Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 27 - Nº 1.380   Goiânia, 19 a 25 maio de 2013
 
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População fora do debate

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O bloco dos prefeitáveis, mesmo de maneira tímida, já foi para a rua. Mais retraído ainda é o envolvimento da população com o debate eleitoral que levará ao Paço Municipal o novo gestor de Goiânia. De acordo com a pesquisa Serpes/O Popular divulgada nesta semana, os votos brancos e nulos somam 20,9%, já os indecisos são 15,8%.
Para se ter uma ideia, a segunda colocada no levantamento, Isaura Lemos tem apenas 10% das intenções de voto. Somados, votos nulos, brancos e indecisos ultrapassam o primeiro colocado, Paulo Garcia, que tem 34%. Segundo especialistas, porém, o desinteresse pelos debates políticos é uma tendência mundial, resultado de uma despolitização da sociedade.
“Vivemos em uma sociedade capitalista, em que há uma preocupação maior com com as questões privadas do que com os assuntos de natureza pública, que afetam não apenas o indivíduo, mas toda a sociedade”, avalia o professor de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e da Universidade Federal de Goiás (UFG) , Luiz Signates, que atua na área de consultoria e pesquisa política.
No contexto brasileiro, porém, a desmotivação com o debate político pode ter sido potencializada pelos recentes escândalos envolvendo figuras antes consideradas modelos de conduta ética, como o senador cassado Demóstenes Torres. “Penso que casos como esse contribuem para que a sociedade goiana e todo Brasil se sintam envergonhados e desmotivados com  política”, opina a jornalista Umaitá Pires (23 anos).
O período eleitoral, mesmo contaminado com o descrédito em relação a classe política, é um momento chave de participação da população nos debater sobre os rumos da cidade. “Como a cultura de despolitização é forte, o eleitor necessita de estímulo para se envolver nas discussões”, analisa Signates.
Para o especialista, os programas eleitorais gratuitos no rádio e televisão, que entram no ar a partir de agosto, darão maior visibilidade para as propostas dos candidatos e podem acarretar em um maior envolvimento da comunidade. Se as eleições são a grande festa da democracia, como avalia Signates, os principais convidados ainda não aceitaram o convite para entrar nas discussões.

Propostas
Além do horário eleitoral gratuito, a disputa acirrada entre os prefeitáveis deve favorecer o debate de propostas e uma eleição mais “animada”, conforme aposta Luiz Signates. Como não há um candidato cuja popularidade e as intenções de votos suplantam a visibilidade dos demais, políticos que aparecem timidamente nas pesquisas devem investir nos projetos para Goiânia  visando conquistar o eleitor.
O desafio da classe política, portanto, vai muito além de catalisar a atenção dos eleitores para os compromissos de campanha. “O candidato precisará convencer o eleitorado que ele é um político diferente”, destaca Signates, alertando que a participação política é um importante instrumento de cidadania. “A atividade política não diz respeito apenas aos governantes, mas a toda sociedade, pois os escolhidos no pleito farão leis que interferem na vida de todos”, exemplifica.
O otimismo dos especialistas em relação a uma campanha disputada, no entanto, não é o mesmo dos eleitores. “Os candidatos farão as promessas que a população quer ouvir e como em geral acontece acabarão denegrindo a imagem uns dos outros”, comenta Umaitá, que decidiu anular o voto.  
De acordo com o sociólogo Nildo Viana, professor da UFG, movimentos que pregam o voto nulo tem crescido, especialmente entre a parcela mais instruída da população.
O professor destaca que as discussões envolvendo a vida privada dos candidatos são, em certa medida, necessárias. “Não é possível desvincular o político de seus atos passados, porém é preciso tomar cuidado com análises e denúncias apenas moralistas”, alerta.

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