Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 30 - Nº 1.471 Go­i­â­nia, 22 a 28 de JANEIROde 2015
 
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Escola

Por que a evasão do Ensino Médio não para de crescer?

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Leia mais...O escritor carioca Carlos Heitor Cony, integrante da Academia Brasileira de Letras, declarou que, aos 20 anos, sabia latim e era capaz de recitar trechos inteiros do Pro Milone, de Cícero, mas que era incompetente nas coisas práticas e necessárias. Ele não sabia sequer tomar um bonde.
O relato de Cony levou-me a refletir sobre a função social do Ensino Médio nas escolas brasileiras, em um momento em que são nos apresentados dados que indicam a evasão dos alunos neste nível de ensino. Há debates que propõem princípios, fundamentos e procedimentos a serem considerados na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar, objetivando a vinculação da educação escolar com o mundo do trabalho e a prática social, consolidando o exercício da cidadania e proporcionando a preparação básica para o trabalho.
Diante dos encaminhamentos propostos, parece-nos que os conteúdos curriculares devem estabelecer a relação entre teoria e prática por meio de situações próximas à realidade do aluno, a fim de que a aplicação dos conhecimentos adquiridos na escola permita a compreensão crítica e a revisão das situações da vida cotidiana. Todavia, quando nos aproximamos da maioria de nossos alunos e, sensivelmente, ouvimos suas vozes interiores, escutamos uma queixa muito semelhante ao lamento de Cony.
Nossos jovens, geralmente, não conseguem fazer conexões entre o saber escolar e o exercício prático desse conhecimento. Esse é, a meu ver, um fator fundamental, dentre outros, que justifica a evasão dos alunos. Falha deles? Penso que não. Problemas complexos exigem reflexões não lineares e abertas. É preciso olhar para todo o contexto e buscar possibilidades.
Culpar somente os alunos é uma atitude reducionista. Disse Bertolt Brecht: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Da mesma forma, dizer da incapacidade, desmotivação, desencanto e desinteresse dos jovens com relação à escola é ignorar todo o entorno sociocultural que, intercambiando com o sujeito, o constrói. Olhemos para os fazeres pedagógicos, para as inferências didáticas, para o discurso e postura educativa, para a organização do ambiente escolar, para a forma com que agrupamos os alunos, para os conteúdos que elencamos como fundamentais, para as avaliações que organizamos. Não seriam, também, responsáveis pela evasão dos jovens?
Vamos mais longe. Atualmente, em nosso País, existe fraca relação entre a conclusão da escolaridade e a inclusão no mundo do trabalho. Os sucessos sociais e profissionais estão diretamente relacionados com os saberes conquistados na escola? O que fazer? Nesse caso, manual de instruções não existe. Cabe-nos, como educadores, procurar caminhos de conexão entre o que ensinamos e o que faz sentido para o aluno e para a vida.
Tarefa fácil? Evidentemente que não. Aliás, muito difícil. No entanto, é possível, para aqueles que acreditam nas pessoas e têm como eixo balizador de sua vida a educação como ato social de mudança do mundo. Este é o desafio; afinal, o ato educativo é uma prática política que requer muita reflexão e coragem, já que no seu âmago reside a esperança da transformação. Transformação para quê? Para os alunos não ficarem assustados e confusos, na hora de tomar o bonde, ou pior, decidam pular dele porque não sabem para onde vai.
 
