Tribuna do Planalto

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Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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“Nome do PSDB pode por fim à animosidade entre PSD e DEM”

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LEONARDO VILELA - FOTO PAULO JOSÉ 21

O secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Vilela (PSDB), começará, em breve, contagem regressiva para deixar o governo e voltar suas atenções para a campanha em Goiânia. Leonardo deve ser confirmado esta semana como pré-candidato do PSDB à prefeitura da capital. À Tribuna, o tucano tem o cuidado de ainda se apresentar como um dos nomes de seu partido (os outros pré-candidatos são João Campos e Fábio Sousa), mas ao longo da entrevista o leitor notará que o próprio Leonardo já assume uma posição de candidato. O tucano é ácido nas críticas ao prefeito Paulo Garcia, pontuando um a um o que considera os gargalos da atual administração na capital e relatando que o prefeito usa a máquina administrativa para alavancar sua postulação. Leonardo acredita  ter condições de unir toda a base aliada em torno de uma só candidatura, fortalecendo-a na disputa contra o PT. O secretário recebeu a reportagem da Tribuna em seu gabinete na quinta-feira, 16.


Tribuna  – Quais são próximos passos para a consolidação dessa pré-candidatura do PSDB?
Leonardo Vilela – Bem, aguardo uma definição oficial  do PSDB e se eu for o candidato indicado quero, primeiramente, chamar o João Campos (deputado federal) e o Fábio Sousa (deputado estadual) para ouvi-los, aproveitar suas ideias e propostas na formatação do nosso plano de governo e pedir a ajuda deles para que possamos ampliar o leque de aliados. Segundo, procurar os partidos que hoje fazem parte da base do governador Marconi Perillo. Já tenho conversado, mas são conversas preliminares e se formos chancelado pelo partido nós teremos legitimidade e autoridade para iniciarmos o fechamento de uma aliança para eleições deste ano. Paralelamente, vou dar sequência com intensidade e legitimidade as conversas com as entidades organizadas da sociedade para formatar o melhor programa de governo para a nossa capital.

Para até quando o sr. espera essa decisão do partido?
Quem está vai determinar esse tempo é o coordenador do Conselho Político, o professor Nion Albernaz. Na minha opinião o partido já está maduro para tomar essa decisão. O clima entre os pré-candidatos é muito bom, de paz e tranquilidade. Todos concordam com a decisão que será tomada pelo conselho e os outros pré-candidatos vão acatá-la, já declararam isso publicamente. Desde agosto o partido discute intensamente com seus pré-candidatos, membros do diretório metropolitano, das zonais, militantes e vereadores essa questão. Portanto, decisão está madura e pronta para ser anunciada.

Como o sr. pretende conduzir esse processo dentro da base?
Individualmente. Com cada partido, conversando com lideranças de cada legenda. Com presidente estadual, presidente municipal, com os pré-candidatos de cada partido. Enfim, quero exercitar ao máximo o diálogo primeiro em relação a um programa alternativa para Goiânia. Eu tenho observado que a sociedade não está contente com a atual administração, os problemas se avolumam a cada dia. O que eu quero é conversar com eles sobre um projeto para Goiânia e que possamos estabelecer critérios para  afunilar e termos apenas um candidato da base. Se isso não for possível, que nós tenhamos dois candidatos. Mas, na minha opinião, o ideal é que possamos unir forças, com tempo de televisão, chapas para vereador para fazermos uma coligação forte e enfrentarmos o prefeito, que vem aí com toda a máquina da prefeitura para as eleições.

Como serão feitas algumas costuras, como, por exemplo, DEM com PSD, já que esses dois partidos têm dificuldades de ficarem juntos, além da disputa pela vaga de vice na chapa?  
Com muito equilíbrio. Uma candidatura do PSDB nessa hora pode ser um diferencial, exatamente para retirar alguma animosidade, se é que existe isso, entre o PSD e o DEM. Quanto ao vice eu acho que o importante agora é discutir primeiro um projeto de governo e depois ver quem é que tem o melhor nome para a vice, aquele que vai articular mais e agregar mais. Eu tenho uma boa relação tanto com o PSD, quanto com o DEM. Com conversa e com diálogo nós podemos chegar a um denominador comum, como chegamos na composição que elegeu Marconi governador. O importante é que prevaleça agora o bom senso, o equilíbrio, o desprendimento de cada líder político, para que possamos ganhar as eleições, ocupar um espaço que é do PMDB e do PT  e que na nossa visão precisa ser renovado.

O sr. espera a ajuda do governador para essa costura com os outros partidos?
Ajuda política, sim! O governador Marconi Perillo é o grande líder político do nosso grupo, do grupo que o apoia. É lógico que ele vai ter uma ação republicana, em nenhum momento ele vai misturar a administração pública com a questão eleitoral. Diferentemente do que temos visto na prefeitura. Na prefeitura, há um loteamento da prefeitura para os diversos partidos que deve apoiar o prefeito na eleição. Inclusive falam em dividir e criar novas secretarias para agasalhar novos partidos. Na verdade o atual prefeito só pensa na reeleição, utiliza abertamente a máquina para cooptar partidos, lideranças de bairros, enfim, utiliza-se abertamente a máquina pública para fazer política. Não é isso que eu espero do governador e, sim, seu apoio político, seu apoio moral.

