Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 30 - nº 1.494 Go­i­â­nia, 26 de julho a 01 de agosto de 2015
 
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Escola

Escola versus Violência

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Bernadete Silva, estudante de engenharia civil, 19 anos, já foi testemunha em um processo judicial por filmar uma briga entre colegas na escola em que estudava. Ela conta que estava no ensino fundamental, e possuía um blog que noticiava os últimos acontecimentos. “Na época, a vítima de agressão foi parar no hospital, eu e um amigo filmamos toda a confusão desde o início e publicamos na internet. O caso teve grande repercussão e marcou a minha adolescência”, lembra a estudante que mora na cidade de Goiânia.
Casos como o relatado pela universitária Bernadete Silva são cada vez mais comuns no Brasil. A publicação de vídeos entre alunos envolvidos em brigas já virou até rotina no maior site de compartilhamento de vídeos na internet, o Youtube. A plataforma chega a oferecer cerca de 200 mil resultados com cenas corriqueiras de brigas entre alunos e até envolvendo professores.
Segundo dados do Mapa da Violência de 2012, a escola é o quarto local onde há mais ocorrência de violência contra crianças e adolescentes entre zero e 19 anos. Em primeiro lugar, de acordo com a pesquisa, está a casa das vítimas, com o total de 64% dos casos. Na segunda posição aparecem as vias públicas, outros ambientes ficam em terceiro lugar e na quinta e última colocação, aparecem os bares.
De acordo com o levantamento,  dos 5 aos 9 anos de idade a violência entre colegas de escola chega a representar 50% das ocorrências de agressão no ambiente escolar. Já entre a faixa etária de 10 a 14 anos de idade, a ocorrência é de 61%, e dos 15 aos 19 chega a 20%, segundo aponta o estudos.
“A sociedade brasileira possui uma cultura de violência, por isso ela chega em todos os espaços públicos e privados”, explica a pedagoga, filósofa e mestre em Ciências da Religião, Suely Amado, que já desenvolveu pesquisa sobre violência no contexto escolar.
Para Suely, a violência é um comportamento complexo de se resolver, que  muitas vezes passa despercebido no cotidiano das pessoas e até em todos os espaços de educação. “Apenas o fato do professor reclamar de um aluno na frente dos colegas é um tipo violência”, esclarece a professora da PUC Goiás que possui pesquisas na área de psicologia da educação, formação de professores, teorias educacionais e filosofia da educação.

Mais violência
Ainda segundo o Mapa da Violência, as agressões por parte de pessoas da própria instituição, como professores, chega a alcançar 8% na faixa dos 5 aos 9 anos, 6% dos 10 aos 14 anos e 6% entre os de 15 e 19 anos.
Para o cientista social e mestre em Filosofia, Sílvio Costa, a violência está naturalizada pela sociedade, que, segundo ele, incentiva o comportamento violento através dos meios de comunicação, por exemplo. “Não é tão simples resolver o problema, em razão de não depender de uma única vontade. Por isso, a escola não deve ser exclusivamente responsável para combater a violência na sociedade”, alerta o professor da PUC-GO.


Agressão contra professor

 

 

Em uma pesquisa global que envolveu 34 países, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil aparece em primeiro lugar no ranking da violência contra professores. Cerca de 13% dos educadores ouvidos no país disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, a média mais alta, segundo a OCDE.
Em Goiânia, numa pesquisa de 2010, realizada em escolas da rede estadual, de autoria da doutora em Psi­co­logia e professora do Instituto Federal de Goiás (IFG), Maria Gondim da Cos­ta, 61% dos entrevistados admitiram ter sido vítimas de violência praticada por alunos, 92% dos professores disseram ter sofrido alguma violência verbal e 12% deles foram vítimas de violência física.
Por conta do alto índice de violência do ambiente escolar, a educadora Suelly Amado acredita que o professor necessita do auxílio de todos os profissionais da educação, como assistentes, diretores, secretários e principalmente dos psicopedagogos. “O professor já tem o desafio diário de trabalhar com a interdisciplinaridade e dar atenção aos 40 alunos na sala de aula, em casos de violência, ele ainda é obrigado a deixar o conteúdo em segundo plano, prejudicando o rendimento escolar de toda a turma”, aponta a especialista em violência.

