Com o mesmo objetivo de quando foram criados, os concursos de redação Goiás e Goiânia na Ponta do Lápis, promovidos pela Tribuna do Planalto, em parceria com as secretarias estadual e municipal de Educação, têm no tema deste ano - “Valores Familiares: Como é Possível Resgatá-los” - a preocupação com a formação de cidadãos de saber crítico e conscientes de seus deveres e direitos na sociedade.
Por isso, os motivos da escolha da proposição, que vai instigar os alunos das redes estadual, municipal e particular de ensino de Goiás a ler, debater e escrever, não foram outros senão os de repensar e resgatar tarefas importantes que as famílias têm deixado de lado no momento de educar: a transmissão dos valores, aquilo que são convicções e ideias em relação ao mundo, às pessoas, e de como tratamos, resolvemos e aceitamos as diferenças...
Princípios estes que colaboram para a formação de indivíduos éticos e preparados para viver em sociedade; capazes de determinar as escolhas que fazem e os objetivos que têm, embora estes valores sejam, de fato, diferentes em cada contexto familiar.
A proposta vem também em um momento em que nunca se ouviu tanto, no ambiente escolar, o pedido de aplicação prática das palavras justiça, igualdade e tolerância, para que as individualidades sejam respeitadas e as diferenças aceitas, promovendo no mesmo espaço de direito de todos os alunos, a aprendizagem e a formação cidadã.
Mas como é possível, então, resgatar os verdadeiros valores humanos, que são capazes de transformar as pessoas em indivíduos de caráter numa sociedade em que as famílias não mantêm mais os mesmos padrões de comportamento de épocas atrás? Onde aquilo que, até há pouco tempo, era tido como importante para a formação de um ser integral, hoje, em meio a tanta tecnologia, informação e conhecimento, em muitos casos, é visto como conservadorismo, retrocesso ou até mesmo autoritarismo?
De acordo com o psicólogo e educador Caio Feijó, esse resgate sempre é possível embora em alguns casos mais difícil por conta de condicionamentos e paradigmas familiares negativos, a ponto de, até mesmo, se fazer necessário o acompanhamento de um profissional especialista em terapia sistêmica (familiar).
Feijó explica que a personalidade humana é construída na primeira infância, entre os 5 e 6 anos, e que as características de caráter do indivíduo, resultado do aprendizado, ocorrem essencialmente por observação e imitação dos comportamentos à sua volta.
“Quando esse modelo é sadio, fundado em valores como moral, ética e justiça, as probabilidades de que a personalidade seja construída de forma sadia e ajustada socialmente é significativamente ampliada.”
Palavras mágicas
A família Araújo vive esse desafio no dia a dia. Alair Carlos de Araújo Júnior e Marize Helena Naves, pais de Filipe, 14 anos, Thiago, 12, e Ana Clara, 4, contam que essa tarefa não é nada fácil, mas se sentem privilegiados por entender que fazem parte de uma parcela de famílias que ainda se apoiam na religião e nos valores repassados pelos pais para educar seus filhos.
Júnior explica que eles procuram compartilhar com os filhos os horários de almoço e passeios, restringindo, ao máximo, o isolamento social dos filhos na internet e na televisão. As palavrinhas mágicas, como “obrigado”, “desculpa”, “por favor”, também são referência para uma convivência harmônica entre eles.
“A proximidade da vida dos nossos filhos em todos os aspectos e o diálogo, além da ajuda da escola, que temos o cuidado de escolher, são os nossos grandes aliados no educar. E isso tem trazido resultados positivos para nossa família.”
Para a coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Educação, promotora Simone Disconsi de Sá, somente unindo escola e a família é que se poderá reverter a atual realidade, e o importante é que haja esforço comum para a solução, pois não existe comunidade sem conflito.
Simone ressalta ainda que os exemplos são importantes para a implementação de valores, já que, segundo ela, todos os indivíduos em formação absorvem as informações e tentam repeti-las, formando, assim, seu núcleo próprio de valores. “É evidente que algumas famílias, por questões culturais ou religiosas, possuem formas diferentes de interpretar e desenvolver tais valores, mas o essencial é que o respeito à condição de ser humano seja colocado em primeiro lugar”, afirma.
