Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Entrevista

“Marconi é vítima do Cachoeira e do lulismo”

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Mesmo com todo o bombardeio que o governador Marconi Perillo (PSDB) vem levando com a revelação dos documentos da Operação Monte Carlo, o secretário de Articulação Institucional, Daniel Goulart (PSDB), acredita que o líder tucano ainda está no páreo para concorrer à presidência da República, em 2014. Segundo o tucano, o fato de Marconi estar sendo alvo mostra que ele tem cacife para a disputa. “Em um problema destes a fila andou muito. Por que ele não pode ser candidato à presidência? Não tem nada que o incrimine e com o tempo as coisas vão clareando”, acredita. Daniel Goulart faz avaliação positiva do trabalho em sua pasta e anuncia que o passe livre estudantil sairá do papel para 37 mil estudantes de baixa renda. Sobre as eleições de Goiânia, o secretário defende que é de Leonardo Vilela (pré-candidato tucano) a decisão de ser candidato, mas que o partido fará avaliações. Daniel Goulart visitou a sede da Tribuna na quinta, 10, e concedeu a seguinte entrevista.


Tribuna do Planalto - Qual o balanço que o senhor faz nesse um ano e meio que está à frente da secretária de articulação institucional?
Daniel Goulart - É uma secretária política que sucede a antiga de governo de Interior e Justiça, mas com a reforma administrativa nós absorvemos a superintendência da juventude trabalhando com a política de interesse da juventude. Na próxima quinta feira o governador vai instituir o passe livre estudantil, que nesse primeiro momento vai atender 37 mil estudantes. É uma avaliação positiva não só da secretária mais também do governo.

Qual deve ser o prazo para estabelecer o passe estudantil?
O projeto foi trabalhado e discutido, a nossa intenção era ter instituído antes já que foi um compromisso de campanha onde nós temos até o ano de 2014 para cumpri-lo. Assinando a mensagem na quinta feira, a Assembleia irá discutir e propor algum aprimoramento do projeto. Acredito que nesse mês de maio o projeto seja aprovado para valer a partir de junho, no primeiro momento serão 37 mil estudantes beneficiados.

Qual é o critério hoje?
O critério são os filhos das famílias beneficiadas com Bolsa Universitária, Renda Cidadã e Bolsa Família.

Isso chegará para os universitários?
Irá chegar dentro dos mesmos critérios.

Como será negociado com as empresas?
Já existe a meia passagem e nós vamos fazer um estudo para ver se estes recursos venham da própria despesa para a educação. A maior parte do transporte escolar no interior é custeado pelo Estado e é aceito como despesa da educação e nós tentaremos colocar no mesmo recurso.

Como vai ser organizado o projeto do governo itinerante?
Nós estamos preparando um processo licitatório para estrutura e gestão, tentaremos fazer algo diferente e buscaremos parceria com o SEBRAE, tentando levar cursos de qualificação para a região onde, terminando a semana do governo itinerante, ficará o curso para a população, buscando a vocação do próprio município.

Quando será a primeira edição desses projetos?
Após as eleições porque o período eleitoral é muito delicado.
O que se tem de mais concreto em relação a esse projeto que possa alavancar a imagem do governo perante a sociedade?
Esse projeto aproxima o governador da sociedade, o governo itinerante é interessante porque o estado leva serviços que são prestados por todos órgãos para atender uma região, a cidade sede naqueles dias se transforma na capital do estado através de um decreto do governador.

Como que fica a base aliada onde esse projeto não vai chegar?
O momento hoje tem desgastes em função da greve da educação. O governo perdeu uma certa guerra de comunicação, principalmente nas redes sociais. No primeiro momento a operação Monte Carlo trouxe desgastes para o governo porque algumas pessoas foram citadas. Aqueles que tiveram coisas que os incriminassem foram afastados, mas o governador desde o primeiro momento tem dito que não está preocupado com popularidade, mas em resolver os problemas da sociedade. Ele tem esse estilo. O governador tem a consciência tranquila e quer ser investigado para que não tenham nenhuma dúvida. Muito ali do que houve foi em função do Demóstenes porque se ele foi em uma festa na casa do senador foi por insistência. O governador foi gentil, atendeu em Palácio, mas em momento algum cedeu, tem trecho ali que ele fala com clareza que não aceitaria monopólio da Delta e nem de qualquer empresa provocando a ira do Cachoeira e do senador.

O delegado mostrou vários fatores que mostram a proximidade entre eles, onde ele terá que ser ouvido, em relação a isso?
O delegado Mateus faz algumas referencias dizendo que o governador foi citado, mas o governador é citado milhares de vezes por todo cidadão goiano, eu acho que isso não incrimina. Tanto é que o procurador geral não achou nenhum elemento, agora é muito estranho a policia não ter feito o flagrante no Wladmir Garcês que tinha uma reunião marcada para as 13h e depois mudou para as 16h. Porque não fizeram o flagrante? Aquele dia o Wladmir não foi recebido pelo governador e nós temos provas contundentes disso, eu chequei e estou afirmando que ele não foi recebido naquele dia.

Houve erro da parte do governo?
O governador ficou um pouco assustado mais com a consciência tranquila em relação a isso, talvez a gente tenha pecado por não ter instalado um comitê para cuidar da gestão, talvez isso seria necessário no mundo de hoje. O presidente Lula não perdoa o Marconi, a CPMI está acontecendo porque a Dilma estava viajando e o Lula chamou todo  mundo para fazer a CPMI, mas tem muita gente arrependida de ter provocado porque se tornou um problema nacional. O Cachoeira era um lobista que articulou para entrar nos governos, entrou em Aparecida com a Delta na coleta de lixo, em Anápolis e também na prefeitura de Goiânia com vários contratos, é uma empresa muito grande e estava atuando em 23 estados.

Como que o governo está vendo o movimento Fora Marconi?
A gente pode observar que em função dos desdobramentos esse movimento vem perdendo força, segundo a imprensa e a PM tinha apenas 200 pessoas. Nós temos uma pesquisa onde mostra que nós precisamos melhorar a imagem do governo para a juventude. O governo Marconi tem uma série de ações para a juventude: Bolsa Universitária, Bolsa Esporte e várias outras, é uma série de ações e nós precisamos divulgar melhor isso.

O fato de ter uma suspeita sobre um determinado agente público, não seria melhor para o governador afastá-lo até que as investigações se concretizem?
Depende de cada caso, no caso do Jaime Rincón ele deu uma reposta perfeita, não me lembro muito bem, mas o governador me afirmou que estava satisfeito com a resposta dele e na medida que vá surgindo novos fatos se houver algum indício contundente que incrimine qualquer membro do governo terá que deixar o cargo.

O João Furtado foi um dos mais citados, não é caso de se rever a situação dele?
Os delegados que ocupavam posições estratégicas estão afastados e respondem procedimentos administrativos, como eu acredito também que a presidenta Dilma tenha feito o mesmo no caso dos deputados federais. Realmente essa crise se tornou uma dimensão grande porque a rede do Cachoeira conseguiu trazer para sua teia delegados da policia federal, desembargadores e etc.

O que o sr. acha do projeto alimentado pelo presidente da Assembleia Jardel Sebba, que limita os cargos de 1º e 2º escalões para políticos com voto?
Acho que todo secretário tem que ter sensibilidade política, ali é a casa do debate, o parlamento tem toda autonomia para discutir ideias como esta. Eu acho muito complicado uma matéria dessa ser legal e tem que ver se ela realmente é constitucional. Eu não conheço o projeto então fica difícil estar falando, temos que debater o projeto e ver a questão da constitucionalidade e mesmo que não seja constitucional é uma questão que o governo tem que ser sensível a esse clamor vindo do parlamento.

Como o governador pretende participar do projeto eleitoral?
Ele pretende ir a poucos palanques nessa eleição, ele não tem boas lembranças das eleições de 2000 e 2004. No entendimento dele governador é governador de todos.

