Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Política

“Partidos devem assumir posição diante do caso”

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Para a cientista política Maria do Socorro Braga, ficar “em cima do muro” e evitar posicionamento pode trazer sérios danos às legendas. Ela também afirma que surpreende a posição do Psol em não avaliar o caso do vereador Elias Vaz e diz que a justificativa de que o governador Marconi Perillo é vítima do ódio gratuito do ex-presidente Lula é negativo para o próprio governador.


Tribuna do Planalto - Diante de tantas denúncias e tantas gravações, qual seria a postura ideal dos partidos políticos?
Maria do Socorro Braga - Normalmente eles teriam de se manifestar, porque quanto maior é o número de lideranças políticas envolvidas no caso, mais complicado fica. Espera-se que cada legenda tome uma decisão, e se preciso utilize-se do horário de televisão para se explicarem à sociedade ou ao menos justificarem que determinados políticos agiram independentes à posição da legenda. Agora isso também é complicado, os parlamentares são porta-voz dos partidos, e isso tem reflexos.

Os partidos deveriam tomar uma posição mais pró-ativa na investigação e afastamento desses quadros?
Sem dúvidas. O partido tem de investigar e se colocar à frente no processo. Principalmente o PSDB, que pelo que me parece é o mais envolvido e de certo modo é uma grande organização nesse país. Mas na realidade eles não vêm a campo, não falam justamente para se distanciarem disso tudo, de todos esses problemas.

A atitude do DEM em expulsar Demóstenes acaba se tornando uma pressão para que os outros partidos ajam nessa mesma linha?
Não. Não acho que o exemplo do DEM, que também demorou pra tomar uma atitude, deva pressionar os outros partidos. Primeiro porque o Demóstenes é a figura central disso, é o cabeça do esquema no poder. Por outro lado temos também toda a discussão em relação ao descrédito da instituição pública que é o Senado, e isso tem influência também. O DEM foi o partido mais afetado, mas não deve servir de exemplo.

Em Goiás o Psol tem dificuldade de responder à altura em relação ao envolvimento do vereador Elias Vaz e parece que o partido tem mais facilidades em enxergar os problemas envolvendo outros partidos. Isso é comum à esquerda?
Não é, e na maioria das vezes são os partidos de esquerda é que colocam seus pares para julgamento. Muito me admira essa postura do Psol ai, mas tem também questões envolvendo divisões, os que são pró e defendem o político e os que são contrários, mas mesmo assim devem decidir algo. Talvez essa seja uma tentativa de manter o pragmatismo eleitoral conquistado, mantendo o discurso de anos, e que pode ser derrubado com um caso isolado desses.

Pesquisa Serpes divulgada nos últimos dias mostra que 25,2% dos eleitores goianienses pretendem votar nulo na próxima eleição. Esse caso e a maneira como essas instituições políticas lidam com tudo isso tem influência direta nesse dado?
Com certeza, até porque são muitos os partidos envolvidos. Quer dizer, esses números mostram um impacto desse escândalo todo neste exato momento, mas é preciso esperar. Pode ser que os partidos mudem de atitude, saiam dessa inércia. Com todos esses indicativos e com maior pressão popular nas redes sociais, por exemplo, a tendência é de que os partidos revejam suas posturas e se coloquem mais em relação ao caso.

Caso venham à tona mais denúncias envolvendo os quadros goianos do PSDB, a Executiva nacional poderá sacrificá-los para salvar a legenda?
Isso é interessante e complexo. Na minha avaliação o PSDB nacional está fragilizado e é mais forte apenas em São Paulo. No Ceará o partido minguou, tem o Anastasia (governador de Minas Gerais) e tudo, no Rio é um horror. Diante desse quadro, Goiás parece que é o 3° Estado com maior força do partido, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. É um reduto importante, e por isso é difícil que a nacional tome alguma posição mais forte caso as coisas venham a piorar. Por outro lado, se o partido se calar, também pode pegar muito mal, então há riscos dos dois lados e isso em confronto com a postura sempre firme da presidente Dilma. Eu não acredito que há interesse em perder força em Goiás punindo um ou outro, até porque 2014 está em jogo.

