Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.327 Goiânia, 13 a 19 de maio de 2012
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Entrevista

“As discussões sobre o Plano Diretor estão contaminadas”

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O deputado Marcelo Lelis (PV) é, até o momento, o nome mais forte para disputar as eleições à Prefeitura de Palmas em outubro deste ano. Em quase todas as pesquisas pré-eleitorais, o parlamentar aparece com mais de 35% das intenções de voto. Contudo, fora as eleições, Lelis ainda apresentou recentemente um requerimento que gerou grande polêmica e movimentou o cenário político de Palmas e sua vizinha, Porto Nacional. A proposta do deputado diz respeito a um possível desmembramento do distrito de Luzimangues, a cerca de 10 quilômetros de Palmas, do município de Porto Nacional. O requerimento do deputado causou reação firme por parte dos políticos da cidade histórica do Tocantins, que repudiaram sua medida. Contudo, após reunião fechada com a prefeita de Porto, Tereza Martins, e lideranças locais, o deputado modificou sua proposta e, por enquanto, selou a paz entre as cidades. É sobre estes temas e também sobre o Plano Diretor da capital que Marcelo Lelis debate nesta entrevista exclusiva.


Deputado, como estão suas movimentações em busca do Paço Municipal nas eleições de outubro deste ano?
Estamos empenhados nas discussões da proposta para a cidade. Como nosso grupo político está tranquilo, está unido, estamos focados no “Palmas é Você quem Faz”, que é o nosso programa, dos nossos partidos, dos nossos aliados, que está democraticamente, de forma participativa, construindo as propostas para a nossa cidade. São quatro eixos: as reuniões nas regiões de Palmas, onde nós escutamos a população. Nós fizemos duas, sendo  uma delas maravilhosa em Taquaralto. Foram muito além das nossas expectativas. As reuniões com os segmentos da sociedade e as reuniões temáticas que nós estamos fazendo. A primeira teve como tema a Ferrovia Norte-Sul, mais especificamente a plataforma (multimodal) aqui próximo a Palmas. Além disso, ainda estamos realizando as viagens aos polos de referência para trazermos boas práticas para a cidade. Então, estamos muito focados nisso.

O senhor, neste início de processo eleitoral, tem despontado nas pesquisas prévias como o líder nas intenções de voto. Como trabalhar com esta liderança e mantê-la até a data da eleição?
Na verdade, eu venho disputando as eleições de forma muito continuada e meu ritmo de trabalho é um ritmo forte. Entendo que a única vacina, meu único método é o trabalho. E tenho me dedicado exaustivamente ao trabalho.

E seu trabalho tem sido construído, inclusive, de forma interna na busca pelo apoio e a indicação como candidato da base do governador Siqueira Campos...
Esse é um trabalho que iniciou há vinte anos, num momento em que o primeiro prefeito da Capital, Eduardo Siqueira Campos, convidou meu pai e ele não aceitou vir e eu acabei vindo. Trabalhei 12 anos na prefeitura, durante as três gestões do Eduardo, do doutor Odir (Rocha) e da Nilmar (Ruiz). Depois da primeira eleição em 2004, com Palmas confiando em mim (primeiro mandato como vereador), em 2006 me fazendo deputado já com a maior votação; 2008 com quase 34 mil pessoas confiando em mim para a prefeitura; em 2010, mais uma vez me elegendo deputado, para que a gente pudesse dar continuidade no nosso trabalho na base, trabalho sério para reforçar o nosso nome. Então, é essa a história.

Um deputado que possui um alto porcentual de intenção de votos possui uma gama de adversários políticos para a disputa eleitoral. Quem o sr. considera, hoje, seus principais concorrentes para as eleições de 2012?
Eu, sinceramente, não tenho adversários em quem eu esteja focado. Eu não estou centrado nos adversários. Eu estou focado no nosso trabalho, mesmo porque o quadro político que está aí, na disputa pela Prefeitura de Palmas, ainda é instável. Muitos dos que estão aí se colocando no outro grupo ainda é possível que estejam conosco aí, num futuro muito próximo. Eu, sinceramente, não tenho focado nisso. Tenho deixado muitas coisas acontecerem, privilegiando o nosso trabalho.

O sr. se considera o nome a ser batido neste ano?
Eu não penso muito nisso. Eu penso que o que importa nas eleições de 2012 é que a população escolha o melhor para a Prefeitura de Palmas. Que a população de Palmas possa avaliar todas as propostas, mesmo porque nós sabemos o quanto é importante uma boa administração. Nós vivemos em uma das cidades mais extraordinárias no País para se viver. Temos um potencial extraordinário. Veja só: temos bons picos de desenvolvimento. Mas imaginem se a cidade estivesse bem gerida para valer, com uma gestão moderna, inovadora, criativa, eficiente, uma gestão desburocratizada, o quanto nós estaríamos muito mais à frente. As atenções do eleitor devem estar voltadas para isso. Para o melhor perfil, para as melhores propostas para o município de Palmas.

Deputado, hoje, em Palmas, nós temos ainda alguns fatores que têm gerado um certo desgaste à administração municipal. São dois pontos básicos que precisam ser revistos na Capital, a saúde e o transporte público. Quais suas propostas de governo para melhorar esses fatores?
Já estudamos e discutimos e estas questões passam por modernização, por gestão. Passam por sistemas integrados que diminuam o tempo para os usuários do serviço. Veja um exemplo: hoje, nas consultas com o Sistema Único de Saúde (SUS), entre o momento que a pessoa procura a Pró-Saúde e o momento da consulta, são meses. Meses por que a guia da consulta viaja para a Secretaria da Saúde para receber a autorização. Ou seja, sistemas eficientes de tecnologia são importantes para a Saúde e outras coisas. Nós não podemos mais fazer tudo dificultado. Muitas vezes, uma pessoa procura o Sistema Municipal de Saúde, faz uma Tomografia e o médico encaminha para o HGP (Hospital Geral Público de Palmas). Aí chega ao HGP e o médico manda fazer outro exame de Tomografia para iniciar o procedimento. Quer dizer, não está integrado. A Saúde municipal e a Saúde estadual não estão trabalhando de forma integrada. E isso é importante para que o sistema funcione. Se formos falar disso tudo, vamos falar de muita coisa. E vamos detalhar todas essas questões nas nossas propostas oficiais de governo.

