Investir em educação nunca é um “gasto”. É isso que muitos defendem, já que é a partir da formação que se resolvem outros problemas sociais. Com esse pensamento, foram repassados na última sexta-feira, 11, R$ 11,4 milhões em recursos para reformas de escolas da rede pública estadual que ficam no entorno do Distrito Federal. O repasse foi realizado pelo governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
Serão 120 escolas que receberão R$ 100 mil cada. A gestão dos recursos será feita por meio do Conselho Escolar, presente em cada instituição. Caberá a ele decidir como o dinheiro será investido.
O objetivo é que cada escola gaste o recurso da forma que melhor lhe convém diminuindo, assim, a burocratização no processo e acelerando a execução das ações. Na opinião do secretário de Educação de Goiás, Thiago Peixoto, essa é a oportunidade das escolas aplicarem o dinheiro de forma mais eficiente e no que for mais emergencial.
De acordo com o governador do estado, Marconi Perillo, a liberdade que os Conselhos terão com a aplicação dos recursos é a prova de confiança no trabalho das equipes escolares. “Somente quem está lá dentro para saber as reais necessidades de uma instituição, e nós confiamos neles para administrar esses repasses”, pontuou.
Para assegurar que os membros do Conselho irão realizar o trabalho de maneira correta, ficará a cargo do Núcleo de Reforma Física da Seduc a tarefa de orientar a forma de aplicação dos valores, levantar as necessidades das escolas, e orientar nos aspectos burocráticos, como o encaminhamento de licitações.
“Confiamos no trabalho de cada Conselho porém, a secretaria estará sempre à disposição para qualquer auxílio”, lembrou Tiago Peixoto.
Valores
Na visita a Formosa, o governador anunciou R$ 6 milhões para a recuperação das escolas do município e de Planaltina de Goiás. Em Luziânia, recebido pelo prefeito Célio Silveira, Marconi assinou o repasse de R$ 8,5 milhões para reforma em 58 unidades escolares do município e também das cidades de Novo Gama, Cristalina, Cidade Ocidental e Valparaíso.
O governador informou que em julho terá início o processo de licitação de um programa permanente de manutenção e reforma das escolas. Empresas terceirizadas da região ficarão responsáveis pela pelas obras de infraestrutura das instituições. “Será nos moldes do programa Rodovida, de manutenção das estradas, de modo que qualquer problema estrutural que surgir seja rapidamente solucionado”, comparou.
Região do entorno ainda carece de recursos
Apesar de ser uma região com cidades jovens, e ficar logo ao lado de Brasília, o centro político do país, o entorno do Distrito Federal padece de recursos.
Para a subsecretária de Luziânia, Valdereza Antônia Braz, a disponibilização dos recursos irá valorizar ainda mais as cidades que ficam no entorno, e que muitas vezes carecem de programas de incentivo.
Considerado por muitos como violento e abandonado, o entorno de Brasília pegou em si a fama de lugar que não pertence nem a Brasília, nem ao estado de Goiás. O governador, no entanto, ressalta que com essa e outras ações a região será crescentemente valorizada, principalmente no que tange à educação.
“Pretendemos investir por volta de R$ 100 milhões em melhorias para o setor, e desse total, 70% irá para o entorno. Serão gastos com equipamentos, laboratórios de informática, e também a construção de onze novas unidades, sendo que nove delas serão aqui nessa região”, adianta. As outras duas serão em Jataí e Goianira.
Para o secretário de Educação do estado, Thiago Peixoto, o repasse é o resultado de um olhar diferenciado que o estado tem dado à região. “Investir nas escolas do entorno tem sido prioridade desse governo, que também tem olhado para todo restante do estado”, ressalta.
Gilson Antônio Silva, presidente do Conselho do Colégio Estadual Valparaíso, confirma a visão que se têm das cidades do entorno. “É uma região esquecida, e que precisa de muitos investimentos ainda”, considera.
Ele comemora os R$ 100 mil que a instituição irá receber, mas sabe que isso não basta. “Temos muitos desafios a superar na região, e a educação é o caminho para muitas dessas soluções. É preciso investir mais ainda, para que possamos prosseguir no nosso trabalho”, pontua.
Conselhos Escolares têm por finalidade gerir recursos repassados às instituições
Após entregue os R$ 100 mil reais para as escolas, quem irá fazer a gestão dos recursos? Quem irá supervisionar esse trabalho?
Os recursos repassados pelo governo serão administrados e aplicados pelos Conselhos Escolares presentes em cada instituição. São eles os responsáveis por verificar como e onde será aplicada a verba.
Um Conselho é formado por professores, administradores, pais e alunos, escolhidos por meio de votação. De acordo com Elisângela de Souza, presidente do Conselho do Colégio Estadual Vasco dos Reis Gonçalves, cada segmento possui um representante para garantir que as necessidades sejam de fato atendidas. A escola fica no Jardim Ingá, região periférica da capital.
“O administrador fala que precisa de verba para uma coisa, mas dentro da sala o professor necessita de algo com mais urgência. Só escutando todas as partes a gente consegue administrar os gastos”, considera.
Na escola de Elisângela, o Conselho ainda não se decidiu sobre a destinação dos recursos. Ela explica que R$ 50 mil já foram repassados para a reforma dos banheiros. “Eles são o mais emergencial agora. Depois, queremos sentar e conversar com toda a equipe sobre o restante do valor”, conta.
Que está vindo em boa hora, a presidente não tem dúvida disso. “Estamos numa região pouca assistida, e os problemas aqui não faltam. Para que a escola funcione perfeitamente, existem gastos, e que não são poucos”, ressalta.
Para o presidente do Conselho do Colégio Estadual Valparaíso, Gilson Antônio Silva, ainda é pouco o investimento que vai para as cidades da região do entorno. “Há um jogo de empurra-empurra entre o estado de Goiás e Brasília, e isso acaba deixando a região sempre abandonada”, reclama.
Ele que acredita que com incentivo o trabalho realizado na escola seria bem mais proveitoso. “As nossas demandas não são poucas. São bibliotecas, bebedouros, carteiras, etc. Sempre há algum gasto”.
São 1400 alunos no Colégio Valparaíso, e lá o dinheiro será bastante bem vindo. “Vamos discutir as melhores formas de investir esses recursos, pois temos carências em várias áreas, principalmente de infraestrutura”. Em todos esses casos, é papel do Conselho dialogar as formas de administrar os recursos que chegam.








Please wait...