Governistas goianos tem adotado a justificativa de que trata-se de uma perseguição pessoal do ex-presidente Lula a Marconi Perillo em relação à Monte Carlo. Como a senhora avalia esse discurso?
Com certeza isso pode enfraquecê-lo, Marconi sai pior disso porque está mais frágil nesse contexto. Esse discurso, de certo modo, é remontado por aqui com a premissa de que o PT quer prejudicar o Gurgel, quer esconder o mensalão. Esse disse e me disse é muito ruim. Trazer o mensalão de volta não faz sentido para a população em geral, está muito distante. E no caso do Marconi, ir contra Lula, com essa onda de popularidade que o ex-presidente tem, e o imaginário que se criou entorno dele, não parece ser uma briga a se comprar.

 

Caso Cachoeira e o silêncio das legendas

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Em tempos de escândalos políticos, espera-se que ao menos as instituições partidárias sejam resguardadas. Não é o que se pode constatar em relação aos diretórios estaduais do PSDB, PMDB, PP e PSOL – ambos com casos de políticos envolvidos na teia do chefe da máfia dos caça-níqueis Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na visão da cientista política da UFSCAR Maria do Socorro Braga, os partidos acabam perdendo credibilidade por não realizarem investigações próprias e não agirem de forma contundente contra a corrupção.
Diante da gravidade da Operação Monte Carlo e da repercussão nacional, todos os partidos saem perdendo, e ficando na inércia, acabam piorando ainda mais a imagem dos políticos frente à população. Prova disso é a pesquisa Serpes publicada na última semana pelo jornal O Popular, dando conta de que 25,2% dos goianienses pretendem votar nulo na eleição municipal de outubro.
Questionados a respeito da demora em tomar decisões frente a seus quadros envolvidos, lideranças partidárias afirmam que não há, ainda, subsídios suficientes para pedir o afastamento das lideranças que estão supostamente envolvidas no caso.
No contexto do PP, o presidente regional do partido, deputado federal Roberto Balestra prefere referir-se ao pré-candidato do partido em Goiânia, Sandes Júnior, como um caso a parte na legenda. Ao longo das semanas, mesmo com o surgimento de novas evidências da ligação de Sandes com Cachoeira, Balestra fala como se ambas as lideranças estivessem em contextos partidários distintos; ele cuidando do diretório estadual e Sandes “mandando” no metropolitano.
Há poucos dias ele disse à Tribuna que aguardava um posicionamento de Sandes, e que o mesmo determinaria se seria ou não candidato em Goiânia. Ou seja, por parte do PP não precisa esperar nenhuma atitude de investigação e punição do deputado. Por telefone, ele reafirmou a posição e continua aguardando que Sandes se manifeste. “O partido não vai tomar nenhuma postura em relação a isso, até porque até agora não tem nada provado contra ele. Aliás, não tem nada provado contra ninguém”, explicou.
Investigado pela Procura­do­­ria Geral da República por sua relação próxima a Carlos Ca­choeira, Sandes é acusado de ter pedido ajuda financeira ao bicheiro para bancar pesquisa eleitoral. Além disso, o deputado teria encomendado a Ca­cho­eira equipamentos para a montagem de uma emissora de rádio – todas as acusações são baseadas em gravações de ligações diretas entre o contraventor e Sandes.
Sobre o pedido de ajuda financeira para bancar uma pesquisa, Sandes afirmou que recorreu a Cachoeira pelo fato do mesmo ser um empresário com amplos contatos na cidade de Anápolis, que é um dos mais importantes pólos financeiros do Estado.  De acordo com ele, as negociações não teriam sido fechadas.
Cada vez mais complexa também é a situação do deputado federal tucano Carlos Alberto Leréia, amigo de Carlinhos Cachoeira e acusado de favorecer os negócios do bicheiro em Brasília. Desde o estouro da Operação Monte Carlo, Leréia sustenta que possui ligação com o contraventor, apesar de afirmar que nunca teve negócios com o mesmo em se tratando do esquema de jogos ilegais e outros empreendimentos da quadrilha.
De acordo com o presidente regional do PSDB Paulo de Jesus, o diretório nacional do partido tomou a posição de responder pelas questões referentes ao deputado Leréia. Segundo ele é preciso manter o partido precavido para que não cometa nenhum tipo de injustiça.
“Leréia tem serviço prestado para o PSDB, e com certeza seu histórico político é muito maior do que essas denúncias. Esse caso virou histeria coletiva, mas é uma tentativa visível de tirar o foco do mensalão”, defendeu Paulo.
Segundo ele, há uma defesa clara dos interesses petistas na Operação Monte Carlo e o PSDB sabe muito bem qual postura tomar em relação a isso. “Nosso deputado federal tem respaldo do partido. Inventaram esse Fora Marconi [movimento liderado por jovens e que surgiu nas redes sociais] ai, mas o governador também não tem nada haver com isso”, afirmou o tucano. Avaliando o caso como uma jogada contra o governo de Marconi Perillo, Paulo disse que o PSDB não irá ceder a pressões externas e acusa petistas de agredirem a democracia em prol de interesses eleitoreiros.
De certo modo, não tomar nenhuma atitude em relação a casos como o de  Leréia é uma maneira de sustentar a versão de que se trata de um “complô armado para esconder o julgamento do mensalão”. Pedir o afastamento do deputado, por exemplo, poderia mostrar fragilidade do PSDB e colocaria em xeque o discurso adotado pelo partido.
Nos bastidores fala-se que Leréia teria documentos fortes em mãos para apresentar caso seja convocado pela CPMI e se sinta acuado pelo partido, podendo piorar a situação de vários políticos. Oficialmente, essa versão de chantagem é negada e não passaria de boato.
Nos últimos dias o deputado federal tem sofrido fortes acusações de lobismo em prol dos interesses de Cachoeira. Em conversas flagradas pela Polícia Federal, Leréia alerta Carlos Cachoeira em relação a uma operação policial. Essa é mais uma acusação que se soma a outros casos envolvendo o bicheiro e o deputado.
Assim como Sandes Júnior, Leréia também é investigado pela Corregedoria da Câmara, e inclusive já apresentou defesa que deverá ter um parecer do relator do processo, o deputado Jeronimo Goergen (PP), já nas próximas semanas.

