Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 27 - Nº 1.380   Goiânia, 19 a 25 maio de 2013
 
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“Não tinha consciência de que tinha de recolher a multa de R$ 3,49”

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Candidato do DEM à Prefeitura de Anápolis, o empresário Wilson de Oliveira afirma que vai recorrer da impugnação de sua candidatura, se necessário, até no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele está sendo acusado de não ter recolhido uma multa no valor de R$ 3,49 por não ter votado no referendo de 23 de outubro de 2005, que consultou a população sobre a proibição de armas de fogo no Brasil. “Nesse período, eu tinha saído do país para acompanhar o governador Marconi Perillo e uma comitiva de empresários para Portugal, Itália e Espanha. (…) Eu não tinha consciência de que eu tinha de procurar o cartório eleitoral e justificar essa minha ausência nesse referendo”. Mesmo assim, Wilson frisa que sua candidatura está a todo o vapor. Ele acrescenta ainda que achou concorrentes preocupados em demasia com ataques e com o passado, afirma que vai ter foco na discussão de ideias e com projetos para futuro, além de afirmar que vai defender legado de Marconi Perillo no município.


Tribuna do Planalto - Após a impugnação, em que pé anda a candidatura do sr. para a Prefeitura de Anápolis?
Wilson de Oliveira – Estamos apresentando a nossa defesa, representados pelo nosso advogado, dr. Roldão Cassimiro. Essa defesa está sendo protocolada hoje (quinta, 9) junto à primeira instância da Justiça Eleitoral. Vamos recorrer na segunda instância, junto ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Recebemos a notícia dessa impugnação com bastante surpresa, porque desde que tirei meu título de eleitor, quando tinha 18 anos de idade, tenho votado em todas as eleições. Eu tenho todos os comprovantes. Então, quando fiquei sabendo que minha candidatura tinha sido impugnada, procurei me interar por quê.

 O que aconteceu?
Houve um referendo para o desarmamento no dia 23 de outubro de 2005. Isso é obrigatório, como uma eleição normal. Nesse período, eu tinha saído do país no dia 21 de outubro, acompanhando o governador Marconi Perillo e uma comitiva de empresários para Portugal, Itália e Espanha.  Nessa época, eu era presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia), e também vice-presidente da Federação (das Indústrias do Estado de Goiás – Fieg). Retornando ao país no dia 4 de novembro, eu não tinha consciência de que eu tinha de procurar o cartório eleitoral e justificar essa minha ausência nesse referendo, e recolher junto aos cofres públicos a multa no valor de R$ 3,49. Não sabendo da existência dessa dívida, eu toquei a minha vida normalmente. Votei em 2006, 2008 e 2010. Se eu soubesse da existência dessa dívida, obviamente eu a teria pagado. Bem: registramos a nossa candidatura normalmente, no dia 6 de julho. E aí sempre faltam alguns documentos. Faltava uma certidão para ser tirada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eu fui até Brasília tirar essa certidão. Resolvi tirar um nada consta, que não é exigido para fins de registro de candidatura, e apareceu essa dívida, que foi quitada no dia 10 de julho. Eu entendo que, na letra fria da lei, você tem de estar em dia com a sua situação eleitoral no momento do registro de sua candidatura. Como eu registrei a minha candidatura no dia 6 de julho, porque não havia sido possível no dia 5, e o débito foi pago no dia 10 de julho, o Ministério Público entendeu que deveria impugnar a minha candidatura. Eu acho que o Ministério Público está certo, está exercendo o seu dever. Eu agora é que tenho de me defender.

Qual será a sua defesa?
Eu tenho de provar que, no dia 6 de julho, eu estava em dia com a Justiça Eleitoral. Há dois anos atrás, eu renovei o meu passaporte e não fui comunicado sobre esse débito. Então, eu não tinha como saber desse débito. Qual é a pena por você não ter votado? É uma multa de R$ 3,49. Isso prescreve em cinco anos. Então, eu entendo, e a linha de defesa do advogado é essa, que esse débito está prescrito desde outubro de 2010. Portanto, no ato de registro de minha candidatura, eu estava em dia com a Justiça Eleitoral. Então, estamos recorrendo com essa linha de defesa na segunda instância e, se preciso for, vamos recorrer até a terceira instância, que é o TSE. Mas a candidatura não sofre uma vírgula de descontinuidade. Eu estou muito satisfeito com o andar da candidatura hoje.

