O prefeito de Rio Verde, Juraci Martins (PSD), se orgulha da administração que fez nos últimos três anos e meio. Segundo ele, foram mais de 150 obras na cidade. Ele não esconde que grande parte dos recursos vieram do governo federal da presidente Dilma Rousseff do PT, partido do seu único adversário, o deputado estadual Karlos Cabral, na disputa por mais quatro anos de mandato. Sobre isso, o pessedista é bem claro: “Mas por que os outros não fizeram? Eu gosto de perguntar: quem é dono do dinheiro público? Não é o Juraci, não é o Marconi, não é a Dilma. O dinheiro é do povo”. Ao lado do deputado federal, Heuler Cruvinel, (PSD) e do secretário de Governo, Renato Abreu, o prefeito concedeu entrevista a Tribuna em seu escritório político em Rio Verde. Elencou as obras realizadas em sua gestão, mas fugiu dos embates políticos, como a rusga com o deputado federal Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, seu antigo partido. “Desse assunto eu não falo mais. A história você viu lá, eu declarei pros jornais, incompatibilidades e eu não quero mais brigas”, mostrou.
Tribuna do Planalto - Quando o senhor avalia que a campanha comece de fato?
Juraci Martins – Nós já estamos iniciando uma campanha de visita a empresas. O mote será nossa administração, que foi de compromissos. Faltaram apenas dois compromissos, que já estão sendo feitos. Já licitamos o asfalto - de todos os bairros da nossa cidade e distritos – e já estamos iniciando a fase final. Outro projeto que está em fase de licitação é o Centro Materno Infantil, que foi compromisso de campanha e que já está com R$ 17 milhões em caixa. Está sendo licitado e a construção vai começar ainda esse ano.
Por que o sr. quer mais quatro anos de mandato? Que compromisso o sr. assumirá com a população?
São vários e nós já estamos praticamente com o projeto de campanha pronto. Todos os nossos projetos anteriores foram baseados em pesquisas, porque administramos acima de tudo, as prioridades da população. Baseado nas novas pesquisas, fizemos reuniões em todos os bairros, em todas as principais regiões e nos distritos da cidade. Hoje a necessidade do nosso povo é segurança. Nós aplicamos o banco de horas para a Polícia Civil e Militar, e instalamos a melhor delegacia de Polícia Civil do interior de Goiás. Na realidade é uma academia para os nossos policiais.
A prefeitura construiu toda a instalação?
Não, não. Alugou e montou. Nós juntamos todas as delegacias do município e colocamos num lugar só. Agora não vai ter aquele problema que o cidadão não sabia onde ia. Hoje ele vai em um determinado local que tem toda instalação. Pensamos em todos os detalhes, melhorando acima de tudo a qualidade de vida do cidadão. Na Polícia Militar, fomos para 16 ou 17 viaturas nas ruas, diminuindo, consideravelmente, o índice de crimes , principalmente furtos a estabelecimentos. Eles estavam assaltando a mão armada. Pretendemos também fazer uma centralização de monitoramento por câmeras. Outra coisa que vamos fazer é uma academia de polícia em Rio Verde. Já estamos solicitando ao governador de 100 a 120 vagas.
E na área da saúde?
Na questão de saúde, vamos terminar o nosso Centro Materno Infantil. Pretendemos criar novos postos de saúde, aumentar o nosso hospital municipal, criar um laboratório central para exames, para que nós possamos realmente transformar a saúde de Rio Verde num centro de referência da nossa região. Todas as nossas obras que são da saúde e da educação, tem também participação do governo federal. Um dos grandes motes dos meus adversários é falar que a nossa administração é feita com dinheiro do governo federal.
Os adversários falam isso, que o que tem sido feito em Rio Verde, majoritariamente, tem sido com recursos do governo federal.
Exatamente. Mas por que os outros não fizeram? Eu gosto de perguntar: quem é dono do dinheiro público? Não é o Juraci, não é o Marconi, não é a Dilma. O dinheiro é do povo. 72% do nosso capital, dos nossos tributos vão para a União, 14% para o município, e 14% para o governo estadual. Você tem de buscar o dinheiro onde ele está. Apesar de termos sido do DEM, nunca fomos mal recebidos em Brasília. Sempre tivemos relação institucional. A nossa administração não tem finalidade política, mas tem finalidade administrativa.. Eu nada tenho a reclamar do governo federal, mas apenas dois bairros de Rio Verde receberam R$ 6 milhões. Foi uma verba que veio do deputado Sandro Mabel (PMDB). É muito fácil criticar, mas pergunto sempre ao adversário que me critica: “Sua contribuição, cadê?” Não tem nenhum centavo.
As críticas são de que o sr. fez pouco com dinheiro da cidade, que é rica, com boa arrecadação.