O senhor acredita que o deputado Leonardo tenha fôlego para disputar as eleições em Goiânia?
O problema da Operação Monte Carlo é que mexeu com todas as instituições partidárias, todas estão esperando clarear esse problema como um todo. O deputado Leonardo ainda tem a confiança do partido, porque não tem nada ali que o incrimine. A decisão de tocar o projeto é dele, mas nós iremos fazer algumas avaliações e ver se no primeiro turno nós iremos com uma candidatura única. Em relação a Aparecida a gente caminha para apoiar a candidatura de Ademir Menezes e o que está sendo desenhado é que Veter seja vice, nós iremos fazer avaliações e veremos o que é melhor. O Veter Martins é um cara excepcional, foi candidato a deputado federal mais votado em Aparecida com 17 mil votos, ele teve todo nosso apoio, mas enfrentou duas polarizações muito fortes, do atual prefeito e do ex-prefeito Ademir Menezes e quebrar essa polarização é muito difícil.

Mas o partido não corre o risco de cometer o mesmo erro que cometeu em Goiânia?
Mas o Ademir aparece bem na pesquisa qualitativa, o trabalho e o estilo dele é bem respeitado, não só dele como do grupo. O problema do atual prefeito é que ele foi eleito e não se aproximou das lideranças de bairros e dos problemas da população mais humilde.

O desgaste do governo, apontado pela pesquisa Serpes (publicada pelo Jornal O Popular na terça, 8) pode trazer prejuízos a base aliada nas eleições de outubro?
Se a gente não souber trabalhar levando a verdade e se deixarmos que os fatos sejam distorcidos, traz problemas.

A mesma convicção do PSDB de que o governador não tenha nada em relação a esse caso se aplica ao deputado Lereia?
Cada um é responsável pelos seus atos, a CPMI e o STJ estão aqui pra isso. Então é preciso ser feita a investigação, ele tem dito a público que a sua relação com Cachoeira é de amizade que não tinha negócios com Cachoeira e espero que junto a corregedoria da Câmara ele prove o que ele tem afirmado.

Na opinião do senhor o senador está morto politicamente?
Acredito que sim, acho muito difícil porque isso tudo o pegou de surpresa. Espero que ele consiga dar a volta por cima nessa situação toda.

E em relação à hipótese de que o Cachoeira tenha financiado parte da campanha do governador via Demóstenes Torres?
Não tem nada disso, as doações foram feitas vias partido e via comitê financeiro de campanha e estão todas declaradas via TRE. São doações legais, se tem alguma doação de alguma empresa que tenha ligação indireta nós não iríamos saber, a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula receberam doações da empresa Delta.

A CPI na Assembleia deve chegar aonde?
Essa CPI foi provocada pela oposição e a situação topou fazer. Eu acho importante o instituto da CPI, mesmo tendo a CPMI, mesmo sendo um problema nacional. Ou o Estado enfrenta de vez esse problema, ou acha uma maneira de regularizar essa jogatina.

O projeto político do governador e a reeleição em 2014?
O governador não tem projeto político definido, seu projeto é cumprir com o projeto aprovado em 2010, esse é seu projeto político, pelo menos é o que ele tem adiantado para todos nós. Agora a fila anda. Um governador em terceiro mandato entra na fila para um projeto maior. José Serra saiu do plano nacional e voltou para ser candidato à prefeitura de São Paulo. Demóstenes está totalmente chamuscado. Em um problema destes a fila andou muito. Por que ele não pode ser candidato à presidência? Não tem nada que o incrimine e com o tempo as coisas vão clareando. Ele é vítima de Cachoeira e seus amigos, e vítima do lulismo.

 

“Faltam homens para defender o governo”

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O deputado estadual Túlio Isac (PSDB) é hoje o maior defensor do governador Marconi Perillo (PSDB) na Assembléia Legislativa. Túlio tem um estilo peculiar: em privado é um – tranqüilo, educado e, até certo ponto, ponderado. Mas na tribuna transforma-se em um defensor contumaz do governo que representa. Na pele desse personagem, ataca adversários com virulência, criando até um clima de animosidade não muito costumeiro na Assembléia, tida como uma Casa de amigos. Túlio Isac concorda com as dificuldades que o governo enfrenta hoje. Mas tem esperança que Marconi se recupere e cumpra as promessas de campanha. O tucano afirma que depois de um 2011 muito difícil para o governo, também há dificuldade para deslanchar a administração agora, com o desenrolar das investigações da Operação Monte Carlo. O deputado do PSDB cobra mais proteção ao governador. Ele avalia que Marconi está exposto e pouca gente o defende hoje. Para Túlio, quando há muito poder e todos os pedidos são atendidos, não há problemas; porém, quando há fragilidade, muita gente se esconde. Túlio Isac conversou com a reportagem da Tribuna do Planalto na quarta-feira, 25.


Tribuna do Planalto – O senhor acredita que a CPI do Cachoeira na Assembleia vai ficar não campo técnico?
Túlio Isac – Acho que quem deve investigar é a Policia Federal. Os policiais já sabem quem está envolvido, quem deve e quem não deve, mas a oposição bateu o pé para ver se a situação teria medo de uma CPI. E nós recebemos uma orientação do governador Marconi Perillo para que se instalasse a CPI. Nós não temos nada a temer e vamos apurar. Então, a oposição não esperava que a base do governo fosse aprová-la. Eles queriam fazer a CPI e nós imediatamente coletamos mais de 32 nomes para instalar a CPI, agora eles estão assustados. Dizem que querem a relatoria ou presidência, tudo é questão de conversar, para mim não tem problema nenhum.

A oposição teme que a investigação da CPI proteja o governo e foque nas prefeituras da oposição. Como o sr. vê isso?
Tem de investigar tudo e, a partir do momento em que a oposição sentir isso, vai para os meios de comunicação, que hoje é o principal fiscal dos políticos, para as redes sociais e denunciem mostrando o que está acontecendo. A partir do momento em que a oposição se sentir prejudicada afirmando que a CPI está tendenciosa nada melhor do que procurar o Ministério Público, mas também a imprensa.

O sr. fala da oposição. Há uma tendência das informações da Operação Monte Carlo em focar apenas no governo?
Acho que sim, existe hoje uma vingança pessoal do ex-presidente Lula contra o governador Marconi, isso deveria ter terminado no segundo turno, mas não terminou. O Marconi foi citado nesse caso Cachoeira parece-me que duas vezes. O (governador do Distrito Federal) Agnelo Queiroz e o (deputado federal) Rubens Otoni foram citados no começo e ninguém fala mais sobre eles. O Rubens Otoni, do PT, foi flagrado em vídeo e não saiu nenhuma reportagem dele em nível nacional. A CartaCapital colocou o governador Marconi três vezes na capa. Por que não falam mais sobre o mensalão? Por que só essa perseguição ao governo? Todas as vezes que subirem naquela tribuna da oposição para falarem uma mentira do governador Marconi, eu vou falar uma verdade sobre eles.

Como o sr. vê essas citações constantes do governador em conversas com o Cachoeira?
Não digo citações constantes, foi o que falei, parece-me que foram duas. Eu quero ver uma conversa do governador Marconi. Por que não apareceu até agora? Se tiver que mostrem para vermos quem realmente deve.

O sr. avalia que essas gravações podem ter sido meras encenações do grupo de Cachoeira?
Eu não sei, só sei que o Carlos Cachoeira grava todas as conversas, isso eu tenho informações. Tanto é verdade que ele derrubou o ministro José Dirceu em gravações com Waldomiro Diniz, no caso dos Correios. Não sei o que vai acontecer, mas o Cachoeira podia fazer um grande favor para o Brasil, divulgar todas as suas gravações e mostrar quem realmente deve e quem não tem nada a ver, porque nós pagamos pelos malandros. Quem deve tem de pagar.

