Desde 2005 à frente da Prefeitura de Montividiu, no Sudoeste do Estado, o petista Edson Bueno Coutinho chega às portas do último ano no cargo se dizendo otimista quanto à possibilidade de eleger o sucessor. Questionado sobre os nomes que estão sendo comentados como prováveis adversários do seu grupo nas próximas eleições municipais, ele dispara: “Eles não têm o que mostrar. A história é feia, é terrível.” O prefeito visitou a redação da Tribuna do Sudoeste, em Rio Verde, na tarde da última terça-feira, dia 20, e apresentou um balanço das principais realizações de sua gestão. Na entrevista, “Edson da Farmácia” também não se furtou a emitir críticas sobre a atenção dada pelo governo estadual a Montividiu e destacou a importância da reeleição do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, para o fortalecimento do PT em todo o Estado.
Tribuna – Fazendo uma retrospectiva desses sete anos de governo, como o sr. encontrou Montividiu, o que foi possível ser feito e o que não foi feito ainda, mas está nos seus planos para 2012?
Edson Bueno Coutinho – Ponderando os prós e os contras desses sete anos, fico feliz com o resultado. Quando assumi, em 2005, a situação do município era muito caótica. O hospital não funcionava e a Prefeitura não tinha crédito para comprar em lugar nenhum – tanto em Montividiu, como em Rio Verde. As folhas estavam atrasadas e tínhamos mais de R$ 2 milhões em dívidas com a Previdência Social. Hoje, temos 100% de cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF); o hospital passou por várias reformas e ampliação e agora oferece um tratamento totalmente diferenciado. Estamos entregando neste final de ano um PSF construído com recursos próprios; iniciamos recentemente a construção de outro PSF e já foi publicado o edital de licitação para a construção de mais um, além de um laboratório. Entaendo que a nossa principal conquista foi o resgate da credibilidade, pois não temos sequer uma dívida pendente neste mandato.
Uma dívida de mais 15 anos da Prefeitura com uma empresa de calcário acabou provocando o bloqueio das contas do Executivo por um longo período. Esta questão está totalmente solucionada?
De fato, passei dois destes sete anos de governo com as contas bloqueadas, sem poder fazer praticamente nada. Quem liberava o pagamento delas era o Judiciário. A situação não está resolvida completamente, mas é bem melhor. Estamos pagando mensalmente o precatório desta dívida e, mesmo assim, está sendo possível a realização de obras no município. Ao longo destas duas gestões, embora tivemos que gastar aproximadamente R$ 6 milhões em contas que eram de antes de 2005, fizemos mais obras do que todas as gestões anteriores somadas e estamos com as contas em dia. Estamos fechando o ano bem, inaugurando várias obras que já foram totalmente quitadas, e acreditamos que o último ano de mandato será ainda melhor, pois vamos entrar nele com aproximadamente R$ 5 milhões em caixa.
O aniversário de 24 anos de emancipação político-administrativa de Montividiu será na próxima sexta-feira, dia 30. Quais serão os principais presentes que a cidade vai receber?
Na quinta-feira, teremos um show gospel reunindo todas as igrejas evangélicas. No dia 30, vamos entregar obras e benefícios como o lago, que terá uma academia popular; um PSF no Centro; asfalto em alguns bairros; um trailer com consultórios médico e odontológico para prestar atendimento na zona rural e nas escolas; e também teremos shows do Amado Batista e da cantora Jeny, o “Xodozinho de Goiás”. Fechando a programação, no dia 31, haverá uma missa de ação de graças, show da dupla de humoristas Nilton Pinto & Tom Carvalho, uma queima de fogos na virada do ano e depois um show com a banda Mandala.
Montividiu é uma cidade que tradicionalmente sempre tem eleições muito acirradas e que, às vezes, não terminam após a revelação dos resultados das urnas. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 2008, na sua reeleição. Qual é a sua avaliação sobre o cenário para a disputa do ano que vem?
As coisas estão mais moralizadas. As pessoas pensam de forma diferente, estão mais conscientes. Outro aspecto que vai fazer diferença no próximo pleito é a instalação da comarca, que vai permitir uma fiscalização mais próxima, mais efetiva e mais precisa. Além do mais, o que aconteceu no passado, com políticos indo presos e outros tendo que devolver dinheiro para o Município, vai colocar medo em muitas pessoas que não acreditavam na Justiça e agora estão passando a acreditar nela.
