Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 28 - Nº 1.440 Go­i­â­nia, 13 a 19 de julho de 2014
 
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Escola

Calcular também é para meninas!

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O relatório da mais recente edição do Pisa (Programa Inter­nacional de Avaliação dos Estudantes), divulgado em 2012, mostra que, na maioria dos países os meninos tiveram uma melhor performance em matemática do que as meninas.
Em 38 dos 65 países que participaram do teste, a média de diferença no desempenho é de 11 pontos. Por outro lado, o desempenho das meninas em leitura é mais satisfatório do que dos meninos na maior parte dos casos.
Mesmo em países que ocuparam as colocações mais altas no ranking de notas gerais, os alunos que tiveram os piores resultados em leitura eram, em sua maioria, do sexo masculino.
Considerado um Enem internacional e coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Pisa é uma iniciativa que avalia alunos de 15 anos, idade em que supõe-se, na maioria dos países, que o estudante tenha completado a escolaridade básica obrigatória.
A prova é aplicada a cada três anos e testa habilidades e competência dos alunos em três áreas essenciais: leitura, matemática e ciências.
Esta tendência de afinidade por determinada área do conhecimento de acordo com o gênero, acaba refletindo nos cursos de graduação e na escolha da profissão.
Dados do vestibular de 2013 do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), por exemplo, mostram que apenas 8% dos aprovados são mulheres.
O ITA, uma renomada instituição na área de tecnologia, tem todos os seus cursos de graduação ligados à área de engenharia e tem um dos vestibulares mais concorridos do país.
Criado em 1950, a escola só passou a aceitar mulheres a partir de 1996. No ano passado, dos 507 alunos matriculados, apenas 41 eram do sexo feminino.
Porém, essa diferença não é exclusividade do ITA. A professora Suzi Rocha, formada em matemática, hoje ensina geometria na rede estadual de ensino.
Ela admite que na faculdade convivia com uma maioria de colegas homens. “Por influência de uma cultura existente em nosso país, as mulheres tendem a procurar cursos nas áreas de humanas, enquanto os homens procuram pelas áreas de exatas, em vista de um maior sucesso financeiro”.

Motivos
Apesar desta preocupante divisão de áreas de conhecimento por gênero, esses dados podem camuflar outras realidades. De acordo com os números da OCDE, as diferenças de resultados dentro de cada gênero são bem maiores do que entre eles.
Além disso, os números variam bastante de um país para outro, o que sugere que a 'facilidade' ou 'dificuldade' em disciplinas escolares não são inerentes, mas adquiridas e ligadas a fatores sociais.
A professora Suzi não descarta ainda importância do incentivo, afirmando que sempre procura realizar atividades mais interativas com os estudantes nas aulas de matemática e geometria. “Sem esse estímulo a mais, com certeza os alunos não seriam tão interessados”.

 


 

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 Android Smart Girls

Percebendo a importância de incentivar o interesse das meninas por áreas ligadas à ciência, tecnologia e matemática, a Women in Engineering (WIE), uma organização mundial que realiza projetos em várias partes do mundo, encoraja mulheres nos ambientes escolar, universitário e profissional a alcançarem sucesso em carreiras ligadas à área de exatas.
No Brasil, a entidade mantém uma representação na Universidade de Campinas (Unicamp) e um dos projetos do grupo é o Android Smart Girls.
A iniciativa surgiu com o objetivo de proporcionar a alunas de Ensino Médio um primeiro contato com noções de lógica de programação de algoritmos para o desenvolvimento de aplicativos para smartphones na plataforma Androide.
Coordenadora do projeto, a professora do Instituto de Computação da Unicamp, Juliana Borin, reconhece que o número de garotas que se interessam pelas áreas de ciências e tecnologia hoje ainda é muito baixo.
Por isso, ela acredita que são necessárias realizar ações que alcancem as escolas. “Trabalhando com alunas do Ensino Médio, percebemos que a aceitação é muito maior e conseguimos desconstruir o mito de que a área tecnológica é complicada ou desinteressante, despertando o interesse das meninas para um futuro curso superior na área”.