Outro ponto que tem trazido à tona muitas discussões em Palmas é a proposta de expansão do Plano Diretor. Muitos dizem que será um benefício para a população e outros defendem que isso vai gerar uma grande especulação imobiliária em uma cidade que tem alto custo no setor. Qual a opinião do sr. sobre o Plano Diretor da Capital?
Nós temos um posicionamento que foi deliberado em reunião da nossa executiva municipal, que é o seguinte: o debate está contaminado. E não estou aqui recriminando esta contaminação. Só estou dizendo que todos os atores envolvidos, todas as pessoas que estão debatendo estão contaminadas pela eleição. O debate está contaminado pela proximidade do processo. O que o PV acha? Temos de discutir a expansão ou não? Temos de debater a regularização das áreas no entorno de Palmas? Temos. Mas achamos que isso deve ser feito depois do processo eleitoral. E depois, de forma menos emocional e mais técnica, o debates podem acontecer com resultados melhores para a população de Palmas.

 Qual foi a intenção do sr. com o requerimento apresentado de rever a demarcação da área do distrito de Luzimangues, localizado a cerca de 10 quilômetros do centro de Palmas, e um possível desmembramento do município de Porto Nacional?
Entendo, e ninguém vai me fazer mudar de opinião, que é absolutamente importante discutir a ocupação de Luzimangues. Luzimanges, no meu entendimento, será um dos locais mais prósperos do Estado e isso é irreversível. Pela proximidade de Palmas, pela plataforma que está se erguendo lá (o pátio multimodal da Ferrovia Norte-Sul é localizado na região do distrito). Além disso, é fato também que Luzimangues está a 10 quilômetros do Palácio Araguaia e 60 quilômetros de Porto Nacional. Também é fato que todos os aspectos desta ocupação, que ainda é pequena, mas será grande em pouco tempo, afetarão diretamente Palmas em tudo, em todos os serviços públicos. Então, nós temos de discutir isso. É uma reação forte de Porto Nacional, nós respeitamos os líderes de Porto Nacional, todos eles. É uma cidade histórica, eu devo muito a Porto Nacional, mas não podemos negar que esta discussão tem de acontecer. Não podemos fingir que nada acontece do outro lado do lago porque está acontecendo.
Além disso, não podemos ser incoerentes. Se eu estou defendendo que a discussão referente ao Plano Diretor seja deixada para depois do processo eleitoral, nós não podemos ser incoerentes com relação a Luzimangues. Nós iniciamos a discussão, ela está na pauta da Assembleia e eles (políticos de Porto Nacional) estão “encucados” que a Assembleia é quem redefine os perímetros do quadrilátero definido pelo decreto de 1989. Nós vamos mudar os termos. Nós vamos pedir que a Procuradoria da Casa analise os documentos da época da Constituinte, que vamos protocolar lá, e que diga qual é o roteiro que esta discussão deve seguir. Nós entendemos que as populações têm de ser envolvidas. Que tem de ser assim o processo.

Mas deputado, muito o que tem sido dito contra sua proposta diz respeito à arrecadação que o distrito vai ter depois da instalação da Ferrovia, do pátio multimodal. Os contrários dizem que sua proposta é eleitoreira e que visa esta arrecadação. Qual é a opinião do sr.?
O requerimento que está em pauta e que vamos trocar para não causar raiva política responde a essa pergunta que me foi feita pela prefeita (Tereza Martins, de Porto Nacional). Quando levantarmos a área do quadrilátero, pode ser que a área da plataforma não esteja incluída. Não estou dizendo que não está. Estou dizendo que tem gente que acredita que não esteja. O que precisamos focar na discussão é que mais de 40 mil lotes já foram vendidos em Luzimangues. E esses lotes ainda não estão ocupados, e que esta ocupação vai impactar Palmas. O debate tem de ser técnico, tem de analisar estes impactos, e analisar a posição da população de Luzimangues. Os políticos de Porto Nacional, de Luzimangues estão arredios, mas eu não sei se esse é o sentimento da população, porque quem está com projeto político quer resolver, quem está com problemas de serviços públicos, vivendo na dificuldade, pensa de outro jeito. É preciso separar essas duas coisas.

Existe um prazo já definido para se realizar essa consulta pública para saber realmente a postura da população de Luzimangues?
Veja só, as informações do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que eu busquei são de que qualquer tipo de consulta pública não pode ser feita a menos de 150 dias das eleições e este prazo já está vencido. Então, não acredito que aconteça por agora esta análise. Mas a questão de Luzimangues tem de estar na pauta das discussões políticas de Palmas e de Porto Nacional. Todos os pré-candidatos a prefeito de Palmas têm de discutir Luzimangues, assim como todos os pré-candidatos do município de Porto Nacional.

 

“Quero entender que concorro à prefeitura e não a uma Igreja”

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O deputado estadual Eli Borges (PMDB) é um dos muitos pré-candidatos que se dispuseram a tentar disputar a Prefeitura de Palmas nas eleições municipais deste ano. Dentro da Assembleia Legislativa do Tocantins, hoje, ele concorre diretamente com outros três nomes para chegar à maior cadeira do Executivo municipal, os deputados Marcelo Lelis (PV), Luana Ribeiro (PR) e, correndo por fora, Sargento Aragão (PPS), que ainda não desistiu de sua candidatura.
Nesta entrevista, o deputado fala sobre seus planos, suas movimen­tações e, especialmente, sobre sua vontade de conseguir a vaga como principal candidato do grupo de oposição para a disputa eleitoral de outubro deste ano, passando, sobretudo, pela primeira grande disputa que deve acontecer até maio deste ano, para ser o candidato do grupo de oposição ao governador Siqueira Campos (PSDB). Sem fugir de polêmicas, o deputado respondeu a perguntas espinhosas que envolvem sua religião e as estratégias para ampliar seu eleitorado e áreas de influência política.


Tribuna  – Deputado, primeiramente vamos falar sobre as eleições 2012. Como estão suas movimentações visando o Paço Municipal da Capital, em outubro?
Eli Borges – Neste momento eu estou na condição de pré-candidato do partido. A unidade do partido já é um problema resolvido. Estamos nos movimentando via partido com a sociedade para ampliarmos nossa proposta de governo. Este é o trabalho que estamos desenvolvendo. E somando-se a isso ainda há o diálogo  com os outros partidos de oposição ao governo, para criarmos uma unidade de conjunto de partidos de oposição ao enfrentamento vitorioso de outubro. Estes partidos de oposição incluem também as legendas de apoio ao prefeito Raul Filho.

Tem sido feito um trabalho com a base do prefeito de Palmas, Raul Filho?
Nesta data, esses partidos, via pré-candidatos a prefeito, já estão se reunindo para fazer tratativas para definir como vamos trabalhar o afunilamento do processo. Mas dentro dos partidos que são hoje reconhecidos como de oposição ao governo, ainda existem muitos nomes que se propõem a ser os candidatos.