Sobre essa questão da greve, no dia 5 de julho, teria sido um erro das assessorias dos candidatos, já que havia orientação do TRE no sentido de que os juízes recebessem esses registros, ou teria acontecido um erro da Justiça Eleitoral, que ela reconheceu ao deferir as candidaturas?
Entendo que foi um erro da Justiça Eleitoral e da Justiça Estadual. Veja bem: nós estávamos lá no cartório, com toda a documentação para realizar o registro da nossa candidatura, no dia 5. E você pode comprovar isso pela data dessa documentação que tínhamos em mãos. O que aconteceu ali? Houve uma greve da Justiça. Eu entendo que greve você tem de manter 30% do serviço em funcionamento. O percentual de serviço era zero lá. Não havia nenhum funcionário da Justiça Federal, do Cartório Eleitoral. Então a juíza mandou para lá todos os seus assessores para atender as pessoas.

Como foi o atendimento?
Quando eu cheguei ao cartório, por volta das 18 horas, estava um tumulto. Nós tínhamos um problema sério de duas candidaturas, a do PHS-PSD e a do PDT do José de Lima, que, por não estarem com a documentação completa, atrasaram o atendimento dos outros partidos. Nós tínhamos ali aguardando no balcão Ouro Verde, Campo Limpo, PPS, Democratas, PSDB e PT. Todos na fila. Mas havia uma dificuldade muito grande de documentação de outros partidos, e apenas um funcionário - que não era da Justiça Eleitoral, era da Justiça Criminal - e portanto não entendia dessa parte, estava trabalhando. Ele não conseguia responder as perguntas, não conseguia analisar documentos, não conseguia, sozinho, atender aquele tumulto no balcão. Naquela hora, o que ele entendeu? Que o prazo havia esgotado, que eles não receberiam mais nenhum documento, e fechou o cartório. Só nos restou ir embora. No outro dia, dia 6, de manhã, procuramos o advogado, dr. Roldão Cassimiro, para realizarmos o registro. Quando o Cartório Eleitoral abriu ao meio-dia, aí sim: estavam lá todos os funcionários aptos. Perguntamos o que faríamos. Eles nos disseram para procurar a juíza. Imediatamente descemos para o fórum. A juíza chega às 14 horas. Ela nos disse: “Façam uma petição e coloquem o que vocês querem”. Foi feita uma petição na sala da OAB com todas as dificuldades que tivemos. Então ela prolatou uma sentença determinando que aqueles partidos que haviam subscrito aquela petição e somente no dia 6, estavam deferidos os registros das candidaturas. Dez minutos depois, eu já estava no fórum e fiz o registro da nossa candidatura. O que eu entendo? Se, no dia da eleição, que ocorre das 8 da manhã às 5 da tarde, se você chegar lá às 5 horas e 10 minutos, já não pode mais votar. Agora, se você chegar 4 e meia e tiver uma fila muito grande, a Justiça Eleitoral te atende, nem que seja às 6 da tarde. Você vota. E nós estávamos no Cartório Eleitoral antes do horário do prazo final, de modo que acho que foi feita justiça nesse caso.

Já houve um primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Anápolis, do qual inclusive o sr. participou. Qual impressão teve dos concorrentes? Que avaliação faz do próprio desempenho?
Eu me senti muito á vontade no debate e assim devo proceder em todos os outros que acontecerem. Veja bem: eu, como empresário, classista, venho para a política para contribuir, para melhorar, para contribuir para melhorar a vida da população. Eu vou para o debate para discutir ideias sobre o que é melhor para a cidade de Anápolis. Eu sei do que Anápolis precisa em termos de infraestrutura, de investimento, para que a cidade continue mantendo essa situação de protagonismo dentro do Estado de Goiás, de pleno emprego. Mas o emprego, você consegue hoje e daqui a seis anos tem de recriar o processo de geração, porque os jovens vão estar entrando no mercado de trabalho. Aquele investimento que não veio hoje, que não criou aí 500 empregos, vai fazer falta no futuro. Então nós temos de manter os que já existem, mas temos também de criar novos empregos, atraindo novos investimentos para a nossa cidade.