Há uma instabilidade administrativa no Estado por conta dessas questões envolvendo o Cachoeira?
Não digo instabilidade, mais acaba prejudicando uma administração porque a partir do momento em que o governador tem de parar uma obra ou uma visita para dar explicações, é um atraso. A partir do momento em que a Assembleia usa de dez a vinte minutos para rebater a oposição que ataca o governo, é um projeto que deixa de ser votado e quem perde com isso é o cidadão goiano que votou em todos nós para fazermos projetos e darmos obras para o Estado. Acho que atrapalha muito sim.

Como será atingida a classe política em Goiás? Como será a repercussão desse escândalo nas urnas tanto?
Essas pessoas que estão sendo mencionadas serão julgadas pelo juiz mais severo que é o voto, não tenho dúvida disso e nós já vamos começar a ver isso nas eleições municipais desse ano. Muita gente fala que o povo tem memória curta, não o povo tinha memória curta antes das redes sociais e antes da imprensa ser tão aberta como é hoje. Essas pessoas envolvidas terão um reflexo muito grande nas eleições deste ano e de 2014.

Como fica na visão do sr. a eleição em Goiânia após o caso Cachoeira?
Acho que fica muito ruim para o eleitor descobrir quem é o menos pior ou em quem ele pode confiar. Teremos um processo de passar tudo isso a limpo. Espero que a Polícia Federal possa passar mais gravações, o Ministério Público possa ir afundo e as investigações acontecer pelo menos até uns dois meses antes das eleições, para que a gente saiba quem é que está envolvido. Depois de Demóstenes Torres nós podemos nos enganar muito com as pessoas. No caso dele fiquei muito triste em saber do seu envolvimento, eu não acreditava que ele estaria envolvido. Então, é importante que tudo seja passado a limpo para sabermos quem realmente presta para administrar a Capital e as outras cidades goianas.

O partido deve rediscutir a candidatura de Leonardo Vilela? O sr. tem vontade de colocar o nome a disposição novamente?
Meu nome não porque a partir do momento que você não é escolhido é porque não era o que o partido estava querendo. Então, não me serve mais ser candidato do PSDB em Goiânia. Serviria se fosse naquele momento que liderei três pesquisas, inclusive divulgada pela Tribuna do Planalto. Isso não conquistou o PSDB, então não me serve agora, eu não quero mais ser candidato. O PSDB tem de fazer avaliação. Eu acredito no deputado Leonardo Vilela, quero crer que ele não deva nada, mas se deve ele não pode ser candidato. Quem deve fazer avaliação são os mesmos que escolheram o Leonardo para ser candidato.

Diante do que surgiu sobre o Leonardo, dele ligar e pedir para o Cachoeira ajuda para empregar uma filha. O sr. avalia que o eleitor entenderia isso?
Sinceramente, não sei. Só sei que a classe política está muito desgastada, o PSDB tem de chamar todos os cardeais, inclusive o (ex-prefeito) Nion Albernaz, e se reposicionar. Temos de ver que rumo tomar. Precisamos saber se a população vai aceitar as denúncias que foram feitas contra o Leonardo Vilela como algo comum ou não. Devemos rediscutir a candidatura, pois o PSDB não pode ser afetado.

O sr. acha que o governador deveria fazer uma ampla reforma e tocar de forma mais direta a administração?
O Marconi Perillo foi governador por três vezes, foi deputado estadual, federal e senador, acho que ninguém melhor do que ele, já que ele está vendo tudo isso acontecer, de ter seu nome envolvido, para tomar uma decisão sábia. Ninguém chega no governo por três vezes se não for uma pessoa especial, ele é uma pessoa especial e é quem deve definir o que está atingindo seu governo ou não. Marconi tem de sentar e pensar, o que ele quiser fazer o PSDB e a base aliada o apóia, porque é ele quem governa e é o nome dele que está em jogo.

Há um desgaste entre os secretários com os deputados?
Não estive presente na reunião (entre integrantes do governo e deputados estaduais) até porque a reunião com os secretários quem deveria representar é o líder do governo (deputado Helder Valin) e o presidente Jardel Sebba. Enfim, foram alguns deputados, mas nem todos falam para o governador ou para o secretário o que eles falam aqui. Então, não iria perder meu tempo e quem deve decidir isso é o governador. Desgaste existe sempre porque o secretário não pode atender tudo o que o deputado quer, às vezes eles pedem muitas coisas porque recebem muitos pedidos. Tem muitos deputados que acham que eles devem ser recebidos na hora que querem e o governo não funciona assim.

O sr. avalia que o governador corre o risco de não ter tempo para fazer tudo o que prometeu na campanha?
Acredito muito na capacidade de reversão do governador, ano passado foi um ano atípico onde todos acreditavam e a grande maioria continua acreditando. Tenho certeza que o governador vai achar uma solução para que o Estado não pare, para que tudo aquilo que foi prometido em campanha seja feito. O governador tem um histórico político que não pode ser manchado e só será manchado a partir do momento que ele não cumprir o que foi prometido. Marconi vai achar uma forma de resgatar todos seus compromissos de campanha com o cidadão goiano. Será difícil, mas acredito muito no governador.

O sr. é favorável que os contratos com a Delta sejam cancelados, tanto os do Estado quanto os das prefeituras?
Os contratos que o governo tem é da gestão passada que foram mantidos. Pelo que ouvimos do próprio governador todos os contratos estão legais. A partir do momento que tem algo que está em dúvida tem de suspender, analisa e vê se vale o desgaste de continuar. Se a Delta hoje é alvo de investigação deveria suspender sim.

O que esperar do sr. na CPI?
Meu estilo vai ser o mesmo, essa é a minha forma de comunicar. Às vezes eles (a oposição) ficam alterados e decepcionados porque eles podem gritar, mas eu não posso. Existe uma descriminação com alguém da comunicação que entra na política, infelizmente pelos próprios meios de comunicação, muitos da comunicação hoje me criticam pela minha forma de atuar. Eu não posso xingar, mas o Mauro Rubens pode xingar o governador de marginal, o Luis Cezar Bueno pode xingar o governador de bandido. Da mesma forma que eles agirem eu vou agir também.

Foi um debate desgastante e desnecessário para a Assembleia o que o governo fez com que os deputados passassem no projeto da educação?
Naquele momento o governo precisava de alguém que agisse daquela forma, nós estávamos sendo atacados violentamente. A política é assim, o governador toma uma decisão de que não poderia dar o reajuste que os professores precisavam, pois o governo não tinha de onde tirar o dinheiro, passa-se um tempo aparece uma forma de o governo dar o reajuste. Naquele momento era necessário aquele desgaste e eu me propus porque não iria deixar o governador ser ofendido daquela forma, não pelos professores mas por pessoas ligadas ao PT que fazem parte do Sintego – infelizmente a Ieda Leal e a Bia fazem política do PT dentro do Sintego e isso deveria ser revisto – e eles usaram o governador, xingaram e maltrataram o governador, eu como líder do PSDB não poderia aceitar isso e eu fui o mais agredido de todos os deputados.

O sr. acha que mais deputados e secretários deveriam blindar o governador?
Deveriam ter mais responsabilidade com o governo, principalmente os deputados e secretários. Na Assembleia poucos deputados têm subido à tribuna para defender o governador de forma incisiva, eu estou ali realmente para uma guerra e quando se trata de defender o governo que ajudei a eleger, que pedi votos, e que tenho responsabilidade com ele, irei defender sim. Tem deputados e secretários que estão precisando de um pouco mais de coragem e responsabilidade.

Por que essa fragilidade do governo hoje?
Quando você está no poder e tem condições de dar aquilo que as pessoas precisam, o tratamento é diferente. O poder atrai pessoas e com a falta dele as pessoas te trai. Independente ganhar algo ou não tenho obrigação de defendê-lo até o último minuto porque eu fui pedir votos. Falta lealdade, coragem e homens para defender o governo. Faltam homens.

