Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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politica

Leonardo já age como candidato

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Fevereiro começa com clima de afunilamento na base aliada. Nos bastidores as informações são de que o secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Vilela, é o grande favorito dentro do PSDB e deve ser confirmado candidato. A única pendência é em relação ao senador Demóstenes Torres, que poderá pedir mais tempo para se decidir (leia reportagem na página 1). Na prática, porém, Leonardo não tem esperado o senador e já mantém uma agenda de candidato.
Oficialmente, o PSDB tem três pré-candidatos – além de Leonardo, o deputado estadual Fábio Sousa e o deputado federal João Campos. Os três deverão manter seus nomes no jogo, pelo menos até a decisão de Demóstenes. Neste meio tempo, Leonardo tocará reuniões com a sociedade organizada e visitará as diversas regiões da capital. Na quinta, 2, o tucano esteve na Vila Finsocial, onde reuniu-se com lideranças e participou de uma Folia de Reis.
O favoritismo de Leonardo vem de sua proximidade do governador Marconi Perillo. O secretário entrou no jogo eleitoral a convite do líder tucano e, desde então, tem agido para conquistar a unidade no partido. Com o aval de Marconi, hoje Leonardo já tem um grande apoio interno e, com isto, passou a uma segunda fase de sua campanha, o contato direto com as lideranças comunitárias. Tão logo Demóstenes defina sua vida, Leonardo deverá ser confirmado como o nome tucano para a disputa eleitoral pelo conselho político, liderado pelo ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB), e abalizado pelo governador.

Trabalho
Escolhido candidato, Leo­na­rdo iniciará sua caminhada com muito trabalho a ser feito. Isto porque o candidato será o principal condutor da união da base governista, não apenas formalmente, mas principalmente com a garantia da participação efetiva das lideranças políticas na campanha.
A união do grupo governista é hoje o maior desafio para o futuro candidato a prefeito da capital. A base aliada de Marconi Perillo nunca foi um grupo homogêneo, pelo contrário, se fragmenta em pequenos grupos e, não raramente, há disputas e divergências sérias entre eles. Segundo levantamento da Tribuna (leia o quadro), o candidato terá seis principais pontos de desacordos a serem trabalhados, sob o risco de ficar isolado durante a campanha que começa em julho.
A disputa mais atual dentro do PSDB é entre Leonardo Vilela e o deputado estadual Fábio Sousa. Desde agosto último, quando Leonardo decidiu concorrer à indicação dentro do partido, militantes ligados aos dois grupos disputam espaço, incluindo confrontos pelas redes sociais. Enquanto Leonardo agrega partidários de dentro do governo, Fábio tem força entre os militantes religiosos da Igreja Fonte da Vida e agrega a Rede Fonte de Comunicação, meio de influência de seus aliados.
Apesar disto, dentre eles, o clima aparentemente é de paz. "Tenho certeza de que, seja quem for o escolhido, iremos estar todos juntos", diz Leonardo. Já Fábio Sousa bate na mesmo tecla, de que não haverá mágoas por parte do preterido. "Rusgas ficam quando existe imaturidade", frisa. Mesmo assim, ainda é incerto o apoio efetivo na campanha, devido à rivalidade criada entre os grupos e o histórico descompromisso de quem perde as disputas pré-eleitorais dentro da base aliada.
Fábio Sousa, contudo, ainda diz que está no páreo e que vem trabalhando para que seja o escolhido. Questionado se existe algum temor de ser atropelado no processo, Fábio Sousa nega contundentemente. "Não faz parte do nosso partido escolhas de goela abaixo. Não acredito que haja esta preferência (por Leonardo) do governador. Acho que são boatos de amigos que querem agradar", descarta.
Caso Leonardo Vilela venha a ser o candidato, ele terá de costurar não só com os pré-candidatos preteridos, mas também cuidar para que velhas disputas do passado não o atrapalhem. Nesta categoria entra o imbróglio que ele teve com a senadora Lúcia Vânia, entre 2007 e 2008, quando foi eleito para o cargo de presidente regional do PSDB. Na oportunidade, Lúcia reclamou que havia sido excluída do processo e que tinha perdido espaço dentro do diretório.
Inconformada, Lúcia foi à imprensa reclamar do tratamento que estava recebendo por parte do partido. Em fevereiro de 2008, Lúcia Vânia se desentendeu com o então senador Marconi Perillo, em sessão da Comissão de Orçamento do Senado, onde a parlamentar recusou duas emendas do colega de partido. Na oportunidade, o diretório regional soltou uma nota, com o apoio de parlamentares do PSDB, vinculando a carreira da senadora com o partido e ameaçando tomar a vaga de Lúcia, caso ela deixasse o PSDB. Na época, Leonardo deu declarações no mesmo sentido.
Quatro anos depois, hoje Leonardo Vilela minimiza o episódio, diz que as feridas já estão cicatrizadas e que não vê neste episódio um problema. "É normal termos posições contrárias dentro de um partido político, mas isto para mim já está superado. Apoiei a senadora na campanha de 2010. Em todos os meus adesivos tinha o nome da senadora e a minha equipe também trabalhou pela sua reeleição", cita.

