Há três anos no poder, o prefeito de Rio Verde, Juraci Martins de Oliveira (PSD), parcelou as dívidas herdadas de gestões anteriores e tirou o município do Serasa e do SPC. Ele viabilizou recursos federais para a construção de obras na saúde e foi o primeiro prefeito do interior contemplado com o programa habitacional do governo federal Minha Casa Minha Vida. Ele também tapou os buracos das ruas e reformou creches, praças e escolas. Mas, apesar dos bons índices de aprovação popular e de ser franco favorito à sucessão municipal, Juraci ainda não conseguiu imprimir uma marca própria à sua administração.
Eleito em 2008 pelo DEM e desde outubro do ano passado no PSD, Juraci Martins administra um município que é dono de uma arrecadação de fazer inveja à maioria dos prefeitos. A previsão orçamentária para este ano beira a casa R$ 500 milhões e o município possui o maior PIB brasileiro do agronegócio. Porém, apesar da abundância de recursos, a atual administração chega ao último ano de mandato sem ter erguido uma obra significativa com dinheiro do próprio cofre. Até agora, as realizações físicas mais alardeadas feitas com verbas do município foram as reformas do Módulo Esportivo, orçada em R$ 800 mil, e de uma praça com raio de 100 metros no Parque Bandeirantes, pouco pelo volume de dinheiro arrecadado. Apesar do compromisso de enxugar a máquina logo no início da gestão, o número de comissionados ainda é elevado e quase metade da receita é gasta com o funcionalismo.
Legado
A situação é diferente da dos antecessores imediatos. Enquanto o ex-prefeito Paulo Roberto Cunha é lembrado pela criação do DIMPE (Distrito Industrial de Micro e Pequenas Empresas) e Nelci Spadoni ainda tem o nome relacionado à instalação da Perdigão (hoje BRFoods), o atual gestor aguarda suporte de verbas federais para iniciar algumas de suas promessas de campanha, como a construção de um hospital materno infantil, um centro de convenções e um teatro. A política de atração de indústrias também esfriou e o município tem ficado de fora da disputa por grandes empresas em Goiás. Hoje, Rio Verde é apenas o quinto colocado entre os municípios goianos em exportação.
A nove meses da eleição e com o desafio de entregar importantes obras para alavancar sua pré-candidatura, Juraci corre contra o tempo para participar do maior número possível de inaugurações até junho, prazo previsto na legislação eleitoral. Com o tempo reduzido para capitalizar politicamente as obras, o prefeito começou o ano participando do lançamento de construções em fase inicial, como Unidades Básicas de Saúde, também com investimento do governo federal. O prefeito de Rio Verde também não conseguiu desatar o nó jurídico do transporte coletivo, que funciona com irregularidades há mais de 10 anos, ou mesmo concluir obras inacabadas da gestão anterior, como um parque ecológico e um lago. A rede de tratamento de esgoto não acompanhou o crescimento urbano dos últimos anos e, no intuito de universalizar o sistema, Juraci defende uma Parceria Público Privada envolvendo a Saneago e uma empresa de grande porte.
Política
No âmbito político, o prefeito procura não sair de uma zona de conforto conquistada graças à adesão da maior parte dos adversários após a sua eleição e à ausência de uma ação conjunta da oposição. Com maioria esmagadora na Câmara de Vereadores, jamais encontrou obstáculos para a aprovação de seus projetos. Juraci Martins mantém basicamente o mesmo secretariado e administra a uma distância segura os conflitos internos entre os auxiliares. Para assegurar apoio ao projeto de reeleição, tem cedido espaços para o PSDB e PP na administração. A única insurgência mais grave ocorreu na Fesurv, em 2009, e culminou com a abertura de mais de 14 processos movidos pelo prefeito contra o ex-reitor Paulo Eustáquio. A outra crise ocorreu na Secretaria de Educação no ano passado, quando os professores se revoltaram contra o Estatuto do Magistério apresentado pelo titular da pasta, Levy Rei de França. Juraci preferiu arcar com o desgaste e manteve o aliado no cargo.
A despeito de deter o poder da caneta, Juraci já perdeu o posto de líder maior do PSD no município para o deputado federal Heuler Cruvinel. O parlamentar é responsável por grande parte das indicações de cargos no governo e terá peso decisivo na escolha do próximo candidato a vice-prefeito, além de influenciar mais acentuadamente na política regional. Até agora, as únicas ofensivas mais contundentes à administração partiram do DEM, lideradas pelo deputado federal Ronaldo Caiado. A tendência é que, de agora em diante, o ex-partido de Juraci protagonize as críticas que PT e PMDB deixaram de fazer durante todo o mandato.
Siglas giram em torno do PSD
Se na sucessão municipal de Goiânia o PSD tende a se firmar como apêndice dos tucanos e demonstre poucas condições de lançar candidatura própria para a Prefeitura da Capital, em Rio Verde a situação é oposta. Liderada pelo prefeito Juraci Martins e pelo deputado federal Heuler Cruvinel (ambos saídos do DEM), a sigla é quem dita os rumos do próximo pleito na cidade e conta com apoio de 16 partidos para a disputa eleitoral. Na maior cidade do Sudoeste Goiano, é o PSDB quem briga para obter espaço na chapa majoritária com a possível indicação de um candidato a vice-prefeito.
Para a fúria do DEM, Juraci e Heuler mudaram de legenda em outubro do ano passado levando consigo algumas das maiores lideranças locais e, graças à filiação de quatro vereadores – incluindo o presidente da Câmara, Elias Terra (ex-PDT) _ o grupo já é dono da maior bancada do Legislativo. Os pessedistas mais otimistas acreditam que poderão ocupar até sete das 21 cadeiras que estarão em jogo no próximo mês de outubro. Se por um lado a grande quantidade de nomes com forte densidade eleitoral escaladas para a corrida à Câmara Municipal desperta cautela em siglas menores, a expectativa de lucrar com sobras de votos do prefeito causa o efeito contrário. O principal desafio do PSD em Rio Verde é concretizar uma aliança dilatada para garantir tempo de televisão que faça frente ao PT e PMDB.








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