O sr. não acredita que este excesso de nomes prejudique o processo de unificação de forças em torno de uma única candidatura?
Cada nome tem a sua força. E quando você soma a força de todos os nomes, as pesquisas internas revelam que já temos uma vitória praticamente garantida. Entendo que o tempo para este afunilamento final esteja próximo. Talvez o mês de maio seja um prazo ideal para isso.

Dentro de um processo eleitoral complexo como o de Palmas, é preciso que, além dos aliados, se conheça bem principalmente os adversários. Hoje, quem o sr. vê como principais adversários no processo?
O que está acontecendo, que a sociedade não tem conseguido fazer a leitura, é que da base do governo já existe um candidato definido. Então, todos os votos de situação já são direcionados a este candidato único e que está pré-definido. E do lado da oposição estão diversos pré-candidatos. É no ajuntamento dos pré-candidatos que você faz o somatório de votos suficiente para vencer as eleições. Eu estou em uma posição tranquila com relação ao meu partido porque pesquisas internas me dão pelo menos o dobro de votos que teria em dezembro de 2011. Um cres­cimento além da expectativa. Eu entendo que os encaminhamentos, as conversações, as negociações estão avançadas e vão ser um somatório extremamente positivo e a vitória fica praticamente garantida quando a união acontecer.

O sr. comentou sobre o candidato já definido pelo lado do governo. É sabido que o candidato da bancada do governador é o deputado Marcelo Lelis (PV). O sr. considera que ele, hoje, é o nome a ser batido?
Eu prefiro não dizer que este é o nome. No momento é o nome que está em evidência. O governador já deixou claro que tem um único candidato. E é óbvio que num momento oportuno ele vai revelar quem seria este candidato. É uma situação que prefiro que o governo faça a sua definição.

O sr. afirmou, anteriormente, que as definições sobre o candidato do grupo de oposição devem ser tomadas até o final de maio. O sr. tem alguma estratégia específica para ser o nome escolhido para a disputa de outubro?
A estratégia é o trabalho. É fazer as movimentações do partido nas ruas e isso nós já estamos fazendo. E eu acredito que o único caminho para definir este nome são as pesquisas: a qualitativa e a quantitativa. Entendo que estas são as duas opções para que o afunilamento ocorra de verdade.

O sr. é, hoje, um representante de uma classe bastante específica da socie­dade, que são os evangélicos. Como fazer para ampliar esta represen­tatividade e emplacar sua candidatura para todos os segmentos sociais?
Basta que eu mostre os meus 20 anos como vereador e deputado estadual e todos os projetos e requeri­mentos que apresentei na Assembleia Legislativa, além de todos os pronun­cia­mentos que fiz na Casa, que a so­ciedade vai perceber que a minha luta política é uma luta voltada para toda a sociedade, independente de cunho religioso. O fato de ser evangélico não nos descredencia. Até porque todo bom evangélico, o bom católico tem determinados princípios que a sociedade brasileira está clamando por eles. Princípios de decência, de transparência nas ações, de humanismo na política em favor do pobre, do menos favorecido, princípios de respeito ao cidadão à medida que você promete e cumpre. Eu quero entender que sou um candidato a uma prefeitura e não a uma igreja. E dou exemplo de gestores que são evangélicos: o Iris Rezende (do PMDB, ex-prefeito de Goiânia), em Goiás, é evangélico; o prefeito Enoque (Souza Alves – também do PMDB), de Palmeirópolis, é evangélico. São administrações coerentes. Acho que não está em discussão neste momento eleitoral a questão religião. Está em discussão a candidatura do PMDB à Prefeitura da Capital.

Neste sentido, as questões religiosas acabam mesmo ficando menores do que todos os problemas enfrentados na cidade...
Se formos iniciar um debate religioso, cada candidato tem sua religião, sua opção religiosa. Eu já votei inúmeras vezes e nunca perguntei se o cidadão era espírita, se o cidadão era católico, se o cidadão era ateu. Eu votei pelo perfil do candidato e pelas propostas de governo, e acredito que a sociedade irá votar para um candidato que tenha um aspecto religioso forte, sabendo que ele é candidato a prefeito e não candidato à igreja. Eu não compreendo como esta pergunta ainda possa fazer parte de um questionamento neste momento.

O deputado Marcelo Lelis já declarou que, como candidato, pretende se afastar das atividades parlamentares. O sr. pretende fazer o mesmo?
Eu consigo conciliar os dois trabalhos. Até porque o Regimento Interno não permite isso, a Constituição do Estado não permite isso. Será que nós vamos mudar uma Constituição Estadual, um Regimento Interno para satisfazer uma situação de candidatura? É possível você conciliar a atuação parlamentar e a busca eleitoral de uma candidatura. Não vejo motivo para afastamento. Talvez alguém queira pedir afastamento para fugir do debate. Porque no debate você tem de se posicionar contra ou a favor da matéria e isso pode gerar um desgaste e eu sou muito tranquilo com relação a isso. O deputado Eli Borges não deixa de se posicionar contra ou a favor de nenhuma matéria.

Esta seria, então, um tipo de estratégia do deputado para evitar um desgaste dentro da Assembleia?
Eu não posso dizer por ele. É um deputado que tem o meu respeito, agora, eu prefiro continuar no debate. Se o deputado pretende se afastar, as razões disso só cabem a ele.

Hoje temos alguns gargalos no desenvolvimento de Palmas, como questões relativas ao transporte coletivo e à saúde. O sr. já tem trabalhado em propostas para estas questões polêmicas?
Você tem de ver uma Capital em dois pontos básicos: o primeiro são os serviços básicos da cidade. A limpeza das vias públicas, o combate às endemias, a manutenção da malha asfáltica, etc. O segundo seria os investimentos estruturantes: o asfaltamento das quadras, a construção de pontes interligando alguns setores, interligando o centro, a rediscussão da avenida Teotônio Segurado, que é a espinha dorsal desta Capital. Ainda temos o problema das inundações da cidade com as chuvas – este assunto carece de uma solução urgente. Além do mais, nós precisamos melhorar o quesito transporte coletivo. Nossa cidade tem 30 km de comprimento por 8 km de largura, então você tem de fortalecer o eixão principal, melhorando a alimentação periférica, deixando o transporte mais ágil. Na questão da saúde, eu devo dizer que a prefeitura repassa R$ 40 milhões ao ano para que o Estado cuide de determinadas situações que seriam de competência do município. Quando eu estiver na administração municipal, pode ter certeza de que eu prefiro gastar estes R$ 40 milhões fazendo investimentos no setor da saúde para que a própria prefeitura faça estes atendimentos. Acho que o grande foco dessa administração para ela se tornar empreendedora é adotar uma política que gere, no mínimo, 20 mil empregos na agroindústria e na industrialização de vários produtos, que hoje são vendidos no mercado local e que, infelizmente, ainda se adota a medida de importação de outros Estados. Outro ponto importante que deve ser estudado é arrumar mecanismos legais para que os quase R$ 650 milhões do município fiquem no município.

