Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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politica

PSD: livre, leve e solto

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O PSD foi criado oficialmente em setembro do ano passado, mas até agora não encontrou a sua identidade. A poucos meses de disputar a sua primeira eleição, o partido ainda não mostra coesão de uma linha a ser seguida, ou ca­minho a ser percorrido. Nacio­nalmente, o partido nasceu muito ligado ao governo federal, o que o coloca próximo ao PT em vários Estados. Já em Goiás, o PSD se formou na ór­bita do governo estadual, de Mar­coni Perillo (PSDB), o que lhe dá um entrosamento especial com os tucanos. Esta, in­clusive, é a orientação das suas principais lideranças estaduais.
Este caminho é o principal, mas está longe de ser a única diretriz. Como o PSD goiano se organizou por meio de diversas lideranças descontentes com as suas agremiações originais – e os atuais pessedistas formavam anteriormente os quadros dos mais diferentes partidos, do DEM ao PMDB -, é natural que suas lideranças ainda não falem a mesma língua. As articulações para as eleições nos mais diversos municípios goianos e, sobretudo, os discursos de lideranças estaduais e locais mostram bem que o partido ainda não encontrou um norte.
O único ordenamento que todos os pessedistas afirmam com convicção é que o partido não possui atrelamento automático com ninguém. Desde o seu nascimento, dizem suas lideranças, o partido está livre para navegar nas águas que desejar, principalmente em seu primeiro embate eleitoral. Este discurso, aliás, seduziu muitos políticos durante o período de filiações. Vários preferiram mu­dar de ares ao comparar as fe­chadas estruturas de seus antigos partidos com uma agremiação que nascia sem amarras.
A proximidade com o go­ver­no estadual, porém, existe e influencia toda a cúpula partidária, principalmente os auxiliares de primeiro escalão do governador Marconi Perillo. O secretário chefe da Casa Civil, Vil­mar Rocha, presidente regional do PSD, lembra que a área de trabalho do partido é a base governista. “Aqui vamos trabalhar afinados com a base do go­verno estadual, coerente com a nossa trajetória política”, frisa.
Mesmo assim, Vilmar admite que o partido possui especificidades no interior que, devido as diversas origens de seus quadros, extrapola a normalidade, tanto que ele garante que não haverá intervenção nos diretórios municipais, caso sejam feitas alianças fora do convívio da base aliada. “Vamos respeitar as decisões de caráter municipal. Não haverá intervenção. Podemos aconselhar, recomendar, ponderar, mas vamos respeitar as decisões”, ressalta o presidente. Vale lembrar que, no momento, todas as decisões serão de caráter municipal.
A medida, aliás, está em sintonia com a base do partido. Não são poucos os prefeitos que defenderam outra bandeira durante as eleições de 2010. Só do PMDB, o novo partido trou­xe cinco – Castelândia, Guaraíta, Ceres, Indiara e Posse. Os prefeitos Edmário Barbosa (Ceres), Alex Batista (Cidade Ocidental) e Gil Tavares (Nerópolis) são exemplos de prefeitos que estiveram com o empresário Vanderlan Cardoso (PMDB), na última disputa eleitoral para o governo do Estado, mas que hoje compõem o quadro pessedista.

Liberdade
O partido também filiou parlamentares, tanto estaduais quanto federais. O deputado es­tadual Francisco Júnior foi o que deu o maior salto dentre to­dos eles. Ex-secretário de Pla­ne­jamento da prefeitura de Goi­ânia durante a gestão do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB, de 2005 a 2008), Francisco compõe hoje a base aliada do governo estadual na Assembleia Legislativa. Na época de sua filiação, justificou a troca pela possibilidade de construir um novo projeto em um partido que “começava do zero”.
Até mesmo por isto, talvez ele seja hoje a liderança pessedista que mais bate na tecla da “liberdade” dentro do partido. “Estamos abertos a conversar com todos. Neste primeiro momento serão respeitados todos os compromissos (no interior). Acredito que até às vésperas de 2014 já teremos um posicionamento mais claro”, defende. Mesmo assim, o parlamentar lembra – com menos intensidade que Vilmar – que o PSD “deve seguir o projeto da base aliada”.
Outro que bate na tecla de que o partido é livre na questão do caminho a ser seguido é o deputado federal Heuler Cru­vinel. “Não há alinhamento au­to­mático, nem por parte do go­verno estadual, nem do governo federal”, avalia. Heuler, contudo, diz que grande parte dos diretórios do partido foi criada dentro da base aliada do governo do Estado e que, por isto, este terá mais influência nos rumos do partido em Goiás.
O deputado estadual Cris­tóvão Tormin comemora a decisão da cúpula do PSD em liberar os municípios para fazer as alianças que acharem mais oportunas. O deputado está ensaiando uma união com PMDB e PT para disputar o car­go de prefeito (leia mais de­talhes abaixo). “O partido hoje tem liberdade para fazer alianças. O partido já nasceu diferente”, diz. Na defensiva, ele a­firma que o PSD tem “incomodado muita gente” e que recebe críticas por este posicionamento.
O cientista político e professor da UniEvangélica Itami Campos limita a “liberdade” do PSD em Goiás. Para ele, não há como o partido não seguir alinhado com o governo do Estado. “As eleições municipais atuarão como o grande definidor do posicionamento do partido”, mostra. Itami também acredita que será um desafio para o partido fugir da pecha de apêndice do PSDB e do governo estadual.


Qual o caminho do PSD?


 

“99% da base do PSD está alinhada com a base do governo estadual. Os nossos principais adversários no Estado serão o PMDB e o PT”

Vilmar Rocha, presidente regional do PSD e secretário chefe da Casa Civil do Estado


“ Não haverá alinhamento automático, até por que isto seria uma imposição. O partido possui uma liberdade que vem da sua criação”

Francisco Júnior, deputado estadual


“ Neste primeiro momento o caminho é na base aliada, respeitando as características dos municípios”

Heuler Cruvinel, deputado federal


 

“ A grande questão do PSD hoje é  não se tornar um apêndice do PSDB”

Itami Campos, cientista político e professor da UniEvangélica


 

Cada cidade tem uma realidade e isto será respeitado. PMDB e PT estarão juntos conosco”

O presidente regional do PSD, Vilmar Rocha, garante que o partido não caminhará ao lado do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), em sua busca pela reeleição. A possibilidade foi ventilada pelo deputado federal e presidente do diretório metropolitano do PSD, Armando Vergílio, em matéria veiculada na revista Valor Econômico, na semana passada. “Não há esta possibilidade (de apoiar Paulo Garcia). Em Goiânia, a lógica é ter candidato próprio, e estamos trabalhando para isto”, explica Vilmar.
Durante a semana passada, a informação creditada ao deputado repercutiu como uma aproximação do partido à base do governo federal. Vale lembrar que Armando Vergílio foi secretário de Cidades no governo Marconi Perillo e saiu depois de poucos meses, alegando que precisava de mais espaço para cuidar do PSD e de seu mandato, em Brasília. Nos bastidores, porém, surgiu a notícia de que Armando teria deixado o posto devido a falta de autonomia na pasta.
Armando Vergílio é um dos pré-candidatos do partido à prefeitura de Goiânia. Logo depois da reportagem, em que disse sobre a possibilidade de aliança com o PT, o próprio deputado voltou atrás, ao dizer que o PSD terá candidato próprio. A reportagem Tribuna tentou contato com Armando, mas foi informada, por meio de sua assessoria de imprensa, que o deputado está de férias.
Também pré-candidato do PSD à prefeitura da capital, o deputado estadual Francisco Júnior faz coro a Vilmar Rocha e despreza as chances de aliança com o prefeito Paulo Garcia. Para ele, o mais interessante para o partido é uma candidatura própria. “A candidatura própria seria muito importante para o PSD”, avalia.
Apesar da pré-disposição do PSD em lançar um nome pró­prio para a disputa em Goiânia e do factóide criado em torno da declaração de Ver­gílio, a informação nos bastidores é de que o partido dificilmente optará por um caminho diferente da vontade do governo estadual, como informou a coluna Linha Direta, no mês passado. Caso o palácio re­quisite o apoio do PSD a al­gum candidato de outro partido, provavelmente do PSDB, a cú­pula do PSD não teria condições de manter a candidatura própria.
Isto se deve ao fato do atrelamento do partido, desde seu nascimento,  ao governador Marconi Perillo. Mesmo se o grupo não caminhar unido, o apoio do PSD pode ser de­man­dado a um nome tucano, como o do deputado Leonar­do Vilela (PSDB), tido como fa­vorito do Palácio das Esme­raldas. Vilmar Rocha também defende candidatura própria, mas deixa claro que o partido não fará aventuras. “Temos dois nomes e va­mos trabalhar. Por volta de abril, faremos uma avaliação. Se as candidaturas deles deslancharem e as condições fo­rem favoráveis, vamos até o fim. Senão, não”, revela. Se ho­je Vilmar Ro­cha já coloca a can­didatura pessedista na capital sob condicional, é improvavel que ela resista ao período de convenções.

Luziânia
A cidade mais emblemática na união entre o PSD e a base da presidente Dilma Rousseff é, sem dúvida, Luziânia. Com o quarto maior eleitorado do Estado, a cidade prepara-se para um embate entre o novo partido e o PSDB, do governador Marconi Perillo. O prefeito Célio Silveira (PSDB), que está no final do seu segundo mandato, apoiará o seu vice Eliseu Melo, que trocou o PMDB pelo PSDB, contra o deputado estadual Cristóvão Tormin (PSD).
Como Célio é um dos grandes aliados de Marconi e agrega a maior parte dos partidos da base aliada no município, Cristóvão tem costurado com partidos que são oposição, tanto municipal, quanto estadual. Neste grupo, PT e PMDB são os aliados mais fortes e, juntos, pretendem criar um grupo forte para tentar por fim à hegemonia de Célio no município. “O partido terá liberdade para fazer alianças”, comemora Cristóvão.
PT e PMDB possuem lideranças importantes que poderão ser o diferencial na campanha de Cristóvão. O ex-deputado federal Marcelo Melo (PMDB) conseguiu êxito nas eleições de 2006 para a Câmara Federal, em uma aliança com o prefeito Célio Silveira, e concorreu ao cargo de vice-governador em 2010, na chapa do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB).
Já o PT tem o suplente de deputado Didi Viana, que disputou com boa performance as duas últimas eleições para prefeito. (E.S.)

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