Outras disputas
Na base aliada não há só disputas dentro do PSDB. O DEM goiano, por muitos anos, foi um partido em ebulição devido aos confrontos entre caiadistas e governistas, este último liderado pelo atual secretário chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha. No ano passado, Vilmar ajudou a formar o PSD em Goiás e hoje comanda o diretório regional do novo partido.
Com esta ação, a crise passou de partidária para além dos limites do DEM. Isto porque a mudança não cicatrizou as feridas, pelo contrário, jogou mais ‘lenha na fogueira’ devido ao fato do PSD ter retirado do DEM grandes lideranças e desidratado o partido em Goiás. Não se espera um forte apoio do PSD caso o candidato seja o senador Demóstenes Torres (DEM). Se, por exemplo, for um tucano, este terá de controlar as duas agremiações que certamente brigarão por indicar o seu vice.
O deputado Sandes Júnior (PP) já disputou a prefeitura de Goiânia por três vezes, sendo que as duas últimas foram em 2004 e 2008, com o apoio da base aliada. Há oito anos, Sandes e o então deputado federal Barbosa Neto (PSB) disputaram uma prévia às avessas, onde apenas filiados do PSDB votaram. A disputa foi traumática e acabou com parte da base cruzando os braços durante a campanha do pepista.
Em 2008, a situação foi pior. Sandes Júnior virou candidato apoiado formalmente por quase todos os partidos aliados, mas teve de tocar uma campanha completamente esvaziada. Isto porque o clima no Palácio das Esmeraldas, com o confronto entre alcidistas e marconistas, já estava atrapalhando as relações políticas. Além disto, o ex-governador Alcides Rodrigues preferiu abençoar o seu copartidário, contrariando os outros pré-candidatos, como a ex-deputada Raquel Teixeira, que preferiu cuidar de suas bases a fazer campanha para o pepista. Sandes ainda tem uma parcela fiel do eleitorado goianiense e ameaça ser novamente candidato.
Outra disputa na base aliada fica por conta do ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB) e o ex-deputado Luiz Bittencourt (PTB). Ambos protagonizaram o forte embate do segundo turno nas eleições para a prefeitura de Goiânia, em 1996. Na época, Nion ficou muito magoado com acusações pesadas de Bittencourt, que participava do pleito pelo PMDB. Hoje, o ex-deputado se aproximou do governador Marconi Perillo e a sua relação com o ex-prefeito, que coordena a escolha do candidato tucano, é mais um empecilho para quem quiser disputar as eleições de Outubro.

Embates na base aliada

1 Leonardo Vilela X Fábio Sousa
P3 - show do povo   entrevista com dep  leonardo vilela 26656

Ambos ensaiam hoje uma boa convivência, mas quando o secretário Leonardo Vilela lançou sua pré-candidatura, aliados dos dois bateram boca nas redes sociais. Leonardo tem a preferência do Palácio das Esmeraldas, mas Fábio Sousa tem a seu lado o grupo Rede Fonte de Comunicação. Fábio fez algumas críticas veladas a Leonardo, por ele não ter origem na capital e por manter base eleitoral no interior. Ainda é incerto se haverá participação efetiva na campanha por parte de quem for preterido.

2 Jovair Arantes X Integrantes do Governo
P3 - Leonardo Vilela-Paulo José fotógrafo Tribuna

O deputado Jovair Arantes reafirmou sua pré-candidatura mesmo depois de ter sido acusado de cobrança de propina, enriquecimento ilícito e tráfico de influência. A denúncia foi feita pela revista Veja e rechaçada pelo parlamentar. O fato estremeceu ainda mais a relação de Jovair com setores do governo, já que ele deixa claro que ação pode ter vindo de dentro do Palácio das Esmeraldas. Pode ter sido a gota d’água para que o deputado confirme o seu nome na disputa e divida a base governista.

