Um dos maiores símbolos de diversão e lazer de Goiânia parece ressurgir como uma fênix no imaginário dos goianos. Não é preciso ter muita idade por aqui para já ter passado tardes e mais tardes no Parque Mutirama. No entanto, o descaso com que o local vinha sendo tratado acabou o transformando em um parque fantasma nos últimos anos.
Mas após uma licitação, no mês de março do ano passado, durante a gestão do prefeito Paulo Garcia a obra foi iniciada. A previsão é de que a obra seja concluída até o fim do ano. No cronograma, consta que, além da reforma do Parque Mutirama e da instalação de novos brinquedos, um túnel na Avenida Araguaia e uma plataforma sobre a Marginal Botafogo também seriam construídos.
Nesse primeiro momento, apenas o Mutirama será entregue à população goiana. A abertura ao público ocorre na próxima sexta-feira, 6. A partir desse dia, cinco mil passaportes estarão disponíveis diariamente, com ingresso ao preço de R$ 10 para adultos e crianças acima de 12 anos. Será cobrada meia entrada para crianças abaixo de 12 anos, e também estudantes.
A ideia é que após um período de adaptação, que deve seguir até o mês de agosto, o fluxo do parque aumente significativamente. “A intenção é que possamos receber cerca de 30 mil pessoas diariamente”, informa o novo secretário da Secretaria de Esporte e Lazer Wesley Batista da Silva.
Desde a semana passada, o parque abriu parcialmente apenas para alunos da rede municipal de educação com escolas pré-agendadas e também para filhos dos funcionários que trabalharam nas obras. Essa política denominada soft open, abertura controlada, funciona como termômetro para os últimos ajustes do local, relata Silva.
De cara nova
Quem entra no parque, demora a reconhecer os antigos locais de brincadeira. As quadras de basquete e pista de skate não existem mais. No local, o famoso Tobogã chama a atenção dos visitantes. O Mutirama tem agora outra cara. De acordo com informações da Prefeitura de Goiânia, o novo parque custou R$ 28 milhões aos cofres municipais.
Por toda a extensão do parque, há também lanchonetes. Antigos ambulantes que trabalhavam no local foram cadastrados e agora são os responsáveis pelas barracas de comida. No entanto, daqui seis meses haverá uma licitação realizada pela prefeitura para regularizar a situação das barraquinhas. Ao todo, 300 funcionários trabalharão no parque diariamente.
Das 29 atrações do espaço, apenas cinco foram reformadas, o restante foi trocado por brinquedos mais novas e com novas concepções de espaço. De acordo com o secretário, o novo Parque Mutirama foi planejado não apenas com uma concepção de diversão, mas também de gerar educação, ciência e esporte ao visitante.
Exemplos disso são brinquedos como Volta ao Mundo, antigo Autorama, que ao longo do percurso apresenta várias esculturas de diversos povos do mundo, a Ferrovia Goiás, agora com três quilômetros de extensão e com duas locomotivas e, talvez um dos mais impressionantes brinquedos do parque, o Palácio de Alhambra, que revela três importantes civilizações em um divertido passeio de barco.
A imponência de algumas atrações promete chamar a atenção não só da criançada como também dos adultos. Há ali desde os brinquedos com tamanhos reduzidos a uma Super Jet, montanha-russa, e o Turbo-Drop, uma torre com 27 metros, que promete liberar muita adrenalina aos visitantes.
Gerações
Criado na década de 1960, o Parque Mutirama faz parte do Parque Botafogo, que possui uma mata com espécies nativas e várias nascentes. O projeto foi levantado com recursos dos cofres municipais, fato que se repete com o término das demais obras do complexo, como o túnel da Avenida Araguaia e a ponte sobre o Parque Botafogo. A área do denominado complexo Mutirama/Botafogo é histórica e foi criada no plano original de Goiânia em 1938.
Um ponto que levantou bastante polêmica durante a obra foi a compra e revitalização dos brinquedos. A principal denúncia referia-se à compra de uma montanha-russa, denunciada pelo vereador Elias Vaz. A prefeitura pagou cerca de 2,7 milhões por um equipamento que teria pertencido a um parque temático da capital paulista. Porém o vereador levantou indícios de que o valor pago pela prefeitura era exorbitante.
De acordo com Adilson Capel Rocha, sócio da empresa Astri, a responsável pelo fornecimento e execução das obras no Mutirama, o valor da montanha-russa está dentro dos valores normais de mercado. “Não teria como adquirir uma montanha-russa desse porte por apenas um milhão e meio como havia sido levantado. Isso é uma inverdade, e temos consciência do que falamos. Tudo isso será explicado judicialmente”, afirma.






