Da recomendação de filmes nas plataformas de streaming aos assistentes virtuais, aplicativos de navegação, diagnósticos médicos e serviços públicos digitais, a inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia do futuro para se tornar uma presença constante na vida cotidiana. Agora, seu impacto avança sobre áreas estratégicas como educação, saúde, segurança e gestão pública.
A relevância desse movimento é confirmada por estudos internacionais. O relatório Global AI Jobs Barometer 2024, da consultoria PwC, aponta que setores com maior adoção de inteligência artificial registram crescimento de produtividade até 4,8 vezes superior aos demais. O levantamento, realizado em 15 países e baseado na análise de mais de 500 milhões de anúncios de emprego, mostra ainda que profissionais com competências em IA estão entre os mais valorizados pelo mercado de trabalho.
Na educação, a tecnologia também tem potencial para transformar a forma de ensinar e aprender. O Fórum Econômico Mundial destaca que a inteligência artificial pode personalizar o aprendizado, apoiar estudantes com diferentes necessidades, automatizar tarefas administrativas e permitir que professores dediquem mais tempo ao acompanhamento pedagógico. Nesse cenário, investir na formação de pesquisadores e no desenvolvimento de soluções tecnológicas tornou-se uma estratégia fundamental para preparar as novas gerações para a economia digital.
Em Goiás, essa aposta vem sendo construída por meio da parceria entre o Governo do Estado, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG). Mais do que desenvolver tecnologias, a iniciativa tem investido na formação de talentos, na concessão de bolsas de pesquisa e na criação de oportunidades para que estudantes participem de projetos capazes de gerar impacto social e econômico.
Investir em pessoas para construir o futuro
Criado em 2019 a partir de um aporte inicial de R$ 12 milhões da Fapeg, o CEIA nasceu com a missão de aproximar universidade, governo e setor produtivo para desenvolver soluções baseadas em inteligência artificial. Em apenas cinco anos, o centro tornou-se uma das principais referências nacionais na área.
Hoje, o CEIA acumula mais de R$ 400 milhões captados em investimentos, mantém parcerias com 77 empresas e instituições, reúne uma rede de aproximadamente 1.100 pesquisadores distribuídos em 21 estados brasileiros e já participou de mais de 120 projetos de inovação.
Boa parte desse crescimento está diretamente ligada ao investimento em bolsas de pesquisa e formação acadêmica. São estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado que atuam em projetos voltados para áreas como saúde, educação, agronegócio, logística, segurança pública e transformação digital.
À frente dessa estrutura está a diretora-executiva do CEIA/UFG, Telma Woerle de Lima Soares, doutora em Ciências da Computação e Matemática Computacional pela Universidade de São Paulo (USP). Com atuação voltada à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, ela acompanha de perto a formação de novos profissionais e o impacto das bolsas na construção de soluções inovadoras.
“Investir em bolsas é investir em pessoas. São os estudantes e pesquisadores que transformam conhecimento em soluções capazes de melhorar a vida da população. Formar jovens preparados para desenvolver e utilizar a inteligência artificial é investir no futuro do país”, destaca Telma Woerle.
Segundo ela, a inteligência artificial não deve ser vista apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como uma oportunidade de desenvolvimento humano e social. “A inteligência artificial está criando novas profissões e exigindo novas competências. Precisamos preparar nossos estudantes para esse cenário. As bolsas permitem que eles aprendam participando de projetos reais, desenvolvendo soluções que impactam a saúde, a educação, os serviços públicos e a economia”, afirma Soares.
Pesquisa que gera impacto social
O trabalho desenvolvido no CEIA tem como principal característica a aplicação prática do conhecimento produzido dentro da universidade.
Um dos projetos em andamento é o desenvolvimento de um assistente virtual para registros eletrônicos de pacientes. A solução utiliza inteligência artificial e modelos avançados de linguagem para auxiliar profissionais da saúde na elaboração de relatórios, criação de formulários personalizados e preenchimento automático de informações por meio de comandos de voz.
A expectativa é reduzir o tempo gasto com atividades burocráticas, permitindo que médicos e demais profissionais dediquem mais atenção ao atendimento dos pacientes.
Para Telma Woerle, esse é um exemplo de como a tecnologia pode atuar como aliada das pessoas. “Nosso papel é desenvolver tecnologias que ampliem a capacidade dos profissionais. Quando automatizamos tarefas repetitivas, liberamos tempo para aquilo que realmente exige análise, criatividade e cuidado humano”, explica a diretora-executiva.
Além da área da saúde, o centro desenvolve projetos voltados para mobilidade urbana, agronegócio, segurança pública, logística, educação e transformação digital dos serviços governamentais.
Governo e Fapeg fortalecem ecossistema de inovação
O crescimento do CEIA está diretamente relacionado a uma política pública voltada ao fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação em Goiás.
Desde sua criação, a Fapeg atua como principal parceira institucional do centro, financiando bolsas, projetos de pesquisa e investimentos em infraestrutura tecnológica. O modelo adotado, conhecido como tríplice hélice, reúne universidade, governo e empresas em torno de objetivos comuns de desenvolvimento.
O Governo de Goiás também tem ampliado sua atuação na área de inteligência artificial. Entre as ações mais recentes está a criação de novas políticas voltadas à transformação digital e à modernização dos serviços públicos.
Inteligência artificial para facilitar a vida do cidadão
Os resultados da pesquisa desenvolvida no CEIA já começam a chegar ao cotidiano da população. Uma das iniciativas anunciadas pelo Governo de Goiás prevê a oferta de serviços públicos diretamente pelo WhatsApp. Entre os primeiros atendimentos disponibilizados estão a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), a solicitação da Carteira de Identidade Nacional e consultas relacionadas ao licenciamento ambiental.
A proposta é utilizar recursos digitais para simplificar processos e ampliar o acesso da população aos serviços governamentais.Para especialistas, esse tipo de aplicação demonstra como a inteligência artificial pode contribuir para tornar a administração pública mais eficiente, reduzindo burocracias e aproximando o Estado dos cidadãos.
Educação como prioridade
Se a inteligência artificial está transformando o presente, a preparação das novas gerações tornou-se uma das principais preocupações de pesquisadores e gestores públicos.Por isso, iniciativas voltadas à formação de estudantes ganham cada vez mais relevância. Um dos exemplos é a Olimpíada de Inteligência Artificial Aplicada, promovida pelo Governo de Goiás, por meio da Secti, em parceria com o CEIA-UFG.
Pela primeira vez em âmbito nacional, a competição vai reunir estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de todo o Brasil para desafios relacionados à programação, ciência de dados, visão computacional e aprendizado de máquina.
Antes mesmo das provas, os participantes terão acesso gratuito a trilhas formativas em lógica de programação, linguagem Python e inteligência artificial aplicada. A iniciativa busca democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico e identificar jovens talentos capazes de contribuir para o avanço científico e tecnológico do país.
Para Telma Woerle, o contato com a inteligência artificial precisa começar ainda na escola. “Mesmo que o jovem não siga carreira na área de tecnologia, ele precisa entender como a inteligência artificial funciona para utilizar essas ferramentas de forma consciente e crítica”, explica Telma.
Para a pesquisadora, a inteligência artificial já faz parte da realidade e continuará transformando profissões e mercados nos próximos anos. “A inteligência artificial já está às nossas portas e afetando as nossas vidas. Precisamos preparar as novas gerações para as oportunidades e desafios desse novo cenário.”
Ao conectar educação, pesquisa e inovação, Goiás consolida uma estratégia que vai além do desenvolvimento tecnológico. O investimento em bolsas, formação acadêmica e produção científica prepara uma nova geração de profissionais para os desafios da economia digital e fortalece a capacidade do Estado de criar soluções que impactam diretamente a vida da população.

Olimpíada nacional de IA vai premiar estudantes e oferecer intercâmbio internacional
Estão abertas as inscrições para a Olimpíada de Inteligência Artificial Aplicada 2026. A competição, promovida pelo Governo de Goiás e pelo CEIA-UFG, terá abrangência nacional pela primeira vez e distribuirá R$ 420 mil em prêmios.
Além da premiação financeira, os 24 melhores participantes goianos classificados para a etapa final terão direito a um intercâmbio internacional de um mês por meio do programa Goiás pelo Mundo. Os integrantes das cinco equipes mais bem colocadas receberão valores individuais de R$ 10 mil, R$ 8 mil, R$ 6 mil, R$ 4 mil e R$ 2 mil, respectivamente, conforme a classificação final.
A competição é voltada para estudantes do 9º ano do ensino fundamental ao ensino médio e técnico. As equipes receberão formação gratuita em programação, Python e inteligência artificial antes das etapas classificatórias.
Segundo os organizadores, o objetivo é democratizar o acesso ao ensino de IA, estimular o pensamento computacional e revelar talentos para a economia digital. Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram oficial, @olimpiadaiaaplicada, ou pelo e-mail [email protected].
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo tutor responsável, exclusivamente pela plataforma oficial da competição. O resultado das inscrições será divulgado em 7 de agosto de 2026, com início das atividades formativas em 10 de agosto. A etapa presencial final e a cerimônia de premiação ocorrerão entre os dias 1º e 2 de novembro de 2026, em Goiás.