Psol
Em Goiânia, até mesmo os partidos de esquerda tem dificuldades de se posicionarem em relação a políticos supostamente envolvidos com Cachoeira. Mesmo tendo ligações diretas com o bicheiro, o vereador Elias Vaz (Psol) não sofreu nenhum tipo de investigação e sequer foi tema de debates nacionais da legenda.
Conhecida por sua posição ferrenha de cobrança e oposição a todos, o Psol marcou para o próximo dia 19 uma reunião de cúpula que tratará do assunto. De acordo com uma liderança do partido, o posicionamento do pode parecer tardio, mas é preciso reunir as lideranças para avaliar a situação. Militantes nacionais da legenda teriam cobrado explicações de Elias nos últimos dias.
Devido à inércia diante do caso, o Psol goianiense está visivelmente rachado, com uma ala defendendo o afastamento do vereador até que a ligação com o contraventor seja explicada, e outra – encabeçada pelo presidente regional da legenda Martiniano Cavalcante – defendendo que Elias é vítima de um complô por causa de sua “brilhante atuação” na Câmara.

Wladmir e Wesley: presos mas filiados

É curioso que tanto PSDB quanto PMDB tenham filiados envolvidos no caso já na cadeia e, ainda assim, não tenham tomado nenhuma posição em relação aos mesmos. Do lado tucano, Wladmir Garcêz, preso desde o dia 29 de fevereiro com a deflagração da Operação, continua filiado ao PSDB de Goiás. De acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Garcêz está filiado à legenda desde 1991.
Nas investigações ele é apontado como porta-voz do bicheiro e braço direito do mesmo no esquema de jogos ilegais em Goiás e no Distrito Federal. Sobre a filiação de Wladmir, a assessoria do PSDB afirmou que não havia encontrado a lista de filiados e por isso não teria como repassar a informação. De acordo com o TRE, o fato de não ter mandato político facilitaria os trâmites caso o diretório estadual do PSDB decidisse por expulsá-lo ou afastá-lo da legenda.
Já no PMDB, a prisão do vereador anapolino Wesley Silva é tida como ação incompreensível. De acordo com o secretário da legenda Kid Neto, ele foi preso por “suposta participação” em atos ilícitos, o que, segundo ele, não justifica a prisão. Wesley foi preso pela operação Saint-Michel, que é um desdobramento da Opera­ção Monte Carlo.
O Ministério Público do Distrito Federal investiga suposta corrupção envolvendo o contrato de bilhetagem eletrônica do DFTrans (empresa de transporte público do DF) com a quadrilha de Carlos Cachoeira, e suposto envolvimento de Wesley no esquema. A Polícia Civil do DF pediu a prisão preventiva do vereador no último dia 25. Cogitado inclusive como provável vice na candidatura a reeleição do atual prefeito Antônio Gomide (PT), ele é vice-presidente do diretório municipal do PMDB.
Para Kid Neto o PMDB não deve se ocupar de explicações em relação à prisão do vereador.  Enfático, ele disse que “o partido não tem de esclarecer nada à população, e quem prendeu é que precisa se pronunciar e esclarecer o caso”.
Na avaliação da cientista política Maria do Socorro Braga, caso aumente o número de evidências envolvendo quadros locais, os partidos em Goiás vão precisar dar explicações, até mesmo para que a política local não sofra desgastes maiores do que o que já foi mensurado em pesquisas. Por hora, resta esperar.

