O PMDB lutou até o último instante para tentar emplacar a vice do prefeito Antônio Roberto Gomide (PT). Não deu. Na convenção da legenda, na quarta, 27, a Executiva Municipal optou por recolher as armas. A exigência bancada pela cúpula regional de que deveria haver contemplação na chapa petista, sob ameaça de candidatura própria ou apoio a uma terceira postulação à majoritária, não foi o bastante para intimidar o partido que administra a cidade. O PT mais uma vez vai com chapa puro sangue. Até o fechamento da edição, os cotados para a vice de Antônio Gomide eram o atual vice, João Gomes (favorito) e o ex-chefe de gabinete do prefeito, Céser Donisete.
Estrategicamente, o PT empurrou a decisão para o último momento e com isso freou a possibilidade de reação contrária daqueles que integram seu projeto. Na semana anterior à convenção, os dirigentes petistas reuniram-se com os presidentes dos outros partidos que integram a base que dão sustentabilidade ao atual mandato. Na reunião, houve consenso entre os demais de que o PT poderia novamente indicar o vice, desde que não abrisse a vaga a um terceiro partido.
O desfecho por óbvio não foi o esperado pelo PMDB. O presidente municipal do partido Air Ganzaroli e o vereador licenciado Wesley Silva, que estiveram na dianteira do processo de discussão com o PT, reiteram que houve prejuízo em razão de fatores externos, mas se mostraram conformados com a situação. Na análise do vereador a sua própria prisão por 52 dias teria deixado o partido fragilizado. Para o presidente seria a divergência de opinião.
Para Wesley Silva, a sua ausência decorrente da Operação Monte Carlo, da Polícia Civil do Distrito Federal, embora injusta, fez com que o PMDB não conseguisse manter a linha que ele vinha procurando viabilizar. Ele diz que a aliança com o PT fazia parte do projeto, desde que o PMDB obtivesse espaço na composição à majoritária. “Nesse período em que ficamos ausentes houve o enfraquecimento do partido. Não que os demais membros não tenham trabalhado, mas não conseguimos dar continuidade ao trabalho”, argumenta.
Vice-presidente do partido, Wesley diz não considerar o posicionamento do PT como uma traição. Ele analisa como o desfecho de “uma questão política” que o PMDB concordou. “Eu particularmente sempre busquei a aliança com o PT, mas com o PT participando da chapa por tudo aquilo que representa. Aconteceu que o PT tinha seu projeto estabelecido, enquanto que nós não preparamos um candidato. Como queremos a vitória nós decidimos apoiar”, emenda.
Na análise do presidente Air Ganzaroli, o desfecho final estaria próximo das reais condições PMDB. Para ele a tentativa de pressionar o PT não era consenso, nem mesmo na estrutura peemedebista, e que a estratégia teria sido influenciada pelo Diretório Regional que tinha por interesse repetir em Anápolis a composição nacional que foi repetida em Goiânia e Aparecida de Goiânia. “Nossa realidade é um pouco diferente daquilo que a Executiva Regional pensava. A gente sentia que grande maioria não queria candidatura própria”, justifica Air.
O presidente peemedebista ainda diz que o partido trabalhou a possibilidade do lançamento de uma candidatura própria de forma estratégica, embora não houvesse conteúdo. “Entendemos a situação porque vários pleiteavam. Temos bons nomes que poderiam ser candidatos, mas nenhum deles estava preparado, por isso é que achamos por bem contribuir para não prejudicar a aliança. Vamos apoiar para termos condições de reivindicarmos outras coisas”.
Oposição
No PSDB, a definição só saiu no final da quinta, 28, após sucessivas reuniões de sua cúpula municipal com a regional e com os principais partidos que opõem à gestão de Gomide, tendo a definição passado pelo governador Marconi Perillo. Depois de muita conversa realmente ficou acertado que o partido caminhará em apoio à candidatura do empresário Wilson de Oliveira (DEM). O democrata chegou a ser ameaçado pela apresentação da candidatura da ex-deputada Onaide Santillo (PTC).
No primeiro momento o partido do governador condicionou o apoio majoritário à recíproca na proporcional, o que a princípio não foi atendido pelo DEM. Por sua vez o PTC de Onaide ofereceu-se ao PSDB anapolino, que teria aceitado a proposta. No entanto, depois de alguns vaivéns, o DEM optou por reavaliar a decisão aceitando a condição tucana, o que teria feito com que Onaide abdicasse da candidatura, pois esta apenas seria em caso de conseguir o apoio institucional e financeiro do governador.
Sem receber o apoio do governador, no entanto, Onaide e o PTC não passaram a integrar a base da candidatura de Wilson como seria de se imaginar, indo então apoiar a candidatura do deputado estadual José de Lima (PDT). Este tem conversado com representantes de outros partidos que deveriam estar com o PSDB, caso de PT do B, PSL, PV, PSD. Com as conversas da semana anterior, além de Wilson de Oliveira e José de Lima o prefeito terá como adversário pelo PPS o pastor Elismar Veiga e pelo Psol o publicitário Elber Sampaio.
Candidatos que disputarão a prefeitura de Anápolis
* Antônio Gomide (PT)
Prefeito de Anápolis
* Wilson de Oliveira (DEM)
Empresário
* José de Lima (PDT)
Deputado estadual
* Elismar Veiga (PPS)
Pastor
* Elber Sampaio (PSOL)
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