Tenho mais de 150 obras em Rio Verde. Desafio você visitar toda a cidade e ver se em cada bairro não encontra uma obra da prefeitura. Toda a estrutura administrativa foi reformada. Nós reformamos 72 escolas. Não é pintura, é reforma. Nós criamos várias creches. É um projeto nosso, não tem nenhuma criança fora da escola. Informatizamos as escolas, melhoramos o transporte escolar. Quando nós entramos foi uma exigência, os ônibus escolares terem seis anos de uso no máximo. Na saúde, fizemos várias academias da terceira idade. A UTI de nove leitos é uma das mais modernas do Estado. A saúde foi a área em que mais trabalhamos. Outra coisa que queria destacar: nós demoramos três anos para conseguir a CND (Certidão Negativa de Débito). Durante todo esse tempo, todas as obras foram feitas com recursos próprios e parte do governo federal. Nós compramos 30 caminhões zero e 27 máquinas pesadas. Construímos 44 pontes. Recuperamos quase três mil quilômetros de estradas vicinais. Nós devíamos muito na área de estradas. As máquinas viviam quebradas, nós vendemos tudo. A única coisa que ficou de velho nessa administração foi o prefeito [risos]..
O sr. reformou todas as escolas?
Todas. Duas premissas que temos. Primeiro, só fazemos obra de qualidade. Segunda, só inaugura se estiver pronta para atendimento ao povo. Eu ouço muito a juventude. Não sou igual uns aí que não vê e não ouve. Tudo que nós ouvimos, anotamos. Aprendemos com os outros. Fiz campanha aqui baseada no Iris Resende, no Adib Elias (ex-prefeito de Catalão), no Humberto Machado (prefeito de Jataí), todos do PMDB. O povo vem me criticar falando: “você não fala dos nossos”. Não, eu falo de pessoas que trabalham, seja quem for. Tenho que seguir exemplo de quem sabe. E gosto muito de copiar coisas boas.
O negócio do sr. é obra?
É obra é resultado administrativo. Na habitação, já temos 1.033 casas entregues, e mais mil em construção. Eu ganhei esses dias mais duas mil. Mil do Banco do Brasil e mais mil do governo estadual, lá da Caixa. Tudo do Minha Casa Minha Vida [programa do governo federal].
E a prefeitura doa o terreno?
Não, isso ai a prefeitura vai buscar. Porque o dinheiro da prefeitura de Rio Verde está na Caixa Econômica Federal. Esse é o grande segredo. Nós investimos o dinheiro público na Caixa Econômica Federal e ela tem a responsabilidade de nos ajudar. Somos conhecidos como garotos propaganda da Caixa, porque também fazemos propaganda. Aqui se é parceiro, nós somos parceiros, inclusive na mídia.
O sr. comentou que o deputado Sandro Mabel ajudou com a verba do asfalto. Todas as demais é trabalho do deputado Heuler Cruvinel?
Não. Quando eu comecei ele não era nem nascido ainda (politicamente). Foram dois anos sem ele.
E como o sr. conseguiu esses recursos?
Eu fui lá, de 15 em 15 dias, em Brasília durante dois anos e depois veio o nosso deputado. Aí nós passamos pro time do Kassab [Gilberto, prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD] e melhorou ainda mais. Ele tem nos ajudado e muito.
Por que o sr. rompeu com o deputado Ronaldo Caiado?
Desse assunto eu não falo mais. A história você viu lá, eu declarei para os jornais, incompatibilidades e eu não quero mais brigas. O candidato sou eu.
Mas ele é um deputado que é da bancada ruralista, e Rio Verde tem tudo a ver.
Não emito opinião, ele não é candidato em Rio Verde, e a única preocupação que tenho hoje é com minha administração e a eleição.
Mas o sr. está preparado para esse debate na eleição?
Ótimo, isso aí tanto faz. Porque todo mundo é livre para fazer seu proselitismo que deseja. Se ele vir aqui ajudar o PT para nós é um sonho.
Surpreendeu o sr. PT e DEM juntos?
Não, não. Não emito opinião sobre adversário. Quem emite é o eleitor. Emito opinião nesse assunto que nós estamos trabalhando, resultado administrativo para a cidade. Porque não trabalho com discussões políticas. Sou amigo de todo mundo.
Quase todo mundo, não?
Não. Sou amigo de todo mundo, os outros é que não são meus amigos [risos]. Outra coisa que estamos terminando até dezembro é de entregar todas as escrituras de Rio Verde, que foi um compromisso de campanha.
O sr. passou por dois anos de governo Alcides e está no segundo ano de governo Marconi. O sr. teve dificuldades de trazer recursos para cá?
Não, não tive. Durante o governo Alcides eu tive aqui a contribuição para o povo de Rio Verde de mil reais.
Mil Reais?
É. Mas o governo estava em dificuldades.
E Agora?
Agora a gente teve R$ 32 milhões para a Saneago. Vieram R$ 12 milhões para o asfalto.
O sr. citou várias obras na área de segurança que seriam responsabilidade do Estado, não?
