Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Comunidades

Escolas recebem R$ 100 mil cada

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Investir em educação nunca é um “gasto”. É isso que muitos defendem, já que é a partir da formação que se resolvem outros problemas sociais. Com esse pensamento, foram repassados na última sexta-feira, 11, R$ 11,4 milhões em recursos para reformas de escolas da rede pública estadual que ficam no entorno do Distrito Federal. O repasse foi realizado pelo governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
Serão 120 escolas que receberão R$ 100 mil cada. A gestão dos recursos será feita por meio do Conselho Escolar, presente em cada instituição. Caberá a ele decidir como o dinheiro será investido.
O objetivo é que cada escola gaste o recurso da forma que melhor lhe convém diminuindo, assim, a burocratização no processo e acelerando a execução das ações. Na opinião do secretário de Educação de Goiás, Thiago Peixoto, essa é a oportunidade das escolas aplicarem o dinheiro de forma mais eficiente e no que for mais emergencial.
De acordo com o governador do estado, Marconi Perillo, a liberdade que os Conselhos terão com a aplicação dos recursos é a prova de confiança no trabalho das equipes escolares. “Somente quem está lá dentro para saber as reais necessidades de uma instituição, e nós confiamos neles para administrar esses repasses”, pontuou.
Para assegurar que os membros do Conselho irão realizar o trabalho de maneira correta, ficará a cargo do Núcleo de Reforma Física da Seduc a tarefa de orientar a forma de aplicação dos valores, levantar as necessidades das escolas, e orientar nos aspectos burocráticos, como o encaminhamento de licitações.
“Confiamos no trabalho de cada Conselho porém, a secretaria estará sempre à disposição para qualquer auxílio”, lembrou Tiago Peixoto.

Valores
Na visita a Formosa, o governador anunciou R$ 6 milhões para a recuperação das escolas do município e de Planaltina de Goiás. Em Luziânia, recebido pelo prefeito Célio Silveira, Marconi assinou o repasse de R$ 8,5 milhões para reforma em 58 unidades escolares do município e também das cidades de Novo Gama, Cristalina, Cidade Ocidental e Valparaíso.
O governador informou que em julho terá início o processo de licitação de um programa permanente de manutenção e reforma das escolas. Empresas terceirizadas da região ficarão responsáveis pela pelas obras de infraestrutura das instituições. “Será nos moldes do programa Rodovida, de manutenção das estradas, de modo que qualquer problema estrutural que surgir seja rapidamente solucionado”, comparou.

Região do entorno ainda carece de recursos

Apesar de ser uma região com cidades jovens, e ficar logo ao lado de Brasília, o centro político do país, o entorno do Distrito Federal padece de recursos.
Para a subsecretária de Luziânia, Valdereza Antônia Braz, a disponibilização dos recursos irá valorizar ainda mais as cidades que ficam no entorno, e que muitas vezes carecem de programas de incentivo.
Considerado por muitos como violento e abandonado, o entorno de Brasília pegou em si a fama de lugar que não pertence nem a Brasília, nem ao estado de Goiás. O governador, no entanto, ressalta que com essa e outras ações a região será crescentemente valorizada, principalmente no que tange à educação.
“Pretendemos investir por volta de R$ 100 milhões em melhorias para o setor, e desse total, 70% irá para o entorno. Serão gastos com equipamentos, laboratórios de informática, e também a construção de onze novas unidades, sendo que nove delas serão aqui nessa região”, adianta. As outras duas serão em Jataí e Goianira.
Para o secretário de Educação do estado, Thiago Peixoto, o repasse é o resultado de um olhar diferenciado que o estado tem dado à região. “Investir nas escolas do entorno tem sido prioridade desse governo, que também tem olhado para todo restante do estado”, ressalta.
Gilson Antônio Silva, presidente do Conselho do Colégio Estadual Valparaíso, confirma a visão que se têm das cidades do entorno. “É uma região esquecida, e que precisa de muitos investimentos ainda”, considera.
Ele comemora os R$ 100 mil que a instituição irá receber, mas sabe que isso não basta. “Temos muitos desafios a superar na região, e a educação é o caminho para muitas dessas soluções. É preciso investir mais ainda, para que possamos prosseguir no nosso trabalho”, pontua.