 

“Sou candidato pelo caos que a cidade vive hoje”

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O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e deputado estadual Ademir Menezes (PSD) é puro entusiasmo com uma nova candidatura na cidade. Recentemente, Menezes apareceu tecnicamente empatado com o prefeito Maguito Vilela (PMDB) em pesquisa realizada pelo instituto Serpes. De posse de outras pesquisas internas, o pessedista garante que tem vantagem sobre o adversário e enxerga nessa condição o motivo principal para unir a base do governador Marconi Perillo (PSDB) na cidade. Até então, o PSDB apostava as fichas na candidatura do ex-vereador Veter Martins (leia mais na página 8). Questionado se tem disposição de ceder a vice ao tucano, o ex-prefeito despista. Ademir faz duras críticas a gestão peemedebista em Aparecida. Afirma que Maguito não cumpriu a promessa de asfaltar a cidade, segundo ele porque o atual prefeito não conhecia a realidade da cidade. As críticas, porém, vão além do asfalto. O deputado reclama também do caos na saúde, por exemplo. Ademir Menezes recebeu a reportagem da Tribuna do Planalto em seu gabinete na Assembléia na quinta-feira, 19.


Tribuna do Planalto - Como o senhor avalia as pesquisas que mostram o sr. Empatado tecnicamente com o prefeito Maguito Vilela?
Ademir Menezes - A nossa parte eu vejo esse empate técnico na cidade de Aparecida como o fruto de um trabalho de quase 40 anos, como um funcionário da iniciativa privada, como vereador, prefeito, vice-governador e nesse momento como deputado estadual. A minha relação com a população de Aparecida é de confiança, de amizade e respeito com as pessoas, eu sempre procurei agir dessa forma. O mandato de deputado estadual é importante e agradeço a todos pela confiança de ser o  representante na Assembleia Legislativa, isso me honra muito. Sempre procurei exercer o meu mandato com compromisso e resultado. O mandato de parlamentar é diferente, mas nós temos procurado trabalhar dentro daquilo que pode ser o mandato de deputado, procurando levar benefícios para a cidade.  A partir do momento que nós perdemos a eleição, eu já era vice-governador e nós nos reunimos para fazer uma avaliação do que deveríamos realizar a partir daquele momento. Para minha alegria foi um consenso entre todos os companheiros, a cidade precisa de que todos trabalhem em seu favor e foi exatamente o que nós fizemos, ajudando a levar obras, asfalto, cobrando a elaboração dos projetos da água, de esgoto e sanitário. Mesmo com uma arrecadação pequena fizemos parceria com a Saneago para desenvolvermos projetos para esgoto e água.

Por que essa relação de confiança foi abalada em 2008?
Isso é um direito do eleitor e não minha relação com meus companheiros, mas a população chegou a um momento de fazer um teste buscando alguém de fora, uma pessoa que não conhecia ou não conhece como precisa realmente conhecer a realidade da cidade, mas a população tentou, mas os mesmos estão frustrados porque eu converso com a sociedade, caminho nas ruas, converso com lideranças religiosas, empresariais, estudantes e professores, sempre estou ao dispor da sociedade. O sentimento que acompanho na cidade é de frustração porque acreditaram no prefeito Maguito e em suas promessas.

Por que Maguito se desgastou logo no primeiro mandato?
Não gostaria que isso tivesse acontecido porque eu, assim como os eleitores de Aparecida, apesar de ter sido oposição a ele, o que queremos é que de certo a gestão. Um dos maiores problemas é a saúde que não existi, o asfalto que foi feito já está cheio de buracos, o matagal está invadindo as casas, a infraestrutura não vai bem, o servidor público está insatisfeito com a gestão ,e para completar, o aumento exorbitante do imposto de mais de 1000%. Temos imóveis em Goiânia com as mesmas características de alguns daqui e que o IPTU em Aparecida está mais alto. Faltou sensibilidade ao extremo para reconhecer que a população de Aparecida não suporta o imposto que foi aplicado nesse momento. No meu primeiro mandato um dos primeiros atos foi reduzir o impostos. Nós fizemos uma avaliação e cerca de 85% da população não pagavam IPTU, buscamos caminhos e reduzimos o IPTU em até 40%, normatizamos o código tributário e encaminhamos ao legislativo quem estava com seus impostos atrasados em até 5 anos e o judiciário tomou conta. Quando deixamos a prefeitura 85% estava pagando seus impostos e, com isso, ampliamos a base de arrecadação refletindo positivamente para o município.

Por que o sr. acha que o Maguito lidera a intenção de votos se ele deixou muito a desejar?    
Hoje o que existe é um empate técnico, quem está com 40% de rejeição dificilmente continuara liderando, não estou exposto à mídia, assim como outros pré-candidatos a prefeito também não. Hoje o quadro político da cidade não está claro, nós temos até dia 30 de junho para definições.

O sr. acha que vai conseguir aglutinar a base de governador?
É o trabalho que estou fazendo de forma incansável, com muita conversa, paciência, cautela, responsabilidade e reuniões e isto já está em uma fase bem avançada, mas não está concluída e estou muito animado.

Você acha que quando coloca esse empate técnico com Maguito e o Veter Martins, do PSDB,  com 4%,  justifica apoio da base aliada ao sr.?
Nada justifica apoio a mim, pesquisa não faz com que ninguém venha me apoiar. O que precisamos é agir de forma madura, com visão de compromisso com a cidade para nos unirmos porque se juntarmos toda a base do governador Marconi Perillo nós  caminhamos para ganhar a eleição.

O Veter Martins é um bom nome para vice do sr.?
O candidato à vice tem muitos bons nomes, mas prefiro aguardar essa questão para que ela seja conversada para fazer o fechamento um pouco mais na frente.

É fundamental que o sr. tenha apoio de partido como o PSDB e DEM, partidos grandes que tenham tempo e estrutura para ajudá-lo?
Isso é decisivo, por esse motivo que estamos trabalhando para buscarmos tudo que for possível em termos do apoio de outros partidos para somarmos tempo para apresentarmos um plano de governo possível de ser realizado para ser debatido e discutido com toda sociedade. Então precisaremos do tempo de televisão para que tudo isso seja divulgado.

O sr. fez estudos do quanto foi feito de asfalto na administração do prefeito Maguito Vilela? E o sr. tem como plano de governo concluir o asfalto da cidade?
Prefiro reavaliar tudo isso melhor, inclusive nós estamos levantando todo asfalto que o prefeito fez na cidade. Foi uma promessa de quem não conhece bem a cidade de Aparecida, quando ouvi aquelas promessas fiquei pasmo, prometeu e não cumpriu. E é exatamente isso que está indignando a população da cidade. A cidade precisa continuar com o apoio do governo estadual e federal e aplicando cada centavo em Aparecida de forma planejada e discutida principalmente com a população, é exatamente o que nós fazíamos para aplicarmos os recursos em asfaltos, saúde e escola, nós sempre procurávamos ouvir a população.

O apoio dos governos estadual e federal não foi um dos pontos do prefeito Maguito?
Não é o que nós estamos vendo na cidade, hoje a gestão municipal que for ágil vai conseguir muitos recursos com o governo federal, porque a presidenta Dilma está fazendo uma administração republicana, independente de cor partidária. Quando eu fui prefeito não existia linha de financiamento para comprar nada, precisávamos abrir linhas de financiamentos para a prefeitura. Nós conseguimos no final de nossa gestão um financiamento para modernizar a prefeitura e escolas do governo, o que conseguimos foram muitas emendas de bancadas parlamentar que nos ajudou muito na minha época.

Existe uma crítica ao sr., que inclusive o Veter quando esteve na Tribuna também confirmou, de que o sr. nada fez para Aparecida quando foi vice-governador. Como o sr. responde?
Que o Veter possa ser vice-governador na mesma circunstância que fui, mas mesmo com essas dificuldades nós fizemos, ele precisa reconhecer que nós fizemos asfalto, que conseguimos levar muitos recursos para saneamento básico em Aparecida. Se fizer um levantamento vai chegar aos números reais do que conseguimos levar para a cidade. Vejo no Veter Martins um parceiro e não um opositor.

