Como já era esperado, o nome do vice do prefeito Paulo Garcia (PT) veio da cabeça do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). E como toda decisão que depende de uma só pessoa, para o final ficou guardada uma surpresa. O vereador Agenor Mariano (PMDB), que corria por fora pela indicação, foi confirmado para disputar o posto em convenção na quinta, 28. A decisão foi tomada horas antes do início do evento, após os três nomes apontados como possíveis candidatos (além de Mariano, o deputado estadual Samuel Belchior e a vereadora Célia Valadão) não terem conseguido chegar a um consenso.
Samuel Belchior era visto como o favorito para ocupar o espaço até à véspera da convenção. Deputado sempre fiel a Iris, tinha a seu favor o bom relacionamento com o prefeito, de quem foi secretário de Governo por alguns meses. Os seus copartidários viam Belchior como um vice que poderia, inclusive, ser opção para assumir a prefeitura, caso Paulo deixe o posto em 2014 para ser candidato a outro cargo (possibilidade que o petista deve descartar durante a campanha), ou até mesmo para suceder o petista em 2016.
O raciocínio de Iris Rezende focou o futuro do partido, mas não apenas em relação à cidade de Goiânia. Na sua opinião, Samuel Belchior precisa se preparar para um voo mais alto em 2014. Talvez ocupe um espaço na chapa majoritária (governador, vice-governador ou senador), ou concorra ao cargo de deputado federal. Ou seja, Iris prefere tê-lo como um curinga nas mangas para ser usado daqui a dois anos, se necessário.
O ex-prefeito decidiu também pensando na Assembleia Legislativa. Todas as vezes que Iris Rezende precisou de ação no parlamento goiano, contou com Samuel Belchior. A defesa que Belchior faz em favor do seu líder maior é considerada mais impactante do que a de outras lideranças, como o deputado Wagner Siqueira e o líder do PMDB, Daniel Vilela. Samuel vai pouco à tribuna, mas quando o faz causa mais impacto. Vale lembrar que a rivalidade na Assembleia deve aumentar a partir do ano que vem, já preparando o clima para a disputa estadual de 2014.
Wagner Siqueira, o Waguinho, também foi cogitado para a vice de Paulo Garcia e até assumiu o posto de favorito, em certo momento. O presidente do diretório metropolitano do PMDB viu, porém, as suas chances diminuírem devido ao relacionamento um pouco confuso do peemedebista com o petista. Além disso, havia um pouco de receio de que o assunto Delta e o Caso Cachoeira pudesse respingar na candidatura de Paulo, caso Waguinho fosse o vice. Presidente da Comurg até 2010, o deputado firmou contratos entre a estatal e a construtora, e poderia vir a ser questionado. O próprio deputado já havia recuado no início da semana passada.
O ex-presidente da Agência Municipal de Obras (Amob), Iram Saraiva Jr. (PMDB), tentou de todas as formas se viabilizar para ocupar o posto de vice de Paulo. Ele, porém, articulou de forma perigosa dentro do PMDB – longe da visão de Iris. Costurou uma base de apoio entre os vereadores do partido e tentou se impor. Iris Rezende, que não costuma ceder a pressões, nem levou o seu nome em consideração. Como no caso de Waguinho, também havia receio de que Iram poderia trazer o Caso Cachoeira para dentro da campanha petista, pelas mesmas razões do deputado.
Escolha
Entre Agenor Mariano e Célia Valadão, Iris escolheu o primeiro. Contou muito a fidelidade que Mariano despendeu ao líder peemedebista desde quando entrou na política, como secretário de Administração, ainda no primeiro mandato de Iris frente à prefeitura de Goiânia. Foi eleito vereador em 2008 e, diferente dos outros ex-auxiliares, se manteve no legislativo goianiense, abrindo mão da candidatura de deputado estadual em 2010.
O futuro candidato a vice também tem um relacionamento muito bom com o prefeito Paulo Garcia. É seu líder na Câmara Municipal desde meados do ano passado, quando o antigo líder, o vereador Djalma Araújo (PT), entrou em rota de colisão com o Paço Municipal durante as dificuldades legais da administração em tocar as obras do novo Parque Mutirama. Desde então, Agenor tem conseguido tocar o relacionamento entre executivo e legislativo de forma satisfatória.
Agenor Mariano terá, contudo, desafios em sua caminhada ao lado de Paulo Garcia. O vereador é visto por muitos nos bastidores como alguém que não acrescenta muita coisa à chapa e que Paulo precisaria de um nome mais forte, já que ele próprio é desconhecido da população, segundo pesquisas. Caberá ao candidato a vice se livrar desta pecha e conseguir somar positivamente na campanha petista.
Convenção
O ex-prefeito Iris Rezende não compareceu à convenção do PMDB, realizada na Câmara Municipal de Goiânia, na quinta, 28. Várias lideranças, porém, marcaram presença, como a deputada federal Iris Araújo (PMDB), sua esposa, o prefeito Paulo Garcia, o deputado Sandro Mabel (PMDB) e os deputados estaduais Daniel Vilela (PMDB), Luiz Carlos do Carmo (PMDB), Bruno Peixoto (PMDB), Luis César Bueno (PT) e Mauro Rubem (PT).
Agenor Mariano recebeu a indicação com um discurso humilde, dizendo que “havia gente mais qualificada” para ocupar a vice, mas “que estava feliz com o desprendimento, com o consenso entre os postulantes”. Preterido, Samuel Belchior não se mostrou muito contente. Fez um discurso rápido e logo foi embora. Waguinho fez diferente, ficou até o final e comandou o evento com ar de satisfação.
Houve também cutucadas aos adversários – a base do governador Marconi Perillo (PMDB). A deputada Iris Araújo, que é membro da CPMI que investiga no Congresso Nacional as supostas relações de políticos e governos com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, não perdeu a oportunidade de alfinetar: “Fora àqueles que não amam Goiás. Fora àqueles que não tem compromisso e desrespeitam o povo. É preciso dar um basta”.






