Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 28 - Nº 1.428 Go­i­â­nia, 20 a 26 abril de 2014
 
Banner

As rotas do tráfico no Brasil

  • PDF

P2-Artigo-Lúcia

Pela grande importância para a sociedade brasileira, compartilho estudo que encome­ndei à Consultoria Legi­slativa do Senado sobre as rotas do tráfico no Brasil.
Segundo pesquisas, são muitas as rotas que trazem a cocaína e a maconha para nosso país.       
Há rotas caseiras, destinadas ao transporte da droga consumida pelos brasileiros; rotas internacionais, nas quais a droga simplesmente passa pelo país, como corredor das drogas que têm como destino final os Estados Unidos e a Europa; e rotas mistas, que são aquelas em que as drogas vêm para o Brasil e parte fica no País para consumo e outra parte segue para o exterior.
A maior parte da cocaína consumida no Brasil vem da Colômbia, e outra parte da maconha vem do Paraguai. Apesar de o Brasil produzir maconha, principalmente no “Polígono da Maconha”, área do semi-árido nordestino, a quantidade não é suficiente para a demanda interna e, por isso, os traficantes importam a erva do Paraguai.
Para combater o tráfico feito por via aérea, em 2004 foi regulamentada a Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986, que “dispõe sobre o Código Brasileiro de Aeronáutica”, que permite que aeronaves consideradas suspeitas (que não tenham plano de vôo aprovado) sejam derrubadas em território nacional.
Em reação, os contrabandistas de armas e drogas que usavam o espaço aéreo para transportar suas mercadorias voltaram a usar as rotas terrestres. Segundo a Polícia Federal, grande parte das armas e drogas também chega pelo mar.
Tanto as drogas como as armas chegam ao Brasil por meio dos formiguinhas, pessoas que as transportam em veículos particulares, ou pelos grandes traficantes, que fazem encomendas de quantidades que chegam via terra, mar e, muito pouco atualmente, por ar.
Nessa negociata, muitas vezes, os bandidos pagam suas contas com trocas de produtos. É o caso da rota Brasil-Suriname: os brasileiros vão até o país onde compram armas e pagam com drogas. É pelo Suriname que entra boa parte das armas produzidas na Europa, como o fuzil russo AK-47 e metralhadoras antiaéreas trazidas da Ásia. Armas que interessam aos traficantes brasileiros e a facções criminosas, para continuarem com o controle dos pontos de drogas e a continuidade dos crimes.
Mandar a droga para fora tem um motivo muito especial para os traficantes: o preço. Para se ter uma ideia, o quilo da cocaína na Colômbia custa US$ 2 mil, chega ao Brasil por US$ 4,5 mil, nos Estados Unidos custa US$ 25 mil e na Europa vale US$ 40 mil. No Oriente Médio e no Japão atinge seu maior valor: US$ 80 mil o quilo.
São muitas as portas de entrada das drogas no Brasil. Em novembro de 2007, a polícia apreendeu, na cidade de Umuarama (PR), 500 quilos de maconha, que vinham do Paraguai. A droga, segundo a polícia, entrava no Brasil por Guaíra e pertencia ao PCC, que tinha montado uma base em Umuarama. De lá mandavam a maconha para São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, ao preço de R$ 1 mil o quilo. Só nesse “posto” descoberto pela polícia era comercializada uma tonelada de maconha por semana.
O Brasil difere-se do Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia por não ser produtor e por ser o ponto mais importante de trânsito para as drogas produzidas nos quatro países.
Mas há muito tempo o Brasil não é mais só corredor em direção a Europa e Estados Unidos. O país passou a ser um importante consumidor de drogas, em especial, de maconha e cocaína. Um mercado ativo e em expansão que conquistou especialmente os jovens.
A ONU (Organização das Nações Unidas), em 2006, citou que no Brasil o narcotráfico “emprega” mais de 20 mil “entregadores” de drogas, a grande maioria jovens de 10 a 16 anos que ganham salários de US$ 300 a US$ 500 por mês.
É importante assinalar que, só no Rio de Janeiro, o narcotráfico vende por ano cerca de seis toneladas de drogas, faturando cerca de R$ 900 milhões, de acordo com a Polícia Civil carioca.
Em São Paulo, segundo a polícia, existem cinco mil postos de distribuição da droga. A cidade é hoje o ponto principal do “corredor Brasil”, de onde é enviada a maior parte da cocaína e maconha que abastece a Europa e Estados Unidos.
O relatório da ONU acrescentou que os traficantes possuem armas melhores e mais poderosas de que as da polícia brasileira e que os traficantes, mesmo presos, continuam a comandar o tráfico de dentro da cadeia.
Esse é o quadro complexo com o qual lida a polícia brasileira, que deve merecer todo o apoio da nossa sociedade.

Lúcia Vânia é jornalista e senadora (PSDB-GO)

Newsletter

Voce esta aqui Política Articulistas As rotas do tráfico no Brasil