Qual o seu posicionamento com relação à expansão do Plano Diretor de Palmas, questão que há algum tempo tem tomado conta das discussões municipais?
Existe o grupo que concorda com a expansão do Plano Diretor de Palmas e o grupo que não aceita. E todos apresentam os seus motivos. Mas se fizermos uma análise, vamos perceber que a média salarial do palmense é de 3,6 salários mínimos. O lote no centro da cidade custa, em média, R$ 100 mil, e lotes na região sul custam por volta de R$ 50 mil, em média. Que política você adotaria então para oferecer àqueles que não têm moradia própria lotes na faixa de R$ 30 mil em cem parcelas? Só existe uma: a permissão de lotea­mentos no que eu chamo de expansão urbana controlada. O que é isso? É aquela expansão em que não é permitido mais vazios urbanos, e o loteador leva a estrutura mínima, que é o asfalto, a água e a energia elétrica, e consegue colocar à venda os lotes a valores acessíveis, para que a população possa adquirir estes imóveis. O ponto número dois é a aplicação do famoso IPTU progressivo. O terceiro é trabalhar a verticalização da nossa cidade.

 

“Precisamos de um só nome do grupo nas ruas”

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O vereador Hermes Damaso (PR) retirou na semana passada a sua pré-candidatura a prefeito de Palmas, para apoiar um nome do grupo do prefeito Raul Filho (PT). Particularmente, torce para que seja o nome da deputada estadual Luana Ribeiro (PR). O parlamentar alertou para o grande número de pré-candidatos da base do prefeito que, “mesmo sem despontar nas pesquisas”, ainda mantém o nome na pré-disputa. Para Damaso, quanto mais tarde o grupo deixar para afunilar a escolha e lançar um único pré-candidato, menos tempo terá para consolidá-lo na população. “Esses que sabidamente ainda não conseguiram deslanchar nas pesquisas de intenção de votos, e até na aceitação de suas ideias, têm de retirar o nome para que os líderes principais, tais como o prefeito Raul Filho, o senador João Ribeiro, o próprio ex-governador Marcelo Miranda, o ex-governador Gaguim, estejam com um só nome colocando para os seus liderados. Existe a possibilidade de vitória, mas se  começarmos mais cedo, as chances com certeza aumentarão.


Tribuna do Planalto – O senhor anunciou a desistência de sua pré-candidatura à Prefeitura de Palmas para apoiar um nome do grupo do prefeito Raul Filho. O que o levou a tomar esta decisão?
Hermes Damaso – Desde o começo me coloquei como candidato a prefeito de Palmas. Mas como no nosso grupo existem vários pré-candidatos e nós precisamos afunilar para um nome e esse afunilamento precisa acontecer com urgência para que tenhamos um nome nas ruas que todos estejam defendendo, resolvi retirar meu nome. Mas também outro fator que pesou foi que encomendei uma pesquisa para meu consumo pessoal e meu nome não despontou com chances reais. Então, somada a vontade que a gente tem de ter um só nome para as ruas o mais rápido possível a esse não crescimento do meu nome, decidi que iria retirar a candidatura, até para facilitar o afunilamento para um só nome.

Como, e principalmente quando, o sr. acredita que esse afunilamento em torno de uma única candidatura do grupo deverá acontecer?
O primeiro passo é os pré-candidatos que hoje ainda não despontaram terem a grandeza de retirar suas candidaturas, em nome de um projeto concreto da eleição de um prefeito que realmente seja comprometido com Palmas, que tenha o perfil que o cidadão e a cidadã palmenses esperam. Esses que sabidamente ainda não conseguiram deslanchar nas pesquisas de intenção de votos, e até na aceitação de suas ideias, têm de retirar o nome para que os líderes principais, tais como o prefeito Raul Filho, o senador João Ribeiro, o próprio ex-governador Marcelo Miranda, o ex-governador Gaguim estejam com um só nome colocando para os seus liderados. Existe a chance de vitória, mas se nós começarmos mais cedo, as chances com certeza aumentarão.

Qual o prazo para este afunilamento?
Esse afunilamento já deveria ter acontecido. Eu espero que nós entremos nos mês de maio já com um candidato único. Porque ele já está atrasado e se nós passarmos do dia 1º de maio, estaremos perdendo tempo com o poder de comunicação com a sociedade, com o cidadão.

O sr. acredita numa fragmentação, em mais de uma candidatura do mesmo grupo?
Em política se diz que a única coisa que a gente não vê é boi voar. Essa possibilidade existe, mas eu espero que ela não aconteça. Espero que as pessoas que estão com o nome colocado tenham a grandeza de saber o momento de tomar uma decisão conjunta para sairmos coesos para as ruas.

Em sua opinião, quem do grupo do prefeito Raul Filho atualmente aparece melhor no cenário?
Eu gostaria de não falar sobre isso, até porque existem alguns companheiros, que são pessoas de primeira grandeza, mas ainda não cresceram perante a opinião pública. Mas é público e notório, as pesquisas estão aí e cada um deles sabe quais são as suas reais chances.

Como o sr. avalia a pré-candidatura do deputado estadual Marcelo Lelis, que ainda não obteve o apoio explícito do governo do Estado?
O candidato hoje apoiado pelo Palácio Araguaia eu acredito que não seja ainda definitivo. Pode haver surpresas e hoje, apesar do nome que está colocado liderar as pesquisas, é uma candidatura frágil, que eu não acredito que ela tenha sucesso no pleito eleitoral.

Por que o sr. considera Lelis uma candidatura frágil?
Eu tenho mantido contato muito grande com todos os segmentos da sociedade e existem restrições ao nome de quem está colocado. Existe uma imagem de uma pessoa que não conhece a realidade dos mais pobres e uma candidatura que não conhece essa realidade, ela está fadada ao fracasso.

O sr. acredita que o governo tem conhecimento dessa “fragilidade”?
Sim. O governo talvez tenha mais informações do que nós, porque ele tem o poder de estar permanentemente monitorando a nossa sociedade, através de pesquisas, de enquetes, de todas as formas. Eu acho que o governo trabalha com um plano B, mas tanto o plano A quanto o plano B estão fadados ao fracasso.

