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Goiás reduz reprovação, abandono e atraso escolar e reforça tendência nacional de recuperação do ensino médio

Censo Escolar 2025 aponta melhora simultânea nos principais indicadores de rendimento da rede pública. Estado acompanha avanço registrado no país, impulsionado por políticas de permanência, ampliação do ensino integral e fortalecimento da aprendizagem


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 28/06/2026 - 15:15

Ensino médio

A redução dos índices de reprovação, abandono escolar e atraso na trajetória dos estudantes marca uma mudança no cenário do ensino médio público brasileiro e coloca Goiás entre os estados que acompanharam essa evolução. Dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025 mostram que, entre 2022 e 2025, o estado registrou queda expressiva nos principais indicadores de rendimento escolar, refletindo uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência dos estudantes, recuperação da aprendizagem e ampliação das oportunidades educacionais.

Em Goiás, a taxa de abandono escolar caiu de 1,8% para 1% no período. A reprovação recuou de 3% para 1,2% e a distorção idade-série, indicador que mede o percentual de estudantes com dois anos ou mais de atraso em relação à série adequada para a idade, passou de 17,6% para 11,7%.

O desempenho acompanha a tendência observada em todo o país. No ensino médio público brasileiro, a reprovação caiu 62% entre 2022 e 2025, enquanto o abandono escolar diminuiu 61%. A distorção idade-série foi reduzida em 28% e a taxa de aprovação cresceu 11%, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Os números representam uma inflexão em relação aos anos posteriores à pandemia, quando redes de ensino enfrentaram aumento da evasão, dificuldades de aprendizagem e crescimento do atraso escolar.

Mais estudantes chegam ao fim do ensino médio

A redução simultânea da reprovação e do abandono indica que um número maior de estudantes consegue concluir o ensino médio sem interrupções no percurso escolar. Esse movimento também aparece na queda da distorção idade-série, resultado diretamente ligado à permanência dos jovens na escola e à progressão regular entre as séries.

Em Goiás, a redução de quase seis pontos percentuais na distorção idade-série representa um avanço importante para um dos indicadores considerados mais desafiadores da educação básica. Quando o estudante repete de ano ou abandona a escola, aumenta a probabilidade de concluir a educação básica fora da idade esperada. A diminuição desse índice sinaliza que mais adolescentes conseguem seguir o percurso escolar previsto.

No cenário nacional, os indicadores apontam na mesma direção. Além da redução do atraso escolar, a aprovação aumentou e o abandono atingiu um dos menores patamares da série recente.

Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, os resultados refletem uma mudança consistente na trajetória do ensino médio público.

“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica.”

Permanência escolar muda o cenário

Um dos indicadores inéditos produzidos pelo Inep reforça essa mudança. Entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28% no Brasil. Na prática, significa que mais estudantes voltaram para a escola no ano seguinte e permaneceram matriculados.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, destaca que esse resultado teve impacto direto sobre o número de matrículas. Segundo ele, caso o índice tivesse permanecido no mesmo nível registrado em 2022, o país teria aproximadamente 250 mil estudantes a menos frequentando o ensino médio em 2025.

Esse dado ajuda a explicar por que a melhoria dos indicadores ocorreu de forma conjunta. Quando menos estudantes abandonam a escola, aumentam as taxas de aprovação, diminui a repetência e reduz o atraso escolar.

Políticas educacionais ajudam a explicar os resultados

O Ministério da Educação atribui parte dessa evolução à ampliação de programas estruturantes iniciados ou fortalecidos a partir de 2023. Entre eles estão o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, responsável por apoiar estados e municípios na alfabetização das crianças nos primeiros anos do ensino fundamental, o Programa Escola em Tempo Integral e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas.

O Pé-de-Meia, criado em 2024, também aparece entre as principais iniciativas. O programa oferece incentivo financeiro aos estudantes do ensino médio da rede pública que mantêm frequência escolar, são aprovados ao final do ano letivo, concluem a educação básica e participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo o MEC, mais de 7,2 milhões de estudantes já foram beneficiados pela iniciativa em todo o país. Outra política que ganha destaque é a expansão da educação em tempo integral. Entre 2021 e 2025, o percentual de matrículas nessa modalidade passou de 15,1% para 25,8% da rede pública brasileira, alcançando cerca de 8,8 milhões de estudantes. Pela primeira vez, o país atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação, que previa pelo menos um em cada quatro estudantes da educação básica em tempo integral.

A melhoria da infraestrutura escolar também integra esse conjunto de ações. O número de escolas públicas conectadas à internet para fins pedagógicos cresceu 43,7% entre 2023 e 2025, passando de 66,8 mil para aproximadamente 100 mil unidades, após investimentos superiores a R$ 3 bilhões.

Avanços aparecem em outros indicadores

Os resultados do Censo Escolar dialogam com dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua Educação), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2024 e 2025, a taxa ajustada de frequência escolar líquida dos jovens de 15 a 17 anos passou de 76,8% para 80,6%, o maior índice desde o início da série histórica.

No mesmo período, a proporção de adolescentes dessa faixa etária que estavam fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4%, redução de 16,3% em apenas um ano. Outro indicador reforça essa tendência. As inscrições de concluintes da rede pública no Enem cresceram 46% entre 2022 e 2025, sinalizando que mais estudantes permanecem na escola até o último ano da educação básica e projetam o ingresso no ensino superior.

Goiás acompanha movimento, mas desafio permanece

Embora os indicadores revelem avanços importantes, especialistas apontam que o próximo desafio será transformar a permanência dos estudantes em ganhos consistentes de aprendizagem.

A redução da reprovação e do abandono representa um passo importante, mas precisa caminhar junto com a melhoria do desempenho em Língua Portuguesa, Matemática e demais áreas do conhecimento.

Em Goiás, os resultados do Censo Escolar mostram que a trajetória educacional segue em evolução. A queda simultânea da reprovação, do abandono e do atraso escolar demonstra que mais estudantes permanecem na escola e concluem o ensino médio na idade adequada.

Os dados também indicam que políticas voltadas ao fortalecimento da aprendizagem, ao incentivo financeiro para permanência, à ampliação da jornada escolar e à melhoria da infraestrutura começam a produzir efeitos mensuráveis. A continuidade dessas ações tende a definir se a recuperação observada nos últimos anos conseguirá se consolidar como uma mudança estrutural da educação pública brasileira.

Ensino integral e internet nas escolas reforçam transformação da educação pública

A melhora dos indicadores de rendimento escolar ocorre paralelamente à expansão da educação em tempo integral e da infraestrutura tecnológica das escolas brasileiras. Entre 2021 e 2025, o percentual de matrículas em tempo integral na rede pública passou de 15,1% para 25,8%, atingindo 8,8 milhões de estudantes e cumprindo, pela primeira vez, a meta prevista pelo Plano Nacional de Educação.

Outro avanço aparece na conectividade. O número de escolas públicas com internet para uso pedagógico cresceu 43,7% entre 2023 e 2025, passando de 66,8 mil para aproximadamente 100 mil unidades. Segundo o MEC, cerca de 24 milhões de estudantes já foram beneficiados pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas.

 

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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