 

Anápolis: contrato investigado pelo TCM

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Na semana anterior o Tri­bu­nal de Contas dos Muni­cí­pios (TCM) iniciou o trabalho de investigação para apurar a veracidade de denúncia apresentada pela Associação Bra­sileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP) so­bre suposto superfaturamento em contratos que o Poder Público de Anápolis assinou junto à empresa Delta. A referência para os questionamentos são os anos de 2009 e 2010. A informação foi divulgada na manhã de sexta-feira, 11, pelo repórter Djalma Júnior da Rádio Manchester.
Em relação àqueles exercícios administrativos o próprio órgão auxiliar das Câmaras Municipais emitiu parecer favorável à aprovação das contas apresentadas. Nas duas oportunidades o parlamento local acompanhou à orientação. Porém, com presença de auditores do TCM na Prefeitura alguns vereadores da oposição sinalizam que podem cobrar explicações do chefe do Executivo Municipal. Os primeiros a registrarem interesse são Gina Tronconi (PPS) e Valmir Jacinto (PTC).
É esperado que vereador do PTC protocole ainda esta semana pedido de explicação sobre a utilização de um veículo de varrição móvel. Se­gun­do o vereador não há in­for­mações de que o referido maquinário esteja sendo utilizado nas vias públicas do mu­nicípio embora seja parte integrante dos contratos. “Essa máquina já prestou serviço na cidade, mas há algum tempo que ela não é vista. Precisa­mos saber se estão recebendo sem executar o serviço”, diz.
A representante do PPS faz questionamento semelhante ao de Valmir. Segundo ela, é preciso que o município apresente provas de que não houve irregularidades. “Contratos com documentação ilegal são contratos ilegais. Não queremos ver contratos, queremos saber dos empenhos com as empreiteiras que atuam no município de Anápolis. Temos de ter informações de todas e não apenas da Delta”, explana a vereadora.
O contato com o líder do prefeito na Câmara vereador Sírio Miguel (PSB) foi tentado tanto na sede do Legislativo quanto por celular. Este, porém, não foi localizado para informar sobre o prosseguimento que a bancada situacionista deve dar ao assunto caso seja levado ao plenário.
O secretário para Assuntos Parlamentares Céser Donisete Pereira, vice-presidente regional do PT, afirma que não há irregularidades e que os procedimentos realizados por técnicos do TCM estão dentro da normalidade. “É uma denúncia que está sendo apurada, um questionamento antigo que foi feito pelas empresas que perderam a licitação”, explica o auxiliar de Gomide.
Céser argumenta que o assunto está sendo explorado somente agora em consequência do processo eleitoral, mas diz-se confiante quanto à lisura dos contratos firmados pela administração em que é parte integrante. “Adversário se não tiver nada inventa. A campanha já começou, mas acho difícil que consigam usar o contrato para alguma coisa. Não existe irregularidade”, argumenta Céser.
Com a divulgação da presença do TCM, o prefeito An­tônio Gomide dirigiu-se às rá­dios locais para garantir à po­pulação que os contratos da Del­ta em Anápolis estão corretos. Ele disse que pode estar havendo movimento que aproveite a tensão gerada pelo caso Cachoeira para prejudicar a ad­ministração. Dentro do esperado, ele negou existência de crimes contra a administração pú­blica. “Temos realizado os pro­cedimentos corretos”, garantiu.
Na quarta, 9, véspera da abertura da CPI instalada na Assembleia Legislativa para apurar envolvimento de políticos com a contravenção, o prefeito recebeu em seu gabinete o deputado estadual Mau­ro Rubem (PT). Perma­ne­ceram juntos por mais de cinco horas. Segundo Céser Do­nisete não teria sido o en­contro programado para tratar da CPI na qual Gomide é es­peculado como possível de ser chamado a depor em razão de manter contratos com a Delta.
Segundo Céser Donisete os deputados estaduais deveriam estar voltados para a “fiscalização do dinheiro do Estado”. Ele não confirma que Gomide deporá à Assembleia se convocado. “Falaram que iriam convocar os prefeitos mas a CPI começou apenas com a análise de documentos. Entendo que vão primeiro pedir documentações. Agora, se o prefeito for convidado nós vamos avaliar. De qualquer forma estamos tranquilos, estamos transparentes”, sustenta.