O papel do psicopedagogo
O psicopedagogo é responsável pela identificação das dificuldades e dos transtornos de aprendizagem nas escolas, utilizando conhecimentos da psicologia e da antropologia para analisar o comportamento dos estudantes.
Mestre em educação e especialista em psicopedagogia, a professora e psicóloga Janete Carrer explica que “o profissional em psicopedagogia pode ajudar na metodologia de ensino que o professor utiliza dentro de sala de aula”, com o uso de matérias que mostrem o contraponto da cultura de violência que crianças, jovens e adultos estão expostos todos os dias. “O psicopedagogo pode auxiliar o educador na organização de debates, análise de filmes, desenhos, textos e gincanas para que alunos possam lidar com os desafios, frustrações e que estimule uma cultura de paz”, explica Carrer que leciona na PUC Goiás.


Como coibir os atos violentos na escola?

 

Os especialistas acreditam que os principais fatores que contribuem para o aumento da violência são: a baixa qualidade da educação recebida em casa, a falta de perspectiva em relação ao futuro profissional e principalmente a naturalização da violência pela sociedade.
Mestre em Educação, Janete Carrer acrescenta que “é necessário o envolvimento dos alunos em atividades como filmes, livros, textos, desenhos, teatro, músicas e gincanas, por exemplo, que  incentivem a cooperação e a solidariedade” ao invés da competição, com a finalidade de desmistificar a violência.
Falar sobre o assunto dentro da sala de aula é uma maneira de desenvolver momentos de reflexão e ajudar na conscientização dos alunos, apontam especialistas. Para colaborar com o tema, o Escola elencou algumas dicas que po­dem ser aplicadas pelo professor. Confira no quadro abaixo!


Debater é importante

 

 

Promover a conversa entre os alunos é um modo de alertar sobre os efeitos da violência. O bate-papo pode começar com o exemplo de um caso que ocorreu na escola.

Textos e livros

Uma boa opção é usar a temática da violência para a elaboração de textos. Assim, o professor pode visualizar a opinião e o ambiente em que os alunos vivenciam. Uma outra dica é recomendar livros que abordam o assunto.  

Eventos

Realização de gincanas que incentivem a cooperação ao invés da competição. Consiste em uma boa chance para a escola incentivar a solidariedade e o companheirismo entre o aluno e professor.    

Filme e desenhos

Um modo de expressão da sociedade capaz de mostrar a realidade cotidiana, a escolha de um bom filme ou desenho pode gerar o debate em sala de aula, além de ajudar no reconhecimento de problemas dos alunos.

 

 

 

 

O lixo sobre nós

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Leia mais...Toda criança, e até mesmo alguns adultos, já fizeram ao menos um pedido para aquela estrela cadente que aparece  no meio da noite. Mas e se esse suposto astro celeste, que realiza tantos desejos e sonhos, não for exatamente uma estrela? Acredite, a chance disso acontecer é bem maior do que você possa imaginar, pois, segundo uma estimativa da agência espacial americana (NASA), existem mais de 23 mil fragmentos de lixo espacial com mais de 10 centímetros, e que caem constantemente na superfície terrestre.

O lixo espacial que rodeia a órbita da Terra é composto por uma infinidade de objetos, como detritos de naves, tanques de combustíveis, lascas de tinta, satélites desativados, restos de mantas térmicas e foguetes, e até mesmo ferramentas perdidas por astronautas durante suas explorações espaciais. Todos esses detritos criam uma nuvem de objetos de diversos pesos e tamanhos, desde gramas até toneladas, como é o caso dos satélites.
Todo esse grande número de destroços flutuantes começou a ser formado em 1957, com o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial enviado ao espaço. Atualmente existem mais de 2800 satélites rondando nossas cabeças, segundo estimativas da Força Aérea americana, executando as mais variadas funções. E esse número tende a aumentar cada vez mais, e o grande problema nisso é que todo satélite tem um “prazo de validade”. Quando param de funcionar, a maioria é abandonada no espaço e se transforma em lixo espacial.

