O senador Demóstenes Torres (DEM) entra em uma semana decisiva sobre uma possível candidatura a prefeito de Goiânia. Publicamente, interlocutores do Palácio das Esmeraldas dão como certa a definição do democrata de se retirar da corrida eleitoral pela prefeitura da Capital. De acordo com aliados, a data estipulada para o anúncio do senador é até a próxima sexta-feira, 10 de fevereiro.
No entanto, nos bastidores, Demóstenes tem dado sinais de que quer um prazo maior para fazer o anúncio sobre uma possível postulação. Além disso, lideranças importantes do DEM no Estado têm defendido que o senador postergue ao máximo uma definição. Os próprios aliados confessam, porém, que dificilmente o projeto do senador passa por uma eleição em Goiânia.
A semana inicia movimentada para o DEM. A expectativa é que os primeiros sinais de desistência do senador sejam dados na reunião do partido com mais de 300 pré-candidatos a prefeito e vereador de todo o País, na segunda-feira, 6, em São Paulo.
Demóstenes participa do encontro como líder da legenda no Senado, ao lado do deputado federal Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM; e de outras lideranças nacionais, como o presidente nacional da legenda, senador José Agripino Maia (RN); o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia; e o líder do partido na Câmara, ACM Neto (BA).
A tendência é que na reunião o partido novamente exponha o objetivo de fazer o maior número de prefeitos nas capitais e, consequentemente, fortalecer seu projeto de lançar candidatura própria a presidente da República, que tem como um dos nomes mais cotados o de Demóstenes Torres. O fortalecimento desse projeto seria o primeiro sinal de desistência do democrata à disputa pela prefeitura de Goiânia.
Na semana passada, integrantes do PSDB passaram a falar publicamente que possivelmente no dia 7 – um dia depois do encontro em São Paulo – o senador deve anunciar sua saída do páreo. Também passaram a cogitar a possibilidade de o anúncio ser feito na sexta-feira.
A antecipação do anúncio é fruto da pressão dos tucanos, principalmente do provável pré-candidato do partido, Leonardo Vilela (Leia reportagem na página 3). O deputado federal e secretário de Meio Ambiente é quem mais tem defendido uma definição rápida de Demóstenes para que seu nome possa ser anunciado como pré-candidato do partido à disputa e assim acelerar as conversações com as demais legendas da base governista.
O tempo de Demóstenes tem atrapalhado a base aliada, principalmente o PSDB, que atrelou o nome do senador ao único ponto de aglutinação do grupo governista. Entre os tucanos que têm cobrado uma definição do democrata está o presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus. “Queremos decidir (a candidatura em Goiânia) o quanto antes. Se o DEM decidisse logo (se Demóstenes será ou não candidato), seria muito bom para a base”, disse o presidente, no início de janeiro à Tribuna.
A espera também incomoda o secretário estadual de Saúde e tucano histórico, Antônio Faleiros. Em entrevista a Tribuna, há duas semanas, o secretário diz que espera uma decisão no curto prazo. “A gente não pode ficar esperando. Ele tem de definir se o projeto dele é esse ou não. (...) Acredito que agora, fevereiro ou março, o senador vai decidir se é candidato”, defendeu.
O presidente do PSD regional e chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha, é outro que não tem demonstrado apreço em esperar pela decisão final do senador. Recentemente, Vilmar comparou a espera por Demóstenes à crença do sebastianismo – movimento que acreditava na volta do rei Dom Sebastião de Portugal, morto em batalha no Oriente Médio, no século XVI. O presidente ainda disse que não vai mais esperar o senador e que o PSD trabalhará com possibilidade de lançar um candidato próprio na capital.
O “jogo de espera” do senador tem atrapalhado outras pré-candidaturas na base governista. O deputado federal Sandes Júnior (PP), presidente metropolitano da legenda, e pré-candidato, tem defendido que o senador deva ser o candidato. Questionado se não há uma desvalorização dos próprios postulantes ao abrirem mão de seus projetos caso Demóstenes queira ser candidato, Sandes acredita que não. “As pessoas têm consciência das pesquisas e do momento. É um ato de humildade”.
Alguns aliados reconhecem que Demóstenes é o único candidato natural da base e que faz parte do jogo adiar ao máximo a definição. Mas a pressão cada vez maior por uma decisão tem irritado o senador. Ele teria confidenciado a alguns interlocutores do Palácio das Esmeraldas que não há necessidade de tanta cobrança para definir neste momento sua posição se irá para a disputa municipal.
Demóstenes teria dado sinais de protelar a decisão e argumentado que isso não impede a consolidação de outra candidatura no consórcio governista. Para o senador, segundo esses interlocutores, a campanha na Capital tem forte influência do palanque midiático, televisão e rádio, e que um nome alternativo lançado pela base não precisaria de todo esse tempo para ser construído.
Apoio
A decisão de Demóstenes em adiar tem o respaldo da principal liderança do DEM no Estado. Para o presidente regional do Democratas e deputado federal, Ronaldo Caiado, a definição do colega de partido só seria anunciada no final do prazo permitido, ou seja, nas convenções. “Eu, como presidente de partido, defendo que isso só se defina em 30 de junho, no prazo final das convenções. Isso é o melhor para o partido”, ressalta.
