Tribuna do Planalto

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Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Novos rumos para o trânsito de Goiânia

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A6-EMBAIXO-Trânsito2-Paulo José fotógrafo Tribuna

Quando Goiânia foi criada, em 1933, o urbanista Atílio Co­rreio Lima, projetou a cidade para ser a nova capital de Goiás. Encomendou-se a projeção de um núcleo central para abrigar 15 mil habitantes, e em futuro bem distante, com a possibilidade de ampliação para 50 mil pessoas. Só nos anos 50, essa estimativa já atingia 53.389 pessoas. Hoje, a cidade tem mais de 1 milhão de moradores que vivem no sistema urbanístico caótico.
Levando-se em conta so­mente o aumento do número de novos veículos e não considerando variantes como o aumento da população nem registros de baixas junto ao Departa­mento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Goiânia pode mais que dobrar a frota em 2020, chegando a quase 1,7 milhão de veículos.
No mês passado, o Detran lançou o programa Goiás Sinalizado, que prevê a instalação de sinalização vertical e horizontal nas cidades goianas. Com custo de R$ 12 milhões, o programa terá início pelas 124 cidades já atendidas pelo Rodovida Urbano. O Goiás sinalizado vai complementar as ações de recuperação e pavimentação asfáltica nos municípios.
O presidente do Detran, Edivaldo Cardoso, afirmou que o Goiás Sinalizado é uma maneira de dar continuidade a outros programas do governo estadual. O objetivo é garantir maior segurança aos moradores dos municípios beneficiados. "Juntos vamos colocar o De­tran no rumo certo. Pre­cisamos ter urgência em governar para o bem de todos."
O programa irá elaborar projetos de engenharia para depois instalar as sinalizações nos municípios. As outras ci­da­des do estado receberão o benefício até 2014. Nesta primeira etapa, o Goiás Sinali­zado instalará 18.990 placas em ruas e avenidas. O programa também prevê a implantação de ciclovias nas cidades goianas.
Além do Goiás Sinalizado, outro projeto que reestrutura o trânsito da capital é a Operação Balada Respo­nsável. Cardoso afirma que o Detran trabalha com o Eixo de Estruturação de Política de Trânsito. “Trabalhamos com três vertentes, a engenharia, fiscalização e educação. Em cada uma delas, o Detran está com uma ação diferente.”
O convênio com a Polícia Militar (PM) vai atuar na área de fiscalização e educação. “A meta é reduzir o número de roubo e furto de veículos, identificação de número clonados e, na área da educação, a conscientização que álcool e direção é crime”, afirma.
De acordo dados do Detran, só em 2010, foram mais de 91 mil acidentes de trânsito em Goiás, com quase 49 mil vítimas fatais. A meta agora é reduzir esse número em 50%. Se o crescimento apresentado pelo Detran, de 6% se mantiver, em 2015 a quantidade de carros já irá se igualar ao número de habitantes da capital.

Problemas
Goiânia apresenta um carro para cada 1,7 habitante, e recebe todos os dias veículos de cidades da região metropolitana, como Senador Canedo e Aparecida de Goiânia, cujas médias de crescimento populacional são maiores que 3% em média. Especialistas dizem que a cidade tem plenas capacidades de reverter os problemas.
De acordo com a arquiteta e urbanista, doutora em Transportes Públicos, Érica Cristina Kneib, o que deve ser feito é uma reestruturação na educação do trânsito e investir nos meios de transportes públicos. “Basicamente, o carro consome mais malha viária do que ônibus, pois no carro se anda normalmente sozinho ou com um carona. No ônibus podemos ter mais de 50 pessoas”.
Para a doutora, o grande desafio é a mudança de paradigma, que se relaciona à cultura e aos hábitos dos moradores da cidade. A prefeitura precisa ser capacitada e atuar em prol de uma cidade coletiva. Inclui-se também a melhoria da mobilidade, em bases sustentáveis. “Só assim podemos pensar em iniciar um sistema de mobilidade urbana consciente e com qualidade de vida.”
“Para a melhoria da mobilidade é indispensável uma gestão municipal eficiente não só da mobilidade, como também de todas as políticas públicas que impactam e são por ela impactadas, como trânsito, transporte, uso do solo, educação e segurança”, explica Érica.

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