Qual avaliação o sr. faz da administração do prefeito Raul Filho?
Avalio como mais positiva. A maioria da opinião pública não está avaliando bem o prefeito, porque ele é extremamente teimoso quando se recusa a divulgar os seus feitos. Se observarmos os avanços que aconteceram em todas as áreas, se a população tivesse noção disso, o prefeito contabilizaria mais pontos positivos. Só para citar um exemplo, recentemente conversando com alguns amigos, pontuei os grandes avanços e algumas pessoas disseram que não tinham conhecimento dessas ações. Ou seja, o prefeito Raul é um homem sério, um excelente trabalhador, realizador de obras, mas não divulga o que está realizando. E é dever constitucional de um governante dar publicidade de seus feitos. O prefeito peca grandemente quando não informa à sociedade em geral o que já foi feito, o que está sendo feito e o que será feito ainda nestes nove meses que restam de mandato.

O sr. acredita que este tipo de “pecado” pode vir a atrapalhar o candidato que o prefeito apoiar?
Não. Tenho consciência que o eleitor não vota em partido, ele vota no perfil do candidato que ele quer. O apoio é hipotético para alguns, mas a grande maioria olha o candidato e não quem o está apoiando. O prefeito Raul Filho ajuda muito mais que atrapalha. É um homem de discurso convincente, até didático. Aquilo que não vai através dos veículos de comunicação, ele pessoalmente faz muito bem. E quando ele estiver num palanque, esclarecendo didaticamente o que ele já fez, pontuar os avanços, aí, sim, a população vai parar e pensar.

Até porque na campanha de reeleição, o prefeito Raul Filho vinha de uma desgaste grande e conseguiu reverter a situação. O sr. acredita que isso pode se repetir?
Essa volta por cima foi dada devido a parte de apoio que ele teve, mas principalmente ao poder de convencimento e o poder de comunicação que ele tem direto com o cidadão. Isso pode acontecer, porque eu hoje estou apoiando a candidatura de alguém do meu grupo, mas pessoalmente torcendo para que seja a candidatura da deputada Luana, que também é um nome forte. Somado ao poder do prefeito Raul, do senador João Ribeiro e aos demais líderes que nós temos, nós vamos ganhar a eleição, sim.

Qual a avaliação que o sr. faz desse quarto governo Siqueira Campos?
O quarto governo do Siqueira Campos está atrasado. Nós já estamos com mais de 30% do período do mandato dele já passado e realizou-se muito pouco. A experiência que ele tem já tinha de estar acontecendo logo no terceiro mês com grandes realizações e elas não têm acontecido. A população do Tocantins espera muita coisa, ele ainda tem uma dívida de campanha muito grande. Não digo dívida financeira, mas dívida de promessa com o povo, como baixar o preço dos combustíveis, da energia elétrica. Só a energia já subiu duas vezes depois que ele assumiu, os combustíveis altíssimos e nada foi feito. Se ele quisesse baixar o preço da energia, ele teria de ter feito uma renúncia de parte do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], que o cidadão paga, que chega perto de 30% da perda da energia. Se ele renunciasse ao menos um pouco em cima desse imposto, só aí já avançaria muito. Então houve muitas promessas ainda não realizadas. Há tempo de se cumprir tudo o que foi prometido em campanha, mas não há tempo para colher dividendos para as eleições municipais. Para 2014 há tempo ainda, mas não vejo vontade política para que isso seja feito.

O sr. acredita que, na atual conjuntura, o governo poderia atrapalhar mais do que ajudar um candidato como Marcelo Lelis, por exemplo?
Todo e qualquer político que tem história e tradição ajuda mais do que atrapalha, independente da avaliação do momento, porque sempre existem pessoas que o acompanham. Mas o eleitor está mais focado no candidato e não em quem o está apoiando.

Como o sr. avalia toda essa polêmica em torno da expansão do Plano Diretor de Palmas?
A população entende tudo, é sábia. A maioria sabe que não há necessidade de expansão do Plano Diretor, da área urbana. Uma parcela menor, claro, defende, mas quem defende a expansão está com interesses por trás. Interesses subliminares, não sei quais, mas há. Defendo que nós tenhamos uma cidade boa, bonita, agradável e, principalmente, uma cidade onde a população olha para ela e fala: “Esta é a cidade em que eu gostaria de continuar morando.”

O projeto de lei enviado pela Prefeitura de Palmas regulamenta algumas ocupações irregulares. O sr. quer que esse projeto seja aprovado na íntegra?
Meu posicionamento contra a expansão urbana foi claro. Nós temos que ter áreas onde os grande empreendimentos possam ser instalados para grandes empresas e isso tem de ser à margem da rodovia, porque nós temos de olhar a infraestrutura no geral. Temos de dotar essas empresas de condições que sejam interessantes para elas se instalarem aqui. Se nós não criarmos uma área para essas empresas, elas estarão atravessando o lago e se instalando no município de Porto Nacional e nós ficaremos com os problemas sociais e o município de Porto ficará com os dividendos das empresas. Nós sabemos que, num futuro próximo, a região de Luzimangues será emancipada, será uma necessidade. Nós teremos uma cidade no entorno de Palmas, com grandes problemas sociais, com grandes empresas e Palmas tendo de arcar com o ônus de estar mantendo e custeando o que outra cidade vizinha está arrecadando.

Sobre as audiências públicas para discutir a expansão, que estão previstas para acontecer, o sr. acredita que a população é quem irá de fato decidir sobre essa questão?
Hoje eu diria que as audiências públicas são quase desnecessárias, porque cada cidadão já tem sua opinião formada. Essas audiências vão apenas acirrar os debates, cumprindo uma questão de ordem legal. Mas considero desnecessário, porque se você sair na rua e perguntar, cada cidadão já tem sua opinião formada e a maioria é contra. Sou a favor de regulamentar individualmente cada problema que tiver como, por exemplo, o Sonho Meu, o Setor União Sul, ou seja, cada caso é um caso. Não podemos é usar esses problemas de regulamentação como argumento para expandir indiscriminadamente.

 

“Pesquisas vão mostrar quem é o candidato em Araguaína”

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Um mês depois de assumir mandato na Assembleia Legislativa na vaga do deputado estadual Sandoval Cardoso (PSD), o deputado Jorge Frederico disse que destinará todos os seus esforços para levar recursos do governo do estado para região de Araguaína, onde obteve 90% de sua votação. Segundo o parlamentar, que é pré-candidato da base do governo à Prefeitura de Araguaína, existe a possibilidade de uma composição de chapa com o ex-secretário estadual das Cidades, Ronaldo Dimas (PR), que desponta na preferência do eleitorado do município. “Acredito que o governo, através das pesquisas internas, que mostram o que população está querendo, deve decidir o candidato”, afirmou.