 

PSDB negocia vice de Ademir em Aparecida

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O pré-candidato do PSDB em Apa­recida de Goiânia Ve­ter Martins ne­gocia a vice na chapa do ex-prefeito e deputado estadual Ademir Mene­zes (PSD).  O próprio Veter já sinaliza que está “em conversa com Ademir” e deverá neste final de semana definir qual será seu papel na chapa. Veter confidenciou que está disposto a abandonar seu projeto de candidatura caso seja o melhor para o partido.
De acordo com Veter Martins, nos próximos dias será divulgado oficialmente os rumos do PSDB na cidade e também como ele deverá par­ticipar do processo. Ape­sar de não anunciar de forma oficial, as principais lideranças do partido já falam abertamente que o que está em jogo agora é a vice de Ademir.
Na última semana o se­cre­tário estadual de Articu­lação Institucional Daniel Goulart (PSDB) antecipou que as negociações estão avançadas no sentido de garantir a vice para o PSDB no município. Reportagens anteriores da Tribuna já indicavam que o governador apoiaria Ademir Menezes e, consequentemente, buscaria a garantia de que a vice seria ocupada por um integrante do PSDB. Até semanas atrás, Ademir ainda não dava certezas de que Veter ocuparia a vi­ce, o que parece ter sido su­perado com as negociações.
Para Daniel Goulart, é di­fícil quebrar a polarização e­xistente entre Maguito Vilela (PMDB) e Ademir Menezes (PSD) no município, mesmo tendo o nome de Veter como uma “boa opção” para o partido. “A gente caminha para a­poiar a candidatura de A­demir Menezes e o que está sendo desenhado é que Veter seja o vice, nós iremos fazer avaliações e veremos o que é melhor. O Veter Martins é um cara excepcional, mas enfrentou duas polarizações muito for­tes, do atual prefeito e de A­demir, e quebrar essa polarização é muito difícil”, explica Daniel.
O PSDB fomentou durante muito tempo a pré-candidatura de Veter Martins, inclusive dando carta branca para que o mesmo deixasse a secretaria de Articulação Institucional. O que o ninho tucano não esperava era que Ademir Menezes conseguiria resultados expressivos nas pesquisas, mostrando-se à altura de competir com o atual prefeito peemedebista. Isso acabou modificando por completo a estratégia do partido no município.
Antes resistente a abandonar sua candidatura, Veter ad­mite agora que o partido pediu que ambos os pré-candidatos trabalhassem para o entendimento, e que seria viável apostar em uma candidatura única da base aliada. Na queda de braço, o pré-candidato tucano tem contra sua candidatura um pequeno porcentual nas pesquisas em contraste com um empate técnico entre o deputado pessedista e o prefeito Maguito Vilela.
Mesmo com todas as evidências de que não será mais cabeça de chapa em Apare­cida, Veter busca agora uma maneira honrosa de aceitar a vice e apoiar o projeto da base aliada no segundo maior colégio eleitoral do Estado. “Eu ainda preciso saber se eles vão abarcar um projeto nosso, que represente o meu partido, mas estou disposto a abrir mão caso esse seja o entendimento”, conforma-se.
De modo ufanista, Veter vê no apoio de lideranças tucanas a possibilidade de tornar viável uma candidatura no futuro. A senadora Lúcia Vânia (PSDB) já afirmou que apoia sua candidatura, apostando justamente na possibilidade de “renovação” dos quadros do partido no interior no Estado. Outro que teria aderido ao projeto é o deputado federal João Campos (PSDB). Em 2010, Veter foi o candidato a deputado federal mais bem votado em Aparecida de Goiânia, com cerca de 18 mil votos.