Perigos
O lixo espacial representa um grande perigo, mas não para quem está aqui embaixo, e sim para satélites ainda ativos e naves espaciais tripuladas no espaço. Os detritos podem produzir desde pequenos arranhões em espaçonaves, até tirar satélites da sua órbita normal ou ainda criar danos sérios à naves tripuladas, fazendo com que astronautas corram risco de morte, como retratado muito bem no filme Gravidade, em que uma astronauta luta pela sobrevivência depois que sua nave é atinginda por diversos pedaços de lixo espacial.
Para quem está firme e forte aqui na Terra o perigo também existe, mas em um grau bem menor. Desde o início da corrida espacial, foram registrados inúmeras quedas de detritos em diversas localidades, como Estados Unidos, Austrália, África, e até mesmo no Brasil. Mas na grande maioria das vezes, esses destroços são totalmente destruídos na reentrada da atmosfera terrestre. Além disso, as chances do lixo espacial cair no mar são muito grandes, pois os oceanos ocupam mais de 70% da Terra.
Mas o grande problema da super lotação de lixo no espaço, segundo pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é que esses detritos podem atrapalhar os diversos satélites na transmissão de dados, sinais de televisão, rádio e telefone, além dos equipamentos que fornecem informações sobre o clima e o meio ambiente. Caso esse cenário continue assim, podemos presenciar em alguns anos, na pior das hipóteses, um apagão informacional em nosso planeta.

Faxina espacial
A humanidade ainda não foi capaz de produzir um equipamento capaz de recolher todo o lixo espacial. A única solução viável até o momento é direcionar os satélites para as chamadas “órbitas-cemitério”, o que seria basicamente programar os satélites para seguir uma rota orbital distante da Terra assim que seu tempo útil se esgotasse.
Mas apesar disso, existem diversas ideias, algumas no mínimo utópicas, para realizar essa limpeza. Confira algumas delas:
Redes: Sistema de redes gigantes que formaria um cesto capaz de capturar os detritos e jogá-los em direção à atmosfera, para que sejam desintegrados.
Lasers: Instalar canhões de laser em alguns pontos estratégicos e disparar contra o lixo, para desviar sua órbita para mais perto do planeta. Com isso, o lixo queimaria até desaparecer.
Fios: Cabos condutores de cobre poderiam ser acoplados a satélites desativados para que eles pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra.
Espuma: Um painel de espuma seria colocado na rota dos detritos. Assim que os objetos passassem por ele, teriam sua velocidade reduzida, caindo de volta no planeta.
Braço: Uma espécie de nave não tripulada, guiada por radares e câmeras, seria equipada com braços robóticos para coletar os detritos.

 

 

Nova turnê

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Leia mais...O palco do Teatro Rio Vermelho recebe no próximo dia 29 de maio, sexta-feira, uma das mais belas vozes da música popular brasileira, Ana Carolina. A cantora, compositora, arranjadora, produtora, instrumentista e musicista, com 10 álbuns, seis DVDs e mais de cinco milhões de discos vendidos, trás para a capital goiana o show #AC, que vem com canções novas e também músicas já conhecidas pelo público. O show foi pensado e construído pela própria cantora, com direção de Monique Gardenberg. O trabalho mais recente, CD/DVD “#AC ao vivo”, saiu em três formatos – DVD, CD duplo em edição especial e CD com 14 faixas.


Agende-se

 

O quê? - Show da cantora Ana Carolina
Quando? -  Dia 29 de Maio, às 21h30
Onde? -  Teatro Rio Vermelho (Rua 4, nº1400, Centro)
Quanto? - 1º lote: R$ 300 (inteira/setor vip), R$ 240 (inteira/setor B) e R$ 180 (inteira/plateia superior)
Informação? - Teatro Rio Vermelho (62) 4052-0016


Produção

 

Audiovisual

De 25 a 31 de maio o Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro sedia a Mostra Goiás. O evento é promovido pela Escola de Comunicação e Coordenação de Arte e Cultura (CAC) da PUC Goiás em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia e o Centro Mun. de Cultura Goiânia Ouro, e consiste na exibição de uma série de vídeo-reportagens produzidas por alunos de jornalismo sobre manifestações artísticas e culturais do Estado de Goiás.
As produções são frutos do projeto “Mídia Experiência: Saberes e Riquezas Populares”, que é desenvolvido na PUC Goiás em conjunto com o Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Laboratório de Análises da Comunicação (Laicom) da Universidade Autônoma de Barcelona.


Programe-se

 

O quê? Mostra Goiás
Onde? Goiânia Ouro
Quando? De 25 a 31 de maio
Horários das exibições? 12h30, 15h e 20 horas.
Ingresso? R$ 2. Censura livre

 

Tecnologia: em qual você está?

