Como antecipado por esta Tribuna há quase um mês, o senador Demóstenes Torres anunciou na segunda-feira, 13, que não pretende se candidatar à prefeitura de Goiânia. A decisão, segundo o senador, se deve a um chamado nacional do DEM. “Praticamente fui concitado a ficar em Brasília”, afirmou.
Mais que um alívio ao projeto de reeleição de Paulo Garcia - até agora o único candidato a fazer frente ao projeto do petista, de acordo com as pesquisas, era o democrata - a desistência do senador deve apressar a definição do nome que representará a base aliada no páreo de outubro próximo.
No cenário que se desenha, crescem as chances de que o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Vilela, venha a ser o nome ungido. O tucano, já faz algumas semanas, encarnou mais contundentemente o papel de pré-candidato.
Tem participado de eventos com entidades de classe, movimentos organizados da sociedade civil e feito visitas em vários pontos da capital. Também tem demonstrado bastante disposição para com os veículos de comunicação (leia entrevista à página 5, do caderno Política).
Um componente da engenharia política enquanto Demóstenes Torres era cogitado como possível candidato era sua capacidade de aglutinação das legendas da base. Um dos desafios que Leonardo terá de contornar para ver seu projeto de candidatura vingar.
A simpatia do governador Marconi Perillo o coloca em posição vantajosa em relação aos demais pré-candidatos não só do PSDB, mas de toda a base. A falta de um nome no grupo com perspectivas reais de vitória neste momento é outro ponto a favor do tucano.
Pela movimentação até agora, os demais partidos da base parecem conformados (leia texto na página 3) com a situação e dão a entender que a disputa ficará mesmo pela vice. A única exceção é o petebista Jovair Arantes, que, até aqui, emite sinais de que está disposto a sustentar sua pré-candidatura até o final.
Um fato chamou a atenção no evento de desistência de Demóstenes, na semana passada. O anúncio ter se dado após reunião no apartamento do ex-prefeito Nion Albernaz - presidente do Conselho Político do PSDB, que desde dezembro avalia nomes viáveis, do ninho tucano, para apresentar como alternativa para a base.
Alçado ao posto pelo governador Marconi Perillo, o prestígio e o respeito que Nion tem entre os partidos da aliança governista lhe tem dado margem para ampliar sua “jurisdição” sobre o debate, que já começa a ultrapassar os limites do ninho tucano. Mais um indicativo de que o horizonte sorri para Leonardo.