Em relação a gestão do prefeito Paulo Garcia, o que o senhor vê de positivo e de negativo?
O que eu vejo é que é uma gestão pautada pela eleição. O atual prefeito não hesita em atropela o Plano Diretor, que é um bom plano, para fazer obras que denomino eleitoreiras e cosméticas. Por exemplo, essa obra da Rua 10, no Setor Universitário, ela não consta no Plano Diretor. No entanto, acharam que deveriam fazer aqui uma vitrine com ciclovia e outros aparelhos, derrubaram árvores, distorceram a arquitetura Art Déco, que faz parte da criação de Goiânia. Fizeram uma ciclovia, que na verdade é uma ciclo-faixa, que é compartilhada com faixa de pedestre. Enquanto isso, não foram feitas as grandes intervenções no trânsito, como a implantação dos corredores exclusivos para ônibus, que iria melhorar a velocidade média dos ônibus, isso reduziria o número de ônibus circulando na cidade. Quando o prefeito fala em desafetação de áreas públicas, principalmente aquelas próximas ao Paço Municipal, ele atropela completamente o plano diretor, já que aquelas áreas são de baixo densamento populacional. São áreas destinadas a prédios públicos, preservação ambiental, e não para erguer arranha céus, como estão querendo construir, ou para especulação imobiliária. Fizeram o adensamento em locais errados e que foge a orientação do Plano Diretor. Por exemplo, o adensamento que fizeram em torno do Parque Flamboyant é criminoso. Quando aquelas torres estiverem todas ocupadas, o sujeito vai ter dificuldade de sair de dentro da garagem às 7 horas da manhã para ir trabalhar. Sem contar questão ambiental. O córrego cascavel está completamente assoreado, seco, totalmente degradado. Vai gastar muito dinheiro de recurso público para recuperar aquilo que a especulação imobiliária fez e que a prefeitura não teve coragem e competência para evitar. Nós precisamos de um prefeito quem pense no coletivo, que tenha coragem de tomar uma decisão e fazê-las cumprir.  

Por que o PSDB se manteve afastado da administração de Goiânia mesmo tendo o poder do Estado há 13 anos?
O PSDB sempre teve muito respeito por seus partidos aliados e abriu mão de seus candidatos para dar apoio aos aliados. Dentro daquela conjuntura é o que deveria ter sido feito, mas agora o PSDB está maduro e tem pré-candidatos com potencial para defender o partido. Eu acredito que estamos no momento de lançar uma candidatura e temos grandes chances.

É remota a chance do PSDB recuar e não lançar candidato?
Em política você deve conversar sempre até o último momento. Assim como o PSDB tinha concordado que caso Demóstenes fosse candidato nós o apoiaríamos, se surgir uma pré-candidatura que aglutine, que empolgue mais e que esteja dentro daquilo que o eleitor espera, o PSDB tem de conversar e discutir. Mas hoje acredito que o partido tenha amplas condições de representar muito bem a base aliada.

O sr. tem esperança de ter o Jovair Arantes (PTB) na base?
Respeito o Jovair e acredito que ele tenha toda legitimidade para ser candidato. Ele sempre foi um aliado nosso e sempre teve espaço nos governos do PSDB. Hoje eles estão com duas secretarias do governo, a da Cidadania e a Agência de Esportes e Lazer, postos altamente relevantes, isso sem contar outras áreas. Mas nós temos até o dia 30 de Junho para conversarmos e tenho certeza de que se ele for candidato e o PSDB também tiver candidato, caso um de nós passemos para o 2º turno, um apoio é recíproco.

Nos bastidores há uma crítica ao sr. em relação aos avanços nesse período de pré-candidatura. Fala-se que o sr. poderia ter avançado mais nessa pré-campanha. O sr. ouviu esse tipo de crítica?
Sim, ouvi. Tive a preocupação de não atropelar os partidos da base e os companheiros. É óbvio que tenho exercitado ao máximo minha capacidade de diálogo, tenho feito isso 24 horas por dia. Tenho estudado as questões de Goiânia, me colocado nas discussões, ouvindo propostas. Mas como ainda não fui escolhido pelo PSDB, tenho a preocupação de não atropelar os outros pré-candidatos. Tudo é uma questão de fases e caso eu seja escolhido, a primeira coisa que vou fazer é envolver o partido nesses eventos. Isso ainda é difícil mesmo para aqueles que se dizem meus apoiadores, mas evitam se manifestar para evitar constrangimentos. Por isso que defendi que a decisão do nome fosse tomada no final do ano passado, para que esse trabalho estivesse mais adiantado. Por exemplo,  faço reuniões nos bairros e outras lideranças políticas não vão, temendo magoar e expor os outros pré-candidatos. O governador não vai para evitar chateações. Mas com a definição, acaba isso e facilita o trabalho. Candidatura majoritária depende muito dos aliados, do grupo político.

