Pré-candidato do PTB à prefeitura de Goiânia, o deputado federal Jovair Arantes já se queixa do baixo nível da pré-campanha na Capital. Há duas semanas, o petebista foi alvo de denúncia publicada pela revista Veja, que o acusa de cobrar propina em 2005 para que atuasse politicamente para manter o então secretário, Osmar Pires, no comando da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Em entrevista à Tribuna do Planalto, no final da manhã de sexta-feira, 27, Jovair confirmou que vai processar a revista e os jornalistas Rodrigo Rangel e Daniel Ferreira, que assinaram a reportagem. Ao falar do assunto,o deputado diz que fica “triste” com as “perseguições pessoais” e que o fato o estimulou ainda mais a ser candidato. “Se o objetivo era me afastar, o resultado foi o contrário”. No entanto, o petebista diz que fica “feliz” ao saber que a máquina administrativa não tem influência sobre o eleitor goianiense. Sobre a possibilidade de mais de uma candidatura enfraquecer a base aliada do governador Marconi Perillo na disputa, Jovair responde: “O que enfraquece [a base aliada] é candidatura ruim, nome ruim”.
Tribuna do Planalto – Deputado, como o senhor tem trabalhado à pré-candidatura do sr. à prefeitura de Goiânia?
Jovair Arantes – Costumo dizer que este é o período de preparação para o time entrar no campeonato. É preciso fazer os preparativos, onde busca-se o maior número de partidos, lideranças para somarem à candidatura. Então este é o momento preparatório e eu estou buscando esses apoios para que em Julho nós já tenhamos um projeto de governo formatado em sintonia com os aliados, e que possa verdadeiramente mexer com o emocional da população.
Até o momento, como estão as costuras políticas em prol do projeto do sr.?
Está indo muito bem e eu acho que é satisfatório porque estamos trabalhando sozinhos. Nós temos praticamente fechado o PV, PHS e PTB. Nós estamos trabalhando no sentido de consolidar essa base. Também estou buscando outros partidos.
Então quem avalia que a candidatura do sr. ficaria isolada, com pouco tempo de televisão, está enganado?
A minha história diz que tenho de ser candidato a prefeito de Goiânia, e eu tenho esse compromisso, de querer fazer. Tenho feito muito por Goiás, mas eu vejo que Goiânia precisa de um prefeito pró-ativo, que possa resolver os problemas. Não posso me omitir, tenho que me candidatar e me tornar prefeito. Os últimos prefeitos só correram atrás do prejuízo, fazendo o que as gestões anteriores não fizeram, então nós queremos construir o futuro, planejar o futuro. É claro que tempo de televisão é importante para a campanha, pelo menos de 5 a 7 minutos, é o básico. E nós já estamos garantindo esse tempo que será suficiente para apresentamos à população as nossas propostas.
A candidatura do sr. independe do PSDB e da vontade do governo?
É claro que se você me perguntar eu direi que quero o apoio de todos, do PSDB, PT, PMDB, mas nesse momento estou buscando o apoio da sociedade organizada, dos que votam, o morador que não vê perspectiva de melhoria do transporte urbano, que não vê melhoria da saúde, das drogas que estão tomando conta da cidade. Agora, esses partidos tradicionais que tem mandado na política de Goiânia de certa forma me veem com resistência, por não ser pau mandado. Tenho a minha independência, tenho a consciência de que estou no caminho certo, tenho o respaldo do PTB e tem uma série de pessoas do bem que vão fazer um trabalho importante para que a gente ganhe essas eleições.
Deputado, o PTB integra a base do governador Marconi Perillo e sempre apoiou suas eleições ao governo do Estado. A base hoje age de modo conjunto, esperando uma resposta de Demóstenes Torres. Por que o PTB não participa?
Primeiro o PTB não faz parte da base, o PTB foi a base e segurou a candidatura de Marconi enquanto todos tentavam desconstruí-lo de sua história, do homem moderno que é. Nesse contexto o PTB colocou a cara e defendeu a candidatura. Então, não somos da base, somos a base. Em segundo lugar, apesar de tudo isso, o PTB não foi visto até agora pela base como um partido que possa ter o seu candidato dentro dessa discussão. Então essa é a razão da candidatura do PTB, não buscando confronto com Marconi e com seus aliados, mas muito mais de se afirmar, e se colocar de modo pró-ativo para a população goianiense, de modo que as pessoas percebam que o PTB tem propostas e não fica apenas apoiando. Não temos inimigos, mas teremos adversários.
Então a candidatura do sr. é irreversível?