Conselhos Escolares têm por finalidade gerir recursos repassados às instituições

Após entregue os R$ 100 mil reais para as escolas, quem irá fazer a gestão dos recursos? Quem irá supervisionar esse trabalho?
Os recursos repassados pelo governo serão administrados e aplicados pelos Con­selhos Escolares presentes em cada instituição. São eles os responsáveis por verificar como e onde será aplicada a verba.
Um Conselho é formado por professores, administradores, pais e alunos, escolhidos por meio de votação. De acordo com Elisângela de Souza, presidente do Conselho do Colégio Estadual Vasco dos Reis Gonçalves, cada segmento possui um representante para garantir que as necessidades sejam de fato atendidas. A escola fica no Jardim Ingá, região periférica da capital.
“O administrador fala que precisa de verba para uma coisa, mas dentro da sala o professor necessita de algo com mais urgência. Só escutando todas as partes a gente consegue administrar os gastos”, considera.
Na escola de Elisângela, o Conselho ainda não se decidiu sobre a destinação dos recursos. Ela explica que R$ 50 mil já foram repassados para a reforma dos banheiros. “Eles são o mais emergencial agora. Depois, queremos sentar e conversar com toda a equipe sobre o restante do valor”, conta.
Que está vindo em boa hora, a presidente não tem dúvida disso. “Estamos numa região pouca assistida, e os problemas aqui não faltam. Para que a escola funcione perfeitamente, existem gastos, e que não são poucos”, ressalta.
Para o presidente do Con­se­lho do Colégio Estadual Va­lparaíso, Gilson Antônio Silva, ainda é pouco o investimento que vai para as cidades da região do entorno. “Há um jogo de empurra-empurra entre o estado de Goiás e Brasília, e isso acaba deixando a região sempre abandonada”, reclama.
Ele que acredita que com incentivo o trabalho realizado na escola seria bem mais proveitoso. “As nossas demandas não são poucas. São bibliotecas, bebedouros, carteiras, etc. Sempre há algum gasto”.
São 1400 alunos no Co­lé­gio Valparaíso, e lá o dinheiro será bastante bem vindo. “Vamos discutir as melhores formas de investir esses recursos, pois temos carências em várias áreas, principalmente de infraestrutura”. Em todos esses casos, é papel do Conselho dialogar as formas de administrar os recursos que chegam.

 

Quando a África se manifesta

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Com a intenção de despertar reflexões acerca da inserção do negro na sociedade brasileira, assim como divulgar uma importante manifestação cultural de origem africana, a congada, será realizado no sábado, 19, o encontro “Irmandade Negra em Movimento”, no auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), Campus I, na Praça Universitária.
O evento faz parte do programa Corpopopular: Interse­cções Culturais, coordenado pelo (Ve)lhaco- Laboratório de História e Artes do Corpo da Faculdade de Educação Física (FEF) da UFG. O projeto foi idealizado em 2011, mas só saiu do papel este ano, ao ser contemplado com o edital do Pro­grama de Extensão Unive­rsitária (ProExt) do Ministério da Educação (MEC).
A professora do curso de Dança da Faculdade de Educação Física da Univer­sidade Federal de Goiás Renata de Lima Silva, explica que o objetivo do projeto é fomentar o fazer cultural a partir de elementos de manifestações culturais brasileiras. “Queremos dar visibilidade a elementos da nossa cultura que muitas vezes ficam esquecidos. Promover esse espaço de discussão é fundamental”, revela Renata.
O evento vai contar com atividades voltadas para educadores, estudantes e pesquisadores. De acordo com a professora Renata, o espaço estará aberto para toda a população, para qualquer um que se interesse pelo tema.

Cultura
Manifestações da cultura afro-brasileira como a capoeira, a congada, o samba e até mesmo o candomblé são expressões africanas que contribuíram na formação da identidade cultural brasileira. Para a professora Renata não há como negar essa influência, o que torna fundamental a aprendizagem e contato com essas manifestações.
O primeiro evento, realizado no mês de março desse ano, dentro do Programa Corpopopular- Intersecções Culturais foi o “Ginga Menina”, organizado por um coletivo de mulheres capoeiristas de Goiânia, que contou com o apoio de grupos de capoeira angola da cidade. A professora Renata conta que o evento tematizou a figura feminina, dando ênfase para a mulher na capoeira.
No novo evento do programa, que recebeu o nome a “Irmandade Negra em Movimento”, a cultura afro-brasileira continua em destaque. Mas dessa vez uma nova manifestação ficará em destaque. Sai à capoeira e entra a congada, importante mostra cultural e religiosa de influência africana.