Isso ficou decidido, é esse o balizador da definição em Aparecida?
Não é só em Aparecida, quem assistiu o discurso do governador na posse do Paulinho [ Paulo de Jesus, presidente regional do PSDB] onde não estava presente, mas as pessoas me informaram que o governador afirmou que onde o PSDB tiver condições de disputar, que seria o PSDB, onde houver alguém da base aliada em melhores condições o governador disse: caminha para o apoio do PSDB, isso é questão de sensatez.

Em que condições o sr. foi vice-governador? Do que o sr. reclama?
Tive muitas dificuldades (no governo), Aparecida de Goiânia não foi uma prioridade do governo que fiz parte, mas lutei e o que foi possível fazer nós fizemos. Cresci muito em termos de experiência, amadurecemos muito e sei que todo esse aprendizado nós teremos a oportunidade de aplicá-lo posteriormente.

Por que no auge o grupo de Aparecida, que o senhor lidera, tinha muitos mandatos e hoje resta só o sr. como deputado estadual?
Todos nós continuamos a trabalhar pela cidade, tranquilo com os pés no chão da mesma maneira que nós sempre fizemos, mas precisamos respeitar as pessoas. A população chegou a um determinado momento em que achou que deveria fazer uma aposta, mas infelizmente essa aposta não deu certo e essa é a realidade que nós estamos vivendo na cidade de Aparecida.

O sr. entende que a união da base aliada é a condição para ganhar a eleição?
Tenho certeza que com a união da base e com a presença do governador nós ganharemos e nos fortaleceremos para ganharmos a eleição.

O efeito Cachoeira pode interferir no processo eleitoral em Aparecida?
Estou acompanhando isso com muita prudência, acompanhei pela imprensa o nome do prefeito (Maguito Vilela) sendo citado muitas vezes, por pessoas muito próximas e prefiro aguardar mais um pouco.

Na avaliação do sr. o governador vai ter condições de ser decisivo na eleições municipais?
Perfeitamente. O governador tem o apoio muito expressivo na cidade. O governador e o governo tem peso, vai continuar investindo em Aparecida e todo beneficio trazido soma e contribui para que o conjunto que esteja com o governo possa buscar resultados positivos também em tempos eleitorais.

Os investimentos estaduais não tem chegado a Aparecida. Há tempo para mostrar esse trabalho?
Sim é claro, a Saneago continuar trabalhando, os programas sociais continuam, várias escolas estaduais estão em andamento, e o governo estadual está presente na cidade de Aparecida.

Essa parceria do governador Marconi com o prefeito Maguito não inibe a presença dele em uma campanha com o sr. ou outro candidato da base?
Essa é a prova inequívoca de que os agentes públicos brasileiros evoluíram, a partir da presidência da República, isso aconteceu com o ex-presidente Lula e hoje estamos vendo aqui em Goiás. Sempre atuei assim e é exatamente o que o governador está fazendo, dando um exemplo ainda maior para nós. O momento de eleição é cada pessoa correndo atrás daquilo que acredita, dentro do seu partido, conjunto, aliança e coligação. Ganhou a eleição tem de somar forças e continuar levando obras para a cidade. Também tenho o direito de dizer onde o prefeito não está conseguindo fazer as coisas acontecer.

O deputado Sandro Mabel hoje é visto com adversário?
O deputado Sandro Mabel não é visto como adversário, ele disse textualmente por muitas vezes que em Aparecida que se eu for candidato iria me apoiar.

O sr. se arrepende de ter apoiado a candidatura de Marlúcio Pereira em 2008?
Em hipótese nenhuma, Marlucio é um homem honrado, ele tem uma historia com a cidade de Aparecida. Foi vereador, secretário por várias vezes, deputado estadual e vice-prefeito na cidade de Aparecida, então tinha todas as credenciais para ser candidato naquela época.

Qualquer nome do grupo perderia aquela eleição para o Maguito?
Aquele era um momento de muitas dificuldades, ele veio para Aparecida porque sentiu que existia um terreno onde teria êxito, se não tivesse pesquisas que indicasse aquele cenário ele não teria ido.

Existe uma avaliação de que os deputados normalmente não têm bons desempenhos nas eleições municipais, isso é um peso contrário na candidatura do sr.?
A vida inteira procurei fortalecer a cidade de Aparecida politicamente. Não era meu projeto ser candidato em Aparecida. Sou candidato pelo caos que a cidade vive hoje, não dá para ver as pessoas sofrendo de braços cruzados. Está muito difícil porque estou com o povo, converso com as pessoas em casa, na Assembleia, na rua, no escritório e ouço de todos a cobrança para que a gente possa colocar o nome a disposição para concorrer.

O sr. quer Marconi no palanque?
O governador é uma pessoa que conta com a credibilidade de milhares de pessoas em Aparecida e fará o melhor governo de todos os tempo. Ele é jovem, ágil, inteligente, está buscando parcerias, saneando tudo que possa ser saneado, então estou confiante.

 

“Desde que Lula falou, é fácil falar que não sabia”

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O procurador da República Hélio Telho, coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), não ficou surpreso com o desfecho da Operação Monte Carlo, que culminou com a prisão do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. De acordo com o procurador, não é de agora que o Ministério Público tenta pegar o contraventor. A incredulidade de Telho se dá com a participação efetiva do senador Demóstenes Torres (sem partido) no esquema de Cachoeira. Hélio Telho sabia da amizade de ambos, mas surpreendeu-se com os fatos. “Conheço ele há 20 anos, fomos colega no Ministério Público Estadual, sempre admirei o senador e sabia que ele era amigo do Cachoeira, mas não sabia que o relacionamento dele misturava amizade com a atuação dele parlamentar”, conta. Hélio Telho também é duro com políticos que afirmam desconhecer as atividades ilegais de Cachoeira. Segundo ele, todos sabiam o que o empresário fazia em Goiás. As pessoas queriam estar próximas a Cachoeira por ele ter muito dinheiro e poder, não se  importando de onde vinha. Apesar dos indícios de que Cachoeira tenha favorecido candidatos com dinheiro para as campanhas, Telho afirma que esse assunto não terá repercussão. Não há mais prazos legais para cassação por caixa dois.  Hélio Telho recebeu a reportagem da Tribuna do Planalto na quarta-feira, 11.


Tribuna do Planalto – Como o senhor avalia o desfecho da Operação Monte Carlo e toda essa rede articulada pelo empresário Carlinhos Cachoeira e infiltrada no Poder Público? Houve surpresa?
Hélio Telho - Algumas coisas nesse caso me surpreenderam, outras não. O grau de envolvimento do senador Demóstenes Torres nessa história me surpreendeu. Conheço ele há 20 anos, fomos colega no Ministério Público Estadual, sempre admirei o senador e sabia que ele era amigo do Cachoeira, mas não sabia que o relacionamento dele misturava amizade com a atuação dele parlamentar. A atuação dele no senado era muito forte, principalmente contra a corrupção onde eu também sempre atuei.

Quando um escândalo como esse vem a sociedade fica ainda mais descrente com políticos em geral?
A nossa sociedade vive uma crise muito grande de valores. É uma avaliação errada quando falam que a classe política só tem gente má e que a sociedade é a vítima. Os nossos políticos nasceram na sociedade, eles são reflexos da nossa sociedade. As pessoas hoje dão muito valor em quem tem muito poder e dinheiro, sem se preocupar de que maneira eles conseguiram esse dinheiro. O Cachoeira tinha tudo isso, poder e dinheiro, então as pessoas queriam se aproximar e se relacionar com ele pouco se importando de onde vinha esse dinheiro. Todo mundo sabia das atividades do Cachoeira, você podia não ter provas concretas, mas todos sabiam ele era o chefe do jogo do bicho e dos caça-níqueis no Estado.

