Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 27 - Nº 1.380   Goiânia, 19 a 25 maio de 2013
 
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Para chegar lá...

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Começa na próxima se­x­ta-feira, dia 27! A cada quatro anos, as Olimpíadas invadem as casas dos brasileiros pela televisão. Para alguns, é um grande orgulho ver os atletas tupiniquins sendo campeões, honrando a pátria e etc.
Serão 259 deles tentando. Se muitos não tiveram oportunidade de completar os estudos, não há um deles que desconsidere a importância da educação. Tem quem, mesmo atleta, foi até o fim do Ensino Superior.
Uma das estrelas do Nado Sincroniza­do brasileiro, Lara Teixeira é formada em Administração de Empresas e enfatiza que sempre fez questão de conciliar a escola com os treinos. Para ela, os estudos foram importantes para sua carreira, mesmo que hoje ela não atue na sua área de formação profissional. “Foi fundamental na minha instrução; para me comunicar com a mídia, divulgar o meu esporte com um conteúdo apropriado e ter a certeza de que terei um futuro no mercado de trabalho, após minha carreira esportiva”, avalia.
Em Londres, ela e a colega de dupla, Nayara Figueira, participarão de sua segunda olimpíada. Em 2008, elas ficaram na 13ª colocação. Este ano, a expectativa é se classificar para a final da competição, isto é, ficar entre as 12 melhores na primeira fase.
Lara e Nayara não fazem parte das listas que indicam as medalhas mais prováveis para o Brasil e chegar ao pódio seria uma boa surpresa. Surpresa que pode vir também da única representante nacional da Luta Olímpica na competição, Joice Silva.
Medalha de Prata no pré-olímpico mundial de Helsinque, na Finlân­dia, em maio deste ano, Joice também enaltece o papel do ensino na sua carreira. “Considero o estudo um dos principais elementos para que eu chegasse até a classificação olímpica. Com ele, construí uma base sólida em todos os processos da minha vida, seja pessoal, profissional ou esportivo”, ressalta.

Esforço
Joice é for­­ma­da em Edu­ca­ção Física e é também técnica em Enfermagem.  “Não tenho o que reclamar. Após a minha carreira como atleta, poderei trabalhar tranquilamente com aquilo que estudei”. Ela explica que aprendeu a ter disciplina e dedicação em tudo que faz graças aos estudos, o que a levou a todas as conquistas de sua vida.
No Taekwondo, o brasileiro Diogo Silva está entre os mais cotados para subir ao pódio, pelo menos nos rankings nacionais. Ele não gosta de se colocar entre os favoritos, mas afirma que as chances dentro dos Jogos Olímpicos são praticamente iguais para todos os atletas que chegaram lá. “Estou preparado e mais maduro. Tenho mostrado resultados nos últimos anos e sei do meu potencial”, afirma.
A expectativa é de que ele alcance pelo menos o 3º lugar que deixou escapar nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Na época, sua primeira participação olímpica, Silva ficou apenas uma colocação atrás dos que subiram ao pódio.
Mas a conquista não chega fácil, não sem aquele empurrãozinho... “Acredito que o papel da educação e do ensino para que eu chegasse até uma Olimpíada foi grande.” Segundo ele, todo atleta ou cidadão tem que estar preparado para saber escrever, usar as palavras, conversar e se expressar de maneira correta. “Sempre é preciso exercitar a mente, o raciocínio, a concentração, estudar técnicas, idiomas, etc. Coisas que são necessárias dentro do esporte e que são fundamentos que, na época de escola, eram exigidos”, complementa.

Dicas de atleta

Diogo Silva enfatiza que a escola é fundamental não somente para o atleta. “Hoje vejo que poderia ter me esforçado mais em certas matérias para que me ajudassem ainda mais hoje, na hora de escrever e falar, por exemplo”.
A dica dele para os pequenos que sonham em ser atletas, inclusive é essa. “O início de tudo é estudar e ser um grande campeão na escola. Isso vai fazer diferença no futuro.” Todavia, ele ressalta que ser atleta não pode ser a única saída para a criança. “Se ela tem o sonho de ser atleta e disputar os Jogos Olímpicos, tem que correr atrás e dar o seu máximo. Mas tem que saber que, caso não dê certo, tem que estar preparada para outra vida”, ressalta.
Uma outra realidade que envolve trabalho, continuar estudando, ter um diploma de nível superior e, assim, garantir um grande futuro. Há, nesse sentido, possibilidades no esporte. “Hoje temos a possibilidade de estudar uma área esportiva e continuar dentro do esporte com outra função.”
A bola da vez agora são as olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. O atleta lembra que, com elas, as oportunidades dentro da área esportiva vão crescer muito.

