Há quem dia que o horário de verão reduz o consumo de energia e sobrecarga no horário de ponta, das 19 às 22 horas. Caso à parte, acordar às 6 horas da manhã e ver que o dia ainda não raiou é de causar cansaço até nos mais otimistas. O horário de verão, que começou em 16 de outubro de 2011, termina no próximo dia 26 de fevereiro, para alegria dos que preferem acordar juntos ao nascer do sol.
Os moradores de estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, além de Distrito Federal, tiveram que adiantar uma hora os relógios. Neste ano, o horário de verão abrange também a Bahia. Segundo o governo federal, o período do horário de verão foi o mais longo desde 1985 e teve 133 dias de duração.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) previa uma economia para o Brasil que podia variar entre R$ 75 milhões e R$ 100 milhões. No período, a ONS estuda uma diminuição da demanda em 4,6%, ou o equivalente a 2.650 megawatts (MW).
O balanço do horário de verão em Goiás ainda não foi finalizado, mas segundo previsões da Celg, o período deverá acarretar numa redução da demanda de ponta do sistema em torno de 3%, cerca de 60 MW. Isso equivale à demanda das cidades de Rio Verde e Santa Helena.
Quanto à redução de energia, ela deve ficar em torno de 0,2%, o que equivale ao consumo mensal de energia de uma cidade do porte de Iporá. A implantação do horário de verão é considerada pelo governo, uma medida necessária para melhorar a segurança do sistema elétrico, eliminando riscos de sobrecarga no horário de pico, quando o consumo de energia aumenta, bem como economia na geração térmica.
Efeito
Em 1784, o americano Benjamin Franklin teve a idéia de implantar o horário de verão para economizar velas. Mas a proposta só foi encarada seriamente durante a I Guerra Mundial. Na II Guerra Mundial, a Inglaterra adotou o sistema, adiantando os relógios em 2 horas. A partir daí, outros países adotaram o horário de verão e continuaram a utilizá-lo mesmo após a guerra.
O fato é que no horário de verão, com o adiantamento dos relógios em 1 hora, os dias passam a ser mais longos, com um natural deslocamento de carga no horário de ponta, diminuindo o pico da demanda. Nas grandes cidades, as pessoas começam a chegar em casa por volta de 18 horas, ou seja, no início da noite.
Nessa mesma hora, entram em operação a iluminação pública, placas de luminosos comerciais, e as indústrias continuam o trabalho. Com o horário de verão, as cargas de iluminação pública e das residências passam a entrar após 19 horas, quando o consumo industrial começa a cair.
E não é só na economia que o horário de verão prova mudanças. De acordo com o médico clínico-geral Alexandre Menezes Duarte, os efeitos do horário de verão no corpo humano são semelhantes ao de uma viagem de avião. “Quando se cruza um fuso horário, o início essa viagem seria no sentido leste-oeste e no término, no sentido oeste-leste.”
Em condições normais, os diversos ritmos do organismo humano estão sincronizados entre si. Com o horário de verão ou a mudança de fusos horários, o organismo tende a sincronizar seus ritmos ao novo horário. Como cada ritmo tem uma velocidade própria de ajuste ao novo horário, a relação de fase entre os ritmos é modificada.
“Chamamos as mudanças sincrônicas de desordem temporal interna. Durante essa fase, o indivíduo pode experimentar um mal-estar, dificuldade para dormir no horário habitual e sonolência diurna, o que pode levar também a alterações de humor e de hábitos alimentares”, explica Duarte.
Um estudo feito no Brasil, no qual foram entrevistadas 77 pessoas de SP, RS e RN revelou que cerca de 50% das pessoas queixam-se da qualidade de sono após a implantação do horário. “As diferenças entre o antes e depois são mais significativas para pessoas que dormem pouco.”
O médico recomenda aos indivíduos que, na medida do possível, preparem-se para dormir mais ou menos no horário de sempre. Uma boa dica é dormir com as janelas abertas pelo menos nos primeiros dias para acordar com a claridade. Isso ajuda na sincronização. “Outra recomendação é que não dirigir por muito tempo, como pegar estradas, durante os dias de sonolência e irritação.”








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