E esse argumento dos políticos de que não conheciam as atividades de Carlinhos Cachoeira?
Desde que o Lula falou que não sabia, hoje é fácil falar que não sabia. A questão é: quem ouve um político dizer que não conhecia a origem do dinheiro e acredita nisso? Se o dinheiro veio da contravenção, essa pessoa não serve para frequentar minha casa, para ir às minhas festas. Não acho que deva virar a cara, deve-se respeitar as pessoas. Mas não vou levá-la para a minha casa, não vou parabenizá-la no seu aniversário, não vou ter relacionamento pessoal com esse indivíduo, não vou querer apoio para a minha campanha, não vou querer dever favores para ele, afinal de contas, é dinheiro do crime. Cachoeira é dono de fato da Gerplan, antes mesmo de ser dono de empresas, ele já era contraventor. Ele não tem um laboratório de analise clinica não, é uma indústria de medicamentos que exige um investimento enorme e que precisa ter muito dinheiro para ser dono de uma indústria desse porte. As pessoas que se aproximaram dele acharam que de alguma maneira poderiam se beneficiar desse poder e do dinheiro. Aproximaram-se dele mesmo sabendo que a conduta dele é duvidosa.

O Ministério Público sabia das atividades ilegais de Carlinhos Cachoeira?
As organizações criminosas só sobrevivem na sua grande maioria se tiverem ajuda do Estado, quanto maior a ajuda, mais durável e mais forte a organização fica. Não é de 2010 que a procuradoria tenta desarticular a quadrilha dele, mas com a ajuda que ele recebia dentro do governo ficava difícil.

Falta uma ação mais contundente do governo em afastar pessoas envolvidas com os esquemas de Carlinhos Cachoeira?
O último grande estadista que nós tivemos é uma pessoa que é muito estigmatizado  pela mídia, é considerado um excêntrico e conhecido só pela simplicidade dele, o ex-presidente Itamar Franco. Quando ele era Presidente da República surgiu uma denúncia contra o Henrique Agrives, que era chefe da Casa Civil, um dos principais ministérios. Agrives era amigo de longa data do ex-presidente. Após esta denúncia Itamar decidiu afastá-lo por três meses para que ele fosse investigado, passado três meses viram que a denúncia era plantada e devolveram o cargo a ele. Este tipo de conduta que o Itamar Franco teve durante seu mandato eu nunca mais vi, em presidente, governador, prefeito e etc. Esse é o tipo de conduta que deveria ter, não é só o governador, o prefeito ou presidente, se tiver uma denúncia à primeira coisa a fazer é investigar.

Que avaliação o sr. faz das denúncias que citam o governador Marconi Perillo?
Até agora o que foi divulgado sobre o governador não há nada que o comprometesse com o esquema de Cachoeira. O que esperamos é uma averiguação maior quando há denúncias, seja ela qual for. É necessário que montem uma comissão de investigação para apurar o caso, após as apurações, se for considerado que o acusado não tenha nenhum envolvimento com a denúncia, retorne-o ao cargo de origem dele. Se tiver algo com a denúncia deverá ser punido, e afaste o acusado aplicando um processo disciplinar.  

Ainda tem muita coisa nesse caso que não foi divulgado?
O que conheço é o que vocês conhecem, essas informações são sigilosas e nós não temos acesso a elas.  Quando teve a deflagração da operação, onde teve 81 pessoas respondendo ação penal na justiça, algumas pessoas já começaram a ter acesso às informações, como não faço parte do processo e não tive acesso a essas informações não sei lhe falar se tem mais coisas para vazar. Desconfio que Cachoeira fez igual Durval Barbosa, ele filma e grava suas reuniões, com isso acho que pode vazar mais algumas informações e gravações que Cachoeira tenha feito . Não sei se a PF tenha apreendido esse material, pode ser que ele esteja guardando esse material em outro lugar. Se essas gravações existirem a situação de Cachoeira na justiça vai se complicando e a possibilidade desse material aparecer vai aumentar ainda mais.

Juridicamente o que seria uma prova?
A lei admite vários tipos de provas, testemunhal, pericial, documental, escuta telefônica, quebra de sigilo e outras.  

Quantos estão hoje presos cumprindo alguma pena por contravenção?
Ninguém porque a punição para a contravenção penal é mais branda do que aquela chamada de crime de menor potencial ofensivo, então não dá cadeia, mais sim uma pena alternativa e mesmo se fosse preso seria no regime aberto. O Cachoeira não está preso por causa do jogo do bicho, mas por corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e contrabando, porque alguns componentes dessas maquinas caça-níqueis não são produzidos no Brasil, então ele está respondendo por contrabando. A contravenção penal não manda ninguém para a prisão e aquele que coloca as máquinas em seus estabelecimentos pode também responder por contrabando.

Há mecanismos para descobrir se Cachoeira colocou dinheiro ilegal nas campanha?
Possivelmente sim, mas não tem o mecanismo jurídico para que haja repercussão. O que você está me perguntando é se alguém pode ter o mandato caçado por ter recebido algum dinheiro do Cachoeira. Isso já era, pois existem prazos na lei para que você questione o financiamento irregular da campanha. Para punir essas pessoas seria um processo criminal alegando falsidade na prestação de contas, mas seria um processo demorado e não terminaria antes de qualquer mandato. O processo político nesse caso seria duvidoso, primeiro porque a maioria das casas legislativas entende que a quebra do decoro só pode ser punida se for praticada no exercício do mandato, nesse caso foi antes. Além disso, em 2006 quando investiguei campanhas eleitorais, consegui provas de que a maioria dos que foram eleitos em Goiás, teriam feito ‘caixa dois’. Na apuração, 32 dos 41 deputados, o governador, o senador, e onze dos dezessete deputados federais eu consegui provar que fizeram caixa dois. Entrei com representação na justiça eleitoral para caçar o mandato, mas acabou que não conheceram as minhas representações na prestação de contas, alegando que lá não era o lugar certo para fazer este tipo de análise. Entrei com as representações posteriores, mas a justiça disse que isso era coisa pequena. É claro que você não consegue comprovar toda extensão do caixa dois, mas que havia ocorrido consegui. O tamanho é uma coisa mais complicada, às vezes conseguíamos comprovar que teve comitê eleitoral, outdoors e carros de som, mas valores são muito difíceis. A justiça eleitoral trata o candidato com muita dureza e muito bem aquele que é eleito. Embora eu compreendo, mas não aceito. A justiça eleitoral não caça por pouca coisa, mesmo que para a lei seja um motivo, a justiça acha que tem de ter um motivo maior, isso é uma falta de compreensão do mecanismo com um todo, ele conseguiu esse dinheiro de maneira desonesta, ele tinha esse dinheiro por fora, o eleitor só sabe disso após a eleição.

Os questionamentos que envolvem o Procurador-Geral de Justiça Benedito Torres (irmão de Demóstenes Torres), como você vê?
Eu não acompanhei essas matérias ainda, mas até onde sei está investigação começou no Ministério Público Estadual onde ficou por pouco tempo e logo após veio para o Ministério Público Federal de onde não saiu mais. Aqui dentro somente três procuradores tinham o acesso a esse caso, se ele não teve acesso eu não vejo como ter vazado. Essa é a impressão que eu tenho analisando a questão do ponto de vista lógico, nós não podemos ler uma matéria e julgá-la sem ter provas e a partir do momento em que essa operação passou a estar aqui dentro da procuradoria ele não teria como saber.

