Tribuna do Planalto

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Ano 29 - Nº 1.442 Go­i­â­nia, 27 de julho a 02 de agosto de 2014
 
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‘Quem decide se a greve termina ou não é a categoria’

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Entrevista

Em greve desde o dia 20 de maio, os servidores das escolas municipais de Goiânia se reúnem no início desta semana para decidir se retornam ou não as atividades. Depois de mais de 70 dias de paralisação, que já foi decretada ilegal pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Iêda Leal, reclama que a principal solicitação da categoria não foi atendida: que é o pagamento do piso nacional estipulado em R$ 1.312,85 para professores em início de carreira, com jornada de trabalho de 30 horas semanais. “Essa é também uma questão de valorização profissional”, justifica Iêda.  Frente ao impasse, o Sintego realizará assembleia nesta segunda-feira, 2, às 9 horas, em frente à Catedral Metropolitana de Goiânia, para decidir pelo fim ou não da greve. Paralisação que, na visão da secretária municipal de Educação de Goiânia, Márcia Carvalho, não tem mais motivos para continuar, já que a greve foi decretada ilegal e “90% das reivindicações da categoria foram atendidos”. “Quem define isso é a categoria. Não é o chamado da Secretaria Municipal de Educação ou do prefeito dizendo que os professores têm que voltar para a escola. A decisão da greve continuar ou não só será decidida em assembleia”, rebate Iêda.
Na entrevista coletiva dada à imprensa na tarde da última sexta-feira, 30, na sede do sindicato, a presidenta do Sintego também comentou sobre o movimento grevista em Aparecida de Goiânia.


Retorno às aulas
Iêda Leal - Nós não iremos retornar às atividades na segunda-feira. Qualquer decisão da categoria tem que passar pela assembleia. Então na segunda-feira os professores vão aprovar ou não o retorno às aulas. Nós vamos colocar todos os pontos: a decretação da ilegalidade da greve, lógico que com isso todo mundo sabe o que pode acontecer. Mas aí a categoria é quem vai avaliar. Não é o chamado da Secretaria Municipal de Educação ou do prefeito dizendo que os professores têm que ir para a escola que vai decidir se voltaremos ou não. Essa decisão cabe à assembleia geral dos trabalhadores.

Ilegalidade
A greve foi decretada ilegal, mas nós recorremos da decisão judicial. Ainda não saiu nenhum parecer, e nós queremos que a Justiça seja rápida para responder essa questão.

Reivindicações
Nós não tivemos um percentual de 90% das reivindicações atendidas, como estão dizendo. E a mais importante, que é o piso, não foi atendida. Cada gestor entende de uma forma. Se só o piso não foi atendido, o plano de carreira (outra reivindicação) deveria então ter sido encaminhado para aprovação, e não foi. A forma de avaliação da Secretaria é diferente de quem está em sala de aula. Então há essa dificuldade no entendimento, mas se a categoria entender que esses 90% foram atendidos, ela vai fazer uma avaliação a respeito. O que é ruim é a antecipação dessas respostas da categoria. Ninguém pode antecipar. A gente tem que esperar a assembleia.

Pontos contemplados
A aprovação do projeto que versa sobre o reajuste de 11% para os trabalhadores do município de Goiânia. Mas que não segue a orientação do piso nacional, que é de R$1.312,85. A questão do concurso público que, depois de ter sido muito discutida, agora vai sair. E a avaliação que eles queriam fazer com base na meritocracia não terá mais, que era um projeto do governo de premiar os professores que, por ventura, tenham um desempenho melhor na educação. Nós não acreditamos nisso, nós acreditamos é no pagamento justo de salário. Mas, no conjunto, nós não fomos atendidos, naquilo que é o fundamental, que é a questão da valorização profissional.

Piso nacional
Quando a Secretaria de Educação afirma que paga mais que o piso é porque junta todas as gratificações que nós temos. Quer dizer, não é salário... É uma remuneração e não o piso em si.

Carreira
O plano de carreira para os servidores administrativos. A implantação do plano garante uma ascensão na carreira e substituição desses profissionais, caso eles adoeçam. Porque se eles adoecerem não têm substitutos. É necessário também uma política de valorização do profissional administrativo.

Reposição
Com muita tranquilidade nós iremos elaborar um calendário de reposição das aulas, em conjunto com a comunidade escolar, para que nenhum aluno da nossa cidade fique no prejuízo.

Aparecida de Goiânia
A categoria também está em greve lá. Vamos fazer uma assembleia nesta segunda-feira, 2, em frente à Câmara Municipal da cidade. Estamos tentando uma negociação com o prefeito e o secretário de educação para que eles possam também apresentar propostas para a categoria. É de nosso interesse entrar em acordo para voltar às salas de aula.

 


“ Se só o piso não foi atendido, o plano de carreira deveria ter sido encaminhado para a aprovação, e não foi”

 

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