* Francisca Paris é pedagoga, mestre em Educação e diretora de serviços educacionais da Saraiva

 

Apoio necessário

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Escolher uma profissão para seguir é um desafio que os jovens têm enfrentado cada vez mais cedo. E muitos ainda não estão preparados, não possuem maturidade suficiente frente a uma escolha tão importante, normalmente carregada de uma ideia de que  deverá ser “para a vida toda”. Em função disso, é fundamental que os jovens recebam apoio em um momento que exige muito deles.
A família e a escola podem ajudar muito na tomada de decisão, fornecendo orientações, tirando dúvidas e deixando os jovens confortáveis para escolher seu próprio caminho, e exclarecendo que a escolha não precisa ser para sempre. Afinal, todo o apoio nessa hora é válido, pois as universidades estão cheias de jovens insatisfeitos com seus cursos, mas que muitas vezes não têm coragem para mudar.
Para ajudar nas discussões em torno do tema, esta edição do Escola traz matéria abordando a questão. O texto, assinado pela repórter Hariane Rodrigues, traz a opinião de especialistas e um pouco da história de persistência da jovem Nádilla Alves, que chegou a cursar dois cursos diferentes até começar a fazer o que realmente gosta.  Boa Leitura!

 

O “pai do videogame”

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Leia mais...Os modernos videogames conhecidos hoje pelo mundo tiveram seu início em 1972, quando o engenheiro alemão Ralph Baer inventou um aparelho chamado de “Brown Box”.  Apelidado de Caixa Marrom, o equipamento é considerado o primeiro console doméstico lançado no mercado, que mais tarde ganhou o nome de Magnavox Odyssey. Sua criação foi aperfeiçoada e hoje os videogames contam com os melhores recursos tecnológicos para proporcionar ao usuário uma melhor experiência no universo dos jogos, mas o legado de Baer permanece.

Falecido no último dia 6 de dezembro, aos 92 anos de idade, o pai do videogame era engenheiro, nasceu na Alemanha, mas em 1938 mudou-se com a família para os Estados Unidos. Nesse mesmo período, Baer conseguiu um emprego em uma indústria de eletrônicos e foi designado a criar um novo aparelho de TV, mas ele não queria apenas desenvolver algo para assistir à programação da televisão, a ideia era que a TV tivesse recursos interativos, como jogos eletrônicos. Foi a partir de então que surgiu sua ideia revolucionária.
Junto com outros três engenheiros, Bill Harrison, Bob Tremblay e Bill Rusch, ele conseguiu fazer com que dois pontos em uma tela pudessem ser controlados de maneiras distintas. A partir dessa criação, por volta de 1966 surgiu o primeiro protótipo da Brown Box, mas na época o invento não agradou seus patrões e Baer teve que mudar de emprego. Desempregado, mas com a Brown Box nas mãos, o engenheiro procurou as principais companhias de eletrônicos da época para transformar sua invenção em um produto com potencial mercadológico. Foi quando Bill Enders, com quem Baer já havia trabalhado, se interessou em fechar o negócio e licenciar em 1972 o primeiro console de videogame, que, aliás, é bem diferente do que se vê hoje em dia. O aparelho era robusto, com uma ranhura para introduzir os cartões que continham o software de cada jogo.
O negócio deu certo e até o Natal daquele ano haviam sido vendidas 130 mil unidades. Em 1975 os índices mostraram que esse número mais que dobrou, chegando a 330 mil equipamentos vendidos. Um dos jogos mais famosos naquela época era um jogo no estilo do Pong (jogo em duas dimensões que simula um tênis de mesa ), que foi lançado três anos depois pela Atari e que ficou mais conhecido que o Odyssey. Por entender que se tratava de uma violação de Patente, a Sanders Associates e a Magnavox processaram e ganharam da Atari, recebendo US$ 700 mil de indenização.

Evolução
Ao longo de sua vida, o pai do videogame registrou 50 patentes nos Estados Unidos e outras 100 em todo mundo. “Para mim, ter ideias novas e transformá-las em produtos reais foi sempre tão natural quanto respirar", escreveu Baer em sua autobiografia, "Videogames: In the beginning", publicada em 2005. Um ano mais tarde o criador dos consoles decidiu doar seus protótipos e a documentação dos inventos ao instituto cultural Smithsonian de Washington e foi condecorado pelo então presidente George W. Bush com a Medalha Nacional da Ciência e Tecnologia por sua contribuição ao setor.


