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Medicamento revolucionário dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas

Pílula experimental daraxonrasib dobrou sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático de 6,7 para 13,2 meses em estudo de fase 3 publicado no The New England Journal of Medicine


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 09/06/2026 - 16:52

Medicamento revolucionário dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas
Medicamento revolucionário dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas Foto: Getty Images

Um novo medicamento se mostrou capaz de fazer algo que parecia impossível: combater o câncer de pâncreas, o mais letal e o mais difícil de tratar entre todos os tipos de câncer . O anúncio foi feito durante um encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), com milhares de médicos presentes. A notícia foi aplaudida de pé pela plateia. Alguns oncologistas chegaram a chorar.

Embora não seja uma cura definitiva, o remédio consegue retardar a progressão da doença e dobrar a sobrevida dos pacientes com casos graves. O tratamento é considerado revolucionário por cientistas e tem potencial de se tornar o padrão nos próximos anos.

O medicamento em questão é o daraxonrasib, da farmacêutica americana Revolution Medicines. Ele atua bloqueando uma proteína que induz as células a se multiplicarem descontroladamente, gerando tumores agressivos e de difícil tratamento .

Como funciona o estudo

O novo estudo foi publicado no periódico The New England Journal of Medicine (NEJM). A pesquisa contou com a participação de 500 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo de câncer de pâncreas mais comum, responsável por mais de 90% dos casos .

Todos os voluntários tinham câncer com metástase, um estágio avançado da doença, quando o tumor começa a se espalhar pelo corpo. Todos também já haviam passado por quimioterapia, o atual padrão para esses casos .

Metade dos pacientes continuou a ser tratada com quimioterapia. A outra metade recebeu o daraxonrasib na forma de comprimidos orais diários. Essa foi a fase 3 do ensaio clínico, a última e mais importante. Antes, o medicamento já havia se mostrado seguro e promissor em outras duas etapas de estudo .

Resultados expressivos

Os resultados mostraram que quem recebeu apenas a quimioterapia teve uma sobrevida média de 6,7 meses. Já os pacientes tratados com o daraxonrasib apresentaram uma sobrevida de 13,2 meses – quase o dobro . Também houve melhora na qualidade de vida e redução da dor .

Ou seja: a pílula está longe de ser uma cura, mas, após décadas de pesquisas, essa é a primeira estratégia que combate o tumor mais letal e agressivo de todos .

Atualmente, apenas 3% dos pacientes com câncer de pâncreas metastático vivem mais de 5 anos após o diagnóstico . Quimioterapia e outras intervenções podem ajudar, mas com resultados limitados. Após a divulgação do estudo, espera-se que o daraxonrasib seja incluído no combate à doença .

Por que o câncer de pâncreas é tão letal

O câncer de pâncreas é considerado o mais letal de todos por dois motivos principais. O primeiro é que ele costuma ser silencioso: quando os primeiros sintomas aparecem e o diagnóstico é feito, ele pode já estar avançado .

O segundo motivo é que mais de 90% dos casos desse câncer envolvem uma mutação no gene KRAS, que codifica uma proteína de mesmo nome . Em situação normal, as proteínas KRAS funcionam como um interruptor celular: ligadas, elas induzem as células a se dividirem. Na maior parte do tempo, porém, elas estão desligadas .

Uma mutação nesse gene, no entanto, pode fazer com que esse interruptor fique acionado permanentemente. Isso resulta na multiplicação desenfreada de células e na formação de tumores .

Por décadas, cientistas tentaram criar fármacos que neutralizassem a ação da KRAS, sem sucesso. Por causa da estrutura única dessa proteína, nenhuma molécula conseguia se encaixar nela. Por isso, esse tipo de câncer de pâncreas ficou conhecido como intratável .

Estratégia inovadora

O daraxonrasib traz uma estratégia nova. Ele não tenta se ligar diretamente à KRAS, como nas tentativas anteriores frustradas . Em vez disso, ele se liga primeiro a uma molécula chamada cyclophilin A, que está envolvida no processo de formação de proteínas. É a combinação do medicamento com essa molécula, por sua vez, que consegue neutralizar a ação da KRAS .

Efeitos colaterais e próximos passos

O estudo também mostrou que o medicamento tem efeitos colaterais, como erupções cutâneas, diarreia e vômitos . No entanto, eles são menores e menos frequentes do que os registrados na quimioterapia .

No estudo, apenas 1% dos pacientes do grupo do daraxonrasib abandonaram o tratamento por causa dos colaterais. No grupo controle, que recebeu apenas quimioterapia, esse índice foi de 11% .

A droga experimental ainda não foi aprovada por nenhuma agência regulatória no mundo. Ela também não está disponível para uso fora de ensaios clínicos . Espera-se que a FDA (agência reguladora americana) analise os dados da farmacêutica nos próximos meses .

Outros estudos ainda devem mostrar como a pílula age em diferentes pacientes e estágios do câncer de pâncreas .

Impacto para outros tipos de câncer

O daraxonrasib pode abrir portas para uma nova era de medicamentos contra tumores . Vários cânceres, incluindo o de pulmão e o colorretal, também podem ser causados por mutações no gene KRAS ou em genes parecidos. O novo estudo indica um caminho para avanços científicos também nessas áreas.

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