Tribuna do Planalto - Como o senhor observa o cenário político em Araguaína para as eleições municipais deste ano?
Jorge Frederico - Entendo que os grandes nomes de Araguaína vêm sendo comprovados nas últimas eleições. A questão de voto é muito significativa, a população vota em quem ela confia e isso é o que tem sido demonstrado nas últimas eleições. E nós temos colocado nosso nome à disposição da população de Araguaína, já que ela vem nos mostrando que estamos no caminho certo. Tivemos dois mandatos de vereador com quase quatro mil votos, uma votação histórica para o município, e conseguimos aumentar esse número nas eleições para deputado estadual para quase 10 mil votos só em Araguaína. Isso mostra que a população vem nos avalizando e avaliando positivamente ao longo do tempo. Estamos colocando nosso nome à disposição para que, dentro do processo democrático, não nasça uma candidatura de si mesmo e também para que fique demonstrada a nossa vontade.

Como o sr. avalia a composição de forças, visto que há vários pré-candidatos que são da base do governo, entre eles o ex-secretário Ronaldo Dimas (PR). Há uma possibilidade do sr. compor uma chapa com Dimas?
O secretário Ronaldo Dimas é um grande nome e um bom candidato. É uma pessoa que é de Araguaína e conhece a realidade da cidade. Nós entendemos que, estando todo mundo no mesmo grupo, existe totalmente uma viabilidade, já que nos conhecemos há muito tempo e sabemos os problemas que Araguaína tem. Lá também tem o secretário Agimiro Costa, que é um nome que vem despontando pelo PSDB, que é do partido do governador. Essa discussão já está se afunilando e o grupo do governo é quem deve decidir. Acredito que o governo, através das pesquisas internas, que mostram o que população está querendo, deve decidir o candidato.

O sr. acredita que quanto mais demorar para o grupo do governo oficializar o seu pré-candidato a prefeito menos tempo sobrará para se trabalhar esse nome?
Não acredito dessa forma, já que são nomes que estão consolidados no meio da sociedade. Essa decisão parte de um processo democrático, que precisa ser bem discutido, de confiança e de voto.

O sr. acredita na possibilidade do PR lançar a candidatura de Ronaldo Dimas independente de apoio do governo?
Entendo que o Partido da República é uma legenda da base do governo. O secretário Eduardo Siqueira tem tratado o partido de forma institucional, cuidando para que continue na base do governo, já que é um partido importante. Confio e acredito no PR, ele tem de ficar na base do governo, já que lutou para que isso chegasse e por que não agora continuar lutando pelos interesses do Tocantins. Por que o PR estaria fora de um governo que está caminhando e que deverá dar muitos passos nos próximos anos e tem tudo para estar junto do governo em Araguaína também?
 
O sr. foi eleito pelo PMDB e depois migrou para o PSD. Qual a possibilidade de haver uma aproximação com o PMDB em Araguaína?
Não vejo nenhuma possibilidade de aproximação e nem tenho nenhuma discussão política com o PMDB para os próximos anos. O PMDB é um partido de grande respeito, mas para o processo de eleição, acredito que estamos em ideologias opostas. O PMDB é um partido histórico, sem dúvida, mas, infelizmente, não tivemos oportunidade num partido que ajudei muito. Deixei grandes companheiros e grandes lideranças, mas no PMDB eu não tive as oportunidades de ajudar o povo do Tocantins como tenho aqui no PSD, que é um partido novo, um partido forte e com grandes projetos para o estado do Tocantins.

O sr. foi para o PSD pela possibilidade de aderir à base do governo?
Esta foi a primeira possibilidade. Existiu o convite do secretário Eduardo Siqueira, para que nós integrássemos a base do governo, onde Araguaína precisaria estar melhor representada e estamos tentando fazer com que essa representação seja positiva de fato. Estamos trabalhando desde a fundação do PSD, por entender que é um partido novo, que nos coloca também, como um político novo, nesse novo caminho.

Qual a avaliação que o sr. faz destes 30 dias como deputado estadual? Que projetos ou ações já apresentou e o que pretende defender?
Somos deputado estadual do Tocantins, mas a nossa base é a região norte do estado, é Araguaína, onde tive 90% dos meus votos e tento buscar, dentro das nossas possibilidades, recursos para Araguaína, procurando viabilizar e minimizar os seus problemas, que são muitos. Estamos fazendo esse trabalho com o governo do estado, de forma institucional. Tivemos a oportunidade de assumir uma vaga na Assembleia Legislativa, onde o governo levou o deputado Sandoval Cardoso para a Secretaria das Cidades, o que não é nada mais justo para um deputado que teve votos em mais de 120 cidades, que foi o mais votado do estado e conhece bem os municípios. Por isso, ele tem mesmo de ser o representante das cidades. Dessa forma, assumimos o mandato, após articulação e convite do secretário Eduardo Siqueira Campos, que entendeu que Araguaína precisa também estar melhor representada, porque a cidade só tinha um deputado até então, que é o Raimundo Palito, e agora conosco, entendo que o município fica melhor representado junto com o deputado Palito. Dentro desses 30 dias que estamos na Assembleia, apresentamos alguns requerimentos que solicitam melhorias, primeiramente com relação à trafegabilidade. Araguaína está numa situação bastante complicada, por isso solicitamos melhorias ao governo do estado, onde encontramos muita sensibilidade em atender à questão da trafegabilidade na região norte, para que possa escoar a produção da bacia leiteira. A produção agrícola em Araguaína também é muito grande e precisa de melhorias na infraestrutura. Além disso, vamos tentar levar recursos para o município, para que possamos melhorar a questão da trafegabilidade, já que Araguaína não tinha nenhum planejamento para o problema do trânsito. E se não pensarmos neste momento, onde há um crescimento significativo, daqui a cinco anos não haverá condições de se andar de carro na cidade.

O que levou a essa precariedade na infraestrutura das ruas de Araguaína?
É falta de planejamento ao longo do tempo, provocada de várias formas. O centro administrativo de Araguaína não tem a mínima condição de continuar onde está, precisa de um estudo para que possamos levar à cidade um novo centro administrativo. É preciso ter uma visão de futuro, porque o município contribui com o Tocantins com uma arrecadação considerável e temos de fazer com que essa arrecadação se torne cada vez maior. Precisamos preparar Araguaína para esse crescimento que já vem sendo mostrado ao longo desta década.