Estratégia tucana
O PSDB vive nesse mo­mento um grande dilema às vésperas da eleição municipal. A legenda se preparava para disputar a eleição na maior parte das cidades, em muitas delas apostando em quadros novos e lutando por uma renovação do partido. Essa foi a tônica do lançamento das pré-candidaturas do deputado federal Leonar­do Vilela, em Goiânia, e Veter Martins, em Aparecida.
O momento, porém, é de muita incerteza. O governador Marconi Perillo (PSDB) enfrenta, possivelmente, o momento de maior dificuldade em três mandatos à frente do governo do Estado. A crise administrativa que consumiu o primeiro ano de gestão, em 2011, cresceu e transformou-se em política com o desenrolar da Operação Monte Carlo – que aponta indícios de envolvimento de autoridades do Estado com o chefe da máfia dos jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O governo e o governador tem pouco ou quase nada a oferecer aos pré-candidatos da base governista. Engol­fa­do pela crise, a popularidade do governador Marconi Pe­rillo chegou ao seu pior patamar desde 1999, quando o tucano chegou ao Poder. Em Goiânia, a rejeição ao tucano atinge quase 50% da população. Em Aparecida não deve ser muito diferente. Durante a campanha, que começa em menos de dois meses, a preocupação do governador certamente será de viabilizar seu governo. A eleição ficará em segundo plano.
Dessa forma, Marconi precisa, no momento, de candidatos que se viabilizem sem depender da estrutura do governo. Assim, quem tiver projeto eleitoral próprio, que não dependa da sustentação palaciana, tem mais chances de vingar. Nesse cenário, o PSDB não titubeou em abandonar a pré-candidatura de Veter Martins e fixar apoio ao deputado Ademir Menezes.
Ademir Menezes é candidato em Aparecida desde seu grupo foi derrotado por Maguito Vilela. Apoiá-lo não era intenção do PSDB, que tentou criar uma alternativa com Veter Martins. As circunstancias, porém, muito mais do que o desempenho de Veter, fizeram com que o PSDB abortasse o projeto eleitoral próprio. O momento é de unir forças para minimizar as perdas eleitorais que se vislumbrar para a base aliada.

 

Nome da Base volta ao debate na capital

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Nos bastidores da política goiana, não há dúvidas de que os desdobramentos da Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF) – que investigou os esquemas econômicos e políticos do contraventor Carlinhos Cachoeira - estão longe de acabar. A deflagração da operação, no final de fevereiro, e anúncio do envolvimento de políticos com o grupo de Cachoeira paralisou as articulações visando às eleições para a prefeitura de Goiânia, que ocorrerá em outubro. O tempo, porém, não para e no mês que vem os partidos precisam estar prontos para as convenções municipais. Assim sendo, pré-candidatos tentam vencer a ressaca e voltar às conversas.
A base aliada do governo estadual foi a mais alvejada no episódio. Todos os seus pré-candidatos foram citados de alguma forma na Operação Monte Carlo e herdam os desgastes políticos gerados pelo episódio. Com a aproximação da reta final da pré-campanha, postulantes tentam minimizar suposto envolvimento com esquema de Cachoeira e se fortificar novamente para o pleito eleitoral.
Leonardo Vilela, deputado federal, já havia sido escolhido como pré-candidato tucano à prefeitura de Goiânia, quando Carlinhos Cachoeira foi preso, pontapé inicial da deflagração da Operação Monte Carlo. No início de abril, Vilela foi acusado de ter pedido a Ca­choeira em­prego para a filha no Ins­ti­tuto de Ciências Far­macêu­ticas de Estudos e Pes­quisas (ICF), grupo pertencente ao contraventor. Leo­nardo confirmou o contato e disse que não sabia das atividades ilegais do em­presário.
Após as denúncias, o presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus, anunciou que reavaliaria a pré-candidatura de Leonardo Vilela por meio de pesquisas qualitativas encomendadas pelo partido, em entrevista à Tribuna, no mês passado. A declaração criou um impasse dentro do PSDB e gerou reuniões para afinar o discurso. Embora tenha perdido força no processo, os tu­canos voltaram a afirmar que Leonardo segue como pré-candidato do partido.
A questão principal de Leonardo Vilela é que ele ainda é um político pouco conhecido em Goiânia. Foi escolhido com o aval do governador Marconi Perillo (PSDB) para a missão eleitoral na capital. Logo, contava com o apoio do próprio governador para conseguir um salto de popularidade em Goiânia e, assim, fazer frente ao prefeito Paulo Garcia (PT), líder na corrida pelo Paço Municipal de acordo com as pesquisas eleitorais realizadas até o momento.
O problema é que o governo acabou chamuscado pela Ope­ração Monte Carlo. Segundo pesquisa Serpes, encomendada pelo Jornal O Popular e divulgada na semana passada, o governo é reprovado por   48,9% da população goianiense. Faltando menos de dois meses para o início de campanha, o período é muito curto para que o governador possa arrumar a casa e ainda ajudar Vilela em sua caminhada eleitoral.
Mesmo assim, o deputado mantém a sua pré-candidatura e nega qualquer envolvimento com esquemas ilegais de Carlinhos Cachoeira. Não vê o partido querendo rediscutir o seu projeto nem crê que a baixa popularidade do governo possa influenciá-lo. “Se tiver influência é mínima. Em 2004, o governador apoiou o Sandes com a base toda unida e ele nem foi para o 2º turno. O que estará em jogo são as questões do município”, acredita.