Como o sr. vê esse argumento do advogado de Demóstenes, de que essa escuta não tem validade?
Se eu fosse advogado dele, também tentaria este caminho, mas a questão é que do ponto de vista legal um senador da República não pode ter seu telefone grampeado se não tiver autorização do Supremo Tribunal Federal, se colocar sem autorização o que estiver gravado é nulo e não poderá ser usado. Se grampear uma pessoa que não tem o direito como o Cachoeira e uma pessoa que possa ligar para ele, não seria ilegal. O advogado tem o espaço para tentar convencer o STF de que possa ter havido uma invasão. O que ele sustenta é que formalmente o Demóstenes não estava sendo investigado, mas que na prática o pessoal estava era investigando o Demóstenes tentando contornar esse privilégio para investigar sem precisar da autorização do Supremo. No ponto de vista técnico o advogado está no papel dele, é a única arma que ele tem para utilizar, mas para eu afirmar se isso ocorreu ou não eu teria de ter analisado todo o processo de escuta telefônica e toda investigação. Acredito que isso não tenha ocorrido, porque quando você faz uma operação dessas gera muito trabalho, você pode gravar duas mil horas de conversas e o que realmente interessa pode ser apenas de uma a seis horas de conversa, então é muito complicado e difícil.

Até onde essa investigação ainda pode chegar a partir de agora?
O supremo vai com base no material que já foi colhido. Existem conversas telefônicas deles entre os deputados o senador e o Cachoeira e agora eles serão investigados pelo supremo e nessa investigação é que irão analisar a movimentação bancária deles, a movimentação patrimonial, serão ouvidas pessoas, e verificarão se houve alguma relação criminosa entre os deputados e o Cachoeira.

Em relação ao senador, se ele for condenado criminalmente que tipo de crime ele pode responder?
Se ele for condenado pelo crime contra a administração pública, pega uma pena superior a um ano e perde o cargo de procurador, se ele for condenado a outro crime qualquer ele perde o cargo de procurador.

Como eliminar o caixa dois das campanhas eleitorais?
Estou convencido que pelo sistema atual, não será por meio de investigação de campanhas eleitorais e processo na justiça que irão resolver. O que mudará é a aplicação da lei da Ficha Limpa que já vai tirar de cara pessoas comprovadamente desonestas. Enquanto tivermos campanhas eleitorais caras, disputas majoritárias, intrapartidárias na eleição, nós iremos continuar desse jeito.

O sr. é a favor do financiamento público?
Sou a favor do financiamento público, e além dele poderia ter o financiamento privada, por pessoa física com valor limitado, mas para isso teríamos de mudar o sistema porque senão o caixa dois iria continuar. O caixa dois só existe porque as campanhas, as pesquisas qualitativas, o marqueteiro e a veiculação são caríssimas. O voto tem de ser facultativo assim você aumenta a qualidade do voto, porque o eleitor se interessou pela eleição.

Nos últimos anos a lei eleitoral restringiu muito as campanhas, proibindo outdoors e outros, mas a compra do voto ninguém nunca conseguiu mudar.
A compra do voto existe, mas não na proporção e na maneira como as pessoas acreditam. A compra que existe é muito mais a compra do apoio do que a compra do voto no varejo. É por isso que é preciso diminuir a quantidade de candidatos e de eleitores, ficando mais barato as campanhas.

 

“O que foi feito com R$ 1 bilhão da prefeitura?”

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Principal adversário de Juraci Martins (PSD), o deputado estadual Karlos Cabral (PT) deixou de ser apenas um crítico do modelo de gestão do prefeito de Rio Verde para exercer o papel de denunciante de supostas irregularidades na administração pública. Na entrevista concedida à Tribuna, o parlamentar faz acusações pesadas e cobrou explicações sobre o destino da arrecadação municipal. Pré-candidato a prefeito, ele afirma que uma aliança com o PMDB poderá definir a eleição em Rio Verde e um projeto em comum para o governo de Goiás. Sem se esquivar de temas espinhosos, advogou que o episódio envolvendo o deputado Rubens Otoni e Carlos Cachoeira não prejudica a imagem da sua legenda. “Estamos interessados em mostrar quem estava atrás daquela porta”, ameaça. Líder da bancada do PT na Assembleia, Karlos condena os colegas que contestaram as contas de Alcides Rodrigues mesmo tendo participado do governo anterior e vê grandes chances da greve dos professores da rede estadual ser retomada.


Tribuna  – O aparente favoritismo do prefeito Juraci Martins (PSD) torna a união da base da presidente Dilma Rousseff (PT) uma condição imprescindível para uma vitória da oposição em Rio Verde?
Karlos Cabral – A união é importante porque a gente reforça os grandes temas e o pensamento político do governo do PT aqui em Rio Verde. Embora o prefeito esteja em um partido que em tese se diz aliado do governo federal, mas em muitos momentos já mostrou que não é, especialmente em Goiás, onde é mandado por Marconi Perillo, a gente entende que um alinhamento com o governo federal vai nos garantir muito mais facilidade de recursos. O Ministério da Saúde hoje é um supermercado. O próprio governo federal identifica a demanda e manda o recurso para o município. Não depende sequer de projeto. Agora, índice de popularidade não ganha eleição. Pegue, por exemplo, o caso do George Morais, que ganhou a eleição em Trindade. Tinha um ano que ele morava na cidade e derrotou um prefeito que havia aparecido na revista Exame como um dos cinco melhores prefeitos do Brasil e que tinha mais de 90% de popularidade. O que ganha eleição é pé no chão, olho no olho, proposta concreta e serviço prestado.

O suporte federal para as principais obras físicas em Rio Verde e a escassez de investimentos do governo estadual no município será o mote da oposição na campanha eleitoral?
Nosso partido e os aliados já estão fazendo um debate localizado na sociedade para colocar essa questão. Não foi à toa que em outra ocasião eu disse que o prefeito de Rio Verde se chamava Dilma Rousseff. Praticamente todas as obras estão sendo feitas com recursos federais, como a Unidade de Pronto Atendimento, as Unidades Básicas de Saúde, asfalto, esgoto, recursos para o parque ecológico, para o lago e tantos outros. Só que não podemos colocar isso como se a cidade não merecesse. É claro que merece. Ficamos muitos anos com uma deficiência de recursos federais em Rio Verde. O prefeito teve uma sorte danada. Muitos empenhos da época do ex-prefeito Paulo Roberto Cunha só foram concretizados agora. Além disso, o governo federal toca as obras sozinho, como é o caso da Educação, sem necessidade de projeto. A questão mais importante não é essa. Nesses quase quatro anos de mandato, o prefeito já arrecadou mais de R$ 1 bilhão. Se a gente analisar a própria lei orçamentária que ele enviou para a Câmara, veremos que remonta um valor de mais de R$ 27 milhões por mês. É uma conta simples. A grande pergunta é: onde estão mais de R$ 1 bilhão que ele arrecadou? Fora o restante que vai receber até o final do ano. Para quem só reformou uma praça e cobriu uma quadra, é muito pouco para tanto dinheiro. Essa é a pergunta que vamos fazer.

O deputado Heuler Cruvinel (PSD) afirmou em entrevista à Tribuna que conseguiu mais de R$ 100 milhões em recursos federais para Rio Verde. O senhor concorda com esses números?
 Na hora em que ele mostrar a emenda tendo sido aplicada, posso concordar. Porque nós que entramos na legislatura agora apresentamos as emendas orçamentárias no ano passado para serem cumpridas em 2012. Então ele papagaia muito, mas, na prática, o que estamos vendo são iniciativas do próprio governo. Eles estão pegando carona no bonde de um momento virtuoso dos municípios brasileiros.

Qual será o peso de Heuler na campanha de Juraci?
Ele é o principal mentor do grupo político do prefeito. É o chefe do PSD e vai capitanear todo esse processo. Sem o Heuler, o prefeito nem teria condições de tocar uma campanha. Até porque dos primeiros aliados que o Juraci teve só resta um com ele. Os companheiros de primeira hora foram largados durante a gestão.