O sr. já definiu o nome que irá apoiar para a sua sucessão?
Até mesmo por um princípio democrático, ainda não. Eu não participo de um grupo para beneficiar este ou aquele, nem quero que ninguém fique comigo pensando que vai me beneficiar. O projeto para Montividiu não pode ser individual, mas sim coletivo e discutido por todos. Agora, eu sou o presidente do PT e prefeito reeleito da cidade e, como tal, acho que seria muita infantilidade minha não ter um nome do partido para apresentar ao grupo. É um nome bom e que eu acredito que será olhado com carinho pelos companheiros, sendo que nem todos eles são do Partido dos Trabalhadores. Por sinal, sei de outras pessoas do grupo que são grandes amigos meus e que também teriam condições de disputar a eleição, vencê-la e fazer uma boa administração. É extremante importante e sadio que estes nomes também sejam apresentados para a discussão e que a pessoa que for escolhida esteja imbuída do propósito de dar continuidade a este projeto em prol de Montividiu que iniciamos em 2005 e que agora está bem avançado.
O sr. já declarou publicamente várias vezes que o grande parceiro da sua gestão, em nível estadual, era o deputado Luis Cesar Bueno. A chegada à Assembleia de Karlos Cabral, que é do Sudoeste Goiano e também faz parte dos quadros do PT, facilitou o seu trabalho?
Sem sombra de dúvidas. O projeto do nosso partido está começando a ganhar força e isso é ótimo. O Karlos é nosso amigo, simpatiza com o nosso trabalho é uma das pessoas que vieram para nos ajudar e somar conosco. Tenho certeza de que ele também vai ter um papel muito importante no processo eleitoral de Montividiu. Da mesma forma, queremos ajudá-lo na eleição de Rio Verde. Desde que assumi a Prefeitura, já venho trabalhando no sentido de expandir a presença do PT na região, fazendo uma aproximação e trocando experiências com os companheiros para que o partido fique mais forte e organizado aqui no Sudoeste. Esta chegada do Karlos à Assembleia também é fruto do trabalho de todos nós. Óbvio que ele tem muitos méritos nisso, mas a união das nossas forças neste projeto coletivo foi determinante para o sucesso dele na eleição e agora estamos participando do seu mandato, de forma colegiada.
Até que ponto a reeleição do prefeito Paulo Garcia, em Goiânia, é importante para o fortalecimento deste projeto do PT em nível estadual?
Na medida em que o projeto vai ganhando dimensão e corpo e nós também vamos aumentando o número de cadeiras nos Executivos e Legislativos, isso é bom para todo mundo. Caso o nome do Paulo Garcia seja realmente confirmado para esta disputa e ele a vença, o reflexo será ótimo para os quadros do PT em todo o Estado, inclusive os da nossa região.
Provavelmente o candidato do PSDB a prefeito de Montividiu deve ser o ex-prefeito Armando Fonseca ou o seu filho Armando Fonseca Filho. Outro comentário de bastidores dá conta de que o vereador Estepheson André de Sousa seria lançado pelo PSD para a disputa. De que forma o sr. avalia estes prováveis adversários do seu grupo?
Sem querer me engrandecer, não me preocupo com nenhum dos rivais que tenho hoje em Montividiu. Nenhum destes nomes que estão sendo cogitados como pré-candidatos me preocupa e digo isso por vários motivos. Primeiro porque eu não acredito em uma união de todos. E mesmo que isso aconteça, não deve ser problema. Simplesmente porque quem vai apoiá-los e trabalhar como multiplicadores, pedindo votos aos indecisos, são pessoas que não têm muito peso para fazer a diferença. Se for feita uma pesquisa em Montividiu, creio que de 50 a 60% dos eleitores dirão que ainda não escolheram em quem vão votar. Os formadores de opinião é que vão influenciar nesta decisão e acredito que dificilmente os grupos de oposição vão ter condições e capacidade de aglutinar para conquistar os votos dos indecisos. E Mas quero deixar bem claro que a minha preocupação atual é com a minha administração. Quero fazer um bom trabalho para deixar à sociedade de Montividiu, que é a cidade onde moro e vou continuar morando. Se eu conseguir fazer o sucessor – e vou trabalhar para isso –, tem que ser em consequência da minha administração.
Como o sr. rebate as acusações de que teria interferido diretamente na escolha do novo presidente da Câmara, o vereador Luis Carlos Ribeiro (PSDC), sendo que o Estepheson era o favorito da disputa. Isso realmente ocorreu?