Congada
De acordo com o pesquisador e professor da UFG Alex Ratts, a congada já existe há quase 70 anos em Goiânia. A primeira irmandade da capital foi a da Vila Santa Helena, fundada em 1944. O pesquisador afirma que mesmo com todo esse tempo a congada ainda não é tão conhecida da população local. “É a nossa maior intenção, mostrar essa importante manifestação cultural ao maior número de pessoas.”
Em Goiânia são nove irmandades de congada com mais de 500 congadeiros no total. Segundo Ratts, um fato que impressiona é o número de crianças e jovens que fazem parte dos grupos. Isso para ele demonstra que a preservação cultural está garantida, “nossa preocupação é em relação à falta de apoio e incentivo a essa riqueza que é a congada, o financiamento público a projetos de congada ainda é muito incipiente”, revela o professor Ratts.

Programação
A primeira atividade do evento será a palestra e lançamento do livro “Dança Po­pular: espetáculo e devoção”, da professora doutora Mari­anna Martins Monteiro, do Instituto de Artes da Unive­rsidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), às 15 horas. Em seu livro a pesquisadora investiga os processos formativos das danças populares brasileiras, entre elas o congo, e propõe um novo olhar quanto às características nas relações entre cultura erudita e popular.
Na sequência, Ratts, do Instituto de Estudos Socioa­mbientais (IESA) da UFG, vai propor uma roda de conversa sobre a Congada em Goiânia com a participação de Mestres Congadeiros da capital.
Para finalizar o evento o Cortejo de Congada está marcado para o fim da tarde e contará com a participação dos grupos Terno de Congo 13 de maio, Terno Catupé Mari­nheiro e o Terno de Moçam­bique N.S. do Rosário, todos os grupos são de Goiânia e o cortejo acontecerá nas mediações do Campus I da UFG.

 

