Mesmo com todo o bombardeio que o governador Marconi Perillo (PSDB) vem levando com a revelação dos documentos da Operação Monte Carlo, o secretário de Articulação Institucional, Daniel Goulart (PSDB), acredita que o líder tucano ainda está no páreo para concorrer à presidência da República, em 2014. Segundo o tucano, o fato de Marconi estar sendo alvo mostra que ele tem cacife para a disputa. “Em um problema destes a fila andou muito. Por que ele não pode ser candidato à presidência? Não tem nada que o incrimine e com o tempo as coisas vão clareando”, acredita. Daniel Goulart faz avaliação positiva do trabalho em sua pasta e anuncia que o passe livre estudantil sairá do papel para 37 mil estudantes de baixa renda. Sobre as eleições de Goiânia, o secretário defende que é de Leonardo Vilela (pré-candidato tucano) a decisão de ser candidato, mas que o partido fará avaliações. Daniel Goulart visitou a sede da Tribuna na quinta, 10, e concedeu a seguinte entrevista.
Tribuna do Planalto - Qual o balanço que o senhor faz nesse um ano e meio que está à frente da secretária de articulação institucional?
Daniel Goulart - É uma secretária política que sucede a antiga de governo de Interior e Justiça, mas com a reforma administrativa nós absorvemos a superintendência da juventude trabalhando com a política de interesse da juventude. Na próxima quinta feira o governador vai instituir o passe livre estudantil, que nesse primeiro momento vai atender 37 mil estudantes. É uma avaliação positiva não só da secretária mais também do governo.
Qual deve ser o prazo para estabelecer o passe estudantil?
O projeto foi trabalhado e discutido, a nossa intenção era ter instituído antes já que foi um compromisso de campanha onde nós temos até o ano de 2014 para cumpri-lo. Assinando a mensagem na quinta feira, a Assembleia irá discutir e propor algum aprimoramento do projeto. Acredito que nesse mês de maio o projeto seja aprovado para valer a partir de junho, no primeiro momento serão 37 mil estudantes beneficiados.
Qual é o critério hoje?
O critério são os filhos das famílias beneficiadas com Bolsa Universitária, Renda Cidadã e Bolsa Família.
Isso chegará para os universitários?
Irá chegar dentro dos mesmos critérios.
Como será negociado com as empresas?
Já existe a meia passagem e nós vamos fazer um estudo para ver se estes recursos venham da própria despesa para a educação. A maior parte do transporte escolar no interior é custeado pelo Estado e é aceito como despesa da educação e nós tentaremos colocar no mesmo recurso.
Como vai ser organizado o projeto do governo itinerante?
Nós estamos preparando um processo licitatório para estrutura e gestão, tentaremos fazer algo diferente e buscaremos parceria com o SEBRAE, tentando levar cursos de qualificação para a região onde, terminando a semana do governo itinerante, ficará o curso para a população, buscando a vocação do próprio município.
Quando será a primeira edição desses projetos?
Após as eleições porque o período eleitoral é muito delicado.
O que se tem de mais concreto em relação a esse projeto que possa alavancar a imagem do governo perante a sociedade?
Esse projeto aproxima o governador da sociedade, o governo itinerante é interessante porque o estado leva serviços que são prestados por todos órgãos para atender uma região, a cidade sede naqueles dias se transforma na capital do estado através de um decreto do governador.
Como que fica a base aliada onde esse projeto não vai chegar?
O momento hoje tem desgastes em função da greve da educação. O governo perdeu uma certa guerra de comunicação, principalmente nas redes sociais. No primeiro momento a operação Monte Carlo trouxe desgastes para o governo porque algumas pessoas foram citadas. Aqueles que tiveram coisas que os incriminassem foram afastados, mas o governador desde o primeiro momento tem dito que não está preocupado com popularidade, mas em resolver os problemas da sociedade. Ele tem esse estilo. O governador tem a consciência tranquila e quer ser investigado para que não tenham nenhuma dúvida. Muito ali do que houve foi em função do Demóstenes porque se ele foi em uma festa na casa do senador foi por insistência. O governador foi gentil, atendeu em Palácio, mas em momento algum cedeu, tem trecho ali que ele fala com clareza que não aceitaria monopólio da Delta e nem de qualquer empresa provocando a ira do Cachoeira e do senador.
O delegado mostrou vários fatores que mostram a proximidade entre eles, onde ele terá que ser ouvido, em relação a isso?
O delegado Mateus faz algumas referencias dizendo que o governador foi citado, mas o governador é citado milhares de vezes por todo cidadão goiano, eu acho que isso não incrimina. Tanto é que o procurador geral não achou nenhum elemento, agora é muito estranho a policia não ter feito o flagrante no Wladmir Garcês que tinha uma reunião marcada para as 13h e depois mudou para as 16h. Porque não fizeram o flagrante? Aquele dia o Wladmir não foi recebido pelo governador e nós temos provas contundentes disso, eu chequei e estou afirmando que ele não foi recebido naquele dia.
Houve erro da parte do governo?
O governador ficou um pouco assustado mais com a consciência tranquila em relação a isso, talvez a gente tenha pecado por não ter instalado um comitê para cuidar da gestão, talvez isso seria necessário no mundo de hoje. O presidente Lula não perdoa o Marconi, a CPMI está acontecendo porque a Dilma estava viajando e o Lula chamou todo mundo para fazer a CPMI, mas tem muita gente arrependida de ter provocado porque se tornou um problema nacional. O Cachoeira era um lobista que articulou para entrar nos governos, entrou em Aparecida com a Delta na coleta de lixo, em Anápolis e também na prefeitura de Goiânia com vários contratos, é uma empresa muito grande e estava atuando em 23 estados.
Como que o governo está vendo o movimento Fora Marconi?