Homenagens

Com a morte de Baer, os criadores dos games manifestaram a perda. Ken Levine, desenvolvedor de Bioshock (videogame em primeira pessoa), despediu-se assim: “Conheci Ralph Baer uma vez na Video Games Live. Parecia muito orgulhoso do que havia obtido. Fico feliz de que tenha podido ver como [o setor dos games] cresceu”. Tim Schafer, um dos criadores do Monkey Island e gênio da Lucas Arts, foi mais breve: “RIP Ralph Baer. Obrigado por TUDO”.
Outras personalidades também se despediram de Baer com discursos de pioneirismo e agradecimento pelo feito, como Raúl Rubio, chefe da empresa Tequila Works, que trabalha em um dos jogos mais esperados do PlayStation 4 (Rime) e  Iván Lobo, presidente da Academia de Artes e Ciências Interativas e do Gamelab.


Caixa Marrom

O invento de Baer fazia jus ao apelido. Era uma caixa marrom feita de madeira escura. Na parte da frente tinham vários botões seletores que dependendo da posição criavam a impressão de que trazia vários jogos. Os controles também eram caixas marrons menores, que tinham os botões de movimentação vertical, horizontal e diagonal. Na época o aparelho foi bem aceito pela crítica que passou a chamar de “produto misterioso”. Segundo artigo da Ars Technica, o objetivo desse videogame era ter um apelo universal, unindo a família e criando entretenimento interativo com um dispositivo passivo.

 

 

No ritmo do aprendizado

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Leia mais...A além de formar músicos profissionais e especialistas na área, a educação musical é vista por educadores como uma ferramenta pedagógica que auxilia no desenvolvimento cultural, psicomotor, e também colabora com a socialização de crianças e jovens. De acordo com Robervaldo Linhares Rosa, mestre em música e coordenador da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás EMAC/UFG, a educação musical é parte importante da educação e uma área do conhecimento que contribui significativamente para a formação humana.

O professor destaca que a educação musical tem a capacidade de melhorar a condição humana em vários aspectos, e que ela contribui também para que as pessoas possam reavaliar de maneira crítica determinados conceitos sociais. “A educação musical transforma a pessoa, além de ser um instrumento de inclusão social e cultural. Por isso é importante levar a música para a sala de aula”, acrescenta.
No âmbito da formação acadêmica, Robervaldo explica que o ensino na área musical propõe a formação de um profissional que seja educador e que compreenda a música como parte integrante de uma formação mais ampla, que vise não somente ao estudo da música em si, mas à formação social que as atividades musicais proporcionam para os estudantes da arte.
A educadora Eliane Leão, que é professora de música e doutora em Educação, destaca que o trabalho musical ajuda a melhorar a qualidade de vida da criança, trazendo benefícios ao seu processo de alfabetização e raciocínio. “Existe uma disciplina que se chama Desenvolvimento Cognitivo Musical, que comprova os efeitos da música no desenvolvimento cognitivo das crianças. A criança que, além de escutar a música, vivencia essa arte, desenvolve a capacidade de criar melodias mesmo antes da fala. Também tem mais controle rítmico”, comenta.
Eliane explica que a capacidade de percepção da criança que leva à atenção é ativada através da educação musical. E que o ensino de música facilita o desenvolvimento dos talentos naturais, por isso é importante que a arte e sua técnica sejam trabalhadas desde a mais tenra infância. “Ainda bem que agora é obrigatório o ensino de música, como disciplina, nas escolas”, lembra a educadora.

