O Papa Leão XIV usou as comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, neste sábado (4), para fazer um apelo direto em defesa dos imigrantes. Em carta enviada ao país onde nasceu, o pontífice afirmou que acolher, proteger e ajudar pessoas em situação migratória também faz parte da defesa da vida.
A mensagem foi divulgada no mesmo dia em que Leão visitou Lampedusa, ilha italiana que se tornou um dos principais pontos de chegada de migrantes que cruzam o Mediterrâneo em embarcações precárias. O local é símbolo da crise humanitária que pressiona a Europa há mais de uma década.
Na carta aos norte-americanos, o papa disse que receber imigrantes com “compaixão e generosidade” não deve ser visto apenas como caridade, mas como reconhecimento da dignidade humana.
“Receber os imigrantes com compaixão e generosidade não é apenas um ato de caridade, mas também um reconhecimento da dignidade que pertence a cada pessoa”, afirmou.
O gesto teve peso político. Leão já havia criticado, no ano passado, as políticas migratórias do presidente Donald Trump, classificadas por ele como desumanas. Agora, no aniversário da independência norte-americana, o papa voltou ao tema sem citar diretamente o republicano, mas reforçou uma mensagem que contrasta com a linha dura adotada por Washington.
Em Lampedusa, o pontífice também cobrou dos líderes europeus uma resposta mais ampla para a chegada de migrantes. A ilha recebe pessoas que deixam países africanos e atravessam o mar em busca de refúgio, trabalho ou segurança. Muitos fogem de guerras, fome, perseguições políticas e pobreza extrema.
Leão afirmou que o mundo precisa se tornar “mais humano” diante de quem deixa sua terra por necessidade. A fala se insere na continuidade da posição adotada pela Igreja Católica nos últimos anos, especialmente durante o pontificado de Francisco, que também visitou Lampedusa e fez da defesa dos migrantes uma das marcas de sua atuação.
Segundo dados citados pela imprensa internacional, mais de 7 mil migrantes já chegaram à ilha neste ano. O número mantém Lampedusa no centro do debate europeu sobre fronteiras, acolhimento e responsabilidade humanitária.













