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Empresário goiano, dono do Frigorífico Goiás e da “Picanha do Bolsonaro”, é acusado por mulher trans de não pagar programa e fazer ameaças

Acompanhante registrou boletim de ocorrência na Deam e afirma que empresário se recusou a pagar por um programa após discussão


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 10/07/2026 - 11:43

Picanha do Bolsonaro

Uma mulher trans, identificada como Aline (nome fictício para preservar sua identidade), registrou um boletim de ocorrência contra o empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, conhecido nacionalmente pela marca “Picanha Bolsonaro”. Ela o acusa de não pagar R$ 500 por um programa, de praticar transfobia e de fazer ameaças após uma discussão ocorrida durante um encontro em Goiânia.

Segundo o registro feito na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o encontro ocorreu no dia 15 de junho, após contato iniciado pelo empresário por meio do WhatsApp. De acordo com o boletim de ocorrência, Leandro já havia procurado a acompanhante anteriormente, em 2024, e voltou a entrar em contato neste ano para marcar o programa.

Ainda conforme o relato, o empresário permaneceu cerca de uma hora no apartamento da acompanhante. Durante o atendimento, teria surgido um desentendimento em razão do tipo de serviço sexual pretendido pelo cliente.

De acordo com o boletim, Aline afirmou que Leandro desejava uma prática sexual que ela não realiza. Após o empresário sair do banho, ela disse ter percebido que se tratava do proprietário do Frigorífico Goiás.

Ao reconhecê-lo, a acompanhante afirma que questionou o empresário sobre publicações consideradas transfóbicas feitas por ele nas redes sociais e sobre o fato de contratar os serviços de uma mulher trans. Segundo o relato, a conversa evoluiu para uma discussão.

Parte desse momento foi gravada em vídeo pela própria acompanhante. Nas imagens, ela questiona o empresário sobre declarações relacionadas à população trans. Em resposta, ele nega que determinadas ameaças tenham ocorrido, enquanto a mulher insiste nas críticas às publicações feitas nas redes sociais.

Confira o vídeo

Acusações de ameaça

Ainda segundo o boletim de ocorrência, após o desentendimento, o empresário teria oferecido dinheiro para que o vídeo não fosse divulgado. Aline afirma que recusou qualquer proposta e sustenta que nunca pediu dinheiro em troca de silêncio.

Ela também relata que, após a negativa, passou a ser acusada de tentativa de extorsão e recebeu ameaças.

No registro policial, consta a declaração de que o empresário teria dito: “Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você.”

O caso será apurado pela Polícia Civil.

Empresário ganhou notoriedade nas redes sociais

Leandro Batista Nóbrega ganhou projeção nacional por meio das redes sociais, onde divulga vídeos relacionados ao Frigorífico Goiás, ações promocionais e conteúdos políticos. O empresário mantém milhões de seguidores em seus perfis e é conhecido pela comercialização da chamada “Picanha Bolsonaro”, além de publicações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a outras lideranças conservadoras.

Ao longo dos últimos anos, também publicou conteúdos que geraram repercussão por envolver temas relacionados à população trans e identidade de gênero.

Redação Tribuna do Planalto

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