Aplicativos
A primeira turma do Android Smart Girls é composta por 12 alunas do Ensino Médio da Escola Estadual Hilton Federeci, em Campinas, que, em um primeiro momento, terão aulas com professores voluntários para aprenderem a utilizar a ferramenta chamada MIT App Inventor, para desenvolver os aplicativos.
A partir do segundo semestre, as alunas que concluírem o curso formarão equipes para desenvolver aplicativos de sua escolha, que, futuramente, poderão ser submetidos a competições nacionais e internacionais.


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O estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Eco­nômico (OECD) mostra ainda que o perfil do estudante com as maiores notas em matemática tem facilidade em lidar com muita informação, tem aprendizado rápido e conseguem ligar fatos e buscar explicações e soluções para um problema.
Já estudantes com baixa autoestima estão mais propensos a desenvolver certo tipo de ansiedade em relação à matemática. Por isso, o apoio e incentivo da escola e da família são fundamentais para romper esta barreira.
Isso é comprovado no dia a dia da professora Suzi Rocha. “Em minha época de Ensino Fundamental, tinha muitas dificuldades com exatas, mas sempre recebi muito incentivo e apoio da minha família, principalmente minha mãe. Hoje, vejo em meus alunos que aqueles mais dedicados e com melhor estrutura em casa, aprendem melhor e têm as melhores notas, não apenas em matemática, mas em todas as matérias”, ela completa.
Os resultados do PISA mostram que mesmo garotas com performance tão boa quanto a dos garotos, tendem a mostrar menos confiança em suas próprias habilidades, abertura menor para a resolução de problemas e maior ansiedade em relação à matemática e 35% das garotas afirmaram se sentirem incapazes ao resolver um problema matemático.

Jogos de guerra
Uma das propostas do projeto Android Smart Girls é proporcionar um ambiente mais amigável para que garotas possam desenvolver o gosto pela área de exatas.
De acordo com a própria justificativa do projeto, de uma forma geral, atividades desenvolvidas para estimular jovens a se interessarem por computação e engenharia sugerem atividades como desenvolvimento de jogos de guerra e/ou robôs, que nem sempre despertam o interesse das meninas.
E as poucas que se interessam encontram um ambiente predominantemente masculino. “Em uma situação como essa”, segundo a coordenadora do projeto Juliana Borin, “o aprendizado de conceitos básicos de lógica e programação, por exemplo, pode ser extremamente prejudicado, devido à intimidação que pode ser sentida nesse ambiente, levando as meninas a perderem o interesse”.


Demanda do mercado

A falta de profissionais mulheres  em áreas de desenvolvimento tecnológico já é sentida pelo mercado de trabalho.
Das dez maiores empresas do setor de Tecnologia da Informação, por exemplo, apenas duas são comandadas por mulheres: Virgínia Rometty, da IBM, e Meg Whitman da Hewlett-Packard (HP).
No Brasil, a presença feminina ainda é baixa em todos os escalões desse tipo de empresa. Segundo dados do IBGE de 2010, de 520 mil pessoas que atuam no setor, apenas um quarto são mulheres.
Para a professora do Instituto de Computação da Unicamp, Juliana Borin, as empresas tem mostrado interesse em reverter esse quadro. “Grandes empresas deste ramo, como o Google e a Mi­cro­so­ft, têm programas para inc­entivar garotas, ainda em idade escolar, para que se interessem pela área, pois têm consciência de que um ambiente de trabalho com maior diversidade é mais criativo e tem um melhor rendimento”.

Mais detalhistas
Já para a professora de matemática Suzi Rocha, essa demanda do mercado tem sido um incentivo a mais para as garotas. “O vasto campo profissional para a área ainda é pouco explorado por mulheres, o que tem atraído mais e mais garotas para os cursos de exatas. Além disso,” ela completa, “os empregadores as veem com bons olhos no momento da contratação, por serem mais detalhistas ao executarem suas funções.”


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Entre os países da OEDC, segundo
o Pisa 2012, foi constatado que:

a 47% dos estudantes mostraram intenção de graduar-se em algum curso na área de exatas

a 63% dos garotos demonstraram interesse em ter aulas extras de matemática. Entre as garotas, a porcentagem é de 51%

a Em media, 38% das garotas planejam seguir carreira em uma área que envolva muita matemática. Entre os meninos, a porcentagem é de 53%

a 15% dos garotos e 11% das garotas atingiram os níveis mais altos de proficiência no teste de matemáticaLeia mais...


