Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Ação de Maguito desagrada aliados

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P8-Governador 08

O prefeito de Apare­cida de Goiânia, Ma­gu­i­to Vilela (PMDB), tem mais variável que vai pesar contra a seu futuro político no PMDB depois de se aproximar do governador Marconi Perillo (PMDB) e de parte do seu grupo político na cidade. A possibilidade de o peemedebista ceder a vice ao PSDB na eleição deste ano pesará contra ele dentro do partido caso decida se lançar candidato na disputa majoritária, em 2014, ao governo ou ao Senado.
Na semana passada, os peemedebistas deram sinais que querem distância do PSDB e do PSD nas eleições deste ano. Durante reunião ordinária da Executiva estadual do partido, na quarta-feira, 1° de fevereiro, ficou definido que alianças com essas duas legendas estão vetadas. Em tese, a decisão afeta os casos nos quais o PMDB for declarar apoio aos candidatos a prefeito das duas siglas adversárias.
No entanto, em algumas cidades, como não se pode vetar apoio, mesmo de adversário, as negociações para atrair as forças contrárias vão ser atentamente observadas. É o caso de Aparecida. Desde o ano passado, Maguito não tem descartado a possibilidade de conversações com o PSDB, que hoje tem como pré-candidato Vetter Martins. Pior: o prefeito construiu uma relação com o governador Marconi Perillo muito além do esperado e tolerado pelos peemedebistas.
No final do ano passado, Maguito deu declarações a veículos de comunicação assumindo a possibilidade de aliança com o PSDB e de ceder a vice ao tucano Vetter. “É possível esta chapa, tudo vai depender da decisão de o PSDB lançar candidato ou não. Podemos sentar à mesa, conversar e discutir o melhor caminho para o município”, disse ao jornal O Hoje, na edição de 5 de novembro.
O prefeito lembrou que PMDB fez “muitas dobradinhas em Goiás com o PSDB. “Em política, as conversações são normais, fazem parte do jogo democrático.” E ao falar sobre possíveis nomes do PT a sua vice, entre eles Ozair José e Olavo Noleto, Maguito novamente citou o tucano: “São excelentes nomes, assim como o Vetter e o próprio Tanner de Melo, do DEM.”
Na cidade, segundo lideranças da base aliada e do PMDB, não se descarta a possibilidade de Maguito ceder a vice aos tucanos, diante da relação construída com Marconi em 2011. A aliança com o PSDB tem um aspecto positivo para o prefeito na conquista de sua reeleição. Ao atrair o partido do governador para sua chapa, o peemedebista neutralizaria uma candidatura adversária, no caso a de Vetter, e enfraqueceria a aliança de seu principal concorrente, o deputado estadual e ex-prefeito do município, Ademir Meneses (PSD).

PT quer vice
No entanto, uma aliança com os tucanos fará com que Maguito acumule  ainda mais desgastes. Um deles é com o PT. O peemedebista se movimentou para  atrair lideranças da cidade a se filiar no partido, a principal delas o ex-deputado estadual e secretário de Governo, Ozair José (ex-PP). Além dele, o petista histórico Olavo Noleto, subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, transferiu seu domicílio eleitoral para a cidade de olho na eleição deste ano.
Os dois petistas são citados como possíveis vices de Maguito na eleição deste ano. Ozair, na avaliação de peemedebistas, agrega por ser uma liderança conhecida na cidade, eleito à Assembleia na legislatura passada com os votos de Aparecida. Já Noleto pode ser apresentado na campanha à reeleição de  Maguito como a ponte com Brasília, principalmente para a busca de recursos para infraestrutura, a principal carência do município.
Um vice do PT consolida a aliança com partido e fortalece Maguito para 2014. Mas se os petistas forem preteridos em troca de uma aliança com os tucanos, o peemedebista, que tem bom trânsito com o governo federal, não irá gozar do mesmo prestígio em Brasília nos próximos dois anos. Fato que pesa para o sucesso de sua gestão, já que como o próprio prefeito, as parcerias com o governo Dilma Rousseff é que têm garantido obras para a Aparecida.
Uma guinada rumo ao PSDB também complica a vida partidária de Maguito, caso decida se lançar candidato em 2014 na chapa majoritária. Segundo lideranças do PMDB estadual, o prefeito de Apare­cida encontraria dificuldades dentro da legenda hoje de aprovar seu nome em convenção para uma disputa ao governo ou ao Senado. “Se colocar seu nome na disputa à Câmara Federal é capaz de passar, mas ao Senado ou ao governo ele terá dificuldades de ser aprovado em convenção”, afirma um dirigente peemedebista.
O principal fator de desgaste de Maguito no PMDB, hoje, é a aproximação com o governador Marconi Perillo. Na última quinta-feira, 2, o prefeito visitou o governador em sua casa, que se recupera dengue do tipo 1. Segundo assessores de Marconi, os dois conversaram apenas sobre política em geral, mas sem nenhum assunto específico. Tal proximidade os peemedebistas presenciaram também no ano passado, com elogios de Maguito para Marconi.
Apesar da aproximação com os tucanos, os peemedebistas dizem publicamente não acreditar que Maguito Vilela irá ceder a vice ao PSDB. “Não acredito nisso. O prefeito de Aparecida é uma das principais lideranças do partido que é adversário histórico do PSDB”, diz o deputado estadual e presidente do diretório metropolitano do PMDB, Wagner Siqueira Júnior, conhecido como Waguinho.
Um dos pré-candidatos do PMDB ao governo, Vanderlan Cardoso, também diz não acreditar que Maguito irá ceder a vice aos tucanos nas eleição deste ano em Aparecida. “O prefeito Maguito Vilela é um peemedebista histórico e eu acredito que ele não vá sair da determinação do diretório”, disse o neopeemedebista, depois de participar da reunião da Executiva estadual.

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