A gente aqui não tem problema se é do Estado ou se é da União. A responsabilidade existe, mas quem paga o pato numa cidade é o prefeito. Gostaria de citar outros projetos na área da ciência e tecnologia, por exemplo, nós tivemos o projeto Internet para Todos, em toda a cidade. Inauguração dos telecentros, na cidade e distritos. Na agricultura, implantação do SIM (Selo de Inspeção Municipal). Uma das primeiras cidades do Estado que tem o Selo. Um dos grandes trunfos da nossa administração é a assistência social. Os números da assistência social impressionam. São mais de 30 programas sociais. A promoção criou a caravana da cultura, promoção social itinerante. Eu nunca reclamei de falta de dinheiro ou de crise em Rio Verde. Nós não reclamamos. Rio Verde é a terceira arrecadação do Estado. É uma cidade plenamente administrável. Nunca choramos, nem reclamamos.
O sr. acredita que faltou gestão, na última administração (de Paulo Roberto Cunha, de 2001 a 2008)?
Só sei que agora tem. Agora nós já pavimentamos cinco bairros e cinco distritos. Então até dezembro nós temos 100% de Rio Verde com asfalto novo, estará pronto. Nosso maior desafio para a reeleição será recapear a cidade toda, R$ 60 ou 80 milhões, mas aí a gente vai lá na Dilma. E agora vem mais R$ 22 milhões do governo e mais 11 milhões para tirar os moradores da área de risco. Vamos tirar todos os moradores de área de risco. O dinheirinho já está ai. Vamos tirar todo mundo e ninguém vai ser jogado na Rua. Rio Verde não teve até hoje nenhum desastre ambiental. A única coisa que já tivemos na nossa cidade é desastre administrativo. Só. Uma das obras mais importantes que nós temos na nossa administração é essa canalização do córrego do Sapo. Vai ficar em torno dos R$ 50 milhões. Por quê? Porque não é apenas a canalização. Nós vamos ter duas vias de escoamento, direita e esquerda. Fazer amplas avenidas para melhorar o trânsito. Rio Verde daqui dez anos terá no mínimo 350 mil habitantes com qualidade de vida acima da média do Estado. Então o número de veículos e motos aqui vai ser absurdo. Primeira coisa que nós vamos fazer, já está pronto, já está sendo licitado é o transporte coletivo. Vamos fazer a nossa plataforma multimodal. Ferrovia, aeroporto de carga de 4 mil metros, um distrito industrial e uma moderna plataforma ferroviária.
O sr. é o prefeito mais importante do PSD e da base governista. Que projetos o sr. tem para o futuro?
Administrar Rio Verde até o último dia. Não tenho pretensões políticas para o futuro. Você já viu que prefeito não gosta de fazer deputado federal, porque ele fica guardando a vaga para ele. Aqui, nós já elegemos o Heuler Cruvinel. Fizemos ele aqui e conseguimos elegê-lo. Não é fácil. Eu poderia muito bem estar esperando se eu quisesse. Tenho o projeto de administrar quatro anos. Não tenho pretensões políticas nenhuma. Apesar do que todo mundo fala. E o adversário vai trabalhar nisso aí. Não quero falar, não quero polemizar, não é a minha praia. Em três dias eu viajei, pra passear, tratando do coração, eu fui safenado.
E falar nisso como anda o coração?
Ih, político para morrer... Essa praga não morre fácil, não. Pode deixar que eu estou firme, essa satisfação eu não vou dar para os outros não.
Dá para andar Rio Verde inteira?
Dá. Eu andei 58 bairros. Eu não, o grupo. Mas eu andei 38 quilômetros durante um ano. Conheço todas bibocas. Atolei em muitas partes aqui. E era mesmo, atolava. Tinha lugar que para passar era pinguela. Agora nós não vamos sujar o paletó. Nem o sapatinho do chefe não vai sujar.
O Sr. tem expectativa que o governador venha pedir votos?
Claro, tenho sim. Ele trabalhou muito para Rio Verde, nos ajudou bastante. Eu não tenho medo.
O medo seria devido a imagem dele?
Não vejo isso aqui em Rio Verde, ele está nos ajudando. Agora se provar alguma coisa contra ele tudo bem. Mas até hoje não vi essas provas, a não ser que ele vendeu uma casa. Só bate nisso.
Depois de tantos convênios com o governo federal, como é enfrentar o PT?
Não estou enfrentando o PT, estou enfrentando adversário político, um candidato, do PT. Não tenho nada contra o PT, inclusive, tem muita gente do PT que vai votar em mim. Não posso falar quem são, se não eles os expulsam. Olha eu entrei com 2% (em 2008), e a única coisa que eu tenho medo é do ‘já ganhou’, ‘salto alto’.
Não funciona em Rio Verde?
Não, não funciona em lugar nenhum. Nós já tivemos candidatos a governador que estava lá em cima e perdeu. Não existem eleições ganhas. Obras por si só não ganham eleição. Você tem de trabalhar e pedir voto.