Reavaliação
Após o início da divulgação dos documentos e áudios da Operação Monte Carlo da PF, o deputado federal Jovair Arantes, pré-candidato do PTB à prefeitura de Goiânia, sumiu da mídia. Até então, estava super estimulado por uma candidatura na capital. Mesmo com um histórico de colocar seu nome na disputa, mas recuar na última hora, Jovair vinha ganhando corpo como candidato. Dizia a todos que em 2012 seria a sua vez de disputar o pleito, e que merecia o apoio do restante da base por fidelidade dele ao grupo governista, principalmente ao governador Mar­coni Perillo.
Logo no início da deflagração da Operação Monte Carlo, Jovair foi flagrado em um telefonema a Carlinhos Cachoeira, onde o deputado pedia apoio a sua futura campanha. O petebista se justificou dizendo que o apoio a que se referia era um apoio lícito, por se tratar Cachoeira de um empresário conhecido em Goiás. Afirmou ainda que todos os deputados goianos são amigos do contraventor.
Depois disso, Jovair saiu de cena. Congelou seu projeto ele­itoral e espera os desdobramentos do episódio para decidir como procederá em Goiâ­ni­a. Mesmo que seu suposto en­volvimento com Cachoeira se­ja considerado “leve” em comparação a outros políticos de Goiás, toda a exposição negativa parece ter causado efeito. As informações de in­ter­locutores do deputado a­pon­tam que o petebista fará pes­quisas para reavaliar sua pos­tulação. Em meio a tantas in­certezas, poderá passar a vez.
O deputado estadual Sandes Júnior (PP) está na outra ponta do processo. O seu envolvimento com Ca­choeira, se confirmado, é considerado grave. A toda hora surgem novas gravações envolvendo o petista ao chefe da contravenção. Segundo a PF, Sandes Júnior pediu diversos favores a Cachoeira, desde equipamentos de rádio, passando por financiamento de pesquisas e até mesmo patrocínio para o time de futebol de seu filho fazer uma viagem ao exterior. Em outra gravação, Cachoeira e Sandes discutem a divisão do dinheiro de uma suposta indenização que o deputado receberia de uma rádio.
Antes do Caso Cachoeira vir a tona, Sandes já estava com a pré-candidatura encaminhada, com o apoio quase certo do PR. Hoje, a sua candidatura continua a depender só dele, já que controla o diretório metropolitano do PP. Ser candidato, porém, ficou politicamente inviável após as denúncias. Na pesquisa Serpes, Sandes aparece com mais de 40% de rejeição em Goiânia, número que acaba com qualquer pretensão de concorrer. A Tribuna tentou contato com o deputado, mas ele não atendeu aos telefonemas.


