Hipertensão, diabetes, obesidade, consumo de drogas. Problemas crônicos de saúde em nível mundial e também presentes na sociedade brasileira, em crianças, adolescentes, adultos e idosos, sem escolha de idade.
A escola como espaço propício ao ensino e aprendizagem pode contribuir com a prevenção das doenças, com conteúdos voltados a uma melhor qualidade de vida física, intelectual, emocional e social de seus alunos.
Nessa perspectiva, desde 2008, a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia desenvolve o Programa Saúde na Escola (PSE), em dez unidades educacionais da região leste. Nos próximos dias, a tarefa será ampliada para 80 instituições.
A tarefa de ampliar o PSE na capital teve início em fevereiro quando as equipes dos distritos sanitários e do Departamento Pedagógico da SME promoveram a capacitação das equipes de saúde da família e os coordenadores das escolas.
Para a secretária municipal de Educação, Neyde Aparecida, a saúde e qualidade de vida deve ser um dos principais focos do ambiente escolar. “Neste mundo, as crianças e adolescentes têm hábitos de vida não favoráveis à saúde, este programa vai estimular nossos alunos a se cuidarem mais”, afirmou.
Segundo Marcos Pedro da Silva, chefe da Divisão de Estudos e Projetos da SME, o programa deve mobilizar as unidades. “Sabemos que a escola é um espaço privilegiado para práticas de promoção de saúde e de prevenção de agravos à saúde e de doenças, por isso precisamos que projetos com este foco sejam implementados, proporcionando o pleno desenvolvimento do educando”, enfatizou.
PSE
O PSE foi instituído em 2007 por meio do Decreto Presidencial nº 6.286 e representa uma política de integração entre os ministérios da Educação e Saúde. A ação tem como objetivo promover a melhoria da qualidade de vida dos alunos brasileiros e construir uma cultura de paz nas escolas.
O programa é desenvolvido em quatro etapas. A primeira consiste na avaliação das condições de saúde dos alunos, por meio de avaliação antropométrica, verificação de carteiras de vacinação, aferição de pressão arterial, avaliação clínica, identificação de alunos com dificuldades de audição e visão, avaliação do estado nutricional e da saúde bucal.
Na segunda fase, a promoção da saúde e a prevenção são o foco, com o estímulo à construção de uma cultura de paz e combate às diferentes expressões de violência, consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Também, nesta etapa, é abordada a educação sexual e o incentivo à prática de exercícios físicos.
As duas últimas etapas se referem à capacitação de profissionais e jovens e ao monitoramento da saúde dos alunos, por meio de pesquisas, dentro do Censo Escolar (Censo da Educação Básica) e em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Últimos ajustes
Nos dias 13 e 14 de agosto, educadores, enfermeiros, médicos, cirurgiões dentistas e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) se reuniram para acertar os últimos ajustes para implementação da prática de ações do PSE nas escolas .
Durante o seminário, a apoio técnico-pedagógico da Divisão de Estudos e Projetos da SME e coordenadora do Programa, Marislei Brasileiro, evidenciou os avanços do PSE no primeiro semestre e os próximos desafios, principalmente no que se refere à educação.
“É muito importante a parceria da saúde e educação. As escolas devem acolher esses profissionais, que serão fundamentais na promoção da melhor qualidade de vida dos educandos, os principais beneficiados”, destacou.
Educadores e profissionais de saúde também avaliaram os atendimentos de caráter experimental ocorridos na Escola Municipal Pedro Gomes de Menezes, quando cerca de 20 alunos (com idade entre 6 e 14 anos) passaram por triagens e consultas médicas.
Para o diretor da unidade educacional, Paulo César Januário de Araújo, o programa está de acordo com o projeto político-pedagógico da escola. "Para nossa escola, o ideal é prevenir, orientar e esclarecer as crianças e adolescentes sobre a importância de cuidar da saúde", ressaltou.
As informações colhidas não serão apenas coletadas e arquivadas. O resultado da primeira etapa será lançado em um banco de dados do Ministério da Educação e da Saúde para ações imediatas voltadas à mudança de hábitos alimentares.
Casos graves serão agendados pelas equipes da saúde da família, formada por médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde, além de cirurgiões dentistas, nutricionistas e auxiliares de higiene bucal.
Segundo Marislei, as ações do PSE não são obrigação somente do enfermeiro e do professor. “Toda comunidade escolar deve ajudar as equipes saúde da família, a família e principalmente os próprios educandos, por meio do autocuidado”, acrescentou.
O cronograma de execução do PSE tem início neste mês de agosto e prevê o atendimento a 86 mil crianças e adolescentes, educandos da Rede Municipal de Educação (RME), que serão avaliados mediante formulários, conforme a primeira etapa do programa.