Pelo volume de recursos que Araguaína movimenta na economia do estado, o retorno em investimentos não está sendo feito na mesma proporção?
O que nós entendemos é que faltou planejamento ao longo desses últimos dez anos. A cidade vem crescendo de uma forma em que a população faz com que a cidade cresça. Existe um entendimento do governo do estado de que estávamos no momento de ajudar o poder público com esse crescimento, mas um crescimento planejado. Nesta última década existiu esse crescimento, mas faltou recurso ou faltou uma gestão pública competente nos últimos anos, para que Araguaína tivesse um crescimento planejado. Araguaína vem crescendo muito, arrecadando, contribuindo para o desenvolvimento do Tocantins, mas se fizermos isso de forma planejada, Araguaína vai contribuir muito mais.

Qual o principal desafio do próximo prefeito de Araguaína?
É executar este planejamento. Não adianta a gente planejar Araguaína para 20, 50 anos, se não começarmos a partir de agora. Nós precisamos pensar, principalmente, na questão do tráfego e do emprego. O tráfego em Araguaína hoje é um caos. Existe atualmente uma população que circula em Araguaína de mais de um milhão de habitantes e a cidade não está preparada para isso. Então, nós precisamos construir um novo centro administrativo, já que o setor administrativo se tornou um centro de comércio, cuja estrutura não está dando conta, e também precisamos pensar que em Araguaína existem excelentes instituições de ensino, como colégios, faculdades, é um polo universitário, e precisamos fazer com que essa mão de obra qualificada fique na região.

Araguaína está sofrendo com a questão do aeroporto, que foi reformado há pouco tempo, mas não foi liberado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por irregularidades na pista de pouso. Quanto o município perde com este atraso na liberação?
Existe uma parceria entre o governo do estado e a prefeitura, onde a obra foi concretizada. Agora a empresa que executou e que se responsabilizou pela obra não foi à Anac saber as exigências para a pista de pouso. Nós entendemos que tanto o governo quanto a prefeitura fizeram sua parte, alocando recurso e pagando à empresa para que ela executasse a obra. Agora, a empresa não cumpriu os compromissos que exigidos e temos de verificar essa questão com a Anac e com a empresa, para saber quais as cobranças que não foram cumpridas. Isso está atrasando muito, está prejudicando Araguaína e a região toda. Mas acreditamos que em poucos dias esse aeroporto estará liberado e virá com uma pista e galpão novos, dando maior conforto para quem vai chegar a Araguaína, fazendo com que empresas grandes possam pousar no município, o que é um sonho da população.

Qual a avaliação que o sr. faz do governo do estado?
Entendemos que o governo do estado vem de uma dificuldade e acredito que este ano de 2012 é muito promissor, já que o governo conseguiu se organizar. Existe uma preparação para que tanto este ano quanto 2013 e 2014 venham com um crescimento histórico para o estado do Tocantins.

 

“O povo não espera da gente brigas, mas ações”

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A deputada estadual Amália Santana (PT) se considera uma parlamentar de bastidores. Não se pronuncia muito, não entra em discussões acaloradas na Assembleia e nem critica colegas de plenário. Discreta, ela diz que o que tem de dizer o faz diretamente à pessoa envolvida na questão, especialmente quando se trata de alguma ação do governo. Desde que assumiu seu primeiro mandato de deputada, em fevereiro do ano passado, Amália Santana tem procurado evitar exposições na imprensa, mas, segundo ela, quando não concorda com alguma ação do governo, demonstra diretamente aos seus interlocutores, sem passar pela tribuna. “Minhas críticas são muito direcionadas para as pessoas que têm de ser e hoje nosso quantitativo de votos estaria muito mais alto pela nossa postura, sempre buscando, ao invés da briga, o retorno em trabalho, em ações”, afirmou.


Tribuna – Deputada, qual o balanço que a senhora faz desse primeiro ano do seu primeiro mandato?
Amália Santana – Vejo como positivo. O meu mandato veio na contramão da história do Tocantins. Acho que criou algumas polêmicas, mas o tempo se encarrega de mostrar a verdadeira postura, personalidade. Neste primeiro ano, as pessoas vão de fato conhecendo o meu perfil, que eu não vim à Assembleia para brigar e ser oposição por ser. Tenho compromisso pelo Tocantins com ações para os nossos municípios. Quando não concordo com alguns projetos, algumas ações do governo, costumo muito me pronunciar nos bastidores e alguns fatores foram determinantes para a minha postura. Eu não fui para a mídia dizer, por exemplo, sobre a questão dos bombeiros, que nós não concordamos, como foi a questão dos procuradores. Em nenhum momento eu fui à mídia dizer que não concordava. E para esse recuo, o meu voto e o do deputado Zé Roberto eram determinantes. Então, foi uma postura em defesa do trabalhador, que a nossa tomada de decisão foi decisiva. Além disso, eu tenho procurado ações para os nossos prefeitos e buscado, na medida do possível, melhorias para os nossos municípios, sabendo das dificuldades enfrentadas  no primeiro ano de qualquer gestão, seja municipal ou estadual. Não posso esquecer que o primeiro ano do governo Lula foi de muitos desafios e com o Estado não foi diferente. Sei do tempo de resposta aos anseios das pessoas, mas o mandato é feito de quatro anos. Da nossa parte, vamos continuar contribuindo sem criar hostilidade e sem apontar o dedo para ninguém. Nesta polêmica incluindo o Partido dos Trabalhadores, eu não me posicionei com agressividade a ninguém e não tenho essa pretensão de estar apontando o dedo, nem citando o nome de ninguém. Vim para contribuir, para ajudar o meu partido a se fortalecer, na compreensão de que rivalidade na política só diminui o grupo e qualquer grupo diminuído se enfraquece.

A sra. acredita que essa mudança de posicionamento do PT depois das eleições, alinhando-se ao governo contra quem disputou na campanha, foi uma decisão acertada?
Acredito que sim, até porque a rivalidade não soma. Ser oposição apenas para bater não contribui. Nós podemos deixar nossas sugestões, buscar políticas públicas e algumas discussões na Assembleia que eram rotineiras, por exemplo, algumas audiências públicas, que é nosso perfil, e nem por isso a gente perdeu a nossa identidade por estar votando algumas matérias do governo, que também a oposição tem votado, que é um bem comum, bem coletivo, e de forma nenhuma a gente se pronuncia de maneira hostil, só por ser oposição ao governo.