A gente pode observar que em função dos desdobramentos esse movimento vem perdendo força, segundo a imprensa e a PM tinha apenas 200 pessoas. Nós temos uma pesquisa onde mostra que nós precisamos melhorar a imagem do governo para a juventude. O governo Marconi tem uma série de ações para a juventude: Bolsa Universitária, Bolsa Esporte e várias outras, é uma série de ações e nós precisamos divulgar melhor isso.
O fato de ter uma suspeita sobre um determinado agente público, não seria melhor para o governador afastá-lo até que as investigações se concretizem?
Depende de cada caso, no caso do Jaime Rincón ele deu uma reposta perfeita, não me lembro muito bem, mas o governador me afirmou que estava satisfeito com a resposta dele e na medida que vá surgindo novos fatos se houver algum indício contundente que incrimine qualquer membro do governo terá que deixar o cargo.
O João Furtado foi um dos mais citados, não é caso de se rever a situação dele?
Os delegados que ocupavam posições estratégicas estão afastados e respondem procedimentos administrativos, como eu acredito também que a presidenta Dilma tenha feito o mesmo no caso dos deputados federais. Realmente essa crise se tornou uma dimensão grande porque a rede do Cachoeira conseguiu trazer para sua teia delegados da policia federal, desembargadores e etc.
O que o sr. acha do projeto alimentado pelo presidente da Assembleia Jardel Sebba, que limita os cargos de 1º e 2º escalões para políticos com voto?
Acho que todo secretário tem que ter sensibilidade política, ali é a casa do debate, o parlamento tem toda autonomia para discutir ideias como esta. Eu acho muito complicado uma matéria dessa ser legal e tem que ver se ela realmente é constitucional. Eu não conheço o projeto então fica difícil estar falando, temos que debater o projeto e ver a questão da constitucionalidade e mesmo que não seja constitucional é uma questão que o governo tem que ser sensível a esse clamor vindo do parlamento.
Como o governador pretende participar do projeto eleitoral?
Ele pretende ir a poucos palanques nessa eleição, ele não tem boas lembranças das eleições de 2000 e 2004. No entendimento dele governador é governador de todos.
O senhor acredita que o deputado Leonardo tenha fôlego para disputar as eleições em Goiânia?
O problema da Operação Monte Carlo é que mexeu com todas as instituições partidárias, todas estão esperando clarear esse problema como um todo. O deputado Leonardo ainda tem a confiança do partido, porque não tem nada ali que o incrimine. A decisão de tocar o projeto é dele, mas nós iremos fazer algumas avaliações e ver se no primeiro turno nós iremos com uma candidatura única. Em relação a Aparecida a gente caminha para apoiar a candidatura de Ademir Menezes e o que está sendo desenhado é que Veter seja vice, nós iremos fazer avaliações e veremos o que é melhor. O Veter Martins é um cara excepcional, foi candidato a deputado federal mais votado em Aparecida com 17 mil votos, ele teve todo nosso apoio, mas enfrentou duas polarizações muito fortes, do atual prefeito e do ex-prefeito Ademir Menezes e quebrar essa polarização é muito difícil.
Mas o partido não corre o risco de cometer o mesmo erro que cometeu em Goiânia?
Mas o Ademir aparece bem na pesquisa qualitativa, o trabalho e o estilo dele é bem respeitado, não só dele como do grupo. O problema do atual prefeito é que ele foi eleito e não se aproximou das lideranças de bairros e dos problemas da população mais humilde.
O desgaste do governo, apontado pela pesquisa Serpes (publicada pelo Jornal O Popular na terça, 8) pode trazer prejuízos a base aliada nas eleições de outubro?
Se a gente não souber trabalhar levando a verdade e se deixarmos que os fatos sejam distorcidos, traz problemas.
A mesma convicção do PSDB de que o governador não tenha nada em relação a esse caso se aplica ao deputado Lereia?
Cada um é responsável pelos seus atos, a CPMI e o STJ estão aqui pra isso. Então é preciso ser feita a investigação, ele tem dito a público que a sua relação com Cachoeira é de amizade que não tinha negócios com Cachoeira e espero que junto a corregedoria da Câmara ele prove o que ele tem afirmado.
Na opinião do senhor o senador está morto politicamente?
Acredito que sim, acho muito difícil porque isso tudo o pegou de surpresa. Espero que ele consiga dar a volta por cima nessa situação toda.
E em relação à hipótese de que o Cachoeira tenha financiado parte da campanha do governador via Demóstenes Torres?
Não tem nada disso, as doações foram feitas vias partido e via comitê financeiro de campanha e estão todas declaradas via TRE. São doações legais, se tem alguma doação de alguma empresa que tenha ligação indireta nós não iríamos saber, a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula receberam doações da empresa Delta.
A CPI na Assembleia deve chegar aonde?
Essa CPI foi provocada pela oposição e a situação topou fazer. Eu acho importante o instituto da CPI, mesmo tendo a CPMI, mesmo sendo um problema nacional. Ou o Estado enfrenta de vez esse problema, ou acha uma maneira de regularizar essa jogatina.
O projeto político do governador e a reeleição em 2014?
O governador não tem projeto político definido, seu projeto é cumprir com o projeto aprovado em 2010, esse é seu projeto político, pelo menos é o que ele tem adiantado para todos nós. Agora a fila anda. Um governador em terceiro mandato entra na fila para um projeto maior. José Serra saiu do plano nacional e voltou para ser candidato à prefeitura de São Paulo. Demóstenes está totalmente chamuscado. Em um problema destes a fila andou muito. Por que ele não pode ser candidato à presidência? Não tem nada que o incrimine e com o tempo as coisas vão clareando. Ele é vítima de Cachoeira e seus amigos, e vítima do lulismo.








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