Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 27 - Nº 1.384   Goiânia, 16 a 22 de junho de 2013
 
Banner
Banner

“Tem muita gente que manda mais que o Paulo Garcia na prefeitura”

  • PDF

P5 - SIMEYZON SILVEIRA-FOTO PAULO JOSE 028

A candidatura do vereador Simeyzon Silveira (PSC) foi uma das surpresas na reta final do período das convenções partidárias. Bancado politicamente por um grupo formado pelo ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (sem partido), pelo deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) e pelo ex-secretário da Fazenda, Jorcelino Braga (PRP), Simeyzon entrou na disputa no último minuto, com um discurso de “terceira via” na capital. O parlamentar acredita que a população quer uma alternativa ao grupo PT-PMDB, representado pelo prefeito Paulo Garcia (PT), como também à base aliada do governo estadual, que tem como candidato o deputado federal Jovair Arantes (PTB). É contra Paulo, porém, que Simeyzon aponta a sua artilharia. Para ele, falta gestão à atual administração. “Paulo é refém de um sistema e ele não consegue sair dele. Tem muita gente que manda mais do que ele, e eu não vou citar nomes”, diz. Desta forma, o vereador acredita que Paulo Garcia não terá condições de ter uma “administração independente”. Simeyzon Silveira, candidato à prefeitura de Goiânia pelo PSC, visitou a Tribuna na segunda, 23, onde concedeu entrevista.


Tribuna do Planalto – O sr. saiu candidato de última hora. Como foi o lançamento da sua candidatura?
Simeyzon Silveira – Minha candidatura começou a ser cogitada a partir do momento em que o Vanderlan se desligou do PMDB. Quando ele estava no PMDB, nós não estávamos discutindo essa candidatura. A partir do momento que ele saiu, abrimos um diálogo com todas as frentes que estavam propostas. A partir do momento que o diálogo afunilou com o Caiado [Ronaldo, deputado federal] e com o Braga [Jorcelino, presidente do diretório regional do PRP], que são pessoas que acreditam em uma política diferente do que está proposto, nós começamos a pensar em um projeto próprio desse grupo. Por fim, quando se decidiu pela candidatura própria, o grupo entendeu que o meu nome seria o mais apropriado. Eu fui chamado e topei, pois acredito que o momento é propício e estou preparado.

 

O sr. foi convidado para ser vice do Jovair [Arantes, candidato do PTB à prefeitura]. Por que não deu certo?
Por falta de compatibilidade do pensamento político. Nosso grupo estava disposto a ter um caminho mais afastado da administração estadual e da municipal.

A dificuldade era caminhar com o grupo do governador Marconi Perillo?
Também, pois esse grupo tem buscado uma nova proposta política. Muito se fala de um novo eixo, e eu acredito sim que está nascendo um novo ciclo político em Goiás. O Vanderlan teve uma administração irretocável. O Caiado é questionado pela ideologia, mas é uma pessoa que tem uma coerência, uma ética política. O Jorcelino Braga tem todo o conhecimento político e administrativo.

Como se pode falar em novo, se esse grupo tem o Caiado, que é tradicional na política; o Braga, que foi o principal nome do governo Alcides; o Vanderlan, que foi prefeito de Senador Canedo e disputou a eleição para o governo. Vai dar liga esse grupo que tem políticos tão diferentes?
Não tenho dúvida de que vai dar liga e não é tão diferente assim. São pessoas que têm uma ética e uma história política irretocável. O Vanderlan fez uma administração em Senador que é modelo. São pessoas que já estão na política, mas que desenvolvem projetos independentes e que estão se agrupando agora.

O que sua candidatura vai apresentar para Goiânia que pode ser classificado como novo?
Queremos inovar é a aproximação da gestão com o cotidiano do cidadão. A administração pública de Goiânia tem que se modernizar, tem que entrar no século 21. Hoje é inconcebível que uma pessoa precise de um documento e tenha que ir até a prefeitura e entrar numa via crúcis. Isso é a má gestão, é a má qualidade do serviço público. Nós vamos bater na tecla de  dar um serviço de qualidade para o serviço público, queremos que ela seja o melhor do Brasil.

O PSC estava até pouco tempo na administração de Paulo Garcia e era um dos possíveis apoiadores do prefeito. Por que isso não deu certo?
O PSC tem uma ligação direta com o Vanderlan. Quando o ele se desligou do PMDB, no outro dia o PSC entregou os cargos na prefeitura. O nosso caminho sempre foi com ele e temos certeza que contribuímos muito, apesar de termos ficado só dois meses na prefeitura.