Francisco Júnior é opção governista

Em meio a tantas baixas na base aliada, o Palácio das Esmeraldas estuda alternativas para a eleição na capital do Estado. O deputado estadual Francisco Júnior (PSD) é o plano B favorito dos governistas, segundo fontes palacianas. O parlamentar tem baixa rejeição em Goiâ­nia, não tem envolvimento com Carlinhos Cachoeira e conhece bem a capital. Vale lembrar que Francisco foi secretário de Planejamento da prefeitura de Goiânia, na gestão de Iris Rezende (PMDB), e foi o principal elaborador do Plano Diretor.
A candidatura de Francisco com o apoio da base aliada, porém, não é tão fácil como se imagina. Em primeiro lugar, o PSD ainda não sabe se contará com o tempo de propaganda no rádio e na televisão. Como foi criado em setembro do ano passado, o partido aguarda a decisão do TSE. O julgamento foi iniciado no fim de abril, mas acabou suspenso por pedido de vistas do ministro Dias Toffoli. O PSD vencia por 2 a 1, mas ainda não há data para a retomada da votação. Se não contar com o tempo de TV, o partido se enfraquecerá na mesa de negociações da base aliada.
Outro ponto em questão, no caso de candidatura de Francisco Júnior, seria a saída de Leonardo Vilela do processo. O deputado deixou a secretaria estadual de Meio Ambiente e foi escolhido por uma comissão tucana, liderada pelo ex-prefeito Nion Albernaz, para ser o pré-candidato do partido do governador. Em todo o processo, Leonardo mostrou vontade de concorrer, o que evidencia um problema, caso for rifado do processo.
Há ainda a disputa interna no próprio PSD. Francisco Júnior disputa a indicação com o deputado federal Armando Vergílio, presidente da Comissão Provisória da capital. Nos bastidores, a informação é que Vergílio quer ter o controle do processo, principalmente se o PSD tiver direito ao tempo de TV. O embate é dor de cabeça para o presidente regional do partido, Vilmar Rocha, que também espera para tomar a sua decisão.


A base aliada e seu difícil processo de afunilamento

PSDB
* SPrincipal pré-candidato: Leonardo Vilela, deputado federal;
* SSituação antes do Caso Cachoeira: Leonardo venceu a disputa interna no partido e tentava unir a base em torno do seu nome;
* SSituação atual: Citado em gravações da Operação Monte Carlo, o deputado teve sua pré-candidatura questionada internamente. Ainda é visto como a única opção tucana, mas Palácio estuda outras possibilidades;


PP
* SPrincipal pré-candidato: Sandes Júnior, deputado federal;
* SSituação antes do Caso Cachoeira: Com o diretório metropolitano nas mãos, Sandes tentava articular o apoio do PR para viabilizar sua quarta candidatura à prefeitura de Goiânia;
* SSituação atual: As graves denúncias contra ele fizeram disparar a rejeição em torno de seu nome. Isolado politicamente, vê sua popularidade – que era o principal argumento de sua candidatura – desabar;


PTB
* SPrincipal pré-candidato: Jovair Arantes, deputado federal;
* SSituação antes do Caso Cachoeira: O deputado articulava dia e noite em busca de apoios a sua candidatura. Mirava uma ampla aliança que lhe desse um bom tempo de propaganda na TV;
* SSituação atual: Jovair foi citado na Operação Monte Carlo, mas não ficou caracterizado grande envolvimento com o esque­ma de Cachoeira. Mesmo assim, o deputado abando­nou as conversas e reavalia­rá sua participação no pleito, antes dada como certa;


PSD
* SPrincipais pré-candidatos: Armando Vergílio, deputado federal; Francisco Júnior, deputado estadual;
Situação antes do Caso * SCachoeira: Os dois deputados disputavam o espaço dentro do partido e a indicação para ser candidato a prefeito da capital;
* SSituação atual: Caso Cachoeira interferiu pouco no partido e a disputa interna continua. A grande questão é se agremiação terá tempo de televisão nas eleições de outubro. De qualquer forma, a decisão do PSD passará pelo governador Marconi Perillo;


PSOL*
* SPrincipal pré-candidato: Elias Vaz, vereador de Goiânia;
* SSituação antes do Caso Cachoeira: O vereador liderava a bancada de oposição no legislativo goianiense e preparava uma candidatura de oposição a Paulo Garcia;
* SSituação atual: Grampos da Operação Monte Carlo mostrou suposta relação íntima entre o vereador e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Membros do próprio partido passaram a questionar Elias;


PC do B*
* SPrincipal pré-candidato: Isaura Lemos, deputada estadual;
* SSituação antes do Caso Cachoeira: O partido da deputada havia deixado o Paço Municipal e Isaura lançado a sua pré-candidatura a prefeitura de Goiânia;
* Situação atual: O Caso Cachoeira não mudou nada em relação a sua pré-candidatura. A deputada não foi citada no inquérito e tenta articular alianças para disputar as eleições. Não é vista, porém, como alguém que pode unir a oposição e disputar o pleito com chances;

 

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