebeu suas filiações e foi buscar seus pré-candidatos. Cada um se preparou para ter seu pré-candidato. Agora é outra fase, é fase de união. Só a base unida tem condição de fazer o prefeito de Goiânia.
O sr. acredita na união da base em torno de uma candidatura que saia do PSDB?
Acredito sim até porque o governador Marconi atendeu todos os partido na hora da composição de governo e está cumprindo apalavra. Essa situação para a eleição não pode ser diferente e nós temos que ter essa base unida novamente.
Um cenário que se coloca é que o senador Demóstenes Torres uniria a base. O PSDB estaria aberto a ceder essa vaga?
O senador até parou de falar em sua candidatura. Eu trabalho pelo nome da base, por enquanto estamos falando pelo meu parido, sou PSDB e estamos trabalhando por um candidato do nosso partido. Senador tem todas os requisitos para ganhar a eleição em Goiânia, mas vai ganhar com nossa base junto e tem o total respaldo do PSDB se for o candidato. Da mesma forma que se nosso candidato for escolhido, nós teremos apoio do DEM.
Qual será participação do governador na eleição?
Ele vai entrar depois que passar a fase de escolha dos candidatos. Acho que temos que ser maduros o suficiente para escolher o melhor candidato para ganhar eleição dntro da base que apoiou o governador. O PSDB vai ter seu candidato, assim como o DEM, PP, PTB, PPS e os outros partidos da base. A base vai caminhar unida. A situação em Goiânia está unida, PMDB, PT e PDT estão unidos. Queremos um candidato com qualidade técnica e política.








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