Sim, é irreversível. Estamos trabalhando para trazer o máximo de partidos, quem sabe a base toda do governador. Eu já conversei com Demóstenes, para caso ele não seja candidato, possa conversar conosco. Tenho também uma relação de respeito e cordialidade com o presidente do Democratas, Ronaldo Caiado.
Caso Demóstenes seja candidato e todos os partidos da base se unam, não ficará uma pressão muito grande para que o PTB integre a aliança?
Não, até porque o senador é democrata. Um homem que aprendeu muito cedo a fazer política, então, ele sabe que na democracia a participação de outros partidos no primeiro turno é bem vinda. Vamos somar, contribuir para o debate. O eleitor de Goiânia é diferente e isso nós notamos na pesquisa que fizemos. O goianiense é conhecedor da política e das necessidades e sabe como os problemas devem ser resolvidos. Não é por que esse ou aquele será candidato que já foi carimbado. Mesmo Iris e Nion Albernaz, que foram grandes prefeitos da história de Goiânia, mesmo esses, caso se coloquem como candidatos, terão de discutir os seus projetos, as suas maneiras de administrar. Quero fazer um mix disso tudo, porque todos os prefeitos foram bons, Nion, Darci e eu, Iris. Tem marca minha em Goiânia, como o aterro sanitário, que é até hoje elogiado por técnicos e ambientalistas. O Parque Vaca Brava foi ação minha, de quando o Darci foi para Genebra e eu assumi (Jovair Arantes foi vice-prefeito de Goiânia na gestão de Darci Accorsi, de 1993 a 1996).
Qual é o principal problema a ser resolvido em Goiânia?
Nas pesquisas e nas discussões com a sociedade o problema da saúde é colocado como o principal. Eu sou da área e tenho como resolver isso. Vejo que desde quando Goiânia é Goiânia o modelo de saúde é o mesmo, então é preciso encontrar uma nova forma de gestão. As redes municipais atendem de modo péssimo. Nós teremos um modelo novo de gestão, que não vamos adiantar agora. Da mesma forma a questão da mobilidade e da segurança pública. Em relação à segurança, muitos vão questionar que essa não é atribuição do município, mas quem é o dono da casa é que é responsável pela segurança, então, entendo que essa é uma atribuição do prefeito.
O sr. é a favor de que a guarda municipal esteja armada?
Apresentei um projeto nesse sentido, pedindo que as guardas municipais tenham poder de polícia. Mas vou resolver os problemas da segurança de modo efetivo, e com criatividade. No momento oportuno vocês vão conhecer essas propostas. Com a arrecadação da prefeitura, é dever do prefeito resolver esse problema. Outro problema em Goiânia é a mobilidade. Alguns na prefeitura reclamam que tem muito carro, e vai ter cada vez mais, melhor que tenha. Quem dera se cada brasileiro tivesse um carro para servir às suas necessidades. Isso é reflexo do crescimento, do aumento do PIB do Brasil.
É possível resolver o problema do transporte coletivo em 4 anos?
Não dá é para ver a gestão do transporte coletivo entregue para os donos dos ônibus, isso está errado. Que o Setransp seja o sindicato deles lá, eu sou a favor da livre iniciativa. Agora, não dá pra entregar um bem coletivo de mais de um milhão de pessoas nas mãos de um sindicato dos donos dos ônibus. É preciso gestão.
O sr. acredita então que a gestão da CMTC é falha?
Totalmente falha, comprometida com os donos dos ônibus. As empresas têm de ganhar dinheiro, mas o serviço é concessão, tem de ter gestão, organização. A prefeitura não precisa comprar ônibus, mas precisa ter o controle social, tem de colocar a comunidade para dar opinião a respeito disso. Quando você pega um ônibus, é preciso saber o horário em que o ônibus vai passar, é preciso um cronograma, multa caso não haja cumprimento. Se perguntarem se os ônibus são ruins, não são. São todos ônibus novos, mas falaram que iam mudar o transporte trocando os ônibus velhos pelos novos, e isso não resolve o problema.
O sr. faz parte da base do governo federal e tem uma boa relação com a presidente Dilma. Isso torna possível conversas com o PT de Paulo Garcia?