3 Leonardo Vilela X Lúcia Vânia
P3 - Marconi Perillo-Leo Iran

Logo após a posse de Leonardo Vilela na presidência do diretório regional do PSDB, em novembro de 2007, a senadora Lúcia Vânia reclamou de que tinha ficado de fora da discussão da nova Executiva. Lúcia voltou a reclamar de espaço no partido e ameaçou deixar o ninho tucano. Em fevereiro de 2008, diante das críticas públicas da senadora, o diretório divulgou uma nota, com assinatura de membros e deputados do PSDB, dizendo que tudo o que ela havia conquistado devia-se ao partido. O caso esfriou, mas e as mágoas?

4 Vilmar Rocha X DEM
P3 - Rodrigo Maia-Paulo José fotógrafo Tribuna

O secretário chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha (PSD), diz que o seu partido ensaia candidatura própria, mas que pode apoiar um nome da base aliada. Vilmar não teria problemas em apoiar algum nome tucano, principalmente pela relação próxima do PSD com o Palácio das Esmeraldas. O problema seria apoiar alguém do DEM, como o senador Demóstenes Torres, onde o secretário viveu vários anos em confronto direto com a cúpula do partido. Mesmo no caso do PSDB lançar um nome, o PSD e o DEM devem disputar a vice tucana, o que estimulará a rivalidade.

5 Sandes Júnior X Integrantes da base aliada
P3 - Sandes Júnior-Michel Capel

O deputado Sandes Júnior, candidato da base aliada nas duas últimas eleições municipais em Goiânia, não demonstra mágoas, mas é fato que ele não contou com todo o empenho dos líderes governistas durante as suas disputas. Principalmente em 2008, quando o deputado visivelmente não teve total apoio nem do PP, o seu partido. Com um eleitorado cativo na capital, ainda é incerto se o parlamentar abraçará a campanha de quem quer que seja o candidato governista.

6 Nion Albernaz X Luiz Bittencourt
Documento digitalizado

O ex-prefeito de Goiânia, Nion Albernaz (PSDB) é coordenador da comissão que deve escolher o nome tucano para a disputa das eleições em Goiânia. Em 1996, quando disputou seu último pleito eleitoral, Nion enfrentou o ex-deputado federal Luiz Bittencourt (ex-PMDB). Na época, Bittencourt fez acusações pesadas a Nion, que nunca esqueceu a atitude do ex-parlamentar. O ex-peemedebista hoje está próximo do governador Marconi Perillo e uma participação efetiva sua na campanha pode inibir as ações de Nion.


 

Tucanos já descartam aliança com Jovair no primeiro turno

No discurso, os dois principais pré-candidatos tucanos à prefeitura de Goiânia ainda dizem que vão tentar convencer o deputado federal Jovair Arantes (PTB) a desistir da sua pré-candidatura e apoiá-los no próximo pleito eleitoral. A esperança, porém, diminuiu muito, principalmente depois das denúncias feitas contra Jovair pela revista Veja, há algumas semanas. O fato é que o trabalho já é feito tendo em mente a candidatura do petebista.
O deputado estadual Fábio Sousa diz que respeita o trabalho de pré-campanha de Jovair Arantes e diz que o petebista "tem todo o direito" de ser candidato. Ele, porém, garante que, sendo escolhido candidato, o procurará. "A primeira pessoa que vou buscar tentar convencer será o Jovair. Convencer sem pressões, na base do diálogo", explica.
Leonardo Vilela segue a mesma linha e diz que o pleito de Jovair Arantes é legítimo. "É totalmente legítimo que o Jovair seja candidato, caso ele queira. Mas, caso seja candidato, vou buscar o seu apoio até o dia das convenções", revela. Sobre a reclamação do deputado do PTB de que ele sempre "apoia a base, mas nunca é apoiado", Leonardo rebate dizendo que o grupo sempre lhe deu espaço nas candidaturas proporcionais.

Dificuldades
Como não poderia ser diferente, o discurso é de união, mas todos sabem a dificuldade que será convencer Jovair a não se candidatar. Há muitos anos, o deputado cobra a fatura por ter sido fiel e apoiado os candidatos da base aliada. "O PTB foi a base e segurou a candidatura de Marconi enquanto todos tentavam desconstruí-lo de sua história, do homem moderno que é. (...) Então, não somos da base, somos a base", disse Jovair, em entrevista na edição passada da Tribuna.
As denúncias de cobrança de propina, enriquecimento ilícito e tráfico de influência, feitas pela revista Veja e rechaçadas pelo deputado, só colocou mais barreiras no entendimento de Jovair com o restante da base, já que há a suspeita de que tenha sido uma ação de dentro do grupo governista para incentivá-lo a recuar. "Sou igual a massa de bolo, quanto mais bate, mais cresce", declarou, descartando qualquer desistência.



 

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