A ponte entre a vaga e o indivíduo

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O grande número de vagas que surgem todos os anos no mercado de trabalho parece não combinar com a quantidade de pessoas em busca de emprego. E a distância que separa o indivíduo do tão sonhado emprego muitas vezes não é vencida por falta de uma única palavra: formação.
A oferta de vagas no ensino técnico e tecnológico tem sido o pontapé inicial na vida de muitos estudantes. É uma formação rápida, e com foco no mercado de trabalho. Várias são as opções de escolas e centros de ensino com formação técnica, e para quem não pode pagar, a boa notícia: muitos cursos são gratuitos, e inclusive incentivam a permanência do jovem na escola.
Lauro Roberto Moreira da Silva (29 anos) nem sequer sonhava com faculdade, mas viu sua vida mudar depois de fazer um desses cursos profissionalizantes. Com Ensino Fundamental incompleto, foi no Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Pro­Jovem) Urbano, destinado a jovens de 18 a 29 anos que não concluíram o 9° ano, que ele se encontrou. “Voltei para a escola, e com emprego garantido”, comemora.
Dentro do programa, Da Silva trabalhou durante dois anos como estoquista em uma distribuidora de autopeças. Experiência para a vaga, ele não tinha, mas formação, sim. “Eu nunca tinha pegado um mouse, e com o ProJovem fiz informática, participei de várias palestras e até de ações comunitárias nos bairros”, conta.
Além do curso técnico em administração, ele diz que aprendeu muito sobre os seus direitos como trabalhador, a conduta que deve manter em uma empresa e como se posicionar no mercado.
Hoje, Da Silva trabalha como motorista, e sonha bem alto. “Agora, quero conquistar as coisas, tudo com trabalho e estudo. Sei que posso mais, recebi muito incentivo no programa”, afirma o jovem, ciente de que ainda há um longo ca­mi­nho a ser percorrido. “Co­nheço amigos que fazem faculdade e trabalham ao me­smo tempo. Quero terminar o fundamental e fazer um técnico, pois é mais rápido”, planeja.
Foi para pessoas como Da Silva e tantos outros que não têm tempo a perder, que ações como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) foram criadas, oferecendo ao cidadão a chance de estudar e se profissionalizar ao mesmo tempo. Assim, eles já saem da escola com o diploma técnico, e preparados para enfrentar uma nova fase da vida.
Para Nilcineth de Oliveira, coordenadora do Pronatec na Secretaria Estadual de Educação, esse é o momento do ensino profissionalizante no país. “As autoridades perceberam que o mercado está escasso de mão de obra especializada, e que elas precisam reverter isso”, opina.
Com o Pronatec, a coordenadora acredita que essa demanda será suprida em grande parte, pois o aluno já entra no mercado ciente de que caminho seguir, sendo que muitos decidem por dar continuidade aos estudos.
“Apesar do programa ainda não possibilitar um encaminhamento do jovem para o mercado, a gente ajuda ele nos primeiros passos. Só dele saber que, a partir daquela formação, ele alcança o tão sonhado emprego, é um motivo a mais para continuar na escola”, relata Nilcineth.
Os cursos profissionalizantes são oferecidos em parceria com o sistema S de Ensino (Senai e Senac), com o Instituto Federal de Goiás (IFG), o Instituto Federal Goiano (IFGoiano), e por último, o Serviço Nacional de Aprendi­zagem Rural (Senar). As aulas são sempre no contraturno escolar, e o aluno recebe o vale-transporte e lanche. Nada é motivo para perder essa chance.
Na última, 7, iniciaram-se as inscrições para 3.600 vagas em cursos de curta duração do programa. “Temos hoje mais de 160 cursos oferecidos em diferentes áreas, sempre atendendo as demandas da região”, diz Nilcineth.
Diretor de Educação e Te­cno­logia do Sesi e Senai, Ma­noel Pereira da Costa revela que hoje conta com cerca de ci­nco mil alunos cadastrados dentro do Pronatec. Para ele, a formação é o caminho rumo ao crescimento econômico do estado. “Ou vamos investir em educação profissional agora, ou teremos que importar mão de obra cara”, analisa.
Da Costa  relembra que o Senai também oferece inúmeras outras opções para os jovens. Uma delas é o chamado curso de Jovem Aprendiz, onde o estudante de 14 a 24 anos, que esteja terminando o fundamental ou no início do ensino médio, realiza cursos de 400 a 800 horas, além dos estágios com duração de até dois anos.
“Primeiro, eles aprendem na sala o básico sobre a ocupação, e depois vão para um período de atividade na empresa”, diz. É um trabalho comum, com direito a salário e tudo, mas sem abandonar, de modo algum, a escola.
Na opinião do diretor de Educação do Senai, é visível a mudança no comportamento de jovens que passam por experiências como o Pronatec e o Jovem Aprendiz. “Eles ficam mais disciplinados, passam a dar mais valor naquilo que aprendem em sala, relacionando o ensinamento com a sua rotina no trabalho”.
Mais uma prova da preocupação crescente com a educação profissional, o Programa Bolsa Futuro, criado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectec) visa reunir todos os cursos técnicos ofertados pelo estado, e qualificar 500 mil goianos nos próximos três anos.
Para 2012, serão cerca de 50 mil vagas que, de acordo com o Secretário da Sectec, Mauro Faiad, iniciarão os cursos em agosto. O Bolsa Futuro também prevê a destinação de R$ 75 mensais para integrantes de famílias que estejam inseridas no Bolsa Família e Renda Cidadã.
O objetivo é incentivar a inserção desses indivíduos no programa, e baixar índices de evasão escolar. “São pessoas que normalmente não têm acesso a qualquer vaga. Vamos mostrar para eles a importância de manter qualificado”, acredita Faiad.