 

 

 

 

 

 

Jovens no Parlamento

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Qual o Ensino Médio que queremos? A chance de discutir a questão em um âmbito internacional, é o que proporciona o projeto Parlamento Juvenil do Mercosul (PJM), a seus participantes.
A iniciativa, que já está em sua terceira edição, seleciona estudantes dos países que integram o bloco - Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela - para compor discussões na área de educação.
Os representantes, estudantes do Ensino Médio da rede pública, com idades entre 14 e 17 anos são escolhidos através do processo de seleção em seu próprio país e terão um “mandato” de dois anos, durante os quais participarão de encontros para a discussão sobre formação política e cidadã, bem como inclusão educativa, gênero, jovens e trabalho e direitos humanos, tudo isso ligado ao contexto do Ensino Médio.
O estudante Gustavo Medrado, de Uberlândia (MG), selecionado para o projeto em 2012, quando tinha 15 anos, defende a importância da iniciativa para sua formação. “Política era coisa de outro mundo, não me interessava. Agora, tenho uma visão muito mais ampla sobre direitos e deveres dos cidadãos”. Hoje, com 17 anos, o estudante já está na universidade, cursando Comunicação Social.


 

Ainda dá tempo de participar

Estudantes interessados em representar Goiás na terceira edição do PMJ, referente ao período entre 2014 e 2016, devem redigir uma carta argumentativa com o tema “Formação política e cidadã da juventude no ambiente escolar” e enviá-la até o dia 12 de maio para o e-mail politicaspublicasjuventude@se­duc.go.gov.br .
A carta argumentativa deve ser digitada e conter entre 20 e 30 linhas. Além da produção, os candidatos devem escrever uma justificativa de próprio punho, de no máximo 10 linhas, apresentando os motivos de seu interesse em participar do projeto.
Lembrando que para concorrer, o aluno deve estar no 1º ou 2º ano do Ensino Médio e ter idade entre 14 e 17 anos. Serão selecionados três alunos de cada estado brasileiro e do Distrito Federal para participar da etapa nacional, que acontece no mês de junho, na cidade de Vitória, no Espírito Santo.
Nesta etapa, um representante de cada estado será escolhido para um “mandado” de dois anos, durante os quais participará de encontros com outros países para discutir ações de integração e formular propostas que contribuam com a melhoria do Ensino Médio.
Despesas com passagens aéreas, hospedagem e alimentação para a etapa nacional do projeto serão custeadas pelo Ministério da Educação. Mais informações nos telefones (62) 3201-3244/3221



 

 

 

Comédia a dois

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Zeca e Fernanda deram um grande passo em seu relacionamento quando decidiram morar juntos. Em seu primeiro Dia dos Namorados desde que resolveram dividir o mesmo teto, um pequeno incidente faz com que eles fiquem presos no banheiro, onde são obrigados a passar a noite.
Na mesma noite, outros contratempos surpreendentes prometem divertir a plateia. O espetáculo “Enfim nós”, estrelado pelos globais Maria Clara Guei­ros e Ricardo Tozzi, é uma comédia romântica que coloca em cena discussões e dilemas que todo casal enfrenta. Mas aqui, eles são apresentados com uma boa dose de bom humor.
O texto de Bruno Mazzeo e Cláudio Torres traz diálogos sobre sentimentos, ciúmes, cobrança, manias e, é claro, amor.
Em cartaz há oito anos, a peça já cumpriu temporadas em vários espaços do Rio de Janeiro e em São Paulo e,  depois de uma turnê por mais de 80 cidades, agora chega a Goiânia.
A montagem atual conta com as vozes em off de Luciano Huck, Heloísa Perissé e Leandro Hassum.

Zeca e Fernanda deram um grande passo em seu relacionamento quando decidiram morar juntos. Em seu primeiro Dia dos Namorados desde que resolveram dividir o mesmo teto, um pequeno incidente faz com que eles fiquem presos no banheiro, onde são obrigados a passar a noite.
Na mesma noite, outros contratempos surpreendentes prometem divertir a plateia. O espetáculo “Enfim nós”, estrelado pelos globais Maria Clara Guei­ros e Ricardo Tozzi, é uma comédia romântica que coloca em cena discussões e dilemas que todo casal enfrenta. Mas aqui, eles são apresentados com uma boa dose de bom humor.
O texto de Bruno Mazzeo e Cláudio Torres traz diálogos sobre sentimentos, ciúmes, cobrança, manias e, é claro, amor.
Em cartaz há oito anos, a peça já cumpriu temporadas em vários espaços do Rio de Janeiro e em São Paulo e,  depois de uma turnê por mais de 80 cidades, agora chega a Goiânia.
A montagem atual conta com as vozes em off de Luciano Huck, Heloísa Perissé e Leandro Hassum.