Como o sr. tomou a decisão de se tornar pré-candidato? Veio do sonho de governar Goiânia ou foi um pedido do governador?
No final do ano passado várias lideranças me procuraram e me estimularam a colocar meu nome à disposição do partido e lógico eu as ouvi e sentindo as falhas da atual administração. Lógico que eu tive uma conversa com o governador, e ele me estimulou, falou que eu era um bom nome, com experiência política, três vezes deputado, três vezes secretário de Estado. Então ele me disse para conversar com o partido e com a sociedade, e eu tenho tido uma receptividade muito grande no partido, 200 pessoas individualmente tem me dado apoio e mesmo aqueles que estão vinculados a outros pré-candidatos me disseram que estão dispostos a apoiar minha candidatura.

Recentemente o secretário Vilmar Rocha (PSD) afirmou que as decisões da base  devem ficar para abril ou maio. O sr. teme encontrar uma base com outro tempo que não seja o seu?
Não, não. O Vilmar tem razão e acho que é uma questão de passos. O próximo passo a ser dado é o PSDB definir o seu pré-candidato e depois alguns partidos pequenos, emergentes, começam a fechar seus apoios, isso em março ou abril. Outros apoios deverão fechar no último dia. Enquanto isso vamos realizando os debates, discutindo as ideias.

Qual é o papel efetivo de Demóstenes Torres na eleição. É sabido que ele é um cabo eleitoral de peso, o sr. vai buscar esse apoio?
Conversei com o senador depois que ele anunciou a desistência e disse para ele que caso seja candidato, vou precisar muito dele. E ele falou que caso eu seja candidato, posso contar com ele integralmente. A presença dele é de grande importância, primeiro pela votação que ele teve em Goiânia nas últimas eleições, segundo pela expressividade dele nacionalmente e a notoriedade no país, e terceiro pela própria identidade dele com Goiânia. Ele terá papel importante e já declarou que estará com o candidato da base.

O fato do sr. não ser de Goiânia foi citado inclusive por apoiadores de Fábio Sousa como um problema. Isso chegou a ser um problema?
Não, eu moro em Goiânia há 13 anos. Sou de Mineiros, no interior, com muito orgulho e não tenho nenhuma vergonha disso. Morei lá até os 14 anos, depois estudei medicina em Belo Horizonte, voltei pra Mineiros e fui médico lá por 11 anos, e desde 1998 moro em Goiânia e minha ligação aqui foi muito forte. Nas minhas duas últimas eleições, meu maior colégio eleitoral foi Goiânia, portanto eu conheço muito bem a cidade. Aliás, em relação ao tema, eu fiz um levantamento e de todos os prefeitos de Goiânia, apenas o último, que não foi eleito, nasceu em Goiânia. Então, todos os outros nasceram fora. Goiânia é uma cidade cosmopolita, tem ligação com o interior, tendo parentes no interior, e o eleitor goianiense é exigente, politizado. O que vai ser determinante são as propostas. O apoio de políticos como Marconi, Demóstenes e Iris é importante, mas o que vai ser determinante é o debate. A população quer saber quem é que vai resolver os problemas, quem é que vai tapar os buracos, aliás, a prefeitura prefere gastar R$18 milhões para tapar buracos do que fazer o recapeamento do asfalto.

O governador teve um primeiro ano difícil. Quais são as expectativas do sr. em relação ao papel de Marconi na campanha e se esse ano difícil pode dificultar a eleição da base governista?
As pesquisas têm mostrado que a aprovação do governador em Goiânia é um pouco maior do que a do prefeito. Todo governo tem um primeiro ano de ajustes e dificuldades. O governador fez ajuste fiscal, resolveu o problema da Celg e outros para poder deslanchar, inclusive com  uma grande obra em Goiânia que é o VLT, do governo do Estado. Depois da década de 70, essa será a primeira obra estrutural de grande porte no transporte. Também terão hospitais que serão construídos em breve e terão impacto positivo sob o governador.

O sr. tem uma data para deixar a Secretaria de Meio Ambiente?
O primeiro passo é ver se eu vou ser confirmado como pré-candidato. Se sim, vou sentar com o governador e ver qual é a melhor data para isso. Pela lei eu tenho até o dia 7 de junho para isso. Se não houver objeção por parte do governador, creio que se eu for o candidato, o final de março é a melhor data para que eu volte para a Câmara e vou aproveitar o período em Brasília para articular a candidatura e não ser acusado de utilizar a máquina. Apesar de que pela lei, eu preciso sair só quatro meses antes da eleição.

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