Brasil Profissionalizado
Desenvolvido pelo Mini­stério da Educação em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), o Programa Brasil Profissiona­lizado integraliza o Ensino Médio com o curso técnico. Dentro da grade de ensino da escola, o jovem tem aulas semanais de uma matéria profissionalizante.
“A gente conversa com a rede de educadores da instituição, e eles nos passam a demanda mercadológica da região. Tem uma escola, por exemplo, que fica na região de bares e que pediu um curso de Técnico em Cozinha, e que teve grande aceitação pelos alunos”, conta a técnica pedagógica do programa, Lázara Alzira de Freitas.
O Brasil Profissionalizado ain­da é novo. Começou esse ano em quatro escolas da rede estadual que ficam em Apa­recida de Goiânia e na capital. Em cada instituição, uma tu­rma que está no 1° ano do Ensino Médio deu início às aulas.
“Serão cursos de três anos, e que irão acompanhar toda a formação do estudante. Ao final dessa etapa, eles terão uma maior facilidade com o mercado, saindo na frente de outros colegas com relação ao conhecimento”, acredita Lázara.

Estágios: o acesso mais rápido ao primeiro emprego

O estágio costuma ser a porta de entrada de inúmeros universitários no mercado de trabalho. Mas o que poucos sabem é que estudantes que ainda estão no Ensino Médio também podem se tornar estagiários.
O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e o Centro de Inte­gra­ção Empresa-Escola (CIEE) são especializados em criar a ponte entre as vagas e o adolescente. De acordo com Tarciana Nascimento, gerente do programa de estágio do IEL, já aos 16 anos os interessados podem se cadastrar em busca de um emprego.
O aluno trabalha no contraturno escolar, e precisa estar sempre com os estudos em dia. “Para continuar o estágio ele tem que estar estudando, pois nós entendemos que a base para a manutenção vaga é a sala de aula”, considera Tarciana.
A gerente revela dados interessantes, que mostram que 82% dos estagiários são efetivados na empresa após o fim da experiência, que é de dois anos. Muitos são contratados até mesmo antes desse tempo.
No site do Instituto os jovens, além de se cadastrar, podem participar gratuitamente de cursos à distância. Eles são treinados para entrevistas, montam o currículo, e se preparam para as exigências do mercado.

Aprendiz Legal
No CIEE, o Programa de Aprendizagem insere jovens e 14 a 24 anos no comércio e na indústria por meio dos cursos de capacitação que antecedem o estágio.
A formação abrange áreas como práticas bancárias, comércio e varejo, turismo, telesserviços, etc. O caráter é de aprendizagem, mas o foco é no mercado. “A gente dá aos estudantes a possibilidade que ele ande com as próprias pernas”, afirma Guilherme Rosa, supervisor do Centro de Integração em Goiás.
O conteúdo é oferecido pela Fundação Roberto Marinho, e tem duração de dois anos. Atualmente no estado, 1200 estagiários estão trabalhando como Aprendiz Legal. Eles têm benefícios que incluem carteira assinada, férias, etc.
Tanto no IEL quanto no CIEE, basta se cadastrar no site para concorrer às vagas. As instituições procuram sempre aqueles que mais se encaixam no perfil da empresa, mas somente dentro do seu banco de dados.

 

A aftosa na agenda goiana

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No início de maio, a Campanha de Vaci­na­ção Contra a Fe­bre Aftosa entrou no calendário dos agropecuaristas goianos. Nessa primeira etapa, o prazo para vacinar todo rebanho se estende até o dia 31 de maio. A Agência Goiana de De­­fesa Agropecuária (Agro­de­fe­sa) tem a meta de imunizar mais de 21 milhões de cabeças de gado, número que representa 99% do total do rebanho bovino e bubalino de Goiás.
A aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta gado bovino, búfalos, caprinos, ovinos, suínos e outros animais que possuem cascos fendidos, como explica o professor da Escola de Veterinária e Zootec­nia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e também presidente da Cooperativa de Mé­di­cos Veterinários de Goiás Hélio Louredo da Silva.
Segundo, Da Silva, em ge­ral, os sinais clínicos mais severos são em bovinos e suínos. “Após a contaminação, deve-se sacrificar todos os animais num raio de três quilômetros, pois não existe tratamento”, alerta o professor.
O último foco da doença no estado foi na cidade de Santa Bárbara de Goiás em 1995. Des­de então, não houve mais nenhum registro da doença. Os altos índices de vacinação, somado a medidas rigorosas de fiscalização podem levar Goiás a obter o certificado de zona livre da doença em 2015.
O único estado do país que possui esse selo é Santa Cata­rina. A certificação de status de zona livre de aftosa é concedida pela Oficina Interna­cional de Epizootias (OIE), ligada à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A coordenadora do Progra­ma Estadual de Enfermidades Vesiculares, Deise Lúcida Ne­ves, conta que a ideia é obter o controle da aftosa sem a vacinação. “Isso deve ser feito de forma gradativa. Primeiro se retira uma das etapas da vacinação em 2013, acompanhando as normas internacionais que regem o programa de controle da aftosa, e em 2015 Goiás poderá ser livre da aftosa sem vacinação.”
Anualmente são coletadas amostras sorológicas. Segun­do Deise, essa medida regulariza o controle da aftosa. “Também é fei­to um controle efetivo de fron­teira. Tudo isso para impedir a entrada de animais infectados de outras regiões. Não há como negar que nossas medidas sanitárias são exemplares”, garante a coordenadora do programa.