A Assembleia está num grau suficientemente maduro para entender que para algumas matérias não há oposição ou situação e, sim, o interesse público?
Vejo que o perfil dos nossos deputados é de bastante maturidade, mas nós estamos vivendo um momento em que afunila a disputa eleitoral, que pode trazer as discussões para a Assembleia, que em outros momentos não trariam. Mas é natural, há uma disputa e nesses últimos dias todos os discursos na Assembleia estão muito voltados para a realidade de Palmas, haja vista que nós temos vários deputados que têm pretensão de ser candidatos na capital. Então, muda um pouco a rotina do parlamento, mas na verdade eu acredito que nós estamos vivendo um momento de deputados com muita capacidade e maturidade para o nosso estado.

Como a sra. avalia a situação da saúde pública do Estado?
Vejo a dificuldade da saúde no Tocantins como a dificuldade que o país todo enfrenta. Vejo que o governo tem feito uma busca incessante por alternativas e, às vezes, busca e não tem sucesso, mas que continua buscando essa saída. Nós estamos torcendo para essas tentativas e para contribuir para que realmente a gente possa ter uma saúde de melhor qualidade, que as filas diminuam, que as cirurgias eletivas possam ser realizadas, assim como os exames de alta complexidade, mas que ainda é preciso de um tempo para que esses acertos venham. Assim como a dificuldade maior. Mas ainda tem de melhorar muito.

A sra. esteve recentemente visitando o Hospital de Augustinópolis. A sra. credita numa melhoria no atendimento na velocidade em que as pessoas precisam?
Na velocidade em que as pessoas precisam, não. Hoje nós poderíamos estar muito à frente, porque as necessidades das pessoas estão muito à frente do que o estado pode oferecer. Mas vejo o governo bem intencionado, com vontade de acertar e com mais firmeza.

A contratação da Pró-Saúde foi uma decisão acertada?
Eu acredito que nós temos de reavaliar, porque até agora não surtiu o efeito que o governo, que a Assembleia e que o povo do Tocantins esperam. Nós temos sentado com o governo para discutir, sugerir alternativas, para criticar, mas a nossa intenção maior não é aparecer na mídia.

A sra. é uma deputada de bastidores?
Sim, você pode ver que tenho pronunciado pouco, e minhas críticas são muito direcionadas para as pessoas que têm de ser. Hoje, fazendo uma avaliação na nossa região, nosso quantitativo de votos estaria muito mais alto, certamente pela nossa postura, sempre buscando, ao invés da briga, o retorno em trabalho, em ações e o que o povo espera da gente não é briga e, sim, ações. Na capital, não obtive um quantitativo grande de votos, porque as pessoas ainda não me conhecem muito bem, mas na minha região [Colinas] a satisfação das pessoas com o nosso trabalho na Assembleia é grande.

Como a sra. avalia a situação política em Colinas, onde há vários grupos que integram a base do governador Siqueira Campos com pretensões eleitorais? Como o grupo será afunilado? A sra. é pré-candidata a prefeita?
Tenho três anos de deputada estadual e quero cumprir todos eles. Mas estou empenhada na eleição dos prefeitos do Partido dos Trabalhadores, o que não é diferente em Colinas, onde estou apoiando a reeleição do prefeito Santana. Trato todos os grupos com muita consideração, respeitando a importância que cada um tem dentro do município. Estou com a obrigação de buscar a articulação política, uma vez que o nosso mandato nos dá essa condição e nós temos buscado fazer, no momento em que não estamos na Assembleia. Tenho procurado de toda forma que os grupos apoiem o meu candidato, o Santana. Quero muito contar com o apoio de toda a base do PR, do PRTB, do PPS, PSB, PDT e não descarto qualquer outro partido que queira nos apoiar. Hoje vejo com muito respeito o posicionamento do deputado Sandoval [Cardoso, PSD] com quem tivemos disputas muito fortes no município e que hoje nós viramos a página e estamos trabalhando em favor do nosso município e da nossa região. Estamos abertos ao diálogo com ele. Se ele estiver aberto ao diálogo, teremos qualquer tipo de conversa com qualquer partido.

A última eleição para prefeito em Colinas, da qual o seu irmão, José Santana (PT), saiu vencedor foi bastante disputada. A sra. acredita que esta também será?
Estou buscando menos tensão para facilitar os apoios para 2014. O partido dos Trabalhadores sem dúvida passa por Colinas e o reflexo dessas arranhaduras vai refletir em 2014. A gente torce e trabalha para que isso não aconteça.

A sra. crê numa candidatura própria do PT em 2014?
Acho que o tempo dirá. Estou trabalhando neste momento para evitar brigas e arranhaduras que possam prejudicar a nossa composição em 2014, porque se nós tomarmos como exemplo a Assembleia, o que houve foi reflexo de nossas divergências com os grupos anteriores, pela falta de respeito com que nos tratou. E por isso eu tenho zelado muito para que essas sequelas não reflitam em 2014.

No PT, esse racha que houve entre o grupo do prefeito Raul Filho e o grupo do prefeito José Santana com o presidente Donizeti Nogueira já é página virada?
Da minha parte e da parte do prefeito Santana, nós queremos virar a página. Nós temos de focar em coisas que constroem, que somam. Se a gente ficar com essas mágoas e ressentimentos isso vai dividir, e eleição, campanha são decididas com ações positivas. Nunca vi picuinha dar resultados satisfatórios. Da minha parte, não tenho entrado nesse conflito e, às vezes, as pessoas pensam que não entro no conflito porque não compreendo, porém estou atenta a tudo que se passa. Mas não tenho interesse de entrar nesse conflito, de ir para a mídia para falar de brigas internas, para falar mal do prefeito Raul, da deputada Solange, ou de quem quer que seja. Compreendo e sei perfeitamente tudo o que está acontecendo. Mas tenho ficado em silêncio, porque penso que o silêncio pode contribuir para o partido. Dessa forma, um atirando contra o outro, nós vamos sair divididos. Sempre deixamos claro que qualquer resultado dessas picuinhas não tem a nossa participação. Acho que é uma grandeza daqui para frente a gente virar a página.

Como a sra. avalia a composição de forças para a disputa na capital? A sra. defende uma candidatura própria do PT?
É preciso que o partido se posicione, faça a melhor escolha, com estratégia, maturidade e, principalmente, com malícia a tomada de decisão. Da minha parte, não vou estar dando muita sugestão, nem pitaco, mas digo que tudo aquilo que for construído na coletividade do partido eu vou cumprir, vou seguir e vou apoiar. Mas eu deixo a cargo dos diretórios municipal e estadual para tomar a decisão, pois irei seguir aquilo que for decidido pela maioria.

 

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