O papel da imprensa
A missão de transformar a informação em aliada didático-pedagógica é uma proposta assumida e defendida pela Tribuna do Planalto desde 1999, quando o jornal abraçou a causa da educação, por acreditar que ela é o grande instrumento de transformação social.
E esse compromisso, ao longo desses anos, ganhou força com ações como o Goiás e o Goiânia na Ponta do Lápis, concursos de redação hoje na 9ª e 13ª edição, respectivamente, por serem iniciativas que não apenas contribuem para a melhoria do ensino no Estado de Goiás, mas também reafirmam a responsabilidade social do jornal na formação de cidadãos mais críticos e conscientes.
Para o diretor-presidente da Tribuna do Planalto (TP), Sebastião Barbosa, a missão dos veículos de comunicação, em especial nesses tempos de grandes mudanças na estrutura familiar, em que a internet é o grande atrativo para crianças e adolescentes, deve ser não somente de produzir e vender informação, mas de aproximar os jovens dos valores sociais e humanos.
Barbosa reconhece que a mídia tem uma grande parcela de responsabilidade pelas mudanças na estrutura familiar, em especial a televisão e a internet, que, ao traçar caminhos diferentes da estrutura vertical das famílias, vem gerando isolamento social, onde os pais não são mais referência para os filhos, mas, sim, as redes sociais.
“Não podemos acreditar que somente levando informação, sem um compromisso com a educação e com a formação de princípios éticos, morais e religiosos, estamos contribuindo para informar e formar cidadãos, porque estaríamos sendo hipócritas. A mídia tem uma responsabilidade muito maior do que produzir e vender informação.”
Direitos e cidadania
O secretário estadual de Educação, Thiago Peixoto, também faz questão de lembrar o papel da imprensa: “Os veículos de comunicação, como formadores de opinião, devem participar desse processo de formação dos cidadãos, ao lado do governo e de toda a sociedade. São agentes essenciais na consolidação da democracia e na garantia dos direitos e podem, por consequência, colaborar para um maior entendimento desses direitos e da cidadania.”
Neyde Aparecida, secretária de Educação de Goiânia, ressalta a importância da parceria entre a SME e a TP no sentido de contribuir para a formação moral e ética dos alunos da rede municipal. “Dessa forma, o jornal atua como parceiro na missão de educar e contribui para a construção de uma sociedade com mais perspectiva de paz e justiça.”
Uma proposta para alunos e professores
A ideia de se discutir os valores familiares, procurando através do debate com pais, filhos e escola chamar a atenção para a importância de se resgatar esses princípios partiu do diretor-presidente da Tribuna do Planalto, Sebastião Barbosa, que percebe na desestrutura familiar a causa dos maiores problemas com os filhos hoje: indisciplina, rebeldia, violência e drogas.
“Precisamos discutir todas essas alterações na educação com a sociedade. E um bom instrumento são os nossos concursos de redação, que conseguem alcançar crianças, adolescentes, jovens, adultos, escola e família por meio do debate, leitura e escrita”, ressalta Barbosa.
Na opinião do secretário estadual de Educação Thiago Peixoto, os concursos de redação da TP prestam uma grande contribuição à sociedade e, particularmente, ao universo escolar, trazendo para o debate questões fundamentais para a formação dos jovens. “Sem falar no incentivo que dão à formação de leitores. A cidadania é algo a ser construído, e todo esforço nesse sentido é louvável.”
Ele avalia que o tema deste ano é bastante pertinente. “O mundo mudou. A internet e todas as tecnologias do mundo moderno têm propiciado uma comunicação nunca antes imaginada e uma ampliação das relações, embora virtuais, a um nível planetário. Nossas crianças e jovens acessam informações de qualquer parte do mundo, mas, quase sempre, não se apresentam mais com a mesma disposição para o diálogo e para os momentos em família. Por isso é preciso despertar nossas crianças e jovens para o respeito mútuo, para a solidariedade, para o amor em família, na escola e na sociedade.”
A secretária Neyde Aparecida lembra que “um relacionamento carinhoso, respeitoso, dialógico e amoroso no espaço familiar é o pilar para a formação de verdadeiros cidadãos, originada por um melhor desempenho emocional, afetivo, cognitivo e social dos envolvidos.”
Ela acrescenta também que, para que sejam efetivamente transmitidos os valores familiares, é necessário a presença da família no meio educacional, acompanhado de perto o desempenho da vida escolar das crianças e jovens.