Habilidades e Benefícios
Para quem estuda a música desde cedo, a educadora Eliane Leão ressalta uma série de benefícios que, segundo ela, a disciplina proporciona para as crianças. “Envolvimento em grupo, audição com compreensão, criatividade, respeito ao outro, solidariedade, participação em sociedade, aumento de autoestima e recuperação de várias deficiências de desenvolvimento”.
Além de estimular e melhorar a socialização, a educação musical também é uma importante aliada no processo de alfabetização e na relação do raciocínio musical com o raciocínio lógico. “Na musicoterapia e nas aulas de música para crianças especiais, por exemplo, observamos melhoras nas expressões verbais, corporais, gestuais e faciais. A música tem sido ensinada em ambiente de interdisciplinaridade, com planejamento educacional em que se respeita a relação da música com o ensino de outras disciplinas”, conta Eliane Leão.
Entre a gama de benefícios, também há um consenso de que o contato com a área musical ajuda a criança a ser mais paciente e persistente. O que, segundo a doutora em Educação, ocorre através da utilização de conhecimentos específicos, como exercícios de capacidade (que consiste no ensino de repertórios) e atividades mentais em profundidade. “Tocar um repertório envolve memória e conhecimento desse repertório, onde todos os fenômenos musicais podem ser explicados cientificamente, então é possível afirmar que a persistência e a paciência são campos trabalhados”, explica Eliane Leão.


Qualidade de vida

Leia mais...A musicoterapeuta Donária Netto, que trabalha o ensino de música com crianças desde os primeiros meses de vida, acredita que o ensino musical tem um dos papeis mais fundamentais no campo das artes, que é trabalhar o aspecto emocional dos pequenos. “A música pode tornar não só a criança, mas também o adulto mais sensível. E precisamos de pessoas mais sensíveis, vivemos em um mundo com tantos aspectos cruéis, com pessoas capitalistas e que só pensam em competir umas com as outras... Nós precisamos inverter tudo isso e apostar em um ser humano mais humano”, acredita Donária, que dá aulas de música na Clap Educação Musical, em Goiânia.
Além da coordenação motora, interação, a música também pode ser trabalhada para estimular a memória. “A partir dos oito meses de vida da criança, aqui na Clap nós já desenvolvemos trabalhos que estimulam a memória, concentração, fala e gestos. A nossa preocupação maior é a qualidade de vida para o desenvolvimento físico e mental”, explica Donária Netto.
De acordo com a musicoterapeuta, a música na educação infantil é uma verdadeira fonte de diversão, descontração e estímulos sensoriais, por isso pode ser trabalhada desde cedo. Mas e quanto ao aprendizado nessa faixa etária? “A idade não é algo que define o aprendizado da criança. Ela tem o tempo dela”, explica Donária. E finaliza dizendo que “o emocional é muito bem tratado através da música, que sensibiliza muito mais do que todas as outras artes. A música é benéfica para compensar o desequilíbrio do aluno no dia a dia.”, diz.
Universo adolescente
A musicoterapeuta Donária Netto lembra que em meio à “montanha-russa de sentimentos da adolescência”, o trabalho musical com os jovens entre 12 e 18 anos também se mostra essencial para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e, principalmente, emocionais. Isso porque, nessa idade, os adolescentes vivenciam um momento peculiar, cheio de dúvidas e muitas descobertas, destaca ela. “É nesse momento de relações intensas com o mundo que a música pode ajudar a organizar o caos psicológico”,  acrescenta Donária.


Construção de sentidos

Leia mais...A doutora em Educação e professora de música, Eliane Leão, explica que crianças e adultos constroem o conhecimento musical - que é cumulativo em controle corporal e em conteúdo em níveis progressivos. E todos esses sistemas gerados pelo uso dos conhecimentos musicais são úteis para serem usados em aprendizagem de outros conteúdos, segundo ela. “Veja que se a criança ou o adulto estão ocupados com a produção e a vivência musical, se mantêm saudáveis, bem ajustados, emocionalmente equilibrados, envolvidos com os processos que a produção e criação requerem. Se estes fatores levam ao equilíbrio, pode-se dizer que a música promove a saúde”, conclui. E destaca: “A música tem linguagem própria na sua estrutura, com seus conceitos específicos e seus elementos de área que a diferencia de outras disciplinas. Falo para os meus alunos que a música é o melhor psiquiatra ou psicólogo de cada um pode ter”, brinca a educadora.

 
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