Valor econômico
A importância desse certificado para a economia agropecuária do estado é grande. Afinal, uma das exigências de grande parte dos importadores de carne mundial é que o país seja livre de aftosa sem vacinação. Os Tigres Asiáticos, Ocea­nia, países membros do Nafta (Canadá, México e Estados Unidos), por exemplo, só compram carne de locais que possuem o certificado.
Goiás e o Brasil hoje participam apenas de 40% do mercado internacional de carne por conta da restrição de di­ver­sos países, que só compram se hou­ver o certificado. Da Silva diz que a aftosa se tornou uma verdadeira barreira econômica, e não apenas sanitária. “A carne brasileira é uma das mais baratas, pois 80% dela vêm de boi de pasto, que possui um custo mais baixo e muito mais competitividade.”

Campanha 2012
Após o fim da última campanha em novembro de 2011, foi realizada uma fiscalização nas fazendas inadimplentes. Para o presidente da Agrode­fesa, Antônio Nogueira, essa é uma forma de controlar esses produtores e fazer com que eles vacinem o rebanho.
A multa paga por cada animal não vacinado é de R$ 7. No caso de reincidência, o valor dobra. Neste caso, além da multa, a fazenda é interditada, e na campanha seguinte contra a febre aftosa o rebanho passa a ser submetido à vacinação assistida por um médico veterinário da Agrodefesa.
Outro fator que parece ter facilitado o trabalho dos fiscais é o acompanhamento online dos índices, por meio da informatização do controle do rebanho. “Hoje, nós temos 100% das propriedades rurais de Goiás com as sedes georreferenciadas e sabemos a quantidade de animais de cada propriedade, isso nós dá a garantia do cumprimento exato da vacinação contra aftosa”, ressalta Nogueira.
A campanha funciona de for­ma simples, basta o produtor ir a uma loja veterinária credenciada pela Agrodefesa e ad­quirir as doses da vacina. Após a vacinação, o produtor deve a­pre­sentar no prazo de cinco dias a declaração no escritório da Agrodefesa do seu município.
É por meio dessa declaração que o controle informatizado do rebanho vacinado é atualizado. Também deve ser realizada a vacinação obrigatória contra a brucelose de animais fê­mea de três a oito meses e a antirrábica em 119 municípios goianos.

 

A dor e a delícia de ser mãe

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Há três meses, a jornalista Patrícia Bra­sil, 28 anos, convive com o mal estar típico do início de gravidez. Depois de um tratamento para estimular a ovulação, ela e o esposo, o gerente de estoque Leandro Al­ves, 30 anos, comemoram a che­gada do primeiro filho. Nes­se mesmo período, a supervisora de call center Fabíola Rafaela Santos Evan­gelista, 29 anos, trocou a rotina de trabalho e es­tudos pelos cuidados com a filha.
A pequena Mariana Rafaela Santos Evangelista, que nasceu em janeiro, já era sonhada desde a época do namoro. Fabíola e o esposo, o técnico em pintura automotiva, Cléber Bispo Evangelista, 26 anos, combinaram que depois do segundo ano de casamento teriam um filho. O plano deu certo e a gravidez foi confirmada apenas dois meses depois do prazo estabelecido.
Patrícia e Leandro também haviam marcado uma data para a chegada do primeiro filho: quatro anos de casamento. O desejo de terem uma criança veio antes do previsto, mas o sonho teve que ser adiado por causa da dificuldade para ovular. “Durante o tratamento, que durou dois anos, pensava: 'será que Deus não quer que eu seja mãe'”, lembra a jovem, que manteve segredo a respeito do tratamento para evitar questionamentos e cobranças.