Pesou a falta de diálogo entre o Vanderlan e o prefeito para costurar essa ligação?
O grupo conversou com o Paulo, mas não só com ele. O Vanderlan conversou com todos os outros grupos, mas o que pesou foi o sentimento de tentar apresentar algo novo e deixar a população definir se vai continuar ou quer um caminho diferente do que está apresentado. Sentimos como uma obrigação de apresentar as propostas e deixar a população julgar.

Assim como o PSC, a Isaura [Lemos, do PC do B] também estava próxima ao Paulo, mas entrou na disputa se queixando de falta de diálogo. Com o sr. é a mesma situação?
O PSC participou muito pouco da base do governo do Paulo Garcia. Eu acho que o tempo que ficamos não dá para reclamar de falta de diálogo. Respeito o Paulo, o acho bem intencionado, mas acho que ele está dentro de um sistema do qual ele não vai conseguir se desvincular.

Que sistema é esse?
Toda essa composição que ele herdou. O Paulo não tem independência para aplicar o que ele pensa. Ele já herdou algo pronto e com o qual ele não vai romper.

Ele fica preso ao PMDB?
Também.

Se o Paulo conseguir renovar o mandato, ele terá uma independência maior, não?
Com certeza não. Isso aí já é algo que está amarrado para os próximos projetos. A não ser que ele queira comprometer esses projetos, mas eu não acredito nisso.

O PSC começou 2010 do lado do Iris, mas negociou com o Marconi e fechou com o Vanderlan. Agora, novamente ele flertou com as duas principais candidaturas. Isso não dá uma sensação de que o partido sempre negocia suas posições até o final?
Uma certeza que pode se ter é que o partido não negociou. Para nós, se fôssemos olhar a questão do partido, nós tivemos grande propostas e algumas chegaram a sair na mídia. Chegamos a ter secretarias fechadas no governo do estado, então eu acho que foi um ato de coragem do partido negar isso e sair para uma candidatura. Isso mostra que nós não estamos dispostos a ficar com negociatas.

O que o sr. chama de coragem do partido é avaliado como uma desistência do Vanderlan para evitar desgaste ao alinhar novamente com o governador Marconi. Isso é verdade?
Em momento algum o Vanderlan foi alinhado ao Marconi.

Quando ele foi prefeito de Senador Canedo ele era da base aliada do governador.
Que prefeito não precisa do governador? Hoje os prefeitos são reféns do governo federal.

Mas o PR [ex-partido de Vanderlan] era da base do governador, vereador.
Sim, mas o Vanderlan sempre teve uma linha diferenciada. Essas mexidas dele mostram independência. Quando ele foi candidato, ele saiu pelo PR, que, como você diz, estava na base do governo, mas ele caminhou com o Iris, nunca com o Marconi.

Caminhar com o governador Marconi seria um caminho vetado hoje para o Vanderlan?
Na política é muito difícil falar que nunca vai caminhar com A ou com B. Hoje, os pensamentos políticos são muito divergentes, e o Vanderlan está buscando um eixo muito diferente desses dois eixos que estão apresentados.

O sr. foi eleito por uma base evangélica. Que peso isso tem numa eleição na sua candidatura? Isso é um limitador ou é uma base que vai alavancar a sua candidatura?
Eu tenho a minha fé, como todos os outros têm. Eu sou evangélico, o Paulo é católico, o Jovair é espirita, alguns não têm fé nenhuma. Quando se fala de uma eleição majoritária, não tem como o vencedor só governar para grupos. A cidade é de todos, a administração pública tem que atender as necessidades da cidade, não de grupos. Eu tenho minha fé e esse grupo que acredita em mim provavelmente vai ajudar na campanha.

O PSDB vetou dois candidatos [os deputados Fábio Sousa e João Campos] com o argumento de que a segmentação evangélica poderia atrapalhar. Isso pode realmente acontecer?
Eu fico até triste por isso. Essa questão não deveria ser fator para definir uma candidatura. Eu nunca vi ninguém ser vetado por ser católico ou por não ter religião. Eu acho que quando se usa isso é até uma forma de discriminação. Cada um tem sua fé, isso não pode ser critério para nada.

Mesmo quando se tem um mandato vinculado, ou seja, quando alguém é eleito com votos de dentro de uma igreja?
Quando eu fui eleito, a maioria dos votos que eu tive foi de evangélico, isso é lógico. Agora, em nenhum momento eu desenvolvi meu mandato para os evangélicos. Pode pegar na Câmara o histórico dos meus projetos, requerimentos e audiências públicas e você vai ver que nenhuma foi vinculada ao segmento.