Faz 30 anos que o PMDB não elege um prefeito em Rio Verde. Existe uma rejeição ao partido na cidade? É um argumento válido para o PT buscar uma candidatura majoritária?
Não acredito que o PMDB tenha rejeição. Ele tem um eleitorado cativo e peso em qualquer eleição. O contexto eleitoral é que muda muito. Além disso, tem o fato do Marconi, que sempre foi muito bem votado aqui, ser adversário. O importante é que, se o PMDB compuser conosco uma aliança programática, ele será o definidor da eleição em Rio Verde.

Por que a aliança entre os dois partidos, que parece tão certa em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, não está assegurada em Rio Verde?
Eu respeitei todo o processo interno do PMDB. Fui um dos maiores puxadores da campanha do Iris em Rio Verde. Só depois do PMDB ter trocado de direção, passado por uma provisória e eleito um novo diretório é que tivemos uma primeira conversa. Ouvi bastante a posição dos peemedebistas, coloquei as perspectivas do PT para as eleições de 2012 e iniciamos um diálogo. Acho que nesse momento, em que estamos diante do governo mais catastrófico na história de Goiás, precisamos nos fortalecer juntos ainda mais.  Vamos governar Goiás juntos em 2014 e, para isso, temos de consolidar essa aliança em Rio Verde.

Como avalia a pressão exercida pelo PMDB para que o PT apóie projeto peemedebista ao governo em 2014?
É um processo natural que vem amadurecendo desde 2006. Estamos preparando um caminho mais sólido para 2014. A gente não precisa ficar o tempo todo fazendo declarações explícitas. O alinhamento dos projetos e das bancadas na Assembleia já sinaliza para uma aliança. Entendo perfeitamente o desejo do PMDB de ver essa antecipação, mas cada eleição é única. Primeiro a gente precisa vencer e convencer em 2012. Aí, em 2014, poderemos concretizar um projeto em comum.

Na sua avaliação, quais partidos estão mais temerários em relação às investigações sobre a Operação Monte Carlo?
O fato é que essa organização criminosa transitou durante muito tempo nas mais diferentes legendas. Então hoje não dá para dizer qual partido tem mais medo. Acho que quase todos estão temerários nesse momento. Tem muita gente metida nessa história.

Como a divulgação de um vídeo em que Rubens Otoni aparece conversando com Cachoeira prejudica a imagem do PT em Goiás?
Aquele episódio não representa nenhum tipo de desgaste para o PT. Foi um fato isolado na campanha do Rubens para a Prefeitura de Anápolis, em 2004. Ele sequer faz parte da investigação da Polícia Federal. Estamos tão tranquilos que apresentamos na Assembleia um pedido de abertura de CPI para investigar. O Rubens me ligou dizendo que está disposto a comparecer para contar tudo. Mais do que isso, ele está muito disposto a dizer quem o levou naquela circunstância ao escritório do Cachoeira. Foi uma armação. Nós estamos muito interessados em revelar quem estava por trás daquela porta. Vamos fazer de tudo para que o próprio Rubens esclareça quem ficou do lado de fora. Vale lembrar que, naquela ocasião, o vice do PT era do PSDB.

A bancada governista tem maioria absoluta na Assembleia. Essa vantagem numérica não acaba abafando a voz da oposição na Casa?
Em nenhum momento. A situação sobe muito poucas vezes à tribuna para discutir tecnicamente uma questão. Só sobe para defender o governo. Quem faz discussão das matérias é a oposição. Temos pautado toda a discussão política e atuado nas mais diversas frentes. Eu mesmo questionei vários projetos do governo, apontei irregularidades e recorri ao Judiciário para fazer um controle preventivo de inconstitucionalidade com mandados de segurança. Uma das provas de que nossa atuação é benéfica foi quando conseguimos reverter uma decisão equivocada do governo de aprovar uma mudança no Coíndice que retirava recursos dos municípios produtores, como é o caso de Rio Verde, para beneficiar apenas Goiânia. Apresentei uma defesa dentro do Coíndice e tivemos sucesso. O impacto disso nesses três anos de mandato é de mais de R$ 50 milhões para a Prefeitura de Rio Verde.

O sr acredita que a greve dos professores será retomada?
Estou muito apreensivo. Sou autor da emenda que tenta devolver os direitos de titularidade que o governador tirou. Quando a greve foi suspensa, tivemos a informação da presidente do Sintego de que o governo havia se comprometido a voltar atrás no corte de pontos e devolver a titularidade. Só que depois disso o governador disse em um jornal que não tem esse compromisso. Então não sei onde isso vai parar. O que a gente consegue extrair disso é que o governo não tem o menor respeito pelos professores.

Como avalia aprovação na Assembleia do relatório do TCE que rejeitou as contas do ex-governador Alcides Rodrigues?
O que me deixa espantado é ver que aqueles que mamaram nas tetas do governo Alcides até o último dia tenham rejeitado as contas e agora agridem sistematicamente o ex-governador na tribuna. O deputado Thales Barreto, por exemplo, se absteve de votar. Se fosse sensato, teria aprovado as contas do governo que ele mesmo fez parte.

A principal dificuldade de uma candidatura do PT em Rio Verde seria o enfrentamento da máquina tanto no município quanto estadual?
Enfrentar a máquina nunca é fácil, mas o mais difícil é enfrentar uma turma que tem por convicção que eleição se ganha com dinheiro. Essa é a nossa grande dificuldade.

O sr. deverá ter apoio do empresário Júnior Friboi (PSB). Isso representará uma estrutura financeira maior para uma campanha?
Eu não sei te afirmar isso. Até porque quando estive com o Júnior nossa conversa foi sobre o processo político de Rio Verde, o PSB e a importância da aliança. Eu estou acostumado a fazer política de botina, batendo de porta em porta e conversando com as pessoas. Foi assim em todas as eleições que disputei. A questão financeira em nenhum momento me preocupa. Só temos de garantir um mínimo para ter material de campanha e uma estrutura para a televisão. A pessoa que ganha eleição com base em muito dinheiro fica amarrada, tem de fazer licitação fraudulenta e encher a prefeitura de cargo comissionado, como vemos hoje em Rio Verde. Eu desafio o prefeito de Rio Verde a abrir a folha de comissionados. Apesar de ser um direito do cidadão o acesso à informação, ele nega. É o maior absurdo da história de Rio Verde, que tem uma folha de comissionados numericamente maior do que a da Prefeitura de Goiânia. Então, estou preocupado em vencer eleição com independência e liberdade. Não quero ter compromisso com esquemas de corrupção.

O eleitor deve esperar uma campanha marcada por denúncias e ataques no rádio e na televisão?
Nunca foi meu estilo atacar pessoas. Só falo da gestão. O povo quer saber se a pessoa tem capacidade e pulso para cumprir suas propostas ou se ela é uma rainha da Inglaterra, sempre a última a saber o que acontece debaixo do seu nariz. Estou muito espantado com o silêncio da gestão a respeito da notícia de que a empresa da controladora-geral do município, Débora Chiogna, vende passagens aéreas sem licitação para a prefeitura. É um fato gravíssimo. A primeira coisa que qualquer gestor responsável faz é afastar qualquer funcionário envolvido com corrupção. O pior é que ela continua sendo controladora e a empresa dela continua vendendo para a prefeitura.

Mas os valores das passagens não estão abaixo do mínimo exigido para que seja feita licitação?
Não. Existem passagens para a primeira-dama cujos gastos são de mais de R$ 10 mil. Mesmo se fosse menos do que esse valor mínimo, na forma de atuação está caracterizado o fracionamento. Você pega um valor e fraciona em vários para justificar a compra sem licitação. Mas, independentemente disso, o fato é que uma agente pública que é responsável pela regularidade das contas é a primeira a praticar ato de corrupção. Ela vende para o próprio ente do qual ela é fiscalizadora. A controladora chegou a comprar passagem para ela mesma. A gente espera uma resposta da gestão, que é tão transparente, sobre o parecer pela rejeição das contas pelo conselho do Fundeb, que apontou atos de corrupção e pagamentos feitos por serviços que não foram realizados.

 

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