Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Faça diferente!

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E11 01

Tente, invente, faça diferente! De forma mais resumida, assim pode ser definida a proposta que a Escola da Inteligência defende junto aos mestres brasileiros.
Segundo Camila Cury, psicóloga e filha do psiquiatra que ganhou notoriedade nacional como escritor (Augusto Cury), até agora o projeto já promoveu a capacitação de 100 mil pessoas no Brasil.
Autora do livro A Beleza está nos Olhos de Quem vê, ela segue os passos do pai. E mais do que isso: é responsável hoje pelo principal projeto dele: a Escola da Inteligência. O objetivo de ambos é ousado. Transformar professores, gestores, alunos e pais em pensadores críticos, com uma nova visão do mundo pautada nos valores humanos.
Acompanhando o pai numa palestra em Aparecida de Goiânia, Camila arriscou a prometer que as escolas goianas que adotarem o projeto “passarão por uma transformação global”. Gentil e muito receptiva, ela concedeu rapidamente esta entrevista ao Escola.


Do que exatamente trata a Escola da Inteligência?
Ela trabalha o tripé da Educação: pais, professores e alunos, a partir do desenvolvimento das funções mais complexas da inteligência. Pensar antes de reagir, gerenciar pensamentos, trabalhar perdas e frustrações... Todas essas áreas fundamentais para uma pessoa ter sucesso na vida pessoal, nas relações sociais e também no futuro, no mercado de trabalho.
Então nós atendemos uma demanda que as escolas já têm. Há um adoecimento psíquico coletivo. A depressão está se tornando a doença mais comum do mundo. Nós convivemos com crianças que estão desenvolvendo anorexia, bulimia, entre outros transtornos, como déficit de atenção, por exemplo. A hiperatividades dessas crianças é um problema enorme na sala de aula.
Há também o adoecimento coletivo dos professores. Eles têm um intelectual muito ativo, todavia têm que aprender a proteger suas emoções para gerenciar seus conflitos. Para que, assim, possam ministrar uma aula com excelência.

Nós aplicamos esse programa na escola e abrangemos os pais também. Hoje há uma briga muito grande entre a escola e a família. A escola fala que a família não está presente, os pais falam que a família não dá conta. Na verdade, muitos pais se ausentam por não saberem o que fazer.
Que tipo de trabalho é feito com os pais?
A escola precisa chamar esses pais para pensarem estratégias educacionais eficientes, então esses pais terão que ser capacitados para lidar com a mente humana. Porque nós convivemos o tempo todo com a nossa psiquê e não sabemos como lidar com as nossas emoções, frustrações, medos, angústias...
Nosso trabalho também se centra em preparara emocionalmente os professores para que as crianças possam assimilar melhor os conteúdos, diminuir a ansiedade, se tornar seres humanos brilhantes, pensando como espécie.
Infelizmente hoje temos uma geração egocêntrica, com dificuldade de se colocar no lugar do outro, de pensar antes de reagir... e as consequências são graves para toda a sociedade... Então nosso objetivo é tanto expandir a inteligência quanto promover a saúde emocional e corrigir alguns erros de percurso que a nossa sociedade cometeu.

Como está sendo o impacto desse projeto nas escolas?
Fantástico! Os professores estão aprendendo na prática, na aplicação. Porque é diferente de uma Matemática. Não é como você aprender a fazer uma conta. A partir do momento em que você aprende, daqui a dez anos você vai saber. Então, quantas vezes nós não sabemos gerenciar os nosso pensamentos? Não fomos educados para isso.

A Escola da Inteligência trabalha com questões novas. Existe receptividade entre os alunos?
Sim, pois ensinamos às crianças, às vezes por meio de metáforas, a lidar com seus sentimentos e emoções. Isso contribui para melhorar a concentração. Tivemos até um aumento do IDEB nas cidades em que o projeto é realizado.
Nós temos essa proposta para ser incorporada e até os gestores, que não estão diretamente na sala de aula, acabam tendo um resultado muito positivo na organização dos professores, como lidar com eles no dia a dia. Porque, às vezes, a dificuldade do coordenador, do diretor, é lidar com o professor e não só com os pais.
Então, nós trazemos esses resultados também para o colégio. A diminuição de violência é nítida, despertamos até um novo olhar para a preservação do patrimônio público... Todos esses aspectos nós trabalhamos. E ainda o egoísmo, a generosidade, o ouvir o outro... São relacionamentos interpessoais que acabam favorecendo a aprendizagem e tenho certeza de que, no futuro, vão formar pessoas e profissionais muito mais preparados.

Existe uma crítica de que isso aconteça em detrimento do conteúdo, porque muitas vezes os professores não estão preparados para ministrar nem os conteúdos da disciplina que lecionam. Corre esse risco?
Nós temos hoje mais de 700 professores em sala de aula aplicando o projeto. Não tivemos problemas quanto a isso porque não é habilidade técnica, é mais a humanidade desse professor. É isso que pedimos a ele que desenvolva. No curso de 120 horas do programa, trabalhamos essas habilidades.
Acreditamos que o processo educacional não tem que ser de cima para baixo. Ele precisa partir do mesmo nível porque o grande professor é aquele que faz pequeno para transformar seus pequenos alunos em grandes seres humanos. É essa a nossa proposta.

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