Quais os gargalos da administração do prefeito Paulo Garcia?
Faltam gestão e qualidade de serviço em Goiânia. Os problemas não são pontuais, eles estão em todas as áreas, o que prova que é um problema de gestão. Na saúde, podemos dividi-la em quatro partes para exemplificar. Na prevenção, que é básico, não existem projetos. Você tem uma bomba na mão hoje, que é a obesidade infantil, mas não existe nenhum projeto de prevenção para isso. Na segunda etapa, que seria a dos exames e consultas, também tem problema. Nas especialidades, também há um problema sério. No último grau da necessidade da saúde pública, que são as UTIs, há um problema sério. Então quando o problema não é pontual, é notório que existe uma falta de gestão.

O sr. tem um projeto para romper com essas dificuldades?
Realmente este não é um problema fácil de resolver, ninguém tem varinha mágica pra fazer isso de um dia pro outro. A rede de saúde goianiense atende a região metropolitana e até outros Estados. É muito concentrada e não tem como deixar de atender as pessoas que estão à nossa porta. Eu dou um exemplo de gestão citando Senador Canedo, hoje 100% das pessoas são atendidas pelo município.

Mas Senador Canedo não é uma cidade atípica, com alta arrecadação?
A receita existia antes do Vanderlan e a saúde era um caos.

Mas pode-se comparar Divino Lemos [ex-prefeito de Senador Canedo] com o Paulo Garcia?
Não, não. O que eu digo é referente à gestão do Vanderlan, porque eu acho que ele é modelo para o Brasil. É claro que a proporção dos problemas da capital é maior, mas o principio administrativo é o mesmo.

O sr. então concordaria em dizer que Paulo Garcia é um prefeito bem intencionado, mas um mal gestor?
Ele é bem intencionado, mas sua equipe é refém de um sistema já implantado, pronto, e ele não vai conseguir mudar isso.

Paulo Garcia herdou uma estrutura onde Iris teve uma boa aprovação em Goiânia, tendo sido eleito para o 2° mandato com expressiva votação.
O Iris é um e o Paulo é outro, não dá pra compará-los até tendo em vista o histórico público de cada um deles. São pessoas diferentes. O Iris tinha o controle do sistema porque ele que implantou, a figura do ex-prefeito conseguia controlar a prefeitura. O Paulo não, ele é refém disso. O Iris era maior que a equipe, o Paulo não. Politicamente é diferente a batida da mão na mesa do ex-prefeito Iris e a batida do Paulo. Paulo é menor do que o sistema.

O sr. avalia que Paulo não tem autonomia em certas áreas da prefeitura por não ser maior do que alguns secretários? O sr. acha que alguns secretários podem agir à revelia do prefeito?
Sim, eu acho. Já disse que o Paulo é refém de um sistema e ele não consegue sair dele. Tem muita gente que manda mais do que ele, e eu não vou citar nomes.

Que peso o Caso Cachoeira vai ter na campanha?
Vai ter um peso forte na leitura do eleitor, porque hoje o eleitor tem capacidade de conectar os assuntos. Os políticos não vão colocar isso em pauta, mas a imprensa vai. Não só esse caso, mas também o julgamento do mensalão.

Há uma descrença do eleitor?
Sim. O eleitor está na situação de mulher traída em relação à política. Por mais que a mulher do esposo o perdoe, existe um processo de reconquista, para reconstruir a confiança. Então não está fácil colocar a cara em um processo eleitoral.

O Vanderlan está a procura de partido, mas fala-se que o PSC é muito pequeno para recebê-lo, até tendo em vista o projeto para 2014. O partido vai se esforçar para trazer o Vanderlan?
Nós teríamos muita alegria em ter o governador do Estado. O Vanderlan já caminha conosco e tem caminho aberto, acho até que seria natural se ele fosse para o PSC. Agora, para um projeto grande, ele precisa buscar forças, ninguém pode ir sozinho.

Neste novo grupo, tanto Caiado quanto Vanderlan já disseram que têm o desejo de ser governador do Estado. Como pacificar esses interesses?
Em relação a isso está bem pacificado, bem conversado. Vanderlan e Caiado são pessoas que têm histórico político e tem conversado muito sobre isso. Eu não tenho dúvidas que o caminho e as pesquisas vão nos mostrar qual será o melhor nome do grupo. Pode ser até que surja outro nome. Então nós estamos muito tranquilos em relação a isso. O melhor nome do grupo vai disputar a eleição de 2014.

Voce esta aqui Política Entrevista (s) “Tem muita gente que manda mais que o Paulo Garcia na prefeitura”