“Não sou apenas amigo do governador Marconi Perillo, sou eleitor, admirador”

Qual será o foco da campanha?
Eu me dispus, nesta campanha, a discutir tudo aquilo que é de interesse do município de Anápolis. E essa vai ser a minha linha em todos os debates. Eu só falo do futuro. Não me interessa o passado. E eu acho que o eleitor está cansado de ver um candidato atacar outro candidato. Não é isso que o eleitor procura. Ele quer ouvir ideias, ele quer saber do futuro. Nós temos que respeitar isso no eleitor. Foi dentro dessa proposta que eu me conduzi no debate. Não foi isso que eu notei nos outros candidatos. Veio inclusive uma pergunta para mim sobre o que eu achava de coisas erradas no município. Eu respondi que achava que isso era problema do Tribunal de Contas do Município, do Ministério Público, da Polícia Federal, dos órgãos competentes. O que eu acho é que Anápolis precisa continuar a receber investimentos para manter o desenvolvimento, o comércio, os empregos. Essa vai ser a minha linha. Eu não tenho nada contra nenhum dos meus adversários momentâneos. Quando terminar o período eleitoral, vou continuar morando em Anápolis, lutando pelos interesses do município. Me afastei de seis instituições para me candidatar. Consigo servir a cidade nessas instituições. Como candidato, se eleito for, posso servir muito mais. Em política, todos sabem o que fazer. Estratégico é como fazer. Essa parte do “como fazer” você só aplica com o poder nas mãos. É o poder que permite realizar as estratégias. E o poder em uma democracia só pode ser alcançado por meio de um partido político. Eu estou neste momento engajado nisso para buscar o bem comum. Esse primeiro debate acho que foi um termômetro do que vai acontecer. Se outros candidatos pretendem se atacar mutuamente, problema deles. Eu só vou discutir ideias e só vou falar do futuro.

O sr. é o candidato apoiado pelo governador Marconi Perillo no município. Nesta semana foi lançado o PAI (Programa de Ação Integrada de Desenvolvimento). Como o sr. acredita que esses investimentos vão refletir na campanha?
Eu me sinto bastante à vontade para dizer que o PSDB está comigo na minha chapa ocupando a vaga de vice e também para dizer que eu não sou apenas amigo do governador Marconi Perillo: sou eleitor, admirador. Acompanho de perto sua trajetória há mais de 14 anos. Andei com ele por mais de 38 países. Eu sei o que é a história de Goiás antes e depois do governador Marconi Perillo. Eu estava no Daia quando as empresas estavam caindo aos pedaços, fechando as portas, indo para outros municípios, quando o governador Marconi Perillo criou a Lei de Incentivo, permitindo que o Daia se revitalizasse e que se tornasse essa força. Foi possível montar o polo farmacêutico, o polo automotivo, tudo graças ao governador Marconi Perillo. Nós sabemos dessa história, vivemos essa história e a respeitamos. Se o governador Marconi Perillo não tivesse feito o Hospital de Urgências, não teríamos um polo de saúde aqui. Se o governador não tivesse tido a coragem de enfrentar Goiânia e outras forças para colocar a sede da UEG aqui em Anápolis, nós não teríamos o polo universitário, que tanto peso tem para o comércio e para a geração de renda em nossa cidade. Não é por acaso que ele ganhou quatro eleições aqui e teve 75% de votação nas últimas eleições. Te digo uma coisa: Anápolis deve muito ao governador Marconi Perillo, e estão tentando desconstruir a imagem dele no Estado todo, mas enquanto eu tiver voz e oportunidade aqui em Anápolis, vou defender o governador até o último momento. Eu sei da importância dele para Anápolis. Sei da importância que é a pessoa ter renda, emprego, dignidade. E isso nós devemos aos governos do PSDB. Quando o PT chegou ao governo, há 3 anos e meio atrás, tudo já estava pronto. Anápolis era um dos municípios mais importantes do estado de Goiás e até mesmo do país. Anápolis é essa força graças aos governos do PSDB. Não vou negar isso. Vou defender isso em qualquer instância em que me for permitido me manifestar.

 

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