Adaptações do corpo
A alegria após a  confirmação só não é maior por causa dos enjoos. “Brinco que o meu marido está mais feliz do que eu, porque não sente nada”, diz Patrícia. E esse não é apenas o único sintoma característico da gestação. O corpo da mulher passa por diversas adaptações durante o período da gravidez, conforme explica o ginecologista e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG), Vardeli Alves de Moraes.
Essas mudanças, de acordo com ele, “decorrem do aumento da produção dos hormônios estrogênio e progesterona” e são mais sentidas pelas mães de primeira viagem, que desconhecem a maioria dos sintomas. “Nas gestações seguintes a mulher compreender melhor as alterações do corpo”, considera. Entre as modificações estão o aparecimento de manchas no rosto, os chamados melasmas,  resultado da atuação do hormônio estrógeno.
Há ainda o aumento da frequência cardíaca, ocasionada pela retenção do líquido circulante nos vasos sanguíneos, e do volume urinário, pois o útero em crescimento comprime a bexiga.  Com o aumento de peso, além das dores na lombar, a gestante terá dificuldade de manter o equilíbrio. Para facilitar a locomoção, a mulher passa a caminhar com as pernas afastadas.
Sintomas como a azia  ou queimação podem ser evitados por meio de uma alimentação equilibrada, com a ingestão de frutas, verduras e alimentos mais naturais. Patrícia tem investido nesse tipo de dieta. “Tento seguir as indicações da minha médica e tomar as vitaminas prescritas para que bebê nasça mais saudável”, explica.

Gravidez inesperada
Em 2010, uma semana an­tes do dia das mães, a publicitária Fernanda Rodrigues, 22 anos, descobriu que estava grávida. E mais: já estava no quarto mês de gestação. Ao con­trário do que em geral ocorre, ela não sofreu alterações corporais típicas do pe­río­do gestacional. “Era perceptível que eu estava engordando, mas não parei de mens­truar e não senti enjoos”, lembra.
O susto inicial foi grande porque Fernanda não sabia como a família reagiria. A vida só começou a entrar nos eixos depois que a publicitária, à época ainda estudante universitária, conversou com mãe e recebeu o apoio dos parentes. Nesse período, o acompanhamento do ex-na­mo­rado, pai de Alice Ro­dri­gues, hoje com um ano e sete meses, foi importante para que o medo inicial cedesse lugar às rotinas da gestação.
Ela, então, percebeu que nunca mais estaria sozinha. “Sou muito independente e, por causa disso, muito carente. Me tornei responsável pela Alice pelo resto da vida, mas sei que se precisar de alguém, nem que seja para abraçar e chorar junto, ela estará ao meu lado. Não há amor no mundo maior do que pelo filho.  É muito incondicional”, analisa a publicitária.  
A interação com a filha foi estimulada desde a barriga. Fã de rock, Fernanda costumava ouvir músicas da banca americana The Strokes durante a gravidez. Ela diz que a filha até hoje se recorda das canções. A menina também é antenada nas redes sociais da internet, parte fundamental do trabalho da mãe. “A Alice já sabe que no computador podemos ver fotos e entrar no 'Face' (Facebook)”, relata.
Para a psicóloga Noecyr Mendonça, o pai e até mesmo os irmãos devem conversar com o feto sobre as expectativas de sua chegada, sobre os sentimentos que nutrem por ele e sobre as dificuldades enfrentadas, além de cantar, ler histórias e acariciar o ventre.