Primeiros passos

Londres receberá outra atleta goiana durante as Olim­píadas, mas não para competir. Laís Nunes, natural de Barro Alto, foi escolhida para integrar o projeto Vivência Olímpica. Seu esporte: lutas. Com 19 anos, ela já é a única brasileira tricampeã pan-americana e foi, em 2009, considerada a melhor atleta das Américas. Hoje, ela treina em São Paulo, onde cursa Administração de Empresas.
Laís é uma entre os 16 atletas escolhidos pelo Comitê Olím­pico Brasileiro (COB) para esse projeto que visa antecipar a experiência olímpica de jovens promessas. Na verdade, um incentivo para que eles estejam competindo em 2016.
Ela afirma já estar feliz só de pensar em estar lá. “Eu acredito que me acrescentará muito e me fará querer ir a uma olimpíada não somente para ver e, sim, para participar”.
A atleta concorda que há poucos goianos classificados para os jogos de Londres, mas afirma que as dificuldades estão em todos os estados. “Eu espero que isso melhore em relação ao apoio a tantos atletas que sonham representar seu Estado e país”, opina. Se tem sonho, tem educação no meio.
Laís também não dispensa aquele mesmo empurrãozinho de Lara Teixeira e Diogo Silva. “Além de ser atleta, busco conhecimento. Por meio dele, aprendo a ser melhor não só como pessoa, mas também como atleta, pois além de disciplina em questão de conhecimento, é disciplina para a vida”, filosofa a promessa.

A timidez goiana

Se o Brasil tem muitas chances de medalha (ver quadro na página 7), Goiás não segue o exemplo. É claro que os estados não disputam as olimpíadas, mas os atletas que nasceram aqui e vão representar o país em Londres são poucos.
Duas ciclistas, um jogador de vôlei e... só! Dos três, apenas Dante Amaral, de Itumbiara, é visto no cenário nacional com chances de subir ao pódio. As irmãs Janildes e Clemilda Fernandes podem surpreender? Sim, a experiência pode levá-las a isso!
Janildes esteve nas Olimpíadas de 2000, em Sidney, e de 2004, em Atenas, enquanto Clemilda estreou em Pequim, em 2008. Ambas competirão na modalidade Ciclismo Estrada, nos dias 29 de julho e 1º de agosto.
Dante estará em quadra com a Seleção Masculina de Vôlei nos dias 29 e 31 de julho e nos dias 2, 4 e 6 de agosto. Se o time se classificar, as quartas de final serão no dia 8 e as semifinais no dia 10.  Caso chegue à final, ou pelo menos à disputa do terceiro lugar, tem jogo no dia 12 também. Apesar da recente má atuação da seleção na Liga Mundial, a expectativa é de que ela traga medalha para o Brasil.


As chances do brasil

Os Jogos de Londres contarão com a participação de 259 atletas brasileiros em 26 modalidades. Uma curiosidade: dos atletas brasileiros que estarão nas olimpíadas, 35% são do Estado de São Paulo.

Quantas medalhas?
Nas análises da imprensa brasileira, o Brasil tem chances de medalha em praticamente
todos os esportes. Mas, na prática, é possível que não venham tantas medalhas assim. O
 jornal estadunidense USA Today apresenta a projeção de medalhas olímpicas mais embasada.
Essa projeção usa um algoritmo para indicar a possível classificação olímpica dos atletas com
base nos resultados recentes das modalidades. Nesse quadro, o Brasil tem 17 medalhas.

Ouro
Bruno Prada e Robert Scheidt – Vela - Classe Star Masculino
César Cielo – Natação - 50m Livre
Everton Lopes – Boxe - Categoria Meio-Médio-Ligeiro (até 64 kg)
Fabiana Murer – Atletismo - Salto com Vara
Juliana Silva e Larissa França – Vôlei de Praia Feminino
Seleção de Futebol Masculino / Seleção de Vôlei Masculino

Prata
  Alison Cerutti e Emanuel Scheffer - Vôlei de Praia Masculino
Arthur Zanetti – Ginástica Artística - Argolas
Leandro Guilheiro - Judô (Categoria Peso Meio-Médio (até 78 kg)
Sarah Menezes - Judô (Categoria Peso Ligeiro (até 48 kg)
Seleção de Futebol Feminino

Bronze
Esquiva Falcão - Boxe - Categoria Médio (até 75 kg)
Jade Barbosa* - Ginástica Artística - Salto
Mayra Aguiar - Judô - Categoria Meio-Pesado (até 78 kg)
Rafaela Silva - Judô - Categoria Peso Leve (até 57 kg)
Talita Rocha e Maria Elisa Antonelli – Vôlei de Praia Feminino

* Jade Barbosa faz parte do ranking da USA Today, mas não irá à Olimpíada de Londres por causa de problemas relacionados ao uso de sua imagem com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

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