Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 29 - Nº 1.462 Go­i­â­nia, 14 a 20 de dezembro de 2014
 
Banner
escola

Escola

Alunos artistas

  • PDF

Além de ser uma oportunidade para que os estudantes possam aprimorar a leitura e a escrita a partir de assuntos de interesse coletivo, o Goiás na Ponta do Lápis também oportuniza aos jovens se expressarem artisticamente.
Em cidades como Anápolis, Silvânia, Planaltina de Goiás, e tantas outras percorridas pela equipe da Tribuna nas últimas semanas, as cerimônias de premiações das melhores redações certamente não teriam o mesmo brilho não fossem os números artísticos apresentados. Foram espetáculos de dança, de teatro, enfim, muitas e diferentes abordagens, sempre muito bem apresentadas. Um show de empenho e dedicação, não apenas dos talentosos alunos, mas também dos criativos e dedicados professores, que passam meses preparando os números.
Como uma forma de reconhecer e agradecer o trabalho artístico, as páginas 6 e 7 desta edição trazem uma matéria especial sobre o assunto. Onde é possível ter uma pequena mostra da qualidade dos trabalhos. Além da matéria, assinada pela jornalista Sara Cassiano, que nas últimas semanas vem fazendo uma grande cobertura do Goiás na Ponta do Lápis, o Escola traz outros temas pertinentes, como entrevista com o diretor da Casa da Juventude Pe. Burnier, a CAJU, instituição que presta um grande trabalho em favor da comunidade jovem.

 

Os riscos da exposição

  • PDF

Leia mais...Assim como os adultos, as crianças também são vistas como consumidores em potencial. Diante da possibilidade, muitas empresas apostam cada vez mais na publicidade infantil, que é direcionada especificamente para esse tipo de público. Uma prática que é observada com ressalvas por instituições e especialistas em desenvolvimento infantil, pois acreditam que o contato excessivo com propagandas direcionadas fomentam o consumismo e colocam em risco nas crianças o desenvolvimento de valores como igualdade, tolerância e solidariedade.

A advogada e diretora do Instituto Alana, Isabella Henriques, considera que os malefícios da exposição aos anúncios são diversos. O principal, segundo ela, é o estimulo ao consumo exagerado e a formação de valores materialistas nos pequenos. E considera que a publicidade que fala diretamente com a criança ensina a ela que para “ser” precisa “ter”, que não será feliz, não terá amigos, se não consumir determinados produtos ou serviços. “Claro que a publicidade não fala isso de forma direta, é muito mais sofisticada, mas passa esses valores. Além desses, há também o estímulo à erotização precoce e à violência, além da obesidade infantil”, destaca a advogada.
Isabella lembra que até os 12 de idade a criança está no período de desenvolvimento, não só fisicamente, mas também psicológico. Sendo assim, nessa faixa etária, ela não tem condições de responder aos apelos mercadológicos, simplesmente acredita no que a publicidade lhe diz. “Se na propaganda fala que ela precisa daquele tênis para ser feliz, ou que comer aquele salgadinho vai integrá-la no grupo de amigos, a criança absorve essas informações. Não entende o caráter persuasivo das mensagens ou a complexidade das relações de consumo”, afirma Isabella.
Na mesma linha de raciocínio, a psicóloga Alba Cristhiane Santana da Mata, que é doutora em Psicologia do Desenvolvimento, explica que o estímulo ao consumo é prejudicial para as crianças principalmente por estarem em uma fase fundamental para o desenvolvimento de valores, atitudes e concepções sobre a vida. Diante disso, a influência do consumismo desenfreado, segundo ela, atua na subjetividade da criança, no seu modo de entender o mundo e de se relacionar com as pessoas. “O consumismo propaga ideias de que o valor do sujeito está relacionado ao seu poder de compra, e a criança é mais vulnerável a essa sedução. E podem aprender a construir relações a partir dessa ideia,” explica Alba.
Estímulo saudável
A diretora do Instituto Alana, Isabella Henriques, destaca que o prazer espontâneo de brincar e imaginar das crianças, essencial para o desenvolvimento intelectual e social, pode sofrer com a pressão da comunicação mercadológica. Ela aponta que brincadeiras criativas estão cada vez mais raras nas ruas, com isso, avalia que se perde a capacidade de colaborar, negociar e aprender com os colegas, afrouxando os laços comunitários.
Segundo Isabella, o estímulo ao consumo desenfreado também contribui para criar um desejo nunca satisfeito por produtos novos, e não o desejo pela brincadeira. “As crianças passam a ser instadas a consumir brinquedos e produtos diversos, sem que sejam estimuladas a brincar. Mais importante do que os brinquedos é a brincadeira”, diz.
Na mesma linha de pensamento acima, a psicóloga Alba Cristhiane reforça que a pressão pelo consumo também direciona o brincar da criança, que entende que o que é determinado pela propaganda é o melhor, o legal, o mais interessante. Ela explica que esse direcionamento para determinadas escolhas em detrimento de outras é entendido como um processo de canalização cultural na psicologia. “Essa canalização reduz o desenvolvimento daliberdade de escolha, da autonomia de pensamento”, acrescenta.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), crianças chegam a influenciar em 80% das compras totais da casa. Desta maneira, ela acaba sendo uma espécie de promotora de vendas no lar na medida em que o mercado, sabedor de seu potencial de influência perante os pais e responsáveis, anuncia diretamente a ela seus produtos e serviços. E um dos agentes que potencializa esse comportamento é a televisão.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Opinião Pública (IBOPE), revela o grau de exposição das crianças quando o assunto é a mídia televisiva. Segundo o estudo, as crianças brasileiras passam em média 5 horas por dia asssistindo  televisão. Um tempo que chega a ser, em grande parte dos casos, bem maior do que elas passam na escola.

Atividades e o bom diálogo
Para proteger a infância do perigos do consumismo, a diretora do Instituto Alana, Isabella Henriques, destaca que instruir as crianças sobre os riscos do consumo exagerado, estimular brincadeiras criativas, fazer atividades que não usem televisão ou internet; como cozinhar, jogar bola, ir a parques, podem ser dicas bacanas para a família estar mais próxima das crianças e tentar minimizar o contato delas com a publicidade. “Em vez de passar o sábado inteiro no shopping, por exemplo, incentivando o consumismo, a família pode buscar alternativas ao ar livre. Se a criança for condicionada a atrelar lazer a consumo, no futuro será mais difícil mudar esses valores”, explica.


Trabalho educativo

Por meio de determinadas publicidades, as crianças encontram um atalho para se sentirem inseridas socialmente e acabam imitando o comportamento dos adultos, aponta a doutora em Psicologia do Desenvolvimento, Alba Cristhiane Santana da Mata. Dessa maneira, segundo ela, pulam etapas da infância e da adolescência, prejudicando o seu desenvolvimento. Para evitar que isso aconteça, Alba destaca que os adultos são responsáveis por criar para a criança um ambiente que seja favorável para o desenvolvimento saudável.
“A família precisa redobrar a atenção, identificar, analisar e filtrar todas as informações a que as crianças têm acesso: TV aberta e fechada, internet, redes sociais, revistinhas infantis, rádio, todos esses meios de comunicação devem ser acompanhados pela família, para que seja analisado o tipo de visão que está sendo passada para as crianças. E promover reflexões conversando sobre o tema, orientando, ensinando uma visão crítica, mostrando que há alternativas.”, explica a psicóloga Alba Cristhiane.
As questões destacadas pela especialista são uma preocupação constante na casa da educadora Alline Apolo. Ela tem duas filhas, Isabella Sophia, de 10 anos, e Isadora Victoria, de 8. “Vejo brilho nos olhos delas quando veem propagandas de lugares de diversão, como a Disney, também brinquedos, roupas, celulares de última geração. Elas ficam ansiosas para adquirirem tudo”, diz Alline.
A educadora explica que em sua casa procura dialogar com as crianças sempre que surge um interesse em algum anúncio. “Conversamos, vemos se realmente é necessário naquele momento ou em outro, se há possibilidade de comprar, expondo a elas a realidade. Sendo assim, há entendimento. O diálogo entre pais e filhas, sincero e explicativo, não dá brechas para o consumismo ser o fator regente na minha família e sim o complemento das necessidades”, acrescenta.


Perigos para a saúde

O efeito do consumismo na saúde das crianças também tem sido um fator de grande impacto quando são estimulados padrões de consumo alimentares não saudáveis. Uma relação que é exemplificada a partir de levantamento feito pelo Instituto Alana, o qual mostra que as crianças de 2 a 7 anos assistem, em média, a 12 anúncios de alimentos por dia, e o número sobe para 21 entre as crianças de 8 a 12 anos. Do total, cerca de 50% das propagandas vistas por elas na televisão são de alimentos, sendo 34% de guloseimas e salgadinhos, 28% de cereais, 10% de fast food, 1% de sucos de fruta e nenhuma de frutas e legumes.
A diretora do Instituto Alana, Isabella Henriques, lembra que a obesidade tem várias causas, inclusive fatores genéticos, mas ressalta que a publicidade é um fator importante. “Sem dúvida, ela tem impacto na obesidade. O próprio mercado reconhece isso ao fazer acordos de autorregulação, em que as empresas dizem que não farão mais propaganda de alimentos não saudáveis para as crianças. Mas para o combate da obesidade de forma ampla, é necessária uma política maior, que toque na questão do acesso a alimentos mais saudáveis” acrescenta Isabella.

 

Ação social

  • PDF

Leia mais...Alunos e professores da Faculdade Sul-Americana ( FASAM) comemoraram no último mês o Dia da Responsabi­lidade Social. Este ano, os estudantes arrecadaram alimentos que foram destinados ao  Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA), unidade de saúde que é referência para o tratamento de doenças infecciosas e dermatológicas em Goiás.
A doação foi entregue no último dia 30 de setembro, pelo diretor administrativo e financeiro da FASAM, Ítalo Oliveira Castro, à diretora geral do HDT, a infectologista Anamaria Arruda. Ao todo, foram arrecadados 1.472 pacotes de gelatinas e 122 litros de leite. De acordo com Anamaria, os alimentos são bem vindos, pois ajudam a reforçar a dieta de pacientes dos ambulatórios.
De acordo com Ítalo Oliveira, a ação é uma forma da faculdade devolver à comunidade, na forma de serviços, um pouco da confiança depositada na instituição. “A ética,  a transparência e a promoção dos direitos humanos e da cidadania estão no DNA da Faculdade Sul-Americana”, destacou o diretor administrativo da instituição.
Além da infectologia Anamaria Arruda, estiveram presentes no momento da doação, e que também destacaram a importância da ação, o diretor administrativo do HDT, Leandro Soares; o diretor executivo, Carlos Oliveira; a diretora de Ensino e Pesquisa, Ledice Pereira; a gerente médica Ana Alzira Nobre; a assistente social Rosa Elita da Silva e a nutricionista Wanessa Braga.


Serviços para a comunidade

 

Iniciativa da Associação Brasileira das Mantene­do­ras de Ensino Superior – ABMES, o  Dia da Responsabilidade Social,  comemorado este ano em 19 de setembro, foi instituído em 2006. Desde a primeira edição, prestou mais de quatro milhões de atendimentos através da participação de 1.100 faculdades e universidades em todo o Brasil. O objetivo da iniciativa é integrar a comunidade acadêmica e a população através de  ações que promovam a cidadania e o conhecimento.
Conduzido pelos alunos da FASAM, o evento proporciona atividades para todos os públicos e colocada à disposição da comunidade serviços gratuitos como aferição da pressão arterial e glicose, oficinas de fotografia, espaço infantil, assessoria jurídica, palestra sobre “Direção defensiva”, entre outras ações.

 

Cyberbullying, cyberstalking e redes sociais: os reflexos da perseguição

  • PDF

Leia mais...Com o uso crescente das tecnologias, aumenta na mesma proporção o número de indivíduos cada vez mais “conectados”. Um dos reflexos dessa inclusão digital em nosso país é a grande participação dos brasileiros nas redes sociais. Pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online2 constatou que as redes sociais congregam cerca de 29 milhões de brasileiros por mês, e que para cada quatro minutos na rede, os brasileiros dedicam um a atualizar seu perfil e bisbilhotar os amigos.

Mas qual será o impacto da utilização exacerbada da Internet para o contato social? Temos que ter em mente que os sites de relacionamento, assim como qualquer outra tecnologia, são neutros e seu uso pode ser positivo. Tudo depende da maneira como são utilizados.
Robert Weiss, sociólogo americano, afirma que existem dois tipos de solidão: a emocional e a social. Ele define a solidão emocional como o “sentimento de vazio e inquietação causado pela falta de relacionamentos profundos”, e a social como sendo o “sentimento de tédio e marginalidade causado pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma comunidade”.
Com base nessas definições, estudos demonstram que as redes sociais podem aplacar um pouco da solidão social, mas aumentam significativamente a solidão emocional. É como sentir-se solitário em meio a uma multidão. (E atualmente, a multidão é cada vez mais virtual...).
Através destas pesquisas e verificando-se o comportamento dos internautas, vemos que as amizades são cada vez mais numerosas, porém, mais superficiais. E a quantidade de laços fortes, cada vez menor. Sendo assim, constatamos que a Internet propicia o contato social, porém pode piorar a qualidade dos relacionamentos e gerar impactos psicossociais, dentre os quais destacamos o Cyberbullying e Cyberstalking.
O termo Cyberstalking vem do inglês stalk, que significa “caçada”, e consiste no uso das ferramentas tecnológicas com intuito de perseguir ou ameaçar uma pessoa. É a versão virtual do stalking, comportamento que envolve perseguição ou ameaças contra uma pessoa, de modo repetitivo, manifestadas através de: seguir a vítima em seus trajetos, aparecer repentinamente em seu local de trabalho ou em sua casa, efetuar ligações telefônicas inconvenientes, deixar mensagens ou objetos pelos locais onde a vítima circula, e até mesmo invadir sua propriedade.
Já Cyberbullying pode ser evidenciado pelo uso de instrumentos da web, tais como redes sociais e comunicadores instantâneos, para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de gerar constrangimentos psicossociais à vítima. Assim como o Cyberstalking, o Cyberbullying é intensificado pelo uso da Internet, principalmente pelas crianças e adolescentes, que são os principais alvos e agentes dessa prática.
O que fazer se constatada a prática de Cyberstalking ou de Cyberbullying? Armazenar sempre as provas eletrônicas (e-mails, SMS, fotos, recados deixados em redes sociais, publicações feitas em sites), mantendo sua integridade. Vale arquivar as capturas de tela dessas provas (“print-screen”), manter os e-mails originais e se necessário, dirigir-se até um Cartório de Notas a fim de lavrar uma Ata Notarial do conteúdo difamatório;  Registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia mais próxima; Buscar acompanhamento psicológico, se necessário.
Além das questões acima, procurar um advogado para verificar a necessidade de medidas extrajudiciais ou judiciais (notificação extrajudicial, representação criminal, instauração de inquérito policial, ação de indenização por danos morais e materiais, etc.). Nunca revidar às agressões. Lembre-se: “não faça justiça com o próprio mouse!”

Gisele Truzzi é advogada, especialista em Direito Digital e Direito Criminal, professora
do MBA Direito Digital do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG).

 

 
Banner
Voce esta aqui Escola