Agende-se

 

O quê – Espetáculo Enfim nós
Quando? - Sexta, 16, às 20h. Sábado, 17, às 21h, e domingo, 18, às 20h
Onde? - Teatro da PUC (Jardim Goiás)
Ingressos: R$100 (inteira) e R$50 (meia)
Pontos de venda: Komiketo Sanduicheria (Av. T-4 e Goiânia Shopping) e bilheteria do teatro


Teatro

 

Comédia

 No próximo final de semana, a trupe do Terça Insana também retorna a Goiânia. Desta feita para apresentar seu mais novo espetáculo: “Adiós, Amigos!”. O palco escolhido foi o Teatro Madre Esperança Garrido. No dia 17, às 21 horas, e no dia 18, às 20 horas. Ingressos a R$70 (inteira) e R$35 (meia). Outras informações: (62) 3212-3531.


 

 

A narrativa de Gabriel García Márquez

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A força narrativa de García Márquez se esconde e se revela em um binômio indissociável, próprio da verdadeira literatura quando esta agrega uma boa história a uma forma diferenciada de narrar.
O livro “Cem anos de Solidão” alcança esse binômio com a perfeição expressa no tempo predestinado à saga familiar dos Buendia e à leitura dos misteriosos pergaminhos intraduzíveis.
As peripécias dessa família se desenrolam diante dos leitores ao mesmo tempo em que são apresentados certos pergaminhos indecifráveis, trazidos pelo cigano Melquiades.
Esses manuscritos passam de mãos em mãos ao longo do romance, são textos em busca de quem queira e possa decifrá-los. Entretanto, somente nas últimas páginas do romance o sentido desses escritos será revelado.
No tempo da leitura dos pergaminhos, realizada pelo último representante da família Buendia, descobrimo-nos submersos em uma aura de fatalidade, pois entendemos que uma verdade final se anuncia e se impõe.
Será permitido habitar Macondo pelo tempo determinado na velocidade da nossa própria leitura e, assim, conviver com Aurelianos e Josés Arcadios, sofrer com os amores e os ciúmes de Rebeca ou Amaranta, deleitar-nos com a praticidade estarrecedora da matriarca Úrsula Buendia e da objetividade visionária do alquimista e patriarca José Arcádio Buendia.
Com assombro observamos a aparição do gelo, do imã ou da fotografia e, por outro lado, desprovidos de total espanto vemos ascender aos céus, Remédios, a bela – já convencidos pela lógica da causalidade interna do romance que tal corpo ofuscante deveria, verdadeiramente, retornar a sua condição celestial.
Paralelos a este e a outros acontecimentos maravilhosos, muitos momentos da história latino-americana estão metaforizados nessa proposta de cosmogonia, realizada em Cem anos de solidão.
Nesse sentido, a fundação mítica de Macondo também assume os aspectos de uma fundação histórica, a releitura e a conseqüente re-escritura da História faz parte de um grande diálogo entre diferentes textos que se multiplicam em sentidos críticos.   
Encantamento e espanto diante das coisas mais cotidianas e naturalidade diante das maravilhas: por estas veredas se constrói o mosaico narrativo de García Márquez que parece retornar sempre a uma mesma questão: ao poder da palavra, seja ela escrita ou simplesmente dita.
Os falares literários e populares compõem os desdobramentos da ficção e sugerem uma leitura que caminha em uma espiral de referências. Ora as cidades tornam-se palavras e podem ser lidas até que se consumam, ora a narrativa histórica é palavra e pode reinventar criticamente o passado.
E, tantas vezes, o amor faz-se verbo, começando e terminando no desejo de possuir as palavras, do outro, de nós mesmos.


Ana Lúcia Trevisan é doutora em Letras, professora do programa de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas Estrangeiras Modernas, atuando principalmente nos seguintes temas: Literatura Comparada, Narrativa Hispano-Americana Contemporânea, Discurso Histórico e Discurso Literário, Fronteiras e Identidades Culturais

 

 
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