Todos dois são de oposição e, para mim, era indiferente a vitória do Luiz ou do Estepheson. Mas eu admito que fiquei feliz com este resultado sim; não pelo fato de ter sido o Luiz o ganhador – apesar de ele ser mais flexível –, mas porque foram os três vereadores do Partido dos Trabalhadores que fizeram a diferença. Eles votaram unidos, conscientemente. Isso foi a única coisa que disse aos três, quando me procuraram pedindo conselho sobre o que deveriam fazer na eleição para a presidência da Câmara. Como são apenas três e todos os demais são da oposição, eles não teriam como disputar a presidência, então apenas pedi para que chegassem a um consenso e votassem unidos. Repito que não ordenei nem sugeri para ninguém votar neste ou naquele candidato.
Ao longo destes 7 anos, o sr. sempre teve que conviver com uma maioria oposicionista na Câmara. Qual bancada dificultou mais o seu trabalho, a da primeira gestão ou a atual?
Do mandato passado para este, houve uma diferença enorme. No atual, embora a oposição seja até maior, ela não é tão acirrada e intransigente como a da legislatura de 2005 a 2008. Não sou contra a existência da oposição, mas desde que ela haja de forma sadia e consciente, olhando apenas os interesses da população. Os vereadores podem e devem me criticar, mas desde que baseados em argumentos e sem distorcer os fatos. Ninguém tem o direito de desvirtuar um projeto bom para a cidade querendo passar a imagem de que ele é ruim, só porque foi o prefeito que o apresentou. Continuo tendo dificuldades na Câmara, mas não tão grandes como foram as da primeira gestão.
Alguma iniciativa que o sr. considera que seria muito importante para Montividiu deixou de ser implantada devido a vetos dos vereadores?
Houve várias situações deste tipo e, muitas vezes, cheguei a usar os microfones das rádios e a ir ao plenário da Câmara para esclarecer a sociedade sobre do quê realmente tratavam alguns projetos. Alguns vereadores queriam fazer “politicagem” e eu não podia permitir isso. Por várias vezes, a minha intervenção deu certo. Agora, falando de um projeto cujo veto da Câmara talvez tenha me causado mais frustração, destaco um para a construção de casas populares. Eu já estava construindo 22 moradias e tinha uma verba disponibilizada pelo governo federal para construir outras 29. O Município só precisaria oferecer a área para esta obra, porém não tínhamos lotes. Por conta disso, eu queria que uma área institucional fosse desafetada e loteada para a construção destas casas populares.
Como está sendo a relação com o governo do Estado? A volta de Marconi Perillo ao comando do Palácio das Esmeraldas melhorou, piorou ou foi indiferente para o seu trabalho na Prefeitura?
Mesmo com a votação expressiva que o governador obteve aqui, infelizmente não tenho nada de bom para falar do governo dele para Montividiu. A maioria das nossas obras é feita com recurso próprio e o restante das verbas vem do governo federal. Não conseguia verbas com o governo do Estado na época do Alcides (Rodrigues, ex-governador) e nada mudou depois que o Marconi reassumiu o cargo. Por sinal, o Alcides tinha assinado um convênio e depositado pouco mais de R$ 60 mil para a construção da rodoviária, além de outro convênio para asfaltamento; daí veio o Marconi e cancelou os dois convênios. Ele até me notificou para fazer a prestação de contas e devolução deste dinheiro que usei na obra da rodoviária, que ficou em mais de R$ 400 mil. Se eu não tiver que devolver estes pouco mais de R$ 60 mil, terá sido o único recurso que recebi do governo do Estado ao longo destes 7 anos que estou na Prefeitura. Nossa região é muito rica e acabou de ser divulgado que Rio Verde é líder no ranking brasileiro do PIB Agropecuária, mas sequer temos estradas para escoar nossa produção de grãos. A GO-174, por exemplo, tem um tráfego enorme de caminhões entre Montividiu e Iporá, mas a pista está uma calamidade. Isso é o cúmulo do absurdo, além de ser uma falta de consideração com as pessoas que estão produzindo e alavancando o crescimento do Sudoeste Goiano. Recentemente, os produtores fizeram uma manifestação e bloquearam a GO-174. O governo mandou umas máquinas por uns dias para a estrada, mas todas elas já foram retiradas de lá. Se não retomarem os serviços imediatamente, daqui a uns dias aquela rodovia vai ficar transitável.








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