Eu não tenho inimigo, tenho adversários políticos. Sou da época que existia direita e esquerda, ambas raivosas, mas eu modernizei com a prática política, porque a população quer resultados administrativos. Eu converso bem com o PT e com o PMDB em Brasília. É preciso discutir o que é importante para a sociedade. Estamos fazendo a duplicação da rodovia de Goiânia a Jataí, e nesse projeto você tem toda a bancada de deputados federais junta. Já pensou se ficássemos com esse tipo de estreitamento? Eu acho que a disputa cabe no momento eleitoral, mas depois é preciso conversar e discutir. O PT modernizou muito também, e prova disso é o êxito do governo Lula e a gestão de Dilma Rousseff.
Historicamente a base sempre perdeu em Goiânia. O sr. acha que essa divisão enfraquece a base na capital?
O que enfraquece [a base aliada] é candidatura ruim, nome ruim. Uma eleição só tem um vencedor, então nós vamos discutir as questões, depois do prefeito Paulo Garcia, o primeiro a se posicionar sou eu, os outros são conjecturas e discussões.
Por que o governador Marconi Perillo nunca elegeu seus candidatos em Goiânia?
O eleitor goianiense vota de modo diferente, ela não sofre esse tipo de comportamento, decisão devido ao apoio de Marconi, Iris ou Lula. O goianiense sabe votar, e todas as vezes que elegeu seus candidatos o fez pensando ser o melhor candidato. Respeito isso porque é necessário respeitar o desejo da maioria.
A máquina administrativa não tem esse peso de mudar uma eleição em Goiânia?
Eu fico muito feliz com isso, sabendo que máquina administrativa não faz a cabeça do eleitor goianiense. Aqui em Goiânia o que vale é a boa proposta, por isso eu estou otimista com a nossa candidatura.
Como o sr. analisa o nome de Leonardo Vilela, tendo em vista que é um pré-candidato forte que não é de Goiânia?
Não vejo com dificuldade. Também sou do interior, de Buriti Alegre, e moro aqui desde os 9 anos de idade. Goiânia, com essa grande população, tem pelo menos 40% de seus moradores do interior. Todos nós temos direito em relação à cidade. Então, não vejo nenhum problema, trata-se de um deputado jovem, comprometido e ético. Eu não entendo essa questão de denegrir as pessoas, desqualificá-las. Esse não é o meu perfil.
Caso o senador Demóstenes desista, o PSDB dá sinais de que terá candidato próprio. Como será esse debate. O sr. acredita que ficará apenas no campo das ideias?
Espero que seja. Eu fico triste quando tem as perseguições pessoais. E já começaram com as denúncias, mas espero que elas não progridam. Uma campanha numa cidade jovem e apaixonante como Goiânia, é preciso discutir as coisas boas, não dá para ficar desqualificando as pessoas. É preciso uma campanha de alto nível.
O sr. diz que a perseguição já começou. O sr. se refere à denúncia que sofreu na última semana?
Sim, denúncia baixa, sem nenhum conteúdo, apenas com objetivo político.
Quais providências o sr. tomou?
Tomei medidas judiciais, o que resta ao brasileiro é tomar medidas judiciais e deixar a Justiça decidir. Eu não vou ficar me envenenando por causa disso. Estou buscando meus direitos de reparação, mas é um veículo em descrédito, sem credibilidade. Então eu não quero entrar nessa discussão.
Essa é a segunda vez que o sr. postula um cargo e surge uma denuncia. O sr. sabe quem está por trás disso?
Sei quem é, mas não quero entrar em detalhes. Isso é pequeno. Como em toda categoria profissional e toda atividade, na política tem gente canalha. Ainda bem que tem mais gente do bem do que do mal. Mas existem esses que têm inveja, que só pensa no mal, que não consegue ver o sucesso dos outros. Infelizmente, quem está na chuva é para se molhar. Bota um guarda-chuva pequeno para se proteger, mas acaba se molhando.
Então o objetivo de afastar o sr. da candidatura falhou?
Sim, se o objetivo era me afastar, o resultado foi o contrário. Eu tenho dito que sou igual massa de bolo, quanto mais bate, mais cresce. Tenho a consciência tranqüila, então isso não vai me assustar. Venho de família pobre, lutei pelos meus espaços.
O grupo do PT e PMDB tem Iris como o grande cabo eleitoral, as próprias pesquisas Ipem/Tribuna confirmam isso. Como neutralizar essa força?
Simples. Basta mostrar que o candidato não é o Iris, e que ele não será prefeito. Ele já foi, e foi um dos melhores, mas o prefeito vai ser outro. Com certeza o Iris será copiado no que fez de melhor, eu vou copiá-lo, mas também vou ter a marca da modernidade. Então é preciso mostrar para a população que os candidatos são aqueles que estão na tela. E é nesse sentido que eu vou realizar a campanha.








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