Mudança de foco
A chegada de um bebê gera expectativas e mudanças nos planos da vida das mamães. Para Fernanda, esse reordenamento de prioridades pode ser percebido em pequenos detalhes. “Até a maneira de olhar para a vitrine de uma loja mudou. Hoje, procuro coisas que possam ser interessantes para a Alice”, exemplifica.
Se antes da maternidade ela tinha sua própria rotina, sem justificar as saídas com os amigos, por exemplo, atualmente ela diz que primeiro leva em consideração as necessidades da filha. Fernanda verifica se há  alguém para cuidar de Alice ou se a menina não precisa de atenção especial, tendo em vista que passam pouco tempo juntas durante a semana.
O filho de Patrícia e Leandro também começa a gerar mudanças na casa. A mãe de primeira viagem planeja transformar um dos cômodos do apartamento onde vive no quarto para o bebê. Ela  já  comprou livros que falam sobre o tema gravidez para esclarecer dúvidas sobre o assunto. “Me sinto mãe e nesses já nesses três meses tenho me pensado a respeito dos cuidados que vou ter depois que ele nascer. Só agora entendo os sentimentos da minha mãe”, conta a jornalista.
Assim como Patrícia, Fabíola também buscou informações sobre gestação navegando em sites específicos para grávidas e conversando com a mãe e com as cunhadas sobre seus medos e dúvidas. Ela relata que os primeiros meses depois do nascimento da filha estão sendo difíceis, mas prazerosos. “O foco do casal está todo voltado para a Mariana”, reconhece Fabíola
Afastada do trabalho devido a licença maternidade, ela trancou a faculdade de administração.  Evangélica, pretende redirecionar os estudos para a área de teologia e aconselhamento de casais, pois percebeu que o nascimento do primeiro filho transforma as relações familiares. Para Fabíola, muitas vezes, a mãe centra sua atenção apenas na criança e esquece de envolver o pai nas rotinas do bebê.

Adaptando o corpo


* Pele: Surgem manchas conhecidas como melasmas, resultado da atuação do hormônio estrógeno
* Útero: Aumento uterino provoca falta de ar. Além disso, o útero comprime a bexiga, o que aumenta a frequência urinária.  
* Coluna: Com o aumento de peso, a gestante terá dificuldade para manter o equilíbrio. Para facilitar a locomoção, passa a caminhar com as pernas afastadas
* Coração: Frequência cardíaca aumenta por causa da retenção do líquido circulante nos vasos sanguíneos.


Mamães necessitam de cuidados especias

Para a psicóloga Juliana Borges Naves, que atua na Maternidade Nascer Cidadão, a mãe é uma cuidadora que também necessita de atenção especial, tanto física quanto emocional. Durante a gravidez, a mulher tem uma maior exigência de afeto: fica mais sensível e carente. A psicóloga Noecyr Mendonça destaca que esse é um período de transição na vida da mulher. Ela terá que assumir mais um papel, o que pode interferir em sua rotina e nos planos pessoais.
Juliana sustenta que a criança ocupa um lugar de fantasia na vida mãe. O conflito entre as expectativas criadas em relação a criança e a realidade pode gerar problemas para a mãe, entre eles a depressão pós-parto. “Nesses casos, depois do nascimento a realidade não atende às expectativas criadas. Há um descompasso entre o lugar de fantasia que o bebê ocupa e o que de fato ocorre após a sua chegada”, explica. É o que acontece quando a mãe não consegue amamentar, por exemplo.
Os grupos de gestantes são uma alternativa para compartilhar as dúvidas e dissipar as fantasias e os medos. Na Maternidade Nascer Cidadão, as mães se reúnem às terças, a partir das 08h. Além do apoio psicológico e da troca de experiências, recebem dicas da doula Ellen Kuhl, profissional especializada em acompanhar o trabalho de parto que ensina técnicas de relaxamento e respiração. Para participar do grupo não é preciso realizar inscrição.
Para a Juliana esse encontro é importante porque proporciona a troca de experiências entre as gestantes. “Mulheres de todas as idades participam. Com as conversas fantasias terríveis, como a morte no parto, podem ser deixadas de lado”, avalia.
Noecyr pontua que cada fase da gestação possui medos específicos. Nos primeiros meses a mulher convive com a dúvida se está ou não gestante, no último trimestre aumenta a ansiedade em relação ao parto e o medo de ser destruída no momento em que o filho, uma nova geração, a substitui. Ela também experimenta o medo das mudanças corporais estéticas e de não ter leite ou de não saber cuidar do bebê.

 

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