Se há um fantasma na relação PMDB-PT que ainda não foi vencido, este é a desconfiança. Adversários históricos até a eleição de 2008 em Goiânia, quando o então prefeito Iris Rezende (PMDB) cedeu a vaga de vice ao petista Paulo Garcia, os dois partidos ainda dão sinais de que tal parceria está longe de ser consolidada para as próximas eleições.
O PMDB espera um sinal de apoio do PT ao candidato ao governo em 2014 do partido. Já os petistas trabalham focados em 2012 para garantir apoio do aliado à reeleição de Paulo Garcia na Capital, mas esquivam-se de se comprometer com a disputa ao Palácio das Esmeraldas dois anos depois.
A maior desconfiança parte do PMDB para o PT com referência as eleições deste ano. Desde o ano passado, as lideranças do partido tentam vincular 2012 a 2014. O temor dos peemedebistas mantém-se em entregar sua maior base eleitoral, a capital do Estado, ao PT e ser engolido pelo aliado, que hoje tem pré-candidato ao governo definido, no caso o deputado federal Rubens Otoni.
Otoni tem alimentado as desconfianças. Em entrevista à Rádio Luz da Vida, há duas semanas, ao falar sobre a indicação de um peemedebista na vice do prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), que disputa a reeleição, o petista sinalizou que as negociações envolvendo 2012 e 2014 ainda estão abertas e que a vaga de vice cedida ao PT em Goiânia em 2008 foi paga com o apoio do partido a Iris Rezende na corrida ao governo.
“A abertura da vice em 2008 foi uma estratégia já pensando na outra eleição de 2010. Não estava se pensando na eleição municipal. Estava se pensando em ter o PT na aliança. E o PMDB teve o PT na aliança. Então essa conta está fechada”, disse Otoni. Já 2014, segundo o deputado “será pensado em 2014”, quando será avaliado qual candidato terá força e condição para vencer a eleição.
Sobre a vice de Antônio Gomide, o petista disse que o PT na cidade conversa com outras forças políticas para definir o nome que vai ser parceiro de chapa do prefeito de Anápolis. Mas alfineta o PMDB ao afirmar que não está descartada a possibilidade de manter uma chapa pura.
“No caso da vice em Anápolis, já existe uma chapa consolidada. Na realidade, houve chapa pura na eleição na cidade não porque o partido é radical e não aceitava aliança. A vice na eleição passada foi oferecida ao PMDB. O PMDB que não quis a vice e acabou lançado candidato”, lembrou o pré-candidato do PT ao governo em 2014.
A definição do vice em Anápolis tende a aumentar as desconfianças entre as duas legendas. Continuar com o vice João Gomes na chapa significa que as relações com o PMDB podem ficar estremecidas, embora os peemedebistas estejam sem uma liderança forte na cidade, desde a saída do casal Onaide e Adhemar Santillo. O partido na cidade ainda não se definiu sobre a possibilidade de integrar a chapa majoritária.
O certo é que devem apoiar a candidatura de Gomide à reeleição, mesmo sem participarem da chapa. Pelo menos, é isso que vem demonstrando o presidente do diretório municipal, Air Ganzarolli. O presidente tem dito que não quer pressionar os petistas e está satisfeito com o espaço que o partido tem dentro da estrutura administrativa. Já os vereadores do partido, Assef Nabem e Wesley Silva – aliados de Gomide desde o início da sua gestão – cobram que o PMDB faça parte da composição da chapa majoritária.
Em Goiânia, lideranças do partido reconhecem que em Anápolis não há um nome que possa contribuir com a chapa de Gomide. Mas não descartam o apoio à reeleição do prefeito como uma variável nas negociações para que os petistas sinalizem com o apoio ao candidato peemedebista ao governo.
“Não será problema para PMDB não ter a vice em Anápolis, desde que o PT confirme que estará com a gente em 2014”, diz o deputado estadual e presidente do diretório metropolitano do PMDB, Wagner Siqueira Júnior, favorito para ocupar a vice de Paulo Garcia em Goiânia.
Quem também trabalha pela na vice em Anápolis é o partido do empresário e pré-candidato do PSB ao governo, Junior do Friboi. Júnior deu declarações de que vai apoiar o petista na cidade, inclusive financeiramente. Entre os nomes os socialistas cotados para a chapa estão o líder do prefeito na Câmara de Vereadores, Sírio Miguel, e o secretário de Desenvolvimento Urbano, Clodoveu Reis.
De olho na força do PMDB e de Iris Rezende como cabo eleitoral, em Goiânia o PT tem dito que o aliado é o vice natural na chapa encabeçada pelo prefeito Paulo Garcia. “Aqui em Goiânia é uma aliança que estávamos na vice, e agora somos o prefeito, o vice, com certeza será do PMDB”, diz o presidente do diretório regional do Partido dos Trabalhadores, Valdi Camárcio.
Aliado de Rubens Otoni no partido, Camárcio afirma que a relação com PMDB tem sido um processo continuado, que começou em 2008 e se fortaleceu em 2010. “Isso vai continuar para as eleições de 2012 e 2014. As conversas entre os comandos desses partidos têm sido nesse sentido”, completa o petista ao ressaltar que existe um entendimento que PT e PMDB deve ser aliado na maioria dos municípios.
Aparecida
Em Aparecida, o PT caminha para indicar o vice do prefeito Maguito Vilela, que pode deixar o mandato para um cargo majoritário na eleição de 2014. Dois nomes estão na lista da disputa na cidade. O ex-deputado estadual e atual secretário de Governo de Aparecida, Ozair José, e agora no Partido dos Trabalhadores, é um dos nomes mais cotados para assumir a vaga.
No final do ano, o petista histórico Olavo Noleto transferiu seu domicílio eleitoral para Aparecida. Oficialmente, o pedido partiu do presidente do PT na cidade, Helvecino Moura e essa seria uma maneira apenas de intensificar suas atividades na região e ajudar o município, já que ele é o subsecretário de Assuntos Federativos da Presidência da República.
Porém, nos bastidores corre que Olavo Noleto pretende ser o escolhido do partido para a vaga, já que nunca teve mandato no Estado. Para ele, essa seria uma oportunidade de viabilizar seu nome para as eleições de 2014, como candidato a deputado estadual. A escolha de Noleto viabilizaria estrutura de campanha a Maguito por meio de Brasília.
Diante desse cenário, e na melhor das hipóteses, o PT pode iniciar 2014 comandando Goiânia, Aparecida e Anápolis, as três maiores cidades do Estado, com condições de bancar uma candidatura própria ao governo. Tal cenário preocupa os peemedebistas, que estão cada vez mais amarrados a Paulo Garcia na eleição em Goiânia, já que o partido praticamente abriu mão de construir uma pré-candidatura alternativa ao projeto petista.
Além disso, em um possível racha com o PMDB em 2014, Paulo Garcia, caso reeleito, teria dificuldades de frear as pretensões de Rubens Otoni lançar-se candidato ao governo. O deputado é a principal liderança do partido no Estado, tem ascendência na maioria dos diretórios no interior e também sobre o comando estadual do partido. Ou seja, a situação é favorável para que os petistas fujam de se comprometer em vincular 2012 com 2014, mas, por enquanto, convenientemente sem deixar de alimentar as esperanças peemedebistas.








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