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Estou ministrando um curso de formação em tecnologias sociais para jovens e, nas conversas que temos durante as aulas, fica muito clara a dualidade das tecnologias. Me refiro ao fato de a tecnologia ter dois lados: um positivo e outro negativo; um científico e outro social; um material e outro imaterial; um presencial e outro a distância e as­sim por diante. A internet, as mídias so­ciais, os dispositivos móveis, os games e ou­tras tantas tecnologias são bons exemplos disso.
A internet, ao mesmo tempo em que nos permite o acesso a um mundo cheio de novidades, informações, conhecimentos, entretenimento, também propicia diversos crimes. Bandidos e pessoas mal-intencionadas se aproveitam das facilidades, do acesso, da inocência ou descuido das pessoas para roubar, extorquir, praticar bullying, aliciar menores etc.
A mesma coisa acontece com as redes sociais, que nos colocam em contato com tantas pessoas, mas, ao mesmo tempo, nos tornam escravos, pois é preciso “curtir” o que seus amigos postam, compartilhar, estar atento o dia todo, ou melhor, o tempo todo, para não “perder” nada, nem ser ex­cluído. Você precisa participar dos grupos do Facebook, do LinkedIn, curtir as páginas, estar no Whatsapp, no Instagram etc.
Os dispositivos móveis são uma panaceia neste contexto, pois permitem que tudo isso seja feito de qualquer lugar, a qualquer momento, na palma da sua mão. Por outro lado, você fica sempre “no ar”, disponível, pois ninguém quer mais “largar”... desligar o aparelhinho.
É preciso que pais, educadores, psicólogos, empresas, governos e sociedade civil observem com mais atenção este fenômeno e vejam como isso vem afetando positiva e negativamente as pessoas. Em casa, é preciso regras para que haja tempo para tudo: fazer as lições escolares, curtir a família, participar das decisões e afazeres domésticos etc. E isso vale para pais, mães e filhos!
Na escola, é preciso que haja uma maior utilização dessas tecnologias para que professor e aluno se compreendam e se relacionem melhor, além, é claro, de criarem novas formas e roteiros de estudos facilitados pelas tecnologias, inclusive as móveis. Isso pode melhorar a interação dos alunos, seu interesse pela escola e pelos estudos, seus resultados, sua saúde e até mesmo sua psique.
No trabalho, é necessário compreender que há tempo para tudo e que tudo pode ter um novo lado. Em vez de ser considerado um vilão da produtividade, a internet, os dispositivos móveis, os games etc. podem ser aliados das organizações, dos projetos, dos profissionais e promover maior interação e comunicação entre pessoas, departamentos, clientes, parceiros etc..
Um dispositivo móvel, como um smartphone ou um tablet podem ser lupas digitais, assistentes virtuais, leitores de tela, GPS, conversores de mídias, meio de comunicação, de transmissão de dados, informações, documentos e conhecimentos. Pode ser uma agenda incrível, uma lanterna, uma plataforma de gestão de projetos, de interação e comunicação interna, de aprendizagem a distância e muito mais! O potencial para as pessoas, as escolas, as empresas e a sociedade é ilimitado.
Recentemente, li uma reportagem sobre uma nova tecnologia de holografia que permitiria às pessoas se comunicarem de qualquer lugar do mundo como se estivessem frente a frente. Outra tecnologia muito interessante é a de materialização do som, ou seja, cada objeto, imagem, paisagem, pessoa etc. pode ser transformado em resposta por áudio que se converte numa “massa” de energia, mas que pode ser tocada.
Voltando à dualidade, imagine seu uso na medicina, na visualização de tumores, cirurgias etc? Salvaria muitas vidas! Mas imagine também, este uso no meio corporativo, escolar, social? Também salvaria muitas vidas! Por exemplo, poderia oferecer às empresas a possibilidade de analisar novos produtos, tocando sua forma num protótipo de massa de energia gerada por som. Poderia, ainda, oferecer a um aluno cego a possibilidade de sentir as formas dos objetos, das paisagens.
Mas para saber usar as tecnologias a seu favor e a favor de uma sociedade melhor, é preciso estar pronto para isso. Você está? A grande maioria não está preparada. De qual lado da tecnologia você está? Sempre é possível contar com a ajuda de um profissional, como um consultor ou coach em novas tecnologias para novos fins e mudar o lado em que você está hoje.

Dolores Affonso é coach, palestrante, consultora, designer instrucional, professora e idealizadora do Congresso de Acessibilidade (www.congressodeacessibilidade.com ).

 

 
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