As maiores polêmicas da Copa do Mundo dos Estados Unidos/México e Canadá envolvem a intervenção política do presidente dos EUA, Donald Trump, para anular a suspensão do jogador norte-americano Folarin Balogun e os debates em torno do preço dos ingressos, além de contestações sobre a arbitragem em partidas decisivas. Donald Trump confirmou ter entrado em contato direto com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, com o objetivo de reverter o cartão vermelho recebido pelo atacante Folarin Balogun, o que garantiu sua presença nas oitavas de final contra a Bélgica.
A decisão de acatar o pedido de Trump gerou revolta internacional, mas pouco adiantou. Tudo começou quando o árbitro brasileiro Raphael Claus expulsou o atacante americano Folarin Balogun na partida contra a Bósnia. Insatisfeito com a decisão, Donald Trump ligou para o presidente da FIFA, pediu e conseguiu anular a suspensão do jogador. Além disso, o presidente americano chamou o árbitro brasileiro de “muito suspeito”, sugerindo que ele teria um histórico irregular, embora tanto o governo americano quanto a Casa Branca tenham admitido não possuir evidências concretas para embasar a acusação.

A postura do governo americano gerou repercussão internacional e a FIFA, junto com a Conmebol, saiu em defesa da da lisura e da trajetória do árbitro brasileiro no cenário mundial. Nos bastidores, a situação gerou incertezas sobre a escalação de Claus para as partidas finais do torneio, em função da proporção política que o caso tomou. Na partida das oitavas de final contra a Bélgica, os Estados Unidos foram impiedosamente goleados pela seleção européia e com o resultado de 4 a 1 em favor da Bélgica, acabaram eliminados da competição. Dentro de campo, decisões do VAR e atuações de árbitros foram alvo de severas críticas, especialmente após polêmicas envolvendo gols anulados em confrontos como Argentina e Egito.
Samir Xaud – O escândalo envolvendo o presidente da CBF, Samir Xaud, durante a Copa do Mundo diz respeito ao uso de recursos da entidade para custear viagens e estadias de luxo em Nova York para pessoas próximas, além do vazamento de fotos de uma suposta relação extraconjugal, o que acirrou disputas políticas nos bastidores. O caso explodiu logo no início do Mundial, quando o Portal Léo Dias revelou documentos indicando que despesas corporativas da CBF foram usadas para cobrir despesas de viagem de uma empresária de Roraima. Pouco depois, o escândalo aumentou com a divulgação de que sua própria irmã, Samara Xaud, também teve passagens para a Ásia custeadas pela Confederação em outubro de 2025. Samir Xaud e a entidade negaram qualquer irregularidade, afirmando que despesas particulares são custeadas pelos próprios dirigentes.
Para evitar maior desgaste à delegação brasileira que disputava o mundial, Samir Xaud deixou momentaneamente a concentração em Nova Jersey e viajou para Orlando. A crise inicial deu uma trégua durante a competição, mas voltou com força após a eliminação da Seleção Brasileira, reacendendo disputas pelo poder interno e suspeitas de “fogo amigo” na contabilidade da Confederação. Com a eliminação do Brasil da Copa, a CBF vive momentos de inquietação nos bastidores. Embora o presidente Samir Xaud tenha mandato confirmado até 2028, já começaram as especulações sobre quem poderá assumir o comando da entidade no próximo ciclo, ou até mesmo antes de terminar o mandato do atual presidente, já que são fortes os rumores sobre uma possível renúncia de Xaud.
Entre os nomes citados, está Francisco Mendes, filho do Ministro do STF Gilmar Mendes. Atualmente, ele ocupa a vice-presidência da Federação Matogrossense de Futebol, faz parte do Comitê Disciplinar da FIFA e atua também como diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, instituição que mantém parceria direta com a CBF em projetos relacionados à formação e educação no futebol. Mesmo sem exercer um cargo oficial na CBF, Francisco Mendes ganhou influência nos bastidores após a chegada de Samir Xaud.
Segundo informações dos bastidores da entidade máxima do futebol brasileiro, Francisco Mendes participa de decisões estratégicas e institucionais da CBF e já teria afirmado a interlocutores que contribuiu para a convocação de Neymar para a Copa do Mundo, onde o atacante do Santos participou apenas de duas partidas, entrando durante o segundo tempo. Com tantos escândalos, ingerências de poderes alheios ao futebol e jogo de interesses pelo poder na CBF, o resultado em campo não poderia ser diferente. A seleção Brasileira teve uma das piores participações em Copas do Mundo, em toda sua história. Um vexame mundial, uma seleção sem alma, sem time definido e sem a mínima vontade de vencer.

Convocação festiva – A CBF fez uma grande e desnecessária cena para anunciar os jogadores convocados no Rio de Janeiro. A convocação desagradou, pois deixaram de fora jogadores como o centroavante Pedro, do Flamengo, os craques Matheus Pereira e Gerson, do Cruzeiro, especialistas na meia de armação, para levar Neymar, contundido e totalmente fora de forma. Na véspera da Copa, a seleção perdeu o lateral Wesley, que se contundiu no último amistoso da seleção, e para seu lugar, Carlo Ancelotti convocou Danilo, médio volante. O resultado não poderia ser outro. O futebol brasileiro precisa ser passado a limpo, a começar pelo comando da CBF, que precisa rever seus próprios conceitos de gestão do futebol brasileiro. É preciso ter no comando da entidade maior do futebol nacional pessoas qualificadas para o cargo, e que as ingerências dos poderes sejam eliminadas.
O mesmo deve acontecer nas Federações, que são dirigidas pelas mesmas pessoas ao longo de décadas. Em Goiás, André Pitta foi presidente da Federação Goiana de Futebol durante muitos anos. Passou o comando para Ronei Freitas, seu subordinado, que agora lhe devolve a presidência da FGF, onde permanecerá como presidente no período de 2027 a 2031. Pitta foi eleito por absoluta unanimidade. É uma submissão e fidelidade dos colégios eleitorais, tanto nos Estados como em âmbito nacional, difícil de entender.
Nesta Copa do Mundo, os presidentes do Goiás, Atlético e Vila Nova viajaram para os Estados Unidos, a convite da CBF, para assistirem a estreia do Brasil na competição. Tudo pago pela CBF, obviamente. Se os dirigentes goianos foram convidados, certamente todos os dirigentes dos clubes das séries A e B do Brasil participaram do grande trem da alegria. Nessa locomativa festiva, estiveram também dirigentes de Federações de todo o Brasil.

Conselho do Goiás aprova mudanças no estatuto
Em reunião realizada na noite da última terça-feira na Serrinha, o Conselho Deliberativo do Goiás aprovou em primeira votação as mudanças propostas para o novo Estatuto do Clube. A principal mudança é a volta da figura de um presidente executivo, com cinco vice-presidentes, de esportes olímpicos; iniciação esportiva e social; de Marketing; Comunicação e Novos Negócios; Administrativo, Financeiro e de Patrimônio: Jurídico e Vice de Futebol, Profissional, Feminino e de Base. A diferença em relação ao modelo existente até 2023 é a manutenção do cargo de Diretor Executivo, atualmente ocupado por Leonardo Pacheco.
A reunião para a segunda votação do Conselho ainda não está marcada, mas ficou definido que no final do ano o Goiás passará por nova eleição para a escolha do novo presidente do Clube. Desde o final de 2023 o Goiás é administrado por um Conselho de Administração, dirigido por Aroldo Guidão. Esse modelo não deu certo, tem sido muito criticado pela torcida e parte da imprensa, por isso está sendo alterado, com a volta do modelo anterior. Esperava-se mudanças maiores no sistema eleitoral do clube esmeraldino. O colégio eleitoral é composto por 250 Conselheiros que precisam estar adimplentes para exercer o direito de voto. A maioria deles é alinhada com a família Pinheiro, o que praticamente inviabiliza a formação de uma chapa de oposição ao grupo que comanda o Goiás atualmente. Mas essa mudança não aconteceu.
Com um Conselho formado por pessoas “escolhidas a dedo” desde os tempos de Hailé Pinheiro, a oposição aos atuais dirigentes não consegue número suficiente de votos para registrar uma chapa. O sistema presidencialista está voltando ao Goiás, mas o novo presidente a ser eleito no final do ano vai sair da vontade do atual representante da família Pinheiro, Paulo Rogério. Isso quer dizer que o Goiás não vai mudar com as alterações do Estatuto. O clube esmeraldino só vai mudar quando todos os sócios tiverem direito a voto e os esmeraldinos históricos serem respeitados no Goiás, com direito a concorrer aos cargos diretivos do clube, de forma livre e democrática. Esse é o Goiás que a torcida espera, para voltar a ser grande, retornar à série A e assustar os grandes do futebol brasileiro, como sempre fez em jogos no estádio Serra Dourada.