Embora afirme que essa é uma decisão pessoal de Demóstenes, o deputado federal acredita que adiar anúncio “será melhor para o partido”. Ou seja, o partido se fortalece dentro do grupo. Postergar a definição, transforma o DEM na 'noiva' mais cobiçada do processo eleitoral na Capital, além de deixar o nome de Demóstenes em evidência por mais cinco meses.
Adiar a decisão deixa a base dependente de Demóstenes Torres como o principal cabo eleitoral do grupo em Goiânia. Uma definição neste momento abre caminho para um nome da base com apoio do governador se fortalecer e diminuir a dependência do senador na campanha do candidato da base.
Uma decisão só em junho, o DEM também se fortalece para indicar o vice do candidato tucano, possivelmente Leonardo Vilela. O PSD é uma das siglas que, provavelmente, vai lutar para indicar um nome na chapa governista, já que poderá ter um tempo de televisão superior ao do DEM, além de um maior número de lideranças no arco governista. No entanto, isso ainda depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre consulta do recém-criado partido.
Uma queda de braço com o PSD motiva ainda mais o DEM a esticar essa corda. Os democratas no Estado foram os que mais perderam com o surgimento do novo partido. O Democratas perdeu muitos quadros, entre eles, dois deputados federais, Vilmar Rocha e Heuler Cruvinel, e o prefeito de Rio Verde, Juraci Martins, no processo de criação do PSD.
Dependência fortalece senador goiano para 2014
Quanto maior a dependência ao senador Demóstenes Torres na eleição deste ano, melhor para o projeto do democrata para 2014. Com tal quadro, o senador goiano se projeta no cenário nacional, mas principalmente no Estado, por ser o principal cabo eleitoral na disputa que pode levar um tucano a novamente comandar a prefeitura da capital.
Na eleição de 2010, o senador saiu fortalecido da disputa por ser, sobretudo no segundo turno, o principal cabo eleitoral do governador Marconi Perillo na cidade. A força do democrata em Goiânia, reconhecida nas urnas na reeleição ao Senado, o projetou logo depois do primeiro turno como o principal nome para eleição deste ano. Demóstenes passou a ser o coordenador de campanha do tucano em Goiânia com o objetivo de reduzir a vantagem do adversário do PMDB, Iris Rezende, ex-prefeito do município.
Além disso, no ano passado, Demóstenes se fortaleceu no cenário nacional com o enfraquecimento da oposição, depois das eleições de 2010, e do DEM, com o surgimento do PSD. O goiano passou a ser a principal voz do grupo adversário da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado e ganhou ainda mais projeção nos principais veículos de comunicação do País.
No início de dezembro do ano passado, Demóstenes ganhou ainda mais espaço ao ser lançado informalmente pelo DEM como pré-candidato a presidente da República em 2014. Durante a convenção nacional realizada na sede do partido em Brasília, os integrantes da legenda foram unânimes em afirmar a necessidade de uma candidatura própria nas próximas eleições presidenciais como condição de sobrevivência da sigla.
"Vamos saudar nosso candidato a presidente, Demóstenes Torres", disse, à época, o senador Jayme Campos (MT), após discurso de pré-candidato feito por Demóstenes. O democrata goiano disse que a legenda "deve se preparar para ter candidato a presidente da República" e que "não pode mais ser coadjuvante".
Para o presidente nacional do DEM, José Agripino, Demóstenes possui condições de disputar qualquer eleição. “Seja para cenário político estadual ou nacional ele é uma importante figura do DEM no País”, ressalta. O senador do Rio Grande do Norte, afirmou que a decisão de disputar a prefeitura da capital deve ser tomada por Demóstenes. “Se o senador Demóstenes decidir ser candidato a prefeito de Goiânia, ele terá o inteiro apoio do partido”, avalizou o democrata.
No entanto, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, no final do ano passado, José Agripino falou sobre as capitais com chances de vitória do DEM, mas não citou Goiânia, que tem Demóstenes líder isolado nas pesquisas. “O partido não tem hoje nenhum prefeito nas capitais, mas temos candidatos fortes em Aracaju, Campo Grande, Salvador, Recife e Fortaleza... A expectativa para as eleições municipais, considerando o quadro que existe hoje, é de franco crescimento”, disse Agripino, em entrevista publicada no dia 27 dezembro.
As declarações do presidente do DEM, assim como a movimentação nacional, aponta que o projeto político de Demóstenes tem o foco direcionado às eleições de 2014. Se fortalecer seu nome nacionalmente, o senador goiano se cacifa para uma vaga de vice-presidente da República, já que hoje o DEM não teria condições de enfrentar o PSDB, maior partido da oposição ao governo Dilma.
Alimentar um projeto nacional também contribui para que Demóstenes se torne uma opção a disputa estadual, no caso a de governador. A projeção conquistada no ano passado aliada ao desempenho eleitoral fortalece ainda mais o democrata na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, em 2014, numa situação hipotética de o governador Marconi Perillo não disputar a reeleição. A dúvida é saber se, caso